Ser editor, conselho editorial e desserviço à cultura: José Sarney
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Antes de mais nada o esclarecimento: nunca li nada do Sarney além de algumas entrevistas e não sei quem é Nathalie Rondeau além do que li nos jornais de hoje. Mas dou-me o direito precipitado de concluir que não sobra tempo para o Sarney se dedicar à literatura e que nem a jovem filha do ex-ministro Silas Rondeau tem algum interesse ou competência editorial, pelo menos no Orkut, como narra o jornal, ela não optou por nenhuma comunidade do setor, está mesmo mais para modelo ou ex-modelo.
O problema é que ela foi nomeada para o conselho editorial do Senado. Eu também me perguntei para que serve isto? Mas depois descobri que o Senado tem uma verba de 30 milhões de reais ano para editar livros sobre a vida e os interesses dos senadores, mas só os aprovados pelo conselho editorial, deu para entender?
Sarney faz e deixa fazer essas e outras nomeações, é padrinho da filha de acusado suspeito e a música do casamento é da trilha de O poderoso chefão, este país está uma piada…
Uma compensação vinda de Brasília. Faço parte da Confraria dos bibliófilos do Brasil e recebi hoje o novo exemplar, Onze contos de Monteiro Lobato, com ilustrações de Evandro Carlos Jardim. Da belíssima edição li na apresentação uma visão de Lobato, visão esta que falta à Sarney e aos que votaram nele para a ABL e nos outros cargos não ligados a política do jeito que sabe fazer: “Editar é o que existe de mais sério para um país. Editar significa multiplicar as idéias ao infinito, e transformá-las em sementes soltas ao vento, para que germinem onde quer que caiam.”
Sarney, não distrua a imagem que conseguiu simular até agora, daqui a pouco vai ficar claro para todos o seu real envolvimento com os livros e a cultura. Pelo menos o Jeca Tatu nunca lerá Os marimbondos de fogo…

