1 de Julho de 2009

Manuel Bandeira, o homenageado

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A palestra de Davi Arrigucci na abertura da Flip foi apaixonada e técnica, precisava ter vontade para entender, tendo, chegava-se ao melhor de Bandeira. Lembro de um curto curso de voz que fiz, declamava Bandeira, ficava farto do lirismo…

Arrigucci falou da importância da leitura e do quanto esta abriu o mundo para Bandeira e para os poetas brasileiros. Contou que Bandeira, condenado a morte na casa dos 20, tuberculose, viveu uma longa vida sempre com essa perspectiva e isto marcou sua escrita, sua visão de mundo.

Uma obra marcada pela consciência das circunstâncias e dos desabafos e pela descoberta e criação do alumbramento, quase uma epifania. Um dos poemas ditos por Arrigucci e que diz muito de bandeira, de quem a Cosac vem fazendo belos relançamentos, para você se introduzir, ou relembrar: 

Momento num café

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta

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