Vale-cultura e educação: minha experiência prática
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Os editoriais da Folha de S. Paulo e do O Estado de S. Paulo fizeram em dias diferentes importantes considerações sobre o novo “aditivo” do governo federal. A Folha foi feliz ao compor a dupla pão (vale-refeição) e circo (vale-cultura), sim, a cultura precisa de um fomento, mas sem a educação, nada vai adiantar.
A não ser alguns empresários e produtores culturais que vão crescer seu faturamento. Os Sjazman, espero estar errado, já se ouriçaram, mesmo tendo vendido a carteira do vale-refeição, já se preparam para montar a carteira do vale-cultura, mesmo morando em Nova York, o Sjazman Filho, de onde possivelmente pode ter acesso mais fácil às peças da Broadway, já declarou que esse vai ser o grande crescimento da empresa nos próximos anos.
O Zé Celso aparece feliz ao lado do Lula que reclama da dificuldade de algumas produções. Sinceramente não consigo vislumbrar nem intenção, nem desejo no presidente de se aproximar da cultura, é um bicho político, em todas as possibilidades do termo. A classe artística corre o risco de se meter ainda mais na política, já não bastassem os desvios da lei Rouanet.
Eu já tive uma experiência muito parecida. Foi na Negócio Editora, e meio frustrante, há 7 anos as pessoas também poderiam gastar 50 reais por mês em cultura, era subsídio integral da empresa, a contrapartida era que elas precisavam escrever sobre o que fizeram, um exercício de escrita. Das 20 pessoas da época, apenas uma era usuária fiel do sistema, as outras não tinham tempo, isso, trabalhando numa editora que entendia como importante uma consciência cultural. Ou seja, já identificava uma falta de valorização daquela oportunidade, não a extingui por vergonha, e para não ser injusto com uma pessoa.
Tomará que as coisas tenham mudado, mas sem um investimento sério na educação, como pregado pelos jornais, será mais um programa que corre o risco de deixar os donos dos canis ricos…
