Arquivo: Junho de 2009



Tinha que ser você: se fosse livro estaria na zona da auto-ajuda e da alta-ajuda

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Assisti Tinha que ser você. Gostei, é o que acredito de mais honesto se pode fazer para o público geral. Há temática, há vida real, há sonho, há desejo, mas fica no limite, apela, mas não escancara.

Sim, dois ferrados se encontram já no segundo tempo. Um não consegue ser músico, conforma-se em ser publicitário, quantos escritores publicitários você não conhece? (conheço vários), já fiz aqui minha homenagem quando da morte do Zé Rodrix que deixou de ser músico para criar os jingles que Harvey cria no filme. Outra não consegue se livrar da mãe e talvez dos fantasmas de um aborto.

Aparecem barreiras, mas o mérito do filme é os personagens não fugirem do seu passado. Não o socam no desvario do presente e nas perspectivas futuras. É claro que o filme foi feito para o espectador torcer, mas está mais para futebol amador do que para os galáticos do Real Madri. Torci, é um bom passatempo, dá para levar aquele amigo que te acha mais inteligente e ele vai sair do cinema também se achando mais inteligente. Se eu fosse você não contaria que aquilo fica na zona fronteiriça. Se o amigo achar meio bobo, na próxima, leve-o a um francês dos tradicionais…

Twitter, sou contra! Ainda mais com o Mano

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Pode ser que eu mude de idéia, acho difícil, mas ainda não consegui aderir ao twitter, é verdade que aderi ao blog quando este já estava crescido e hoje, incorporei-o a minha rotina, mesmo sem ficar em busca de ferramentas para aumentar sua efetividade. Acho que deve ser democrático, quem quiser, que o visite.

É claro que sou prolixo demais para o twitter, e por mais que isso possa ser um defeito meu, acho um exercício desnecessário de concisão esse negócio de cento e poucos caracteres, nesse tamanho não há reflexão…

Também não entro em algo em que o Mano Menezes é tido, pela mídia inglesa, como um dos dez mais influentes do mundo. Sinceramente, só sendo corintiano muito desocupado para seguir o Mano (sou são-paulino e estou “curtindo” uma entressafra), acho-o competente em campo, mas basta. Não quero saber mais nada sobre ele, deixe-o fazer o que quiser. Num mundo com o Mano de referência, o que será dos manos???

Fica Sarney!

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Junte-se a mim na campanha Fica Sarney!

Veja se não tenho razão, se Sarney sair, o máximo é da presidência do Senado, duvido que teria a hombridade de renunciar e prestar o serviço de esclarecer alguns pontos e levar consigo apenas aqueles que como ele, já meteram de fato a mão na jaca.

Deixar a presidência do Senado é o caminho mais fácil e rápido para nada acontecer, tudo continuar como está, no ritmo que vem sendo tratado. Acredito que a FGV, eu estudei na de São Paulo, em geral mais séria que a Fundação e suas concessões no RJ, vai apresentar outro relatório dizendo o que fazer, sem dizer, porque nada vai mudar do jeito que precisava. Isso me lembra um jantar ontem, o pai de meu amigo é um dos mais bem sucedidos executivos do país, meu amigo falava sobre detalhes da casa, brinquei que divulgasse aquilo, a imagem do pai ficaria comprometida, era o típico exemplo de casa de ferreiro, espeto de pau. Não interessa que é alguém ocupado, é a casa dele…

E o Senado? Bem, o Senado é um reflexo do povo brasileiro. Sarney é aquilo, todos os outros senadores são aquilo, quem não for, sim, que saia, deixe os iguais lá. Tirar o Sarney agora é fingir que vai se moralizar. É fingir que algo está sendo feito. Prefiro então que lá fique, pelo menos, não terá tempo para escrever mais nenhuma obra. A cultura brasileira agradece a política. Toneladas de papel poderão continuar árvores, melhores que a criação deste brasileiro acostumado a clamar por brasileiras e brasileiros apenas no início de seus formais discursos.

Deixa o Sarney no Senado, assim ele nos lembra quem somos e não escreve mais nada!

Cultura é para ter ou mostrar?

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Você vai para a Flip (Festa Literária de Paraty)? Eu vou, mas concordo com uma reflexão colocada por José Godoy no Valor de ontem: a literatura está se tornando a nova vedete do verniz da maquiagem social.

O que isto quer dizer? Talvez que seja mais produtivo demonstrar ter cultura do que vivenciar a cultura, internalizá-la e modificar a ação. Confesso que fico um pouco receoso de não conseguir ver nos números de venda de livros, todo o entusiasmo observado na Flip, nas aulas da Casa do Saber, da Escola São Paulo e tantas outras iniciativas.

Dá para entender, lógico. Pegue António Lobo Antunes, li apenas um livro seu, não é um escritor fácil, bem mais fácil é assistir sua palestra, conhecer duas ou três histórias suas e utilizar isso como cartão de apresentação, como adicional de inteligência diante de um interlocutor com tantos ou mais buracos do que você. Ou então uma aula, não é melhor um professor herdeiro dos cursinhos, mastigar todo o pensamento filosófico daquele grego ou francês e ainda por cima, correr o risco de conhecer um carão bonitão, uma mulher interessante. Muito mais fácil do que mergulhar sozinho na obra desses caras todos, que é claro, pouco se preocuparam em criar um caminho de acesso universal.

Fico me perguntando qual é a média de leitura de todas as pessoas que rapidamente já fizeram esgotar os ingressos para a tenda dos autores e até para a tenda do telão. Imagino que Lobo Antunes nunca se imaginou tão lido no Brasil. Se sim, não teria ficado 25 anos sem vir para um lugar que fala a sua língua e guarda um pouco de sua história…

Quem me encontrar pode tirar a prova, estarei sem maquiagem, cosmética ou cultural…

Livros tóxicos! Você sabe do que se trata?

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Não, não é nada disso, não é a esse tipo de droga que o pessoal se refere ao falar sobre Livros Tóxicos. Não sei a posição deles sobre drogas, mas sei que criticam bastante a utilização de conteúdo apenas ligado ao “mainstream” no ensino de economia das universidades.

Para eles, tóxico é o conteúdo neoclássico de qual FHC foi tão acusado pelo PT, depois outro seguidor convicto da teoria. A idéia do professor Edward Fullbrook, da universidade West of England, é olhar para todos os lados quando se pensa em economia e não apenas nas soluções tradicionais que tiveram nessa última crise, sua contestação mais direta.

É uma discussão econômica técnica e importante. Debates entre correntes ideológicas podem sim acrescentar um pouco de brilho e criatividade às soluções, mas se incluídos representantes das mais diversas classes e interesses, poderiam representar um amadurecimento e uma aproximação com os valores principais de uma fatia mais representativa de toda a população do que a que vem sendo privilegiada há tempos.

Se quiser conhecer mais sobre o assunto, deixo a indicação do Caderno Eu & Fim de Semana do Valor Econômico de ontem, ou então, o site do ensaio Toxic Textbooks, clique aqui:

Michael Jackson, morreu sem se encontrar

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Nunca gostei muito da produção de Michael Jackson, talvez tenha preferido as músicas do tempo do Jackson Five, mas é inegável a importância dele para a música pop mundial. Lendo um de seu obituários descubro que já vendeu 750 milhões de disco, é muita coisa.

Mas o que me chamou mais a atenção foi como alguém chega aos 50 anos vivendo tão superficialmente, tão sem coragem de se enfrentar. Foi o preço do sucesso? Da exposição? Não sei detalhes se brigou com a cor ou com o vitiligo, pouco interessa, nos dois casos há a recusa psicológica por trás. Brigou com preferências, com formas, com o tempo, aceitou poucas coisas, não se satisfez com nada, nunca se encontrou. Triste.

Se acontece nas melhores, imagine nas outras…

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Sim, eu conheço o universo familiar, coordenei o Acontece nas melhores famílias e escrevi um capítulo. Já vivi e li o bastante, inclusive o Ilusões perdidas de Balzac, mas por pior que aconteça nas famílias empresárias, parece que é ainda distante da família bigoduda e política lá do Maranhão.

É incrível, fico imaginado como será o Natal deste ano deles. Deixo como sugestão de leitura um livrinho que lancei como editor há uns 5 anos, Socorro: roubaram o meu queijo. Tive uma discussão interna que hoje descubro me fazer mais sentido. Alguns na editora queriam classificar o livro como parábola, eu bati o pé e fiz questão de deixar como o que era, paródia, mas no Natal lá no Maranhão ele pode servir como parábola…

Aliás, a história deste livro é um exemplo de como as coisas são desconexas nesse país. Vendeu mais de 10.000 cópias, número absurdo para o mercado editorial brasileiro, foi totalmente na cola do Quem mexeu no meu queijo, best-seller para medianos com pouca criatividade e profundidade. Fiz o teste, perguntei para a área comercial tanto da editora quanto das livrarias e ninguém sabia explicar do que se tratava. Eu sei, explico aqui e talvez seja a solução não só para leitura, mas também para um novo livro do patriarca da família.

Na história, os personagens, envolvidos em escândalos econômicos são presos, reclamam da mudança de regras e dos honorários dos advogados e para ganhar dinheiro para pagar, resolvem escrever um livro de auto-ajuda, especificamente porque não dá trabalho e vende muito, dinheiro fácil, para o autor. Daí escrevem uma história comparando funcionários-padrão e ratos, uma tiração de sarro só.

Fica a sugestão, se conheço o Brasil, apenas de troca de presentes para A família maranhense, para que eles se divirtam um pouco mais nesse encontro, encontrem um quebra-gelo, porque não consigo pensar em todos fingindo que está tudo normal e merecem ser respeitados. Se quiser ver outras versões sobre isso, basta acompanhar o Zé Simão na Folha.

Resistir é possível!

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Por enquanto apenas li o posfácio de Hammerstein ou a obstinação, onde o autor explica porque não o considera um romance e como foi se aproximando da história do general e comandante do exército Kurt von Hammerstein-Equord. Hammerstein, apesar de toda a sedução e força popular na direção de Hitler, não o apoiou, manteve-se a margem e sofreu, junto com sua família a consequência disto.

Comprei também porque na orelha há uma menção a gênero indefinível, o autor explica o recurso da conversa entre mortos e vivos para explicar pontos da história e da sua utilização de fontes de pesquisa. Mas comprei principalmente para ver, pelas lentes de um lúcido intelectual, um pouco mais do período e das condições de formação de tamanho mal, reforçando algumas máximas de Bertrand Russell que apontam que muitas vezes se a maioria aponta numa direção, essa é a garantia do caminho errado, tão e simplesmente, pela qualidade da amostra média do gênero humano.

Minha fila de leitura está enorme, meu volume de trabalho grande, mas vou começar. Hoje descobri quatro livros começados, isso não me importa, o que me assusta, é que só lembrava de dois… Fica a dica.

A consciência até desaliena! Pena que não em todos

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O Caderno Aliás de ontem revelou um personagem para mim desconhecido, o desembargador Márcio Moraes, então jovem juiz que no ano de 1978, numa jogada do sistema (passaram um processo de enorme peso para um jovem substituto com receio que o titular, a beira da aposentadoria já não temesse mais o futuro e tomasse decisão na direção que Moraes resolveu seguir), que saiu pela culatra, escolheu abandonar o medo e a alienação e como declarou no jornal fez uma opção: “uma encruzilhada pessoal, em que tive de ser digno da situação que o destino me colocou ou não poderia mais me olhar no espelho”.

Condenou a União Federal e contribuiu para a abertura política. Recebeu ameaças, arriscou seu futuro e o da família, mas preservou o espelho. É interessante como alguém sem participação política, sem maiores questões ideológicas e que até tinha ficado comendo pastel num bar, numa manifestação e desafio contra o sistema quando da morte do Vlado, teve consciência que há horas em que não se pode recuar. Esse acordou no timing certo, deve ter tido uma vida mais leve que a do Curió do post abaixo…

Valeu Márcio Moraes, fez mais do que muito dos corajosos que pegaram em armas e hoje atiram contra suas próprias biografias, e o pior, de dentro do poder!

Não li Meu querido Vlado do Paulo Markun, lançado pela Objetiva em 2005, mas já li outros livros dele. Escreve bem, tinha um envolvimento próximo com o assunto e deve ter relatado coisas interessantes. Fica à sugestão para os interessados no assunto.

Os homens falam e os pássaros cantam!

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Eu não sei porque os pássaros cantam. Quando menino tinha mania de tentar te-los presos em gaiolas, acompanhar sua reprodução. Os grandes inimigos eram os gatos, era horrível acordar cedo e ver a gaiola vazia, apenas restos de penas, tinha canários, azulões e curiós, pássaros difíceis, raros lá na minha região.

Mas nessa mesma época, em outra região tinha um Curió atuante, não tinha medo de gatos, não tinha medo de nada, talvez só da estrutura hierárquica acima. Educado militarmente tinha uma causa a combater e para isso, utilizou-se de vários métodos, alguns não tão assumíveis.

Passa o tempo e a condição humana nos aproxima dos bichos, do mesmo modo que um curió depois de muito abatido canta na gaiola, o Curió sentiu o peso da vida e quer cantar, canta abrindo seus arquivos secretos, mostrando que na luta ideológica alguns agiram com os braços, outros com as mentes e alguns ainda com os braços e mentes, mas mesmo os que pouco “pensaram” na época foram acometidos da diferença humana, a dona consciência, e daí, cada um encontra um jeito de acertar as contas. Curió resolveu falar, é claro que vem um livro por aí, talvez este livro revele se o canto é por reparação de consciência, vaidade ou vingança, mas que os homens falam e os pássaros cantam, isso fazem, mesmo engaiolados, mesmo que demorem muito, pouquíssimos contradizem esse traço da espécie.

Que a democracia brasileira mostre sua face!

Plano B - Plan B - In the bubble by John Thackara 9

capaplanob4x6.jpgEsse é o nono post sobre o livro Plano B preparado pelo autor e postado há alguns meses. No final dele estão os links para os detalhes do livro no site, ou então para os sites de venda das livrarias. Aproveite tudo o que o John tem a dizer, qualquer dúvida, cheque no site dele: www.thackara.com , ou aguarde até novembro quando estará no Brasil:

DEVELOPMENT EXTRACT

In a sleepy hamlet an hour from Bangalore, I encounter a group of villagers standing around a wide patch of ragi, a grain that is used to make dark bread, spread thinly over the road in a neat circle. Six chickens appear to be eating up the grain, while the villagers watch and chat. Why, I ask, don’t the villaegrs feed the grain in a trough? They laugh, and then explain that the chickens are eating tiny maggots, smaller than our eyes can see, which need to be removed from the grain before it can be stored. It’s a smart, low-tech solution to a pratical issue faced by farmers everywhere. A Google search for “clean bugs from grain” throws up the “Opico Model 595 Quiet Fan Batch Dryer With Sky-Vac Grain Cleaner” that strikes me as a far clunkier solution than the hens.  The word development is often used to imply that we advanced people in the North must help backward people in the South catch up with our own situation. It’s in this spirit that many designers donate their time and expertise to projects such as $100 laptops, emergency shelter, and mobile hospitals. continue…Informações sobre o livro:

Comprar Plano B na Livraria Cultura

Comprar Plano B na Livraria Saraiva

Buy In the Bubble at Amazon

Esse escreve fundo…

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Nunca tinha lido nada de Antonio Carlos Viana, felizmente li uma crítica sobre seu novo livro de contos e comprei Cine Privê. Foi uma das mais agradáveis surpresas dos últimos tempos.

Foi a melhor matada de mãe que li. Mexer com os papéis arquetípicos não é tarefa banal, quem não tem muita frieza escorregaria em clichês, aliviaria, Viana soube tocar adiante. Tem uma escrita madura, direta e criativa, capaz de mostrar ao leitor toda a diversidade e profundidade da espécie, quase sempre não tão positiva quanto somos levados a crer nos anos de formação. Talvez apenas pais criados por Viana e outros escritores de sua densidade, conseguiriam assumir que são os responsáveis para transmitir aos filhos todas as podridões que queiramos ou não, acossam nossas mentes.

São 20 contos, todos iniciados de forma muito interessante, alguns amarrados no final, todos refletindo vidas e papéis fora do convencional, uma simplicidade e crueza de detalhes, uma capacidade de revelar ao leitor um lado que nem sempre ele está disposto a assumir que também tem dentro de si.

No conto que dá título ao livro, um limpador de puteiro encara a crueza de sua atividade e a rejeição de sua mulher. Fica num misto de nojo e excitação, fica num misto, como quase em todos os momentos da vida, da minha, da sua, de qualquer um…

Se não parece, reforço que minha recomendação de leitura está sendo gritada da maneira mais entusiasta possível!

Eterna guerra dos sexos. Você é homem e explode na hora? Ou é mulher e se vinga lentamente?

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Sim, somos mesmos diferentes e não só na aparência… Também no caderno Equilíbrio de hoje há o relato de pesquisa realizada numa universidade mexicana. Homens e mulheres foram expostos e tiveram suas reações monitoradas. Dependendo da maneira que reagia às 120 imagens (agradáveis, desagradáveis, estímulos que levam à ação e estímulos que deprimem), a pessoa era classificada como reativa ou proativa.

O reativo não colocava muita carga emocional, partia logo para a ignorância, uma reação que visava o prejuízo físico, sim, os homens, 70% deles apresentaram esses resultados, enquanto apenas 10% das mulheres mostravam ser assim.

 Em compensação, as mulheres, as grandes clientes de uma loja em São Paulo chamada Doces vinganças, são as que se dão ao trabalho de comprar, e enviar, peixes podres ou flores murchas, como estratégia de vingança.

É claro que há antropólogos defendendo que não são os gêneros e sim a convivência social os determinantes dos comportamentos, é uma discussão que dá pano para manga, mas cuidado: mulheres para não serem agredidas, homens, para não pagarem o mico de uma vingança atrasada e remoída.

A matéria fala da mulher traída que depois da descoberta, não se contentou até simular um reencontro “especial”. Prometendo uma noite completamente diferente, cobriu o ex-namorado totalmente com calda de pêssego e saiu do ambiente mandando-o esperar pela surpresa maior. É claro que um ser tão explosivo quanto um homem demorou alguns segundos para descobrir que ela havia mesmo é ido embora e deveria estar rindo bastante. Até achei inteligente e divertido o que a tal moça fez, só no caso dela, não daria nome e pousaria para foto. O atual que fique de sobreaviso… 

O papel da biblioteca

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No caderno Equilíbrio de hoje, a psicanalista Anna Veronica Mautner levanta a discussão: Existe ainda função para as bibliotecas?

Lembra que estas já foram um local de convivência e cidadania, as pessoas iam até elas para ler jornais, revistas, livros, conversar, escrever, trocar idéias. Eu, lá em Itapeva, ia ao nada tão democrático, Gabinete de Leitura Itapevense, tinha 10, 11 anos, respeitava a bibliotecaria, era alguém importante, retirava e lia. Não tinha acesso facilitado aos livros do meu avô, erro que espero não cometer com a minha família, mas o que mais me lembro e do livro Meninos do Brasil, Ira Levin, uma ficção que envolvia o nazismo, uma marca não completa, mas uma marca boa, um dia, se sobrar tempo, releio para fazer a junção com meu passado.

Depois o Gabinete de Leitura Itapevense virou Itapeva Clube, a biblioteca deu lugar a uma sala de jogos e um salão para bailes e com certeza, morreu um pouco da leitura da cidade. Talvez meus irmãos, poucos anos mais novos já não tenham dela, nenhuma lembrança.

A autora coloca que as livrarias assumiram um pouco o posto das bibliotecas como lugar de convivência e contato com livros, lembra da geração dos professores da USP que se reconhece como integrante do “geração biblioteca”. Faço mea culpa, as últimas bibliotecas que visitei não ficam em São Paulo, foram no Rio de Janeiro, Amsterdam e Weimar, mas turismo do que utilização. É verdade, tenho a minha, nela faço o que quero, ainda não a organizei, curto me perder, procurar pela lombada (o pior é que está dividida, uma parte numa casa de campo que está alugada, meus livros longe, e eu torcendo para que estejam seguindo minhas recomendações e deles, cuidando bem) mas é meu capricho mais caro e egoísta, vou repartir com alguém além da família e dos amigos?

Ainda não sei, mas por mais que fique navegando na internet em busca de livros e informações, ainda penso no Gabinete de Leitura como algo saudável, meus filhos já olham a biblioteca da escola mais como obrigação, mas ambos tem em seus quartos uma quantidade razoável de livros e me vêem constantemente manipulando os meus. Acredito que este microuniverso esteja preservado, mas é pouco, nós não nos bastamos, precisamos e convivemos com outros, e aí, seria muito melhor ainda, se todos eles também tivessem contato com os livros.

Fica a idéia para os administradores públicos, que tal dar um gás nas bibliotecas? Que tal potencializar programas de leitura, troca e convivência? Dar õutra vida a essas instituições que, em grande parte, vivem de pedir doações às editoras…

Limites do privado e a construção da identidade num casal!

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Do que é feita a auto-estima de uma mulher? Talvez não bastem apenas os olhares e elogios do próprio homem. E quando esse homem admite parcialmente isso e parte para uma ação que tenta ajudá-la mas só se a resposta esperada vier?

É disso e da dificuldade de falar sobre a mesma coisa em casal que A identidade, livro de Milan Kundera, agora relançado na coleção de bolso da Companhia das Letras, trata.

Gosto do estilo do escritor, é interessante olhar alguém maduro e profundo, no mínimo criando fantasias sexuais, mas é também interessante se questionar se esses conceitos expressos pelos personagens lhe tocam fundo?:

“Nele apareciam exclusivamente pessoas de seu passado: a mãe (morta havia muito tempo) e sobretudo o ex-marido (fazia anos que não o via e o homem do sonho não se parecia com ele, como se o diretor do sonho tivesse escolhido o ator errado para o papel)…”

“Mas contra os sentimentos ninguém pode fazer nada, estão aí e escapam a qualquer censura. Podemos nos censurar por um ato, uma palavra pronunciada, não podemos nos censurar por um sentimento, simplesmente porque não temos nenhum poder sobre ele.”

“Que juiz afinal decidiu que o conformismo é um mal e o não conformismo um bem? Conformar-se não é se aproximar dos outros? Não será o conformismo esse grande lugar de encontros para onde todos convergem, onde a vida é mais densa, mais ardente?”

Não concordo com o personagem sobre essa última questão, mas admiro a forma e a profundeza da colocação. Boa leitura.

Já descobri… No lançamento do Marco Antonio de Biaggi…

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Na segunda, enquanto pouco menos de 40 pessoas assistiam Milton Hatoum falar sobre literatura, o cabeleireiro Marco Antonio de Biaggi lançava o seu livro, Estilo Biaggi e vendia, segundo nota do Estadão de hoje, 2.000 exemplares.

Acho o número fictício, se verdadeiro, forjado. Quem já lançou centenas de livros sabe que é mais frequente o estresse do vazio e da baixa venda, do que a festança desse número. Não entro na questão dos méritos profissionais do rapaz, nem na beleza das fotos, não vi o livro, apenas algumas amostras das fotos do André Schilliró, que confesso, excitam meus olhos.

O problem é que ainda acho que livro deveria excitar os neurônios e outra imaginação…

Onde estavam que não foram ouvir Milton Hatoum?

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Na grande São Paulo somos quase 20 milhões de pessoas, mas não mais do que 40 delas foram até a Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim ontem às 19:30 ouvir o que o autor Milton Hatoum tinha a dizer sobre seus livros e seu trabalho.

É triste observar tamanho desinteresse diante de um dos maiores escritores da língua portuguesa contemporânea. Sim há o trânsito, sim o horário, sim a temperatura, sim um monte de outras coisas, mas principalmente sim para o comodismo e a pobreza cultural. Quantos milhões assistiam nessa hora as novelas e os noticiários de segunda linha? Quantos viviam suas vidas mais insossas que o mais insosso dos personagens, a maioria sem a coragem de ruptura?

Eu não me arrependi!

Sarney: e ele quer respeito…

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Em entrevista à Folha de S. Paulo José Sarney pede respeito… Conheço poucas pessoas que já obtiveram tanto a mais do que merecem. Seria melhor continuar a fingir de morto, vai que o país e suas instituições resolvem cobrar dele o respeito que merecem, impagável!