Arquivo: Julho de 2009



Manuel Bandeira, o homenageado

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A palestra de Davi Arrigucci na abertura da Flip foi apaixonada e técnica, precisava ter vontade para entender, tendo, chegava-se ao melhor de Bandeira. Lembro de um curto curso de voz que fiz, declamava Bandeira, ficava farto do lirismo…

Arrigucci falou da importância da leitura e do quanto esta abriu o mundo para Bandeira e para os poetas brasileiros. Contou que Bandeira, condenado a morte na casa dos 20, tuberculose, viveu uma longa vida sempre com essa perspectiva e isto marcou sua escrita, sua visão de mundo.

Uma obra marcada pela consciência das circunstâncias e dos desabafos e pela descoberta e criação do alumbramento, quase uma epifania. Um dos poemas ditos por Arrigucci e que diz muito de bandeira, de quem a Cosac vem fazendo belos relançamentos, para você se introduzir, ou relembrar: 

Momento num café

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta

Espelho LXIV

Ser humano é sentir o corpo reagir rebelde ao comando do cérebro, é admirar o que nem se consegue compreender direito…

Lágrima pela obra: Pina Bausch

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Ainda não adquiri o controle sobre as palavras para ser sucinto, deixar apenas as emoções falarem, talvez não seja a minha praia. A dança para mim é isto. Tenho poucas palavras para descrever, um monte de sensações. Há uns 15 anos abandonei um ballet para assistir um jogo da copa do mundo, dificilmente farei isso novamente.

Assisti a dois espetáculos de Pina Bausch na vida. Talvez tenha sido a mídia que me convenceu de sua importância, não lembro muito, sim de ter gostado bastante no geral, misturou-se na minha formação cultural.

Hoje li o texto de Deborah Colker no Estadão, algo curto e emocionado. Se alguém que respeito tanto como a Colker ao encontrar Bausch sentiu as pernas trêmulas e a dificuldade de falar ou perguntar, eis de fato reações humanas, e isto é o mundo da dança ao extremo. Já me senti assim diante de alguns ídolos…