
Num mercado com quase nada de informação, quase tudo é bem vindo, nem que seja um livro escrito de forma gostosa mas com alguns erros e outros buracos (esses inevitáveis sem história e histórico de preservação de memória)
Um deles é inadmissível. Como lançar um guia de livrarias no Brasil e não ter lá a Livraria da Vila em São Paulo? Não existe razão, aí não pega mal para o autor, e até para o editor, na fase antiga, do livreiro Aldo Bocchini, a Livraria da Vila já era antológica e importante, na nova fase, com o Samuel Seibel, ela ganhou fôlego extra e tem hoje a loja de livros mais bonita do Brasil, a do Shopping Cidade Jardim. A da Lorena foi premiada em concurso de arquitetura no ano passado em Londres, falha gravíssima.
Também diz no livro que a Livraria do Globo tinha fechado lá em Porto Alegre, me deparei com ela essa semana. Ao narrar como um dos livreiros ganhava dinheiro o autor confunde conceitos economico-financeiros de forma primaria.
Mas, apesar de tudo isso, ainda recomendo a leitura, é claro que fiquei com um pé atrás, desconfiado da veracidade, mas em terra de cego, quem tem um olho é rei, inda mais se esse olho vê, neste caso, lê, coisas interessantes. Continuo achando que “mexer” com livro no Brasil não é das tarefas mais lucrativas.
No mínimo, ganhei uma nova história para consolar os autores com pouco amigos ou sem muita moral, tá bom, existem também os tímidos que não reforçam o convite. A antiga era a do Nelson Rodrigues que sem andar de avião, foi até Florianópolis para uma noite de autógrafos de carro, numa estrada famosa por ser perigosa, foi e voltou na mesma, não apareceu ninguém. A contada pelo Ubiratan Machado neste Pequeno Guia Histórico das Livrarias Brasileiras, da Ateliê, é do José Saramago em Brasília. Ia a década de 1980, se não me engano 84, Saramago ainda não tinha ganho o Nobel, e fez uma noite de sete autógrafos na capital federal, quadro deles para o embaixador de Portugal…