Uma vida vivida, de verdade, deu o que falar, deixou o que pensar - Nelson Rodrigues
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Já era para ter lido, mas buracos sempre existem, esse era quase inadmissível, pelo que gosto da obra do Nelson Rodrigues.
O mencionado curso com o Ruy Castro me fez parar de adiar e conhecer melhor a vida do Nelson. O livro é muito bem escrito e deixa claro que Nelson inventava pouco, reproduzia o que via ao redor, o que sentia, o que ouvia. Tudo era matéria-prima para seus livros, colunas, teatro.
Apesar de ter participado supostamente da esquerda, nunca fui contra esse reacionário. Os anos passaram e hoje sou obrigado a concordar com Nelson em outros pontos, não apenas admirar seu estilo e a visão da temática familiar e dos relacioamentos. Não existia a diferença entre esquerda e direita que a esquerda dizia existir. Ela não passou no teste do poder. Esse é o óbvio “ululante” que Nelson já descobriu, mesmo tendo morrido antes de Lula, que deve ter sido a inspiração para o tal do “ululante”… Esse óbvio estava aí, muitos não perceberam e não apenas votaram, perderam isso sim a esperança.
Para a sorte do PT Nelson não está aqui e não encontrou nenhum substituto à altura. Salvaram-se Lula, Dirceu, Marta e tantos outros, com um discurso muito diferente da prática.
Mas ele não merece que eu gaste o espaço dedicado a sua vida para falar dessas fraquezas do ser humano, ele quase sempre preferia explorar o lado pessoal, o desejo que atormenta as pessoas, mesmo que algumas não recomendem.
Pela minha idade, já fui muito mais fã de Dom Hélder Câmera do que sou agora, depois da leitura. Também se aprende bastante sobre os bastidores da imprensa brasileira e sua relação com o poder.
É impossivel ler O anjo pornográfico e não constatar que o ser humano é de natureza contraditória, só não entendi o medo do Nelson de andar de avião e a disponibilidade de acreditar que ou não havia ou que o Médici não sabia sobre a tortura, aí, pareceu um daqueles fucionários públicos tão babacas que muito reproduziu. É, a vida como ela é, um chavão rodriguiano, mas também um óbvio ululante. Bela biografia!
