22 de Junho de 2009

A consciência até desaliena! Pena que não em todos

vlado.jpg

O Caderno Aliás de ontem revelou um personagem para mim desconhecido, o desembargador Márcio Moraes, então jovem juiz que no ano de 1978, numa jogada do sistema (passaram um processo de enorme peso para um jovem substituto com receio que o titular, a beira da aposentadoria já não temesse mais o futuro e tomasse decisão na direção que Moraes resolveu seguir), que saiu pela culatra, escolheu abandonar o medo e a alienação e como declarou no jornal fez uma opção: “uma encruzilhada pessoal, em que tive de ser digno da situação que o destino me colocou ou não poderia mais me olhar no espelho”.

Condenou a União Federal e contribuiu para a abertura política. Recebeu ameaças, arriscou seu futuro e o da família, mas preservou o espelho. É interessante como alguém sem participação política, sem maiores questões ideológicas e que até tinha ficado comendo pastel num bar, numa manifestação e desafio contra o sistema quando da morte do Vlado, teve consciência que há horas em que não se pode recuar. Esse acordou no timing certo, deve ter tido uma vida mais leve que a do Curió do post abaixo…

Valeu Márcio Moraes, fez mais do que muito dos corajosos que pegaram em armas e hoje atiram contra suas próprias biografias, e o pior, de dentro do poder!

Não li Meu querido Vlado do Paulo Markun, lançado pela Objetiva em 2005, mas já li outros livros dele. Escreve bem, tinha um envolvimento próximo com o assunto e deve ter relatado coisas interessantes. Fica à sugestão para os interessados no assunto.

Comentar