Arquivo: Maio de 2009



Até tu ONU!

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Confesso que não tenho a mínima competência para avaliar a gestão de Koffi Annan a frente da Organização das Nações Unidas (ONU), mas matéria de ontem no Estadão do futuro autor da Virgília, Jamil Chade, me deixou pasmo.

O artigo é sobre o livro que seu porta-voz está lançando, e fala sobre as pressões que sentiu do governo americano, principalmente depois da questão do Iraque. Se você ainda não leu As ilusões perdidas, é melhor ir devagar, já há questão do post abaixo, sobre a confusão na FAAP, que, independente de quem estiver certo, também recomenda a leitura de Balzac. O final do artigo é forte, narra a transmissão do cargo para o coreano Ban Ki Moon que no discurso, depois de elogiar o terno de Annan, disse que iria limpar a ONU.

Annan replicou com uma insinuação antológica: se você conseguir limpar a ONU, dou o telefone do meu alfaiate…

Honestidade por aproximação - Para quem estuda ou estudou na FAAP, para quem se preocupa com fundações!

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Dando uma fuçada nas novidades da livraria da Vila hoje, fui surpreendido pelo livro que estava em primeiro lugar na lista dos mais vendidos em não-ficção, olhei de novo e o título me pareceu deslocado, Honestidade por aproximação. Não conseguia entender como um livro, aparentemente sobre ética, poderia ter alcançado tal posição, eis que começa um burburinho sobre o que estava se passando na FAAP, alunos e supostamente professores ligando para lá (o livro foi lançado lá), querendo saber se existiam ainda exemplares à venda e se quem comprasse poderia ser identificado.

É claro que meu lado humano/fofoqueiro logo se ascendeu. Peguei o livro na mão é vi pessoas que conheço, resolvi comprar naquele instante. Havia também toda uma discussão dos mandatos de segurança e outras questões jurídicas, me pareceu que seria briga das interessantes.

Comecei a ler e só parei no final. É claro que a autora, a jornalista Wanderléia Farias, não consegue se conter e não é nenhuma versão feminina e brasileira do Gay Talese, escorregando em vários momentos para um limite emocional, talvez com seus interesses. Sempre quando vejo briga nesse nível, começo a imaginar onde está a origem de tal discórdia, tomara seja mesmo o desejo de ver não só a Fundação Armando Álvares Penteado, como também todas as outras, bem administradas e cumprindo suas funções.

Independente dessas derrapadas, as acusações são muito sérias e muito graves. Crimes sofisticados e crimes grosseiros. Toda a diretoria é acusada frontalmente. Não sei se é fato ou boato que a editora distribuiu 1.000 cópias na porta da faculdade e que a direção autorizou a segurança a partir para a apreensão dessas cópias, mas fico feliz de ver o velho e bom livro no centro de uma questão como essa, bem no momento onde a discussão maior é se o livro vai ou não morrer. Num ponto concordo, se todos tivessem seus leitores digitais, os seguranças teriam muito mais trabalho em apreender as supostas cópias, eis aí uma vantagem do livro digital, “ações clandestinas”…

Brincadeiras à parte, não tenho veredicto, nem lá estudei, mas o assunto é sério, envolve a direção e muitas autoridades, principalmente do judiciário. Deixo o blog aqui à disposição da diretoria da FAAP para se defender, da autora e editora para atacar e dos alunos, corpo docente e dicente para se manifestarem. A única coisa que não pode acontecer é ninguém levar essa “briga” adiante. Agora que os fatos sejam investigados e somente a verdade aprisione!

Lágrima pela obra - Mario Benedetti

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Morreu ontem Mario Benedetti, escritor uruguaio de quem já li dois livros e enrolava para ler o melhor, A trégua, tarefa que inicio hoje, como homenagem póstuma.

Foram 88 anos de vida e 80 livros, entre poesia, contos, ensaios e novelas. Vale conferir.

Se foi até lá, não volta sem seu livro

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A Blackwell, rede de livrarias especializada em livros universitários, principalmente na Inglaterra, acaba de colocar em prática na sua filial da Charing Cross em Londres sua máquina Espresso. É só escolher o livro e em 3 minutos ele é impresso e entregue. Não testei, fiquei com uma vontade enorme de ir até lá. Mas ainda não encontrei um patrocinador para essa minha curiosidade profissional. A tecnologia vai mudar o mundo do livro, ninguém sabe para onde…

Hoje no Aliás, Sérgio Augusto mostra que em março a Wiley teve um recorde negativo, o de pirateamento de seus livros. O presidente francês está estudando medidas para punir quem baixar livros piratas. Está aberta a temporada de “novas maneiras para evitar que a indústria editorial tenha o mesmo fim da indústria fonográfica”. Eis uma briga de vai me atingir diretamente.

4 Ss: Sergio Britto e Samuel Beckett no Sesc Santana

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Ontem fui assistir a montagem paulistana de A última gravação de Krapp e Ato sem palavras 1, textos de Samuel Beckett com direção de Isabel Cavalcanti que estreou na sexta lá no Sesc Santana.

O ator Sergio Britto, algo admirável de ver um homem de 85 anos, trabalhando com a maior competência e dignidade, mostrando seu corpo sem vergonha dos sinais da experiência, é de primeiríssima linha, o autor também, mas eu não gostei tanto, são dois “textos”, quem for assistir vai entender as aspas, curtos, o total não chega a uma hora.

Preferi o segundo, com uma música muito forte e instigante a mostrar o quanto nós humanos tentamos as alternativas que vemos ou somos chamados a atenção até um certo ponto, depois, nem que fique a mão, uma parte de nós, nada mais faz, pode ser interpretado como desistência ou como manhã, a figura de Britto faz crer que é uma desistência, uma redenção as circunstâncias da vida.

Se não achei brilhante, mesmo assim, fica acima da média de outros espetáculos com globais.

A minha Flip, já escolheu a sua?

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Eu vou a Flip, você vai? O homenageado deste ano será o poeta Manuel Bandeira, vou aproveitar e mergulhar um pouco mais na obra dele. Acaba de sair a programação oficial, se quiser saber mais: www.flip.org.br.

Queria ir também ao Festival da Mantiqueira, mas estarei viajando, uma pena, ano passado também não consegui ir. A programação também é interessante, terá uma mesa com o Jorge Caldeira sobre história que gostaria de ver, acontece apenas em 2 dias, algo menor.  Se estiver pensando em ir a Flip, eis algumas das razões:

1) Gosta de literatura e livros e quer aproveitar para conhecer o que pensam alguns autores e curtir Parati;
2) Quer parecer bacana e inteligente;
3) Está precisando conhecer ou encontrar bacanas e inteligentes para patrocinar algum projeto seu;
4) O coração tá apertado e gostaria de resolver isso com alguém metido a bacana e inteligente;
5) Gosta de muvuca ou NDA…

Eu já escolhi as mesas, acredito que não vá conseguir comprar na Tenda dos Autores, mas a Tenda do Telão resolve bem, afinal, todo em todo avião, a classe econômico é bem maior do que a Executiva e a Primeira somadas…

Minhas escolhas:

Dia 1 - mesa de abertura com o Davi Arriguci sobre o Manuel Bandeira

Dia 2 - Mesa 2 Separações: Rodrigo Lacerda e Domingos de Oliveira
             Mesa 3 Verdades inventadas: Tatiana Levy, Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues
             Mesa 5 Deus um delírio: Richard Dawkins - sem medo do castigo divino…

Dia 3 - Não vou fazer mais nada, participar de todas as mesas

Dia 4 - Mesa 13 Segredos de família: com Anne Enright e Tobias Wolff
             Mesa 14 Fama e anonimato: Gay Talese com Mario Sergio Conti

Dia 5 - Mesa 16 - O futuro da América: Simon Schama com Lilia Moritz Schwarcz
             Mesa 17 - Antologia pessoal: Edson Nery da Fonseca e Zuenir Ventura

Plano B - Plan B - In the bubble by John Thackara 7

capaplanob4x6.jpgEsse é o sétimo post sobre o livro Plano B preparado pelo autor. No final dele estão os links para os detalhes do livro no site, ou então para os sites de venda das livrarias. Aproveite tudo o que o John tem a dizer, qualquer dúvida, cheque no site dele: www.thackara.com. Lembre que ele estará no Brasil na primeira semana de novembro, depois darei maiores detalhes:

EXTRACT - LITERACY

A few years ago I met a woman in Bombay who was completing her Ph.D. in social anthropology. She had just returned from a field trip to Rajasthan, where she had spent time with a group of traveling storytellers. This particular group went from village to village, unannounced, and would simply start a performance in the village square. Although each story would have a familiar plot—the storytelling tradition dates back thousands of years—each event would be unique. Prompted by the storytellers, who held up pictorial symbols on sticks, villagers would interact with the story. They would be part of the performance. I commented to the woman that with that depth of knowledge about interaction and the combined use of words and images, she could get a job with Microsoft tomorrow. “What’s Microsoft?” was her reply.

This episode confirmed my prejudice that when we talk about design for communication, what we actually mean is the design of messages. As a consequence, the world is awash in print and ads and packaging and e-mail spam, but these one-way messages do not contribute to our understanding. On the contrary, they are the output of a point-to-mass mentality that lies behind the brand intrusion and semiotic pollution that despoil our perceptual landscape. The average American is now exposed to 254 different commercial messages in a day, up nearly 25 percent since the 1970s. Advertising people call this the “clutter problem”—and solve it, of course, by adding to the clutter. We’re so flooded by noise that it’s hard to understand what’s going on

continue…

Informações sobre o livro:

Comprar Plano B na Livraria Cultura

Comprar Plano B na Livraria Saraiva

Buy In the Bubble at Amazon

Espelho LXI

Ser humano é precisar da diferença do outro para completar nossas aspirações, mas é também cuidar para que essas diferenças funcionem muito mais como uma separação, a que garante que iremos continuar como estamos, quer nos achemos, melhores, e mesmo se nos achemos piores, no mínimo, continuamos buscando a completude que de fato não queremos…

Não deveria chamar feira - SP Arte

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Quem está em São Paulo pode visitar até domingo a nova edição da SP-Arte a “feira” brasileira de arte.

É supostamente um evento comercial, mas que o visitante pode ter uma ótima noção do nível e da diversidade da produção atual, só está errado o nome de feira. Feira para mim é sinônimo de pessoas tentando atrair os fregueses para comprar, mas o mundo da arte não se concebe assim.

No fundo é um monte de galerista preconceituoso, esperando pelo “banqueiro”, talvez tenha se esquecido que os bônus de abril, neste ano não devem ter vindo, porque de resto, esforçam-se muito pouco, se não para vender, pelo menos para tentar formar novos compradores ou colecionadores.

A feira cresceu e bate o recorde de 80 galerias. Dessas, fui bem atendido em no máximo 4, uma de um amigo, uma onde já comprei uns 2 trabalhos e duas que de fato tentaram ser simpáticas e atenciosas. A grande maioria deve ter estudado na escola da Luisa Strina, grande galerista de São Paulo e, para mim, das mais antipáticas. É incrível, além de não colocarem informação fácil, ainda fazem cara de frescos.

Talvez assim vendam menos, mas continuem a manipular os artistas, em sua grande maioria com pouco espaço para divulgar o trabalho e precisando de muita complementação para viver.

Caros, nem só dos colecionadores carimbados, vive o mundo das artes…

Zazie na estante

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Sempre acompanho com curiosidade e fetiche os lançamentos da CosacNaify, os da Coleção Particular, mais ainda. É sempre gostoso incorporar um outro sentido na leitura, esse hábito tão solitário e “antigo”. Assim, comprei Zazie no metrô, de Raymond Queneau, que eu não conhecia. Existiam 2 opções, comprei a mais festiva que se revelou de difícil manipulação, a edição ficou muito mole, papel bíblia até na capa, e sofreu bastante me acompanhar a semana que passei lendo.

Como o pósfacio do Roland Barthes era elogioso e importante, fui até o final, mas foi só por isso. (li o posfácio quando estava na página 40, já querendo abandonar). Nesse mesmo posfácio há a discussão em torno do livro, eu facilmente me integro aos que não gostaram, entendo a seriedade da brincadeira, a importância de alguns pontos, mas, talvez por deficiências de ouvido musical, não é o tipo de humor que me pega. É confuso, todas as dúvidas me atrapalharam mais do que me desafiaram, como não entrei no jogo, fiquei com aquela cara de criança fazendo algo forçado, para me aproximar de Zazie que pode ser uma criança ou já alguém um pouco mais “envelhecida”.

Li também o material que foi lançado para a divulgação, tem até um capítulo inédito que foi cortado do livro, apesar de todos os esforços, não me apaixonei e acredito que vou precisar de muita argumentação para relê-lo. Para não me mostrar completamente contra o gênero, comecei a ler um livro do Italo Calvino, vamos ver o que acharei…

Bezos e a “desejada sociedade sem papel”

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Esse cara aí acima, famoso por suas risadas, insiste que o mundo aspira “uma sociedade sem papel”, livre-me disso cara pálida. Não tenho esse sonho não, a não ser por um monte de malas-diretas idiotas que eu ainda recebo, mas cada dia em quantidade menor.

Ainda prefiro os livros nas estantes, as fotografias em papel e em porta-retratos variados, os quadros de tela ou gravuras nas paredes. Se o mundo se tecnologizar completamente, terei que me bandar para o mundo dos sebos e antiquários? Mas por mais que goste de tecnologia e estar me programando para comprar um Kindle, confesso que não me arrependi nenhum um pouco do meu antigo leitor eletrônico, esquecido nas estantes da minha casa de campo e nunca por mim lido (sim, eu já inclusive produzi versões eletrônicas dos livros lá na Negócio, há dez anos), não me culpei pelos dólares que na época investi…

Os jornais de ontem traziam essa discussão. Aliás, a mídia séria tem se mostrado bastante incompetente nesse quesito. É claro que o Kindle é um fato jornalístico importante, mas faz-se um estardalhaço sem nenhum número oficial. Com certeza o “buzz” é muito maior do que o negócio e a tal Cassandra reversa vai se materializar. Há uma briga entre a Amazon e os jornais para definir o percentual de receitas. A McGraw-Hill não participou da apresentação, resolveu dar uma peitada na Amazon e a cutucou com a Sony e o iPhone e uma universidade faz um teste para checar o aproveitamento dos alunos: kindle x livros tradicionais. Temo que esteja se esquecendo da essência, mas uma vez se desvia para a forma.

A discussão mais interessante remeteu ao que erroneamente se convencionou chamar de “esnobismo literário”. Sou um praticante confesso, mas acho que nada tem de esnobismo a prática. Avaliar alguém pelos livros que le e tem nas suas estantes é algo certeiro, passível até de uma teoria mais bem elaborada. Os blefadores são facilmente desmascarados, só impressionam de fato seus concorrentes… Que as capas e os livros ainda tenham sobrevida e que eu possa imaginar como é aquela pessoa que carrega aquele livro, não a tal biblioteca invisível que cabe no Kindle DX (aliás, acrônimo para DeLuxe…).

Para quem quer olhar a vida pelas lentes de uma máquina

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Na última quinta passei correndo no lançamento do Bob Wolfenson, Cartas a um jovem fotógrafo, aliás, lancei os três primeiros livros dessa coleção, Herdeiro, Terapeuta e Chef (Renato Bernhoeft, Contardo Calligaris e Laurent Suadeau),  antes de ir para o do Mergulho na base da pirâmide. Admiro bastante o trabalho do Bob, não só como fotógrafo, mas também como editor de revistas, já fiz o comercial da revista S/N, e artista.

O livro conta a história do Bob e uma parte da fotografia brasileira, do Bom Retiro para o mundo.

Apesar das pisadas, vale a leitura…

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Num mercado com quase nada de informação, quase tudo é bem vindo, nem que seja um livro escrito de forma gostosa mas com alguns erros e outros buracos (esses inevitáveis sem história e histórico de preservação de memória)

Um deles é inadmissível. Como lançar um guia de livrarias no Brasil e não ter lá a Livraria da Vila em São Paulo? Não existe razão, aí não pega mal para o autor, e até para o editor, na fase antiga, do livreiro Aldo Bocchini, a Livraria da Vila já era antológica e importante, na nova fase, com o Samuel Seibel, ela ganhou fôlego extra e tem hoje a loja de livros mais bonita do Brasil, a do Shopping Cidade Jardim. A da Lorena foi premiada em concurso de arquitetura no ano passado em Londres, falha gravíssima.

Também diz no livro que a Livraria do Globo tinha fechado lá em Porto Alegre, me deparei com ela essa semana. Ao narrar como um dos livreiros ganhava dinheiro o autor confunde conceitos economico-financeiros de forma primaria.

Mas, apesar de tudo isso, ainda recomendo a leitura, é claro que fiquei com um pé atrás, desconfiado da veracidade, mas em terra de cego, quem tem um olho é rei, inda mais se esse olho vê, neste caso, lê, coisas interessantes. Continuo achando que “mexer” com livro no Brasil não é das tarefas mais lucrativas.

No mínimo, ganhei uma nova história para consolar os autores com pouco amigos ou sem muita moral, tá bom, existem também os tímidos que não reforçam o convite. A antiga era a do Nelson Rodrigues que sem andar de avião, foi até Florianópolis para uma noite de autógrafos de carro, numa estrada famosa por ser perigosa, foi e voltou na mesma, não apareceu ninguém. A contada pelo Ubiratan Machado neste Pequeno Guia Histórico das Livrarias Brasileiras, da Ateliê, é do José Saramago em Brasília. Ia a década de 1980, se não me engano 84, Saramago ainda não tinha ganho o Nobel, e fez uma noite de sete autógrafos na capital federal, quadro deles para o embaixador de Portugal…

Programa em Porto Alegre - Fundação Iberê Camargo

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Quem está ou passa por Porto Alegre deve ir visitar a Fundação Iberê Camargo. Daqueles programas capazes de colocar o homem numa posição reflexiva diante de deu tamanho. A arquitetura tem essa outra face de sua beleza estética, o enquadramento, muitas vezes utilizada pelo mal. Mas Álvaro Siza, arquiteto português, vale um passeio por alguns de seus projetos, nem que seja pela internet, utilizou para o bem.

O prédio é muito bonito, os rasgos no concreto branco permitem ver ora o Guaíba e o tremular das águas, ora o barranco e a natureza do fundo. Vários detalhes, inclusive os ícones dos banheiros, que achei dos mais charmosos, última foto à esquerda.

Está em cartaz uma exposição sobre o próprio Iberê Camargo, da qual, a curadoria deixou a desejar, vi uma na Pinacoteca muito mais interessante e diversificada, há supostamente uma sala para o acervo permanente, e nela, além de poucos quadros, tem um enorme, de uma série que está na exposição, ou seja, redundante. Iberê é mais do que está exposto na sua própria fundação, não deveria.

Mesmo assim valeu ter ido, sugiro que quem for assista ao vídeo, Iberê em processo. Além de ver o pintor em ação, é possível ouvir e aprender com ele: “tivemos que destruir muita coisa boa para chegar nesse ótimo…”

Espelho LX

Ser humano é olhar para o outro, diferente, algumas vezes para aprender, mas muitas outras para garantir a distância, mesmo que voluntariamente trabalhe. A fiança da distância é a proximidade falsa que conforta o lado que quer esconder…

Realidade encarada - Mergulho na base da pirâmide

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O novo livro da Virgília, e do André Torretta, chega às livrarias atentas, saiu uma nota ontem na Gazeta Mercantil, outra hoje no Valor e a noite de autógrafos é amanhã na Saraiva do Shopping Iguatemi em São Paulo. Isso mesmo, Shopping Iguatemi, escolhido de propósito pelo seu histórico de classe A. Foi uma decisão minha e do autor para se evitar uma folclorização da Base da Pirâmide. Sofrem, são maltratados e esquecidos, mas não podem, não querem e não devem ser tratados como coitados. Nenhum ser humano resiste a essa humilhação, por mais que se acomode, e algumas vezes até goste, mas aí, não há muito mais por fazer.

Se você quer conhecer melhor uma parte imensa deste país, eis uma ótima oportunidade. Um livro forte, desde a capa, com prefácio do Mano Brown, que como já colocado aqui, não passou a mão na cabeça de ninguém. Este livro não está defendendo o consumo, mas reconhecendo que as identidades hoje são constituídas, também, por meio dele, e a partir daí, mostrando para as empresas que não dá para falar com essas pessoas de dentro de confortáveis escritórios, e, principalmente, que não se tratam de um bando de idiotas, doidos para consumir seus produtos “sofisticados”, quem tem interesse em Marketing ou mesmo trabalha com pessoas dessas classes, eis uma abordagem diferenciada.

Leia mais sobre o livro aqui nesse site, clique aqui:

Passarão x passarinho - Casa de Cultura Mario Quintana

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Andando pelo centro de Porto Alegre hoje tive a sorte de me deparar com a Casa de Cultura Mario Quintana, tinha interesse em visitar mas não incluí no meu programa. O acaso me levou ao antigo hotel Majestic, onde uma reprodução do quarto do poeta Quintana está disponível para visitação.

É um dos maiores centros culturais que já visitei no Brasil, com uma ótima estrutura. Entre teatros e cinemas se pode visitar um memorial à Elis Regina e a biblioteca Érico Veríssimo, além de material que remete a produção de Quintana, quem não se lembra, pode checar nas paredes o questionamento de Quintana diante dos obstáculos que os outros lhe colocariam pela frente, aqueles, passarão, ele, passarinho. Poucas vezes a liberdade foi melhor expressa.

A única crítica fica a utilização da Casa, muita programação de gosto duvidoso, nem arte, nem cultura, apenas um trabalho social, válido, mas perigoso e possível de mediocrização, falta ambição. Falta objetivo de formar mais artistas e público exigente e qualificado, nas várias expressões que lá existem, falta uma maior reverência a inspiração de Mario Quintana.

Amizade e valores - Questões de honra - Louis Begley

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Se você tem um pouco de tempo e paciência, eis uma ótima leitura, gostei mais do que a média das críticas. Begley recria o ambiente universitário de Harvard e os preconceitos teoricamente contra judeus, mas facilmente extensível a qualquer um tentando ascender em sociedades conservadores, ou seja, qualquer sociedade, a elite sempre é assim.

Por meio de três amigos há uma profunda discussão do que é essência, relacionamento com os pais, valores profissionais, questões morais. A sociedade americana, um pouco mais em detalhes, mas também outras sociedades ficam expostas as tentativas do brilhante Whyte, na verdade Weiss e no final ainda uma outra pessoa na eterna e na fácil busca de identidade pela qual todos nós passamos ou deveríamos passar se no mínimo ambicionamos uma vida própria.

Para quem negocia com os de cima, a parte onde ele narra a escolha e encenação da peça Ubu, a mesma do Jarry encenada pelo Ornitorrinco em São Paulo na década de 1980, só que nos anos 1940, é uma lição de jogo de vaidades e protocolos.

A relação do já muitíssimo bem-sucedido advogado Whyte com seu enorme cliente no episódio de disputa com o governo francês é também outra aula, das mais significativas.