10 de Julho de 2009

Ler é uma arte, e este livro pode te ensinar

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Émile Faguet publicou a primeira edição de A arte de ler, há exatamente 98 anos. A Casa da Palavra acaba de relançá-lo. É um belo guia de leitura, na primeira página um resumo deste ato com os homens:

O destino dos homens, sabe-se muito bem:
Muitos conclamados, poucos escolhidos.
O destino dos livros, ei-lo também:
Muitos aclamados, poucos lidos

O autor defende a necessidade de se ler devagar e classifica os livros nos seguintes tipos:
Livros de idéias;
Livros de sentimento:
Peças de teatro;

Para os autores, a classificação é a seguinte:
Poetas;
Escritores obscuros;
Maus autores;
Críticos;
Clássicos.

Como inimigos da leitura, não culpa os livros ruins, acha que são os estudos científicos, a vida ativa e os esportes (imagine o quanto isso piorou desde então). Mas os verdadeiros inimigos são: o amor-próprio (ou a falta dele), a timidez, a paixão e o espírito crítico. A vida não é leitora, ela é uma inimiga da leitura, para ele, ler é também a vitória do tédio sobre o amor-próprio…

Há um capítulo muito interessante sobre a releitura, o seu significado. Lemos porque queremos nos comparar ao que já fomos e achamos. Livros lidos aos 20 serão uma coisa completamente diferente se relidos aos 40, poucos livros sobreviverão ou serão interpretados da mesma forma. Ler é pensar, um pouco do que resume este livro que se não empolga, dá o caminho das pedras e nem parece que já é tão velhinho (sinal de não tão grande renovação da leitura no século XX): “Felizes, talvez, aqueles que não tem necessidade de livros para pensar, e de todo infelizes, sem dúvida, aqueles que ao ler só pensam exatamente aquilo que pensa o autor.” Não disse tudo?

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