Arquivo: Agosto de 2009



O pai dos burros, pena que não é um software…

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Se você é metido a escritor, tal como eu, eis uma leitura fundamental. Se você é editor, tal como eu, eis um livro que se fosse um software seria muito melhor. Adoraria poder pegar um original e tirar dele um cálculo do percentual de lugares comuns e frases feitas. Daí, me restaria a escolha das faixas: de tanto a tantos %, nem mandar resposta, não se dar ao trabalho de responder. De tanto a tantos %, enviar email agradecendo a preferência pela editora mas avisar que não se trata assim de uma obra-prima, nem sequer tão original. Apenas se tivesse próximo a 5% de lugares comuns e frases feitas e que valeria a pena um passar de olhos…

Brincadeiras de editor à parte, o novo livro do Humberto Werneck serve para o leitor ter noção de que estilo utiliza: o seu, ou o dos outros. Para minha felicidade, passei no teste da auto-leitura, utilizo bem poucas dessas expressões de domínio público, mas sou capaz de identificar vários amigos que ficariam mudos se acesso a elas não mais tivessem. Tê-lo lido de uma vez só foi importante para se dar conta de como é fácil apelar para o “senso comum”, utilizar “a voz do povo” e ficar muito distante da autoria de um texto. Ou seja, se quiser escrever algo erudito e autoral, fuja dessas expressões, se quiser escrever algo popular e um best-seller, eis as expressões a serem utilizadas, a escolha é sua.

Por mais que o autor diga no prefácio que não quer cercear ninguém, está é para mim uma das maiores utilizações do livro.

Copio-o e também cito Hannah Arendt (por ele posta no prefácio): “Clichês, frases feitas, adesão a códigos de expressão e conduta convencionais e padronizados têm a função socialmente reconhecida de proteger-nos da realidade, ou seja, da exigência de atenção do pensamento feita por todos os fatos e acontecimentos em virtude de sua mera exigência. Se respondêssemos todo o tempo a essa exigência, logo estaríamos exaustos”.

Você decide se encara a realidade ou simplesmente apela ao O pai dos burros

Entrevista sobre E se eu tiver que escolher… na CBN

Descobri hoje que já foi ao ar minha entrevista ao Mundo Corporativo da CBN. Fez parte da divulgação do livro E se eu tiver que escolher…, escrito por mim, Betania Tanure e Herbert Steinberg, um livro que discute se é possível conciliar qualidade de vida e sucesso profissional. Se o assunto lhe preocupa, ouça o vídeo colocado no Youtube, cliquando na imagem do vídeo abaixo, está em quatro partes, total de 29 minutos. Se quiser comprar o livro, clique nos links abaixo:

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Comprar na Cultura

Comprar na Saraiva

Quem vai aderir a campanha Folha, demita o Sarney!?

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Este é o meu terceiro post da campanha para que a Folha de S. Paulo demita o Sarney. A cada semana que passa, a cada ato que vejo no Senado me convenço que o único revés que o José Sarney pode tomar na vida, é ser demitido pela Folha. É claro que a Folha não tem esse dever, não é a juíza da vida dele, mas ela tem sim o dever de não compactuar com a hipocrisia em seu espaço. Eu não quero saber das mulheres do Sarney, para mim, continua não só sem condições de presidir o Senado, continua sem condições de ser senador, sim, sei que não é só ele, que é maioria, quase unanimidade.

Fiz referência às mulheres porque o artigo de hoje é Sempre as mulheres, se não leu, e for assinante da Folha ou do uol, clique aqui. Fala de democracia e mulheres em vários países do mundo, não fala das questões atuais, o último parágrafo é o seguinte: “Pensar em democratizar o Oriente Médio é o mesmo que plantar cenoura na Lua. As mulheres são escravas delas mesmas, pois não têm o menor direito de viver em liberdade.”

Humana e global a preocupação do senador, mas eu ficaria mais feliz se ele se esforçasse em resolver os problemas que nos cercam, até permitiria que fosse patrimonialista e se restringisse ao seu Maranhão, ou estendendo no máximo até o Acre.

Seus vizinhos de espaço hoje, abordam assuntos mais concretos e próximos. Clóvis Rossi faz importante alerta sobre a lei aprovada na surdina e que cria condições de “endeusar” várias iniciativas, basta fundar alguma instituição de cunho religioso para ganhar privilégios nesse novo Brasil. Eliane Cantanhêde, viajou de Brasília a Bariloche, fala dos colegas Chaves e Uribe e do palco armado para Lula brilhar, lá fora, e do quanto ele não consegue fazer aqui dentro. Ninguém foi tão longe, ninguém precisa tanto ser vazio quanto José Sarney, é por isso que insisto, Folha, demita o Sarney!

A onda: veja para nenhuma te pegar…

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Voltei agora do cinema. A onda é forte, filmado num ritmo acelerado, li entrevista do diretor Dennis Gansel falando sobre a a admiração por Cidade de Deus, mostra o que pode acontecer com grupos.

É claro que a associação mais direta e ideológica é com a Alemanha, nazismo e coisas fortes, mas quem é pai, mãe, ou mesmo adolescente, pode enxergar as mesmas características e tendências em qualquer grupo. Os amigos do colégio que também usam o mesmo uniforme, os amigos da balada, e isso não se restringe apenas a jovens, os executivos e vizinhos de condomínio também não se portam e agem de maneira próxima e fechada?

O filme é baseado numa experiência real acontecida na Califórnia, na pacata Palo Alto, o diretor foi falar com alguns remanescentes da experiência. É forte, em grupo se perde o controle mais facilmente. Em grupo, os covardes viram machos, as feias ficam normais, os carentes encontram, se não o colo, pelo menos alguém do lado, e aí, para uma besteira, só tempo, nem precisa muito.

E é claro que todo grupo precisa de um líder e daqueles sem ambição suficiente para assumir este papel. Aí, vale também para os “times” empresariais, dá para aprender muito.

Gostei bastante do filme, estávamos acabados, querendo dormir, mas saí do cinema muito mais inteiro do que entrei.

Humanos: latem? piam? ou simplesmente pensam, falam e escrevem…

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Depois do Twitter, piar, apareceu o Woofer, latir, mas ainda acredito que o ser humano, quando não se deixa levar por modismos, opta por outra coisa, sem limite mínimo, sem limite máximo.

O woofer (www.woofertime.com) é o oposto do twitter, aquilo que até os mais velhos e luditas já ficaram sabendo que existe, graças ao senador Mercadante. No twitter o limite máximo é de 140 caracteres, no woofer, 1.400. Continuo aqui fiel a este blog, sem me preocupar com o tamanho do que escrevo, tal qual o velho e bom livro, apenas com a limitação econômica de fechar caderno e maximizar o aproveitamento de papel.

Fico de olho nas mudanças tecnológicas, é claro que vou ser pego por uma delas, só não sei quando. Quando aderir, quando ser morto…

Papo na Barracuda - Educação de um bandido - biografia de quem?

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Por meio de uma amiga em comum fui visitar a Barracuda e o Alfred Bilyk, editor boa gente e outro apaixonado por livros. Choro de editor daqui, choro de editor dali, impressões sobre o mercado e a tradicional troca de livros, dei um Mergulho na base da pirâmide e recebi o Educação de um bandido, de Edward Bunker, leitura altamente recomendada por ele, a autobiografia de um “criminoso” sem pena de si, pretendo ler um dia, agora não vai dar.

Mas olhando a situação geral, este livro poderia ter sido escrito por muitos brasileiros que aparecem na mídia nos últimos tempos, acredito que os bandidos daqui não teriam o talento do de lá, apesar de alguns até se posicionarem como escritores…

Se não leu Da Matta hoje, faça-o agora. Está na hora de entendermos porque somos assim.

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Roberto da Matta acertou em cheio em sua coluna de hoje no caderno 2. Apelou para a novela, algo capaz de penetrar nos lares brasileiros para botar a pulga atrás da orelha de todos nós (ih, vou checar no Pai dos burros, mas este é assunto do próximo post…).

Utiliza de uma da novela e do sucesso de uma personagem para discutir a essência do brasileiro, a música, tem o refrão: “Você não vale nada, mas eu gosto de você! Tudo o que eu queria era saber por quê, tudo o que eu queria era saber por quê!”.

A partir daí desenvolve um brilhante texto mostrando que é exatamente o saber por quê que mantém o país nessa passividade diante de tantos absurdos. Norminha, Abel, José, Renan, tantos outros, eu e você, será que dá para entender?

 Se não leu, clique aqui. Depois volte para este blog…

Euclides da Cunha, homenagens e homenagens…

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É claro que o Estadão não iria e não deixou de capitalizar em cima do centenário de Euclides da Cunha, o escritor lá trabalhou e teve sua obra ligada a história do jornal que vem ao longo do ano prestando tributos e dando ao leitor a oportunidade de conhecer melhor o Brasil que aquele viu.

Eu ainda não li Os sertões, mas guardei o caderno de ontem, especial sobre o debate que aconteceu e reuniu uma boa parte da inteligência brasileira. Essa foi a homenagem positiva.

Mas infelizmente sou obrigado a manchar esse post ao notar que vi a homenagem que José Sarney prestou no Senado hoje. Falou de Euclides quando deveria se explicar. Contestado pelo senador Suplicy, apelou para a falta de educação. Educação é importante, mas moral e valores deveriam vir antes, não sei se essa fidalguia característica está no livro de Euclides da Cunha, que se baixasse nas suas homenagens, tenho certeza, dispensaria esta do Senado…

Talvez o Euclides de 2109 inclua em seus Sertões, um pouco do descalabro que agora vivemos, talvez fale do que um homem, um tal de Ribamar, de apelido/nome herdado do pai, causou ao país, a partir de um estado que pouco cresceu, também por causa deste mesmo homem…

Ah, e se livro é fetiche, comprei agora pela Livraria Cultura a nova edição da Ateliê Editorial, preparada pelo Leopoldo Bernucci, ainda não chegou, mas garanto que é bem mais atraente do que a da coleção Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro publicada na década passada pela Folha de São Paulo.

Comprei, mas não para ler agora, ainda preciso ser o verdadeiro leitor apaixonado

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Comprei para não ler, pelo menos por agora, ainda tenho muita coisa para ler antes de ler sobre, é claro que vou me contradizer, mas vou deixar o Ruy Castro como contraponto, quando me encantar ou não gostar .de algum dos mencionados lá, vejo o que representou pelo Ruy, sigo lendo Philip Roth e outros.

São 45 artigos selecionados pela patroa, dele, dando uma visão da literatura. Ruy tem uma bela biblioteca, uma ótima coleção de discos e também de filmes, alguém que botou o dinheiro que ganhou nas estantes, alguém interessante… Mais profundo que os proprietários de casas minimalistas…

A Folha ainda não demitiu o Sarney, Folha, demita o Sarney!

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Agora é assim, este blog vai publicar a faixa do luto a cada sexta-feira que a Folha de S. Paulo não demitir o José Sarney. Sim, sou contra afastar o Sarney da presidência do Senado, não lhe falta decoro para presidir, falta-lhe para continuar com o mandato, e, infelizmente, ele é maioria, se não unanimidade. Assim, deixem-no onde está, pelo menos as “merdas” flutuam, ninguém fala mais nada do Calheiros depois que deixou a presidência…

O Aluizinho, aquele que um dia já foi Mercadante, anunciou e depois recuou, continua o líder daqueles que não tem coragem ou força suficiente para expressar o descontentamento, a perda da ilusão, todo mundo diminui.

É por não ter esperança que o Senado seja capaz de fazer algo, que insisto que a Folha de S. Paulo é a última possibilidade do Sarney perceber que se comporta de maneira indevida. A demissão, na verdade a cassação dele do jornal, teria um possível efeito moral, mas parece que o Jornal não pensa assim, há uma semana escrevi para vários jornalistas lá. Apenas o ombudsman disse que estaria encaminhando minha posição a direção. Junte-se a esta “campanha”, ajude a salvar um jornal, escreva para o ombudsman: ombudsman@uol.com.br.

Lula a su tinta

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Quem leu as declarações do presidente Lula ontem? Sim:”[…] eu não consigo ler muitas páginas por dia, dá sono. E vejo televisão, quanto mais bobagem, melhor para mim. Eu quero é limpar a cabeça”.

Não vou aqui comentar rasamente o conteúdo dessa fala. Ao lado da caricatura acima (assumo que não sei de quem é) a imagem de um personagem de desenho animado e a imagem do Gabinete Real de Leitura, Rio de Janeiro. Até acredito que Lula deixará uma “herança social” maior do que a de Dom João, mas imaginem que Gabinete de Leitura deixaria…

Lula está longe de ser um analfabeto, um ignorante, tem uma inteligência e uma habilidade política irritantes, para quem não é seu companheiro, mas também deixa claro que não consegue fazer grandes interpretações da vida e das coisas. Sem ler, o ser humano fica raso. Nosso presidente desperdiça alguns talentos à frente das besteiras na televisão, e o pior, faz panfletagem disso e não tenho dúvida que leva consigo muitos companheiros.

Espero que este não seja seu principal legado… Mas não tenho dúvida que na visão oficial, churrasqueiro e pescador são muito mais importantes do que editores, admito minha inveja, mas admita você que o quadro é preocupante!

Centenário de Joaquim Nabuco

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A Ilustrada de hoje traz matéria sobre o centenário da morte de Joaquim Nabuco a ser celebrado no ano que vem. Daí não perca a oportunidade de comprar o que espero que seja reeditado: Dicionário de trechos escolhidos de Joaquim Nabuco, de Octavio Bueno Magano, da Editora Expressão e Cultura em parceria com a Esplanada.

Uma obra que permite uma leitura rápida dos principais conceitos escritos por esse brasileiro diferenciado. Uma vez enviei para uma amiga a definição que ele criou para mostrar a ela, emigrada para os Estados Unidos, como vê esse país:

Não se pode dizer deste país [Estados Unidos] que tenha um ideal. É o país prático por excelência, e que tem a admirável qualidade de, bem ou mal, governar-se a si mesmo. Não lhe falta manhood, mas tudo nele preenche um fim material. O americano é, acima de tudo, um homem positivo, em cuja vida a metafísica tem pequena parte; reconhece a cada instante que a vida é um business, que é preciso um lastro para não afundar nela; põe a arte, a ciência, a cultura, a polity, depois do que é essencial, isto é, do dólar, indo sempre ahead como a locomotiva, tratando a mulher com o maior respeito, mas na vida prática como uma obstruction, por isso entregando-a a ela mesma, ambicionando, acima de tudo, a riqueza de um grande operator de Wall Street, depois a influência de um boss, insensível à inveja, à má vontade, ao comentário, a tudo o que em outros países emaranha, complica e, às vezes, inutiliza grandes carreiras; nunca procurando o prazer para si, dando-se aos hóspedes em sua casa, como se dão brinquedos às crianças, superior às contrariedades, sóbrio de dor, calmo na morte dos seus, e tratando a própria apenas como uma questão de seguro” (em 1900).

Minha amiga, que casou com um americano mais de 100 anos depois, concorda com ele…

Mais para aspirantes

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Pelo que sei, os senhores aí acima não frequentaram as oficinas literárias que eu frequento, eu e tantos outros, como descobri hoje no caderno Mais da Folha. É interessante avaliar qual o papel da literatura no mundo atual, tantas pessoas querendo se tornar escritores, acho que o resultado será um aquecimento do mercado de custom publishing, para quem quiser, também tenho minha oferta: www.alfaiatar.com.br.

Mas quero também ficar animado que o movimento garante a manutenção da literatura, uma atividade antiga, demandante de tempo e concentração, na contramão deste mundo informático. Já fiz três desses cursos, o autor Daniel Galera faz uma boa defesa deles, três dos professores, inclusive um meu, Marcelino Freire, dão dicas de como ler e como escrever, para quem quer escrever, vale conferir.

O positivo é que fica claro que é impossível escrever sem ler, sem ter acesso as grandes fontes da literatura. Esses dias alguém disse que a Lygia Fagundes Telles tem uma frase, que eu jurava que era minha, falo-a a pelo menos 10 anos: no Brasil tem mais gente querendo escrever um livro do que ler um livro…

Folha demita o Sarney!

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Estava no Rio de Janeiro ontem, só li a Folha na volta, já de noite. O mundo de ontem é o título da “brilhante” colaboração do ex-presidente aos leitores do jornal. O suposto intelectual, político dos antigos tenho certeza que é, volta a Stefan Zweig e o tal país do futuro, ameaça tocar no assunto do Senado, mas o que faz mesmo é puxar o saco do companheiro Lula, mostrando o quão democrática é benéfica é a ascensão de um operário ao poder.

Toda essa politicagem e troca de favores no espaço do Jornal. Insisto, o mais humilhante que poderia acontecer para o Sarney agora é ser demitido pelo jornal. De resto, nada vai acontecer e enquanto isso lá continua ele a ocupar o espaço como se nada tivesse acontecendo, ridículo. Começo a me perguntar se há algum jogo político, pressão de verbas ou qualquer outro acordo por trás disso. Já enviei e-mail para o Clóvis Rossi. Vou enviar para outros email disponíveis do jornal, agora, assumi o imperativo: Folha demita o Sarney! O jornal tem uma história a honrar.

Para leitores e editores curiosos - História do livro

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Passear pelo Rio de Janeiro é uma sensação diferente, principalmente para os paulistanos, o oposto acontece com os cariocas, nós invejamos uma certa informalidade, a vida mais despojada, e eles, a precisão, o acerto. Cada um buscando o do outro. É verdade que a livraria da Vila já supri bem as carências de quem antes passeava pelo Rio, era Argumento e Travessa a nos deixarem morrendo de inveja.

Desta vez não tive tempo de ir até a Travessa, mas na Argumento descobri este História do livro, do francês, Frédéric Barbier, só li a introdução, mas pretendo sim ler inteiro, por curiosidade, formação intelectual e principalmente busca de diferenciais profissionais.

Parece bem detalhado, tive dificuldade de encontrar nas livrarias virtuais, ou seja, se o que uma livraria deveria ter, era livro que fala de livros, um mínimo de defesa e estímulo ao próprio mercado. Mas todo mundo que já se aproximou de uma editora sabe que nem sempre a livraria é uma parceira natural…

Agrestes - João Cabral

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Numa palestra de um publicitário ouvi-o comparar João Cabral a Drumond, dizia preferir o primeiro, por ser mais seco, mais duro, como ele. Fui em busca deste livro e encontrei sim essas descrições da comparação, mas não seria por este livro, por mais que contenha alguns trechos muito fortes, que me entregaria de todo a este e não ao outro, por mais que mais próximo me veja deste “primo” na falta de doçura, pelo menos como alguns próximos me relatam.

Mesmo sem ser um profundo conhecedor, as vezes acredito que na média, Drumond prevalece, em pontos específicos, talvez João Cabral possa prevalecer, mas hoje, ao acabar a leitura de agreste, e ter de Drumond a lembrança do popular que sua poesia incute nos brasileiros, sou mais este. Meu Agreste ficou pouco rabiscado, pode ser que me faltasse a inspiração, mas deve ser que o poeta não me passou. Mas não desisto, no futuro volto a ele:

Nele houve o insano projeto
de envelhecer sem rotina;
e ele o viveu despelando-se
a toda pele que o tinha.

Lágrima pela obra: Mario Cravo Neto

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Morreu ontem em Salvador o fotógrafo Mario Cravo Neto, de família de artistas, sei que pelo menos pai e filho são, foi um dos mais originais e importantes fotógrafos brasileiros, aceito há tempos no circuito das artes, precursor da inserção da fotografia neste patamar. Insistia em criar com o olhar e os recursos da câmara, sem photoshop, fazia melhor do que os melhores operadores desse programa.

Espelho LXVI

Ser pai é tirar do filho a expectativa da continuidade, da superação, da confirmação…