Maio de 2009
Veja, o velhinho aí acima, 77 anos, escreve numa máquina, se bem que já elétrica, demora entre 7 e 10 anos para escrever um livro e fica dentro dos limites do fato, mesmo que tenha criado a categoria menos hard fact que exista, o New Journalism.
Ontem saiu na Folha, hoje no Estado, amanhã tem novo livro dele na praça, Vida de escritor, que eu, um fuçador das relações, primordialmente da minha própria relação matrimonial, aguardo com um pouco menos de interesse do que o próximo, esse sim sobre seu casamento com a editora Nan Talese. Diz Gay que preferiu ele mesmo escrever sobre isso do que deixar para biógrafos que saberiam menos sobre o assunto, acredito que será o livro dos relacionamentos, baterá os de Beauvoir.
Se quiser ver os vídeos de sua entrevista, uma parte explicando o seu processo de criação, a outra defendendo os jornais e a profundidade das coisas, clique no link abaixo:
Gay Talese no Estadão
Maio de 2009
De agora em diante vou separar os posts Lágrimas, antes de mais nada, a inspiração desse título veio da coluna do Daniel Piza, adotei porque tenho dificuldades com as lágrimas que insistem em rarear na minha face, devo ter levado a sério o que meu pai falava, mas não posso culpá-lo e creio que já trabalhei o emocional para tentar substituir as líquidas que não caem.
Assim existirão duas categorias de lágrimas, a positiva, pela obra que não deverá agregar mais nada pela morte ou aposentadoria, e a negativa, pelo que pensa, ou melhor, pelo que deveria pensar ou fazer, mas faz numa direção contrária.
A estréia da Lágrima pelo que pensa vai para Lula Vieira da Ediouro em entrevista em O Globo da semana passada. Ao explicar o que os levaram a investir em O Segredo, a única explicação plausível para alguém com a mínima capacidade de raciocínio seria: ambição comercial. Ver neste livro que já vendeu mais de milhão e meio de exemplares uma boa leitura é algo que me deixa pasmo para alguém que já foi um publicitário de quem eu já até li um livro, se alguém leu O Segredo é gostou, já está mais do que na hora de elevar a leitura, e isso, sem precisar cair no literato criticado pelo incoerente Viera (tem um programa chamado “Livraria Paradiso”), que acaba sua entrevista dizendo que detesta lugar-comum. O que é o tal do segredo?…
Maio de 2009

Morreu ontem Augusto Boal, aos 78 anos, uma das mais criativas e ativas personalidades do teatro brasileiro. Juntou teatro e a ação ideológica ao criar o Teatro do Oprimido e obter reconhecimento mundial. Foi no ano passado designado embaixador do teatro pela Unesco. De seu obituário de O Globo de hoje é possível retirar a definição para o que criou: “É um teatro sem dogmas e realizado por meio de um conjunto de exercícios que ensina o ser humano a utilizar uma ferramenta que ele já possui e não sabe. O homem traz esta característica teatral dentro de si. O que este tipo de teatro faz é liberar esta capacidade e ensinar à pessoa como dominá-la”.
Fui um admirador mais intelectual do que praticante ou espectador da obra de Boal, mas confesso que cantei muito a música Meu caro amigo, Chico Buarque e Francis Hime, durante minha adolescência e só hoje tive consciência de quem foi o homenageado.
Maio de 2009




Fomos, programa familiar, visitar a exposição Trilhas do desejo - Artes visuais, da iniciativa do Itaú Cultural Rumos. Foram selecionados 45 artistas, ainda acho que a pintura continua maltratada, é verdade que minha mulher pinta e posso a estar defendendo inconscientemente, mas eu ainda gosto de uma boa tela na parede.
Se não é nenhum grande impacto visual e conceitual, existe o tal Caça-obras, jogo educativo para crianças. Diria que funciona para crianças e também para pré-adolescentes… Meu filho de quase 12 anos mudou sua expressão facial e ânimo quando começamos a fazer o tal jogo, minha filha de 5 anos embarcou fácil. A última imagem aí acima é do jogo de batalha naval que fizemos e que nos fez falar nos antigos telefones de tecla, que eles nunca tinham visto… Se não empolga como arte, vale como porta de entrada para as crianças.