29 de Julho de 2009

Coração vagabundo - fiz as pazes com o Brasil!

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Assisti Coração vagabundo, o filme de Fernando Grostein Andrade, sobre Caetano Veloso. Gostei bastante. Depois dos 40, com fama de durão, passei a respeitar tudo o que me tira lágrimas. Ontem no cinema foi assim, apesar da baixa companhia, apenas mais umas 15 pessoas, mesmo com o filme em poucas salas e o diretor sendo estreante. Achei que o burburinho sobre o Caetano, sobre a nudez do Caetano iria atrair mais gente. Espero que o faça.

O filme é muito mais do que a suposta cena de nudez inicial, tá bom, dá o que falar, não o que ver, não que eu quisesse ver. Também é possível imaginar que Caetano precisou gravar em inglês para viabilizar algo assim, um pouco do provincianismo que Caetano tanto fala, no filme também.

Acredito que chorei porque as músicas de Caetano estão impregnadas dentro de mim, mas mais impregnada ainda está a sua tentativa de conquista de amplitude cultural. De Santo Antonio da Purificação para o mundo, missão cumprida. Eu ainda estou longe de fazer minha trajetória de Itapeva para o mundo, mas não desisto…

Caetano é polêmico, ainda acho que um privilegiado da Lei Rouanet, mas um artista grande, alguém que soube envelhecer e se manter interessante por um longo período. Na minha opinião, ou melhor, na minha memória, ninguém conseguiu tanto quanto ele nos tempos atuais, e aí dá para extrapolar as fronteiras descobertas por Cabral.

O filme tem uma sensibilidade de imagens, uma estética adequada, para mim o Fernando mostrou talento em pegar imagens de acompanhamento de shows e juntar com as músicas, as grandes responsáveis pela emoção, não diminuiu a força de um trabalho, reconhecido por Almodóvar. Aliás, outra parte emocionante do filme é ver Antonioni olhar para o seu trabalho da perspectiva da condição final e se conformar com o pouco que a vida ainda lhe permite.

Se não levantei pelo hino nacional no último jogo de futebol, ontem senti um orgulho de ser daqui, a arte é maior do que muitos outros campos de ação humana. Em momentos como o que vivemos, vale a posição de Caetano de não se maquiar para não correr o risco de ficar com cara de político babaca… Vale sim assistir.

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