17 de Junho de 2009

Limites do privado e a construção da identidade num casal!

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Do que é feita a auto-estima de uma mulher? Talvez não bastem apenas os olhares e elogios do próprio homem. E quando esse homem admite parcialmente isso e parte para uma ação que tenta ajudá-la mas só se a resposta esperada vier?

É disso e da dificuldade de falar sobre a mesma coisa em casal que A identidade, livro de Milan Kundera, agora relançado na coleção de bolso da Companhia das Letras, trata.

Gosto do estilo do escritor, é interessante olhar alguém maduro e profundo, no mínimo criando fantasias sexuais, mas é também interessante se questionar se esses conceitos expressos pelos personagens lhe tocam fundo?:

“Nele apareciam exclusivamente pessoas de seu passado: a mãe (morta havia muito tempo) e sobretudo o ex-marido (fazia anos que não o via e o homem do sonho não se parecia com ele, como se o diretor do sonho tivesse escolhido o ator errado para o papel)…”

“Mas contra os sentimentos ninguém pode fazer nada, estão aí e escapam a qualquer censura. Podemos nos censurar por um ato, uma palavra pronunciada, não podemos nos censurar por um sentimento, simplesmente porque não temos nenhum poder sobre ele.”

“Que juiz afinal decidiu que o conformismo é um mal e o não conformismo um bem? Conformar-se não é se aproximar dos outros? Não será o conformismo esse grande lugar de encontros para onde todos convergem, onde a vida é mais densa, mais ardente?”

Não concordo com o personagem sobre essa última questão, mas admiro a forma e a profundeza da colocação. Boa leitura.

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