Arquivo: Junho de 2009



Ser editor, conselho editorial e desserviço à cultura: José Sarney

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Antes de mais nada o esclarecimento: nunca li nada do Sarney além de algumas entrevistas e não sei quem é Nathalie Rondeau além do que li nos jornais de hoje. Mas dou-me o direito precipitado de concluir que não sobra tempo para o Sarney se dedicar à literatura e que nem a jovem filha do ex-ministro Silas Rondeau tem algum interesse ou competência editorial, pelo menos no Orkut, como narra o jornal, ela não optou por nenhuma comunidade do setor, está mesmo mais para modelo ou ex-modelo.

O problema é que ela foi nomeada para o conselho editorial do Senado. Eu também me perguntei para que serve isto? Mas depois descobri que o Senado tem uma verba de 30 milhões de reais ano para editar livros sobre a vida e os interesses dos senadores, mas só os aprovados pelo conselho editorial, deu para entender?

Sarney faz e deixa fazer essas e outras nomeações, é padrinho da filha de acusado suspeito e a música do casamento é da trilha de O poderoso chefão, este país está uma piada…

Uma compensação vinda de Brasília. Faço parte da Confraria dos bibliófilos do Brasil e recebi hoje o novo exemplar, Onze contos de Monteiro Lobato, com ilustrações de Evandro Carlos Jardim. Da belíssima edição li na apresentação uma visão de Lobato, visão esta que falta à Sarney e aos que votaram nele para a ABL e nos outros cargos não ligados a política do jeito que sabe fazer: “Editar é o que existe de mais sério para um país. Editar significa multiplicar as idéias ao infinito, e transformá-las em sementes soltas ao vento, para que germinem onde quer que caiam.”

Sarney, não distrua a imagem que conseguiu simular até agora, daqui a pouco vai ficar claro para todos o seu real envolvimento com os livros e a cultura. Pelo menos o Jeca Tatu nunca lerá Os marimbondos de fogo

Espelho LXIII

Ser humano é diante de uma disputa lutar contra a derrota, mesmo sem questionar se era necessária, desejada, justa ou a melhor solução…

Papel de pai discutido de forma profunda

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Existem várias formas de discutir o papel paterno. Uma que se tornou popular é a que reforça o arquétipo provedor, para tanto existem várias “besteiras”, como os livros de auto-ajuda, a série Pai rico, pai pobre vendeu quase 1 milhão de livros no Brasil e não deve ter feito nenhum milionário e tampouco contribuiu para aproximar pais de filhos.

O caderno Aliás de hoje faz muito mais. Se você não leu, fique atento. Há uma ótima entrevista com o terapeuta familiar Paulo Fernando Pereira de Souza, imperdível. Coloca as questões jurídicas de forma ampla e verdadeira, mas aprofunda os papéis e as figuras de pai e mãe, apresenta o conceito de Winnicott de mãe suficientemente boa (a que está presente mas ao mesmo tempo permite a criança crescer e viver) e diz que não foi ainda definido o pai suficientemente bom, que é algo em formação ou discussão.

Toda essa discussão é derivada da questão do menino S. e da disputa entre o pai biológico e o padrasto. Para o bem do menino a justiça terá que ir além de seu papel legal. Como lembra um outro artigo de Debora Diniz, eis um caso propício ao bíblico julgamento de Salomão.

Já que a questão paterna está em aberto, vale também ler É preciso ser feliz sozinho, com o pop psi, sem muito preconceito, Flávio Gikovate.

Clubes de leitura: por que você não começa um?

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Também no Globo de hoje há uma matéria sobre os clubes de leitura. Essa é uma idéia que gosto muito. É incrível como alguém como a Oprah Winfrey obteve sucesso e fez disso um negócio, misturando alguns livros sérios com assuntos que deixaram até mesmo o Silvio Santos com uma pulga atrás da orelha em seus programas.

O sucesso do livro A sociedade literária e a torta de casca de batata tem estimulado clubes mundo afora. A reportagem mostra alguns do RJ. Eis algo interessante para juntar pessoas diferentes mas com algo em comum e trocar idéias. Tenho algumas idéias sobre clubes, qualquer dia desses coloco em prática, mas em relação a leitura, acredito que mesmo os grupos cariocas que lêem Paulo Coelho correm o risco de se desgarrar e passar por algo melhor e mais sério.

Não, não venha defender o Paulo Coelho e dizer que até mesmo Bill Clinton é seu fã, pois é, é isso mesmo, por melhor que Clinton seja em comparação a Bush e outros, ainda não deixa de ser um caipirão de Arkansas que atingiu o estágio global que atingiu apenas por ser o líder do país líder, o chefe das compras. E no mundo das compras, o que vale mesmo é comprar, consumir, e quanto mais leve for, melhor, incomoda menos, faz menos pensar. Minha idéia é de clube de leitura é um pouco mais densa do que isso, se quiser, me avise. Penso em algo como: livros que mostram o homem como ele de fato é…

Acontece nas melhores famílias - cada um tem a que merece?

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Não pedi autorização para reproduzir as imagens de Volpi acima, “não o fiz de propósito”. Matéria do Globo de hoje fala sobre algumas restrições que a família de Volpi vem impondo a reprodução de sua obra. Posso estar errado, ter sido dirigido equivocadamente pela matéria, mas parece que eles estão de fato dando um tiro no pé.

Primeiro estão brigando com o Instituto Moreira Salles que apresenta uma mostra com 61 trabalhos do pintor. A briga chega ao absurdo do catálogo da exposição, chamada, As dimensões da cor, ter apenas texto, a família pedia uma quantia supostamente acima dos padrões para liberar as imagens. Ainda brigam com o Instituto “negando-lhes” o direito da exposição.

Também não teve imagem de Volpi, apenas a menção, o catálogo do MoMA da exposição de Mira e Leon Ferrari. Nada de Volpi também no material que o museu de Houston preparou sobre sua compra da coleção de Adolpho Leirner.

Deixo aqui o espaço para a posição da família, até lá parece que a ânsia por colher todos os melhores frutos, faz com que a família diminua o potencial do artista. Já não é fácil ser brasileiro e alcançar projeção mundial com tudo a favor, com uma família querendo ganhar acima da média e censurando as supostas alegações dele ter sido um pintor de parede e ateu, impossível. Que importa, sei pouco da história, mas parece que Volpi não deu a atenção necessária para os seus, não conseguiu deixá-los trabalhando pela valorização de um trabalho singelo. Na minha opinião particular, falta a família de Volpi a densidade que falta ao seus temas, na arte isso pode não ser tão agudo, na vida das pessoas, sim…

Mundo, vasto mundo… Cinema nas diferentes culturas

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O mundo ainda é bem mais amplo do que consigo imaginar sem ser cutucado pelas fontes que recorro. Lendo os jornais hoje pela manhã me dei conta que quem mora em Riad ficou mais de 30 anos sem ir ao cinema, proibidos pelas leis, tal qual, as mulheres ainda estão. Ou seja, na Arábia Saudita não se foi ao cinema desde que eu me lembro por gente e as mulheres ainda não podem ir, porque não podem frequentar os mesmos ambientes que os homens.

E foram assistir ao filme Menahi, um filme ingênuo, produzido pelo sobrinho do rei. Quase ao mesmo tempo eu assistia ao Ang Lee, comentário de ontem, não aprofundei a discussão sobre o sexo explícito, não era necessário, apenas acrescenta força ao filme, e pensava quando poderei ver o novo filme do Lars von Trier, o Anti Christ, que provocou muitas discussões, mesmo num festival aberto como o de Cannes (aí também pelo tal sexo explícito que aposto ser visto nas projeções particulares não só em Riad, mas em boa parte do mundo islâmico).

É, não são só as roupas que ainda são diferentes, mas o que mais me incomoda é a certeza que sem elas, as de pano e também as impostas pelas tradições religiosas e culturais, todos os homens são muito parecidos, querem as mesmas coisas, a espécie é quase harmônica, “unidesejual”, resta o mistério de como cada um fecha sua conta.

Aí, veio o papo com uma amiga ontem à noite, é eu sei que as religiões tem sua função…

Desejo e perigo: sexo quase violento; poder ou sedução

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O último filme de Ang Lee, Desejo e perigo, ganhou o festival de Veneza de 2007 mas não empolgou o público brasileiro. Entrou em cartaz há um mês em São Paulo e hoje só está em duas salas e nem em horário integral, divide com outros filmes, em compensação, um monte de filmes por aí que servem apenas para rir e viver sem refletir.

O ritmo deste filme é na maior parte do tempo monótono mas faz pensar. As cenas de sexo não são provocantes, mesmo sendo fortes, mas saí do cinema com a dúvida do que um homem e uma mulher querem e obtém da cama. Sexo e ideologia se misturam, Ang Lee deixa claro quem vence e as supostas fraquezas de cada um dos gêneros.

A personagem tem que aprender a transar para executar sua missão. Na missão, a parte mais forte é na cama, e tudo isso acontece diante dos olhos apaixonados de um “guerrilheiro” que colocou a ideologia acima da sua própria paixão, não fez o teste e não fez a prática. Já o alvo, um torturador, não adotou um comportamento mais gentil e mesmo assim conquistou a jovem, com trepadas poucos amigáveis mas também com uma jóia pesada.

Se quer refletir sobre o que o sexo representa na vida, eis uma boa oportunidade.

O que nos faz felizes?

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A edição de junho da revista The Atlantic traz uma interessante matéria sobre felicidade. A vantagem de tratar deste assunto se utilizando de mídia séria é enorme, pelo menos longa.

A matéria de quase 12 páginas sobre o assunto cobre o trabalho de George Vaillant, um psiquiatra de 74 anos que dedicou 42 anos de sua carreira, quase minha vida toda, a um estudo chamado Grant Study. Já ouviu falar do Grant Study?

O Grant Study é um dos maiores acompanhamentos de seres humanos que se tem notícia. O nome vem do patrocínio de W.T. Grant, um milionário proprietário de lojas de departamento que bancou inicialmente o acompanhamento freqüente de 268 indicações do reitor de Harvard para os formandos dos anos de 1942, 43 e 44. De tempos em tempos essas pessoas eram entrevistadas e examinadas. A partir de 67 Vaillant encampou a causa como sua. Nem todos os arquivos estão abertos: o de John Fitzgerald Kennedy foi retirado e somente será público em 2040.

A turma tinha outros integrantes famosos, um escritor, Norman Mailer e vários políticos, pelo critério de partida, uma turma de Harvard já é uma seleção privilegiada. Até hoje os sobreviventes são avaliados, Vaillant faz poucas outras coisas da vida além de olhar para essas avaliações e tentar tirar conclusões. Recomendo a leitura de todo artigo, coloco aqui algumas conclusões de Vaillant:

Continua…

Primeiro apagão - o que é a memória?

Na segunda sofri um pequeno acidente de lambreta, o suficiente para apagar por alguns minutos e retirar da minha memória tudo o que aconteceu um quarteirão antes do local.

Mistérios da memória, que edição involuntária fiz? Vai voltar? Será que ficarei com os pontos e as dores, mas sem os fatos? Alguém aí já sofreu também algum apagão?

Desse sou suspeito - Philip Roth

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É claro que o primeiro livro que comprei no Kindle foi o último Philip Roth, Indignation. Sei lá se por hábito, se por “velhice”, chegando no Brasil, comprei também a versão da Companhia das Letras, a que eu li.

Indignação narra a história de um jovem judeu nos anos 1950 que tenta fugir da influência do pai e muda-se para uma outra universidade no meio-oeste americano. Aluno exemplar, descobre o sexo e a “vida política”, antes de ter que ir servir na guerra da Coréia, onde morre. A narração é de um defunto muito menos irônico e sarcástico que Machado de Assis, mas é a de um escritor pronto, denso, o que quero dizer com isso?

Eis um exemplo, quando a mãe o vem visitar, depois de uma cirurgia e encontra a jovem com a qual estava se relacionando e assim que esta saiu,  a mãe vai ao banheiro do hospital e começa a limpar, o que as faxineiras haviam feito pela manhã, diz o narrador:

Mas ela precisava daquilo mais do que o banheiro precisava. Trabalho - certas pessoas anseiam pelo trabalho, qualquer trabalho, por mais pesado ou desagradável que seja, a fim de drenar a dureza de suas vidas e afastar da mente os pensamentos homicidas”. Você não conhece pessoas que agem assim em relação ao trabalho?

Roth discute questões pessoais mas coloca as interrogações, várias delas, no leitor. É um dos meus preferidos, um retratista do homem, das famílias, do sexo, do trabalho, vale sim, ler.

Uma homenagem a um gênio!

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Finalmente Roger Federer ganhou Roland Garros, não teve a oportunidade de bater o rival Rafael Nadal, mas bateu quem bateu Nadal. Não deixa ser uma vingança de quem perdeu 3 finais seguidas no torneio que nunca havia ganhado. Agora Federer é o sexto jogador a conseguir ganhar os 4 Grand Slams. Igualou também o número de vitórias neste tipo de torneio, o principal do tênis, 14 títulos, igual a Pete Sampras, quem bateu como o melhor jogador da história.

Quem já pegou uma raquete sabe o que este suíço de 27 anos faz com a dele nas mãos. Além de tudo, é uma exceção em comportamento, alguém diferenciado. Soube amargar uma baixa, imagino que agora esteja mais liberado para a vitória, tirou um peso das costas. Por mais rápido e violento que esteja o tênis atual, ver Federer jogar é algo muito plástico, também uma experiência estética. Este soube manter um elevadíssimo nível por muito tempo, acho que vem mais por aí…

Trabalho com as mãos dá satisfação intelectual

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Richard Sennett é um sociólogo americano que dá aulas em Londres, London School of Economics, e estuda, entre outras coisas, a relação entre o trabalho manual e o intelectual.

Seu novo livro, O artífice, acaba de ser traduzido. Sennett é um dos principais pensadores sobre trabalho e ética nos tempos atuais. Para ele o problema é que a sociedade separou a cabeça das mãos, o intelecto do social. O importante é que as pessoas retomem o “vício” do artesão de querer fazer bem feito, por fazer bem feito. Não é positivo que tenham apenas essas sensações com relação aos seus hobbies. As empresas não podem abrir mão disto, e nem as pessoas, ou seja, todos devem caminhar na mesma direção. Vale a leitura! Pretendo fazê-la.

Se você consegue se desafazer dos seus livros…

Sou fã da Estante Virtual, um ótimo jeito de uma procura mais objetiva e focada nos sebos (nada que substitua o prazer de ir em um sebo procurar uma coisa e descobrir outra, completamente diferente do necessário, mas muitas vezes, bem mais importante.

Recebi hoje a última edição do newsletter que apresenta um programa de troca de livros em sebo, para quem se interessa, veja abaixo:

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Caros leitores,

A escalada dos números da Estante não é novidade. Todos crescem exponencialmente sem parar, desde o lançamento, há 3 anos. Livros, sebos, livreiros virtuais, leitores, leitores vendedores, vendas, acessos, buscas. Também não é novidade que além de números, chegam também histórias muito interessantes. Pessoas que encontraram livros de familiares escritos há décadas, livros esgotados imprescindíveis às suas teses de doutorado, ou mesmo livros seminovos ainda em edição por uma fração do preço das livrarias convencionais. Chegam histórias também de sebos recém-inaugurados, fundados por livreiros virtuais que começaram suas atividades na Estante e viram seus negócios darem tão certo que se motivaram a abrirem uma loja física. “Então, Estante, tem alguma novidade?” Sem dúvida, temos sim! Vamos a ela então! Esta semana estamos lançando um serviço inédito no país: o Programa Nacional de Troca de Livros. continua…

Copyright, blogs e internet

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 © da foto Rudy Trindade

Um visitante deste blog achou uma foto sua sem identificação de fonte e com toda razão protestou. Sou um defensor do trabalho autoral, confesso que busco imagens na rede, agrego meus textos, comentários e visões, e jogo de volto na rede. Para mim, as imagens servem como uma moldura, o principal são os textos, mas são molduras que muitas vezes complementam ou embelezam o texto.

Nesse mundo virtual é tudo um tanto confuso, como não faço receita com esse blog, não imagino estar infringindo tão gravemente nenhum direito de pessoa. Passo a tomar mais cuidado e a declarar a autoria da foto quando tiver, como está no padrão acima, e quando não a tiver e aparecer o autor, incluir ou retirar, conforme preferência do mesmo.

Valeu Rudy!, a foto acima e também a do post de 2008 já estão corrigidas.

Bienal, gestão, transparência

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Finalmente a Fundação Bienal de São Paulo tem um novo presidente. É um absurdo a situação a que chegou e é evidente o uso político da instituição e a incompetência de gestão mostrada nos últimos anos, pior que isso, apenas a opinião de alguns conselheiros avalizando o que foi feito.

Não conheço o Heitor Martins, mas um pouco da sua formação, sim. Estudamos na mesma escola, a EAESP/FGV, e embora administradores da GV também levem empresas à  falência, um mí­nimo de noção tem, aí, é possível sim imaginar um novo espírito, novos ares. Além da GV, Martins se credencia por ser sócio da McKinsey, importante consultoria de estratégia e gestão, aí­ fica a dica para empresários e executivos em geral, acompanhar a gestão de Martins à  frente da Bienal vai ser poder checar na prática se os milionários conselhos cobrados pela consultoria funcionam e são implementáveis, também por eles…

Martins trouxe gente de peso para o conselho, colecionadores com condições financeiras e contatos privilegiados. Só acho que a cobertura da imprensa foi incompleta, apenas o Fabio Cypriano na Folha mencionou ou destacou a ligação de Heitor Martins com Fernanda Feitosa, idealizadora da bem-sucedida SP Arte. A pergunta deveria ter sido feita e precisa ser respondida, pelo bem da Bienal, da ética e da arte, até porque, ela é possivelmente respondí­vel, só não foi feita:

Heitor Martins, que tipo de conflito de interesses podem surgir na relação da sua gestão na Fundação Bienal e da sua esposa na SP Arte? Em outros termos, que garantias e procedimentos serão tomados para não deixar possíveis dúvidas de favorecimento ou mesmo de fortalecimento de artistas em mostras da fundação e com relação com as mostras privadas?

De resto só me resta desejar que consiga transformar a Bienal e que esta venha a ocupar um lugar de formação e questionamento da arte na vida da sociedade brasileira.

© da foto de Heitor Martins é de Danilo Verpa/Folha Imagens

Para os alunos, diretoria, comunidade FAAP e entorno

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Este assunto parece quente. Provoca várias reações e acho que é sério e importante. Reproduzo abaixo a carta que a autora, Wanderleia Farias, incluiu como comentário no post de ontem, acho que vale a leitura por todos os interessados. Está mais do que na hora da Instituição se manifestar, e a Instituição é o todo, alunos, professores, diretoria, comunidade externa que dela participa e interage.

Como disse, esse blog está aberto para carregar os fatos e as opiniões, o objetivo dele é falar de livros e de cultura, dois assuntos envolvidos nessa questão e que se beneficiarão com a apuração justa e correta deles:

CARTA ABERTA À IMPRENSA E À SOCIEDADEHá cerca de dois anos iniciei, despretensiosamente, uma séria pesquisa jornalística que me levou a tomar conhecimento de uma quantidade enorme de irregularidades praticadas pela direção da FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado, com a complacência da Curadoria das Fundações, órgão integrante do Ministério Público de São Paulo. Por iniciativa pessoal, decidi trazer o assunto a público através do livro intitulado FAAP - Honestidade por Aproximação, lançado no dia 11 de maio último, na Livraria da Vila, retratando a verdadeira história da fundação criada em 1947 por disposição de última vontade do Conde Armando Álvares Penteado.As informações contidas na obra foram obtidas junto a órgãos oficiais da Justiça, museus, bibliotecas públicas, arquivos de jornais e revistas e diversos sites da Internet, além de várias entrevistas, das quais destaco aquelas conduzidas junto a um ex-interventor da FAAP, um ex-vice Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo e um representante da Associação Viva Pacaembu.

continua …

Televisão, há chance (exceção) de vida inteligente…

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Assisto pouca televisão, muito pouca, totalmente convencido de que tenho muito pouco a ganhar (de alguma forma concordo com Os Tribalistas, não tenho paciência para a televisão, não sou audiência para a solidão).

Não vi nenhum capítulo ou episódio de A fazenda, mas já li a respeito. A lista de famosos é um tanto deplorável, lembro a todos que a vida é feita de escolhas, e todos devemos assumir as nossas. Francamente, nem sei porque, mas em algum momento já esperei um pouco mais da Babi, ou então do ministro Mantega, ser ministro da economia e ter filha metida a celebridade num programa desses… É um monte de gente que pelo que já fizeram, com todo o respeito profissional que merecem, não deveriam entrar na casas das pessoas com esse divertimento patético e barato.

Uma das poucas coisas que acho minimamente interessantes na televisão é a série Em Terapia, que voltou ontem na segunda temporada na HBO, nela, Gabriel Byrne interpreta um terapeuta e mostra ao público todos os dramas dos que supostamente conseguem manter-se acima dos humanos, nem que seja na fantasia de seus pacientes. A série não alivia e busca o mais fácil dos finais. Agora é todo dia de semana às 21:30 na HBO. Vale no mínimo dar uma olhada, pode não ser tão “divertido” quanto A fazenda, mas é também mais verdadeiro…

Plano B - Plan B - In the bubble by John Thackara 8

capaplanob4x6.jpgEsse é o oitavo post sobre o livro Plano B preparado pelo autor. No final dele estão os links para os detalhes do livro no site, ou então para os sites de venda das livrarias. Aproveite tudo o que o John tem a dizer, qualquer dúvida, cheque no site dele: www.thackara.com , ou aguarde até novembro quando estará no Brasil:

SMARTNESS EXTRACT

Imagine, for a moment, that you are a penguin. You hang around on ice flows, in extreme cold, for weeks on end. Standing there, in bare feet, you are able to sustain a temperature differential between your own body and the outside environment of eighty degrees Celsius. Every now and again, when you’re feeling hungry, you jump into the icy water, catch a fish, and then clamber back onto a sunny beach. You do this without ever over- or underheating. The secret behind this impressive thermal performance lies in your dense feathers: When a nasty wind gets up, they reduce airflow around your body so that it slows down and warms up, like the water inside a wetsuit. Your feet are also remarkable: They open like a fan to get rid of excess heat when you land from a flight—then, back on the ice, they act like radiators and heat up the ground where you’re standing.

continue…

Informações sobre o livro:

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