19 de Junho de 2009

Esse escreve fundo…

cine-prive.jpg

Nunca tinha lido nada de Antonio Carlos Viana, felizmente li uma crítica sobre seu novo livro de contos e comprei Cine Privê. Foi uma das mais agradáveis surpresas dos últimos tempos.

Foi a melhor matada de mãe que li. Mexer com os papéis arquetípicos não é tarefa banal, quem não tem muita frieza escorregaria em clichês, aliviaria, Viana soube tocar adiante. Tem uma escrita madura, direta e criativa, capaz de mostrar ao leitor toda a diversidade e profundidade da espécie, quase sempre não tão positiva quanto somos levados a crer nos anos de formação. Talvez apenas pais criados por Viana e outros escritores de sua densidade, conseguiriam assumir que são os responsáveis para transmitir aos filhos todas as podridões que queiramos ou não, acossam nossas mentes.

São 20 contos, todos iniciados de forma muito interessante, alguns amarrados no final, todos refletindo vidas e papéis fora do convencional, uma simplicidade e crueza de detalhes, uma capacidade de revelar ao leitor um lado que nem sempre ele está disposto a assumir que também tem dentro de si.

No conto que dá título ao livro, um limpador de puteiro encara a crueza de sua atividade e a rejeição de sua mulher. Fica num misto de nojo e excitação, fica num misto, como quase em todos os momentos da vida, da minha, da sua, de qualquer um…

Se não parece, reforço que minha recomendação de leitura está sendo gritada da maneira mais entusiasta possível!

Comentar