27 de Maio de 2009

Francis Bacon e as top models

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Só um museu como o Metropolitan para colocar duas exposições que parecem tão distantes sob um mesmo teto: Francis Bacon e Modelos como musas. O Metropolitan é daqueles museus enormes, que você só tenta visitá-lo de forma “completa” da primeira vez, depois descobre que apesar de caro, sim os museus em NY custam agora 20 dólares, o jeito é mesmo focar em algo específico, a menos que suporte ficar dias dentro de um mesmo lugar.

A ala americana foi restaurada, mas mesmo assim fui apenas para ver a retrospectiva de centenário de nascimento de Francis Bacon. Acho que é imperdível, Bacon é um pintor difícil, não é fácil simpatizar com suas interpretações do ser humano, não é fácil nos vermos comparados a um bicho qualquer, termos o lado animal retratado, incomoda. Incomoda mas é necessário, descobri por que tanto boca (uma das obras citadas por Vargas Llosa em Elogio da madastra é exatamente uma de suas cabeças), Bacon queria retratar tão e bem as bocas quanto Monet o pôr-do-sol.

Como Bacon, também acho que pela boca é possível conhecer muito bem um homem. Se tiver um tempo, vale mergulhar na história desse que foi um dos mais importantes pintores do século XX e que teve dois amantes mortos na véspera da inauguração de duas importantes exposições.

Sai de lá, o Metropolitan conseguiu muitos quadros e também algumas fotos, base para os quadros, fisicamente cansado mas resolvi dar uma desanuviada na exposição sobre as modelos como musas. Entrei de cara meio amarrada e me surpreendi positivamente. Foi um contraste ótimo para a temática de Bacon. É incrível como o mundo da moda é falsamente glamoroso, por detrás de todos aqueles clicks especiais, residem os mesmo animais dos quadros de Bacon, as pequenas imagens acima retratam a mesma coisa, consegue perceber?

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