Arquivo: Julho de 2009



Continuo com o meu Fica Sarney! e cada vez aparece mais coisa…

sarney.jpg

Viu como eu estava certo! Cada dia mais de Sarney onde está é uma revelação nova, seja de uma sacanagem dele, seja de uma acobertada do PT. Como diz a propaganda do Mastercard, tem coisas que não tem preço, Mercadante que o diga. Se eu fosse ele já teria tirado o bigode, ficaria menos parecido com o Sarney. Talvez comece outra campanha no Senado. Raspa Mercadante! O Mercadante é o tipo do soldado do partido para quem sobrou as maiores buchas, tudo onde pode se queimar, ele se queima. Ficou muito menor do que há anos.

Voltando ao Sarney, além de se apropriar de um prédio histórico para colocar suas charges e caricaturas, fez o favor de mostrar ao Brasil como a Petrobrás sabe fazer um uso impoluto e profissional de suas verbas… Deixemos ele lá, muito mais coisa vai aparecer, muito mais pessoas vão mostrar que no dicionário de alguns, ideologia é o mesmo que: algo que se faz por interesse ou para pagar na mesma moeda o apoio dado… Triste país onde as pessoas tiram de seus líderes os álibis para o afrouxamento ético e moral!

Plano B - Plan B - In the bubble by John Thackara 10

capaplanob4x6.jpgDécimo post sobre o livro Plano B preparado pelo autor. No final dele estão os links para os detalhes do livro no site, ou então para os sites de venda das livrarias. Aproveite tudo o que o John tem a dizer, qualquer dúvida, cheque no site dele: www.thackara.com , ou aguarde até novembro quando estará no Brasil:

FOOD EXTRACT

I recently found myself in the town centre of Carlisle, in the north west of England, at 7am. The town square was empty except for a large truck whose driver was unloading packaged food into a shop. An incredible, raw-edged roar of noise came from the refrigeration unit on top of his cab. The noise was so extreme that I couldn’t hear a word when someone called my mobile phone. I retreated into the railway station cafeteria, but it was little better in there: Two large refrigerated drinks machines were roaring so loudly that the sales assistant had to shout to tell me the price of a coffee.

That noise, which represents wasted energy, was for me an audible warning signal that global food systems are lurching into crisis. As I write, there are empty shelves in Caracas, food riots in West Bengal and Mexico, and warnings of hunger in Jamaica, Nepal, the Philippines and sub-Saharan Africa. Global food prices have risen by 75 percent since 2000, and soaring prices for basic foods have forced some governments to control the cost of bread, maize, rice and dairy products. According to the UN Food and Agricultural Organisation, global food reserves are at their lowest in 25 years.

continue…

Informações sobre o livro:

Comprar Plano B na Livraria Cultura

Comprar Plano B na Livraria Saraiva

Buy In the Bubble at Amazon

Outra vida - Dilemas éticos e morais num casal simples

outra-vida.jpg

Não tinha lido Rodrigo Lacerda, apenas sobre ele, sobre seus prêmios. É alguém da minha geração, na verdade, um pouco mais jovem.

Outra vida foi bastante elogiado, assisti Rodrigo na Flip. No final gostei do livro, mas no meio confesso que tive momentos “irritados”, muitas metáforas e comparações que pareciam mais colocadas para mostrar erudição do que para contar a história, ou então, para contar uma história mais rebuscada do que o necessário. Como disse Lobo Antunes, o livro é que tem que ser uma metáfora, não uma junção de metáforas.

Achei a voz da filha um pouco forçada, como alguns momentos da história do casal. Mas no geral Rodrigo tem o mérito de colocar  uma história que parece verdadeira, coloca o leitor no drama daquele casal, faz com que um homem ou uma mulher possam se colocar naqueles personagens e até ir adiante, testar limites, imaginar coisas além da mediocridade garantida da vida.

Há discussões sobre ética, sim há, mas o mais importante é vida em paralelo do casal, cada um com seus desejos e realidades, dividindo uma suposta mesma vida. Não muito diferente do que acontece em todo casal, o do livro conseguiu pouco romper esse distanciamento. Os “noivos” aceleraram as coisas com uma filha e não conseguiram isolar a ação da sogra “poderosa”, não acharam necessário alinhar as ambições e os universos culturais, fizeram sem saber para quem e para que. Não havia outra saída…

Joelmir Betting recomenda Mergulho na Base da Pirâmide

frente-mergulhob.jpg

O jornalista Joelmir Betting não apenas recomendou a leitura do livro como fez rasgados elogios ao projeto e deu boas-vindas à Virgília, é verdade que já estamos há algum tempo na estrada, na rádio ele foi informado que este foi o primeiro livro.

Se quiser ouvir, clique aqui.

Ideologia, cultura e Estado: lei 10.559 e lei Rouanet

glenda.jpg lygia1.jpg maiteproenca.jpg caetanoveloso.jpg

O Estado de S. Paulo trouxe ontem uma entrevista muito interessante com a pesquisadora Glenda Mezarobba. Ele trata dos desvios que acabaram acontecendo com a bem intencionada lei que buscava reparar os prejuízos causados pela ditadura militar. Sua tese é o livro Um acerto de contas com o futuro: a anistia e suas consequências.

Seu ponto, há uma inversão de valores, quando pessoas que tiveram prejuízo profissional, é claro que outras questões estão envolvidas, torturas aconteceram, recebem hoje indenizações milionárias, de milhões mesmo, e os que perderam a vida, deixaram para seus parentes no máximo 150 mil reais. Como diz a autora, é um exercício de futurologia recompor a trajetória interrompida e calcular os valores da indenização e da pensão, é um grande negócio que já custa a união mais de 2,5 bilhões de reais e vai aumentar. É claro que já apareceu beneficiado que virou agente. Além da implícita quebra de valores, um emprego parece valer mais que uma vida, há um mercado e como diz, se não me engano, Millôr Fernandes: achei que era por ideologia, não por aposentadoria que “a esquerda” se rebelou contra a ditadura.

Mas parece mesmo que o brasileiro se acostumou com o Estado. Eu sei que a cultura é uma das áreas mais dependentes do incentivo, mas a lei Rouanet é bastante discutível, nunca a utilizei como editor, mas não estou criticando, mas me pergunto qual é o valor de um patrocínio? Quem acompanhou a briga pública entre Lygia Fagundes Telles e Maitê Proênça pelo nome As meninas. Também não quero julgar, acho que a Maitê tem razão ao afirmar que o quadro do Velasques tinha esse nome antes do livro da Lygia, mas é triste ler na mídia que a atriz não quer o patrocínio por um nome? Quanto vale um patrocínio? Quanto vale o cavalheirismo? Quanto vale o respeito?

E aí, podemos incluir na mesma baciada os cantores que utilizam a lei Rouanet para ter supostamente a viabilização de seus shows para um público mais amplo. Também não tenho nada contra, mas discordo de Caetano Veloso ser mal humorado ao responder sobre as revisões de decisão depois de apelos ao ministro Juca Ferreira. É carteirada sim, e no mínimo, Caetano e tantos outros, deveriam pensar e ter a paciência para responder o questionamento legítimo da imprensa, principalmente daqueles que representam os inúmeros eventos de cultura popular menos midiáticos que ficam de fora.

É brasileiro se acostuma com o Estado, acho que todos os artistas e ideólogos deveriam repensar seus valores e no mínimo, saber o que dizer e como justificar porque merecem os privilégios. Fala Caetano, sendo injusto de colocá-lo como representante não só da categoria artística que consegue pedir revisão das decisões direto ao ministro, como também, dos engajados que viram seu sucesso profissional ser sacramentado por uma lei que foi impiedosa com os méritos, e pouco conseguiu fazer para de fato eliminar e culpar quem causou o que causou. O Estado brasileiro sinaliza que valores valem menos do que o papel moeda que consegue imprimir.

15 vezes, só ele!

federer-15.jpg

Roger Federer, esse é o cara de verdade, sem jogo de palavras ou político.

A Nike preparou um vídeo para homenageá-lo com ninguém menos do que Michael Jordan, Pete Sampras, John McEnroe, Serena Williams e Tiger Woods. O equivalente ao mundo da literatura de Kafka, Dostoiéviski, Roth, Flaubert e Lessing, não é pouco.

Se Lobo Antunes disse ontem que um escritor deve jogar como Garrincha, pela alma, deve também ter a determinação mental de Federer, para não cair na tentação diante das palavras…

Flip Mesa 17 - Sexo e tabu: Catherine Millet com Maria Rita Kehl

vida-sexual.jpg

Faltei à mesa do Simon Schama, troquei o futuro da América pelo futuro da minha família, sem arrependimentos, apesar do tempo, o passeio de barco estava gostoso, confesso que lamentei mais perder a vitória do Federer, uma batalha de mais de 4 horas, 16 a 14 no último set.

 Cheguei à tempo de assistir a Catherine Millet discutir sua vida sexual, esse assunto me interessava, também mais do que o futuro da América. Não li o livro dela, fiquei curioso, mas é alguém defendendo que um escritor só deve escrever do que viveu.

A psicanalista colocou pontos importantes, e a relação de Catherine com Jacques gera muitas reflexões. A razão de tudo foi o ciúme da vida do marido, não a escondido, com mulheres mais novas. Há também a necessidade de não se parecer muito tradicional, ou melhor, muito convencional, no sentido médio, isso para um francês é mais cruel do que tudo.

O que é tabu? Catherine acredita que os humanos vão derrubar coletivamente todos os tabus, mas cada um preserva para si, de acordo com a própria história, algumas questões. Eu tenho as minhas, você as suas. O quanto vamos mover esses tabus ao longo da existência é o que dirá de nossa evolução, o quanto vamos ficar saciados ou insatisfeitos com esse movimento dirá tudo de nossa vida psíquica.

Uma discussão madura que me fez aprofundar com minha mulher que tipo de moral vamos pregar para as crianças. O papo no passeio de barco estava muito mais fácil…

Flip Mesa 15 - António Lobo Antunes com Humberto Werneck

lobo-antunes.jpg antonio-lobo-antunes.jpg

Conhecia muito pouco da obra de António Lobo Antunes, mas a sua presença na Flip me fez ficar com muita vontade de ir fundo. Uma aula sobre escrever, sobre a vida, sobre literatura.

Quando Werneck o apresentava parecia distante, desleixado, foi entrando na conversa e mostrando um humor ácido, irônico e uma visão do que faz das mais desenvolvidas. Se fosse ensaísta, teríamos um ótimo guia sobre como fazer. Como diz, o livro é que tem que ser a metáfora, não conter um grande número de metáforas para que acreditem que o autor é inteligente.

É uma pena que minha memória anda fraca e que eu não tenha gravado, dava para escrever páginas e mais páginas com as histórias e exemplos. Do avô brasileiro tinha uma enorme proximidade, apesar daquele achar viadagem o pequeno neto escrever versos. Do pai, herdou a educação estética e a cobrança para serem, também dos outros cinco irmãos, campeões no que fizessem, mas morreu fazendo o filho acreditar que não havia lido os seus livros, apesar de tantos livros em casa. Depois veio a descobrir os seus livros lidos, anotados e recebeu uma carta de 600 páginas, nunca vi tamanho testamento.

Ah, ele ainda escreve a mão, com letra pequena e não foge de uma boa polêmica, aliás, adora quando alguém fala que o prêmio Nobel foi para o português errado…

Lembrou que escrever é na verdade reescrever e cortar, retrabalhar o texto e contou uma ótima história do Picasso sobre inspiração, que esta é ótima, pena que quase nunca aparecia quando estava trabalhando.

Não teve vergonha de assumir toda a ambição de sua obra, mudar a arte e a literatura e sobre a disputa com os contemporâneos e o sabor de descobrir uma boa leitura. Recomendou a todos que acabassem com a injustiça sobre a obra de Paulo Mendes Campos e contou sobre as dificuldades de início e como viu sua obra obter acolhida no mundo todo. Além de falar sobre as feijoadas madrugada à dentro da casa do João Ubaldo Ribeiro e da acolhida que recebeu de Jorge Amado, uma pessoa maior do que sua obra.

Criticou os advérbios e os adjetivos, recomendou um poema de João Cabral que esqueci, mas vou procurar, e que segundo ele todo escritor tem que ter na mesa, para sentir-se estimulado a tirar a gordura.

Essa eu estava em pé, mas o corpo aguentou firme, mesmo tendo corrido pela manhã…

Flip Mesa 14 - Gay Talese com Mário Sergio Conti

gaytalese.jpg gay-talese.jpg

O homem acima é uma lenda do jornalismo americano, uma das mais fortes vozes pela verdade, uma das mais lúcidas escritas da atualidade. Mas nem ele foge ao humano, o homem acima, muito conhecido também por um dândi, capaz de usar terno e chapéu até mesmo em Paraty, afirma que quem mais o influenciou foi a mãe, a dona de uma loja de vestidos, não o pai, um alfaiate, Freud explica…

Da infância trouxe a curiosidade pelo que o homem de fato pensa, os pais eram americanos durante o dia nos seus negócios, italianos à noite, isso durante a guerra. A lição ensinou para Talese que há pelo menos duas versões, se não mais para qualquer fato.

E aí, partiu para a vida disposto a contar histórias de pessoas interessantes, famosas ou não. Escreveu sobre o New York Times, escreveu sobre operários, sobre pessoas comuns, mas marcou ao escrever sobre a nova moral americana, isso há mais de décadas, tendo para isso até trabalhado como gerente numa casa de prostituição, além de usufruído dos serviços. Mas sempre tento em mente que estava ali, primeiro como profissional, em busca de um narrador capaz de convencer o leitor.

As colocações de Mário Sergio Conti, apesar de afetadas, foram muito inteligentes e provocativas, o papo foi ótimo, uma verdadeira aula. A parte final ficou para a discussão sobre o novo livro, Talese vai falar sobre seu casamento de mais de 50 anos com a editora Nan Talese. Questionado se não seria desleal com a esposa ou um exibicionismo, para alguém que tanto critica o culto à celebridade, Talese falou sério, utilizou os seus 77 anos para reforçar esse aspecto e que estava embuido em contar da melhor forma possível todas as reações às brigas que teve com a mulher.

Acredito que vem aí um verdadeiro relato profundo sobre as relações humanas, Talese parece alguém capacitado para invadir o terreno de pensadores com seu jornalismo em busca da verdade. Depois de Sartre e Beauvoir, eis outro casal interessante para ser falado, não dá para perder. Quem não veio a Flip, não perca Talese no Masp na próxima terça. Por enquanto o melhor é se divertir com Vida de escritor ou A mulher do próximo.

Vale tanto quanto um diploma de jornalismo para trabalhar num bom jornal…

Flip Mesa 13 - Segredos de família - Anne Enright e James Salter com Liz Calder

encontro.jpg

Nunca li James Salter, mas simpatizei com este ex-piloto que virou escritor. De Anne Enright li e comentei aqui sobre O encontro, um ótimo livro, ganhador do Man Booker Prize do ano passado. Não se discutiu muito família, a não ser o inevitável que não é possível livrar-se dela, que as pessoas tendem a voltar para sua história, por mais distante que tenham ido.

Algumas outras considerações profundas sobre essa célula, que como Anne diz, é inevitável, como o ar. Depois se analisou a questão da mulher na literatura, a ainda baixa presença efetiva delas. E Anne falou um pouco sobre a Irlanda e a “depressão” que se originou depois da recente crise.

Ela influencida por Yates e Joyce, ele pelos russos. Salter, amigo de Saul Bellow soube ouvir uma crítica desse para um de seus livros e acreditar que cada um fazia um tipo de literatura diferente, não deve ser fácil, ouvir algo de alguém daquele peso e prosseguir.

Flip Mesa 11 - música dissonante do século XX - Alex Ross com Arthur Dapieve

ruido.jpg

Gosto de música clássica, apesar de entender pouco. Cheguei atrasado à primeira mesa de hoje, estava treinando.

Mas gostei do que ouvi, uma reflexão sobre porque todas as outras artes aceitaram os mestres do século XX e a música resistiu mais. Para Ross, a música requer mais presença física, para ele, enfrentar o diferente na música é mais raro, a música incomoda mais, é mais física, pode ser.

Perguntado sobre Villa-Lobos, o autor envergonhado disse que foi difícil colocar tanta gente, também cometeu injustiças com outros países. Mas parece que agora foi pego pela música brasileira e tem interesse particular em fazer a conexão entre o popular e o erudito, podendo ver na música brasileira uma sofisticação que a aproxima do clássico.

Algumas explicações para perguntas mais técnicas me ficaram distante.

O livro O resto é ruído parece interessante, como o autor diz, no mínimo uma porta de entrada para esse estilo.

Flip Mesa 10 - Sequências brasileiras: Chico Buarque e Milton Hatoum, com Samuel Titan Jr.

leitederramado.jpg orfaos-do-eldorado.jpg

Sou fã declarado do Milton Hatoum. Esperava para ver como seria o posicionamento dos jogadores no palco. Um dos principais escritores brasileiros tendo sua audiência bastante aumentada por um escritor que carrega da música seu público, Paraty ficou em polvorosa, as filas se formavam desde cedo, e eu mais uma vez para fora…

Talvez tenha havido “ensaio” demais, segundo eles, performance esquecida, mas pareceu perder-se a espontaneidade. Será que um leu o outro por vontade ou por gentileza de mesa? As coincidências das obras levaram a brincadeiras saudáveis que deixaram os dois meio na defensiva, mas mesmo assim pode-se ouvir questões importantes sobre o tom narrativo e alguns desafios do escritor.

Hatoum afirmou que sob encomenda (Órfãos do eldorado fez parte de uma coleção internacional) não escreve mais nada. Chico afirmava que Hatoum deveria ser diferente, emendar um livro no outro, e ele vai da música para a literatura sem nunca misturar as duas, mas os dois escreveram o mesmo número de livros, dois ex-quase-arquitetos, que tem a mesma editora, que jogavam um pouco para a platéia, o que diminuiu a vontade de ganhar de qualquer um dos dois, esse é o problema do formato da Flip, um precisa ser educado com o trabalho do outro, isso nem sempre é verdade ou contribui.

Mas valeu ter assistido os dois personagens da vida literária brasileira, 1 hora e meia em pé, finalizadas pela leitura por Chico do protesto dos nativos de Paraty contra o condomínio Laranjeiras II, é parece que tem gente pouco satisfeita com as pousadas da cidade, preferindo construir seus chateaus…

Flip Mesa 9: o eu profundo e os outros eus - Bellatin, Tezza com Joca Terron

filho-eterno.jpgbellatin.jpg

Aqui mais um problema de mediação, mediador metido a inteligente e entendido, assim, fala demais, Joca ReinersTerron.

 

Nunca li nada de Bellatin e de Tezza, apenas O filho eterno, mas me pareceram dois escritores interessantes, entretanto na mesa não rolou uma boa química.

 

Discutiu-se a questão da celebridade, da imagem que atingiu a literatura e as rebeldias de Bellatin, mandou dublês de escritores para um evento em Paris onde as perguntas já estavam pré-prontas.

 

Mais uma vez a realidade foi discutida, não como possibilidade de narrativa, mas como possibilidade de existência, as dificuldades de encontrar o tom narrativo, repetida na mesa seguinte, e as diferenças de narrar em primeira ou conseguir ficar distante da história.

 

Como não encontrei ingressos, assiste tudo em pé, e corpo e mente tem combustíveis e estímulos diferentes, e para o corpo, a conversa estava tranqüila demais.

Flip Mesa 8 - sentidos da transgressão: Edna O’Brien

edna-a-luz-da-noite.jpgedna.jpg

Não consegui conectar, aqui vão os comentários de ontem.

 

Insisto que para quem está na tenda do telão ou então lá fora, a tradução do inglês tem parecido no mínimo, duvidosa, mas não é possível culpar apenas a tradução. De início não havia me programado para assistir O’Brien, na verdade, seria dia de passeio de barco, mas o tempo em Paraty não ajudou, olhei a programação com mais carinho e achei que o que havia lido da irlandesa justificava a presença.

 

Se depender disso para ler sua obra, não vou ler. Achei o debate fraco e as associações aquém do esperado, abordou-se pouco a transgressão, e o tal poema para Obama ficou completamente sem sentido, não gostei, é claro que a escritora falou coisas interessantes sobre escrever, mas nada de novo ou tão profundo foi acrescentado.

Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito… Lula e Sarney

lula-barba.jpg

Ontem vi na Folha que o Claudio Weber Abramo iniciou também um movimento Fica Sarney! Fico feliz, tive a irônica idéia antes. Parece que deu certo, não pelas razões corretas, mas porque o homem político brasileiro anda mais amarrado do que deveria. Veja o presidente, esse mudou bastante, pena que não tenha o desejo e a vontade de tratar dessas mudanças de forma profunda num livro.

Abandonou vários companheiros de derrota (Dirceu, Genoíno e outros), mas não abandonou o companheiro de vitória (Sarney e outros caciques do PMDB, que surgiram nos anos gloriosos, não nos anos da batalha), e assim continuamos a não apurar nada. O pior é o reflexo no cidadão médio, sim, pode me acusar de pretensioso por me colocar acima dessa média, mas é triste ouvir o que se ouve nas ruas, a generalização impera no coletivo e, pior, invade o individual, as pessoas passam a se achar no direito de fazer o mesmo, já viram presidentes de “direita” e de “esquerda” e todos agem igual, “eu também vou agir assim”… E eu continuo a acreditar num comportamento moral, mesmo não acreditando num deus, que a maioria desses envolvidos, não só acredita, como não cansa de citar…

Flip mesa 5: de onde para onde? Richard Dawkins

richard_dawkins.jpg

Não percebi nenhum protesto religioso durante a fala de Richard Dawkins hoje na Flip. Como os ingressos estavam esgotados, assisti em pé, fora da tenda do telão, tomei um pouco de chuva, mas reconheço que Dawkins me ajudou a expressar mais firmemente uma crença importante, uma das mais profundas que uma pessoa pode ter.

Rebateu as questões que veriam na religião a primazia, ou melhor, a exclusividade da moral, aceitou que sim, as religiões cumprem um papel importante, porém falso e respondendo ao que responderia se fosse confrontado com deus, disse: quem é você? Thor? Apolo? o deus católico?Alá? Maomé? Zeus? Ou seja, deixa claro que não é possível um acordo quanto a esse conforto. Também defende que no mínimo, deixemos as crianças decidirem depois de crescidas, não existem crianças católicas, só crianças com pais católicos, essa briga já tive muito com minha família, eu faço questão de deixar claro para os meus filhos minha posição atéia, ainda não insisto, não prego, chegará a hora.

Dawkins argumenta que como não há outra vida, o melhor é aproveitar essa mesmo, sem ficar fantasiando possíveis perdas e penalidades, não deixar para depois o que se deve fazer nessa vida, que mesmo sem deus, não condena ninguém a sair matando, bebendo, fodendo, todos que na frente cruzarem. Uma voz lúcida, bem melhor que a bonita camisa que usava…

Flip mesa 3: ficção e verdades

karamabloch.jpgchave-da-casa.jpgelza-a-garota.jpg

A segunda mesa que assisti hoje reuniu além de uma mediadora que falava um pouco além da conta, os escritores, Arnaldo Bloch, Tatiana Salem Levy e Sérgio Rodrigues. Discutiram a fronteira entre ficção e a verdade, na definição de Rodrigues: ficção um atalho para a realidade.

Deles só livro o Bloch, e gostei bastante, Levy está na minha fila, ganhou a categoria revelação do Prêmio São Paulo, o do Rodrigues, não comprei, mas me pareceu interessante, se depender do papo de hoje, compro e passo na frente da Tatiana.  Tinha lido sobre as questões ideológicas e o quanto as ideologias podem mudar nossas análises, isso é muito verdade num país com a nossa história recente, eu já acreditei que quem era de esquerda era honesto e humanista, ando menos ideológico ultimamente, fui obrigado a admitir que panacas e calhordas sentam-se de ambos os lados da vida.

Importante da mesa foi o resgate da procura pelas raízes e o poder de catarse da escrita, além do tradicional mas sempre necessário: quanto mais particular, mais universal. Falou-se também de coragem, coragem de se expor. Isto é inerente à arte, sem exposição não há arte, não há história, mas isso não quer dizer que toda ficção é ou precisa ser biográfica, aliás, como também disse Rodrigues, a realidade não existe, se você não concorda, ou ainda viveu pouco, ou apesar de rodado, tem vivido pouco…

Flip Mesa 2: Separações

outra-vida.jpgdomingos-oliveira.jpgseparacoes.jpgseparacoes1.jpg

O escritor Rodrigo Lacerda e o diretor, ator, dramaturgo e pensador Domingos de Oliveira participaram de uma mesa hoje na Flip sobre o tema: Separações. Um, não tenho certeza, trouxe sua visão, o outro, a sua vida, a mesa funcionou muito bem porque tanto Lacerda, quanto o mediador Paulo Roberto Pires, aceitaram o peso de Oliveira.

Este mostrou que apesar de falar “difícil”, muitas vezes com uma dicção até penosa, faz todos prestarem atenção e diz coisas das mais interessantes. Falou de suas cinco separações mas falou de vida, do que o homem quer e precisa, mesmo sem saber ou ter certezas, quem esteve presente pode acompanhar digressões sobre essa coisa estranha e banal que é viver todos os dias. Como disse Domingos de Oliveira, ou se é contra, ou se é a favor, mas o normal é, mesmo para os a favor, pensar no suicídio.

Em relação ao tema, quem está casado quer liberdade, quem tem liberdade, quer companheirismo, isso é ser humano. Não existe caminho certo, não dá para se vangloriar, vem aí um novo filme, Inseparáveis. Já tinha começado a ler o livro do Rodrigo, depois comento.