Borges: ensaio autobiográfico
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Eis uma leitura profunda e rápida. Borges escreveu aos 71 anos este ensaio onde fala sobre sua vida. Poucas páginas, mas suficientes para aprender algumas lições importantes. Sim, ele também começou bancando sua produção, pediu para um amigo incluir seus livros, editados sem correção, no bolso dos casacos dos visitantes de uma revista literária.
Fala bastante da necessidade de não cair na tentação do enfeitar a escrita, arrepende-se de muito do que fez na juventude, mostra reverência a alguns, principalmente Bioy Casares, com quem criou dois autores, contesta a necessidade de reescrever. Era diferenciado? Claro, mas é uma das poucas poses a pegar contra o eterno reescrever, o limar, uma voz suficiente para qualquer aceitar que não existem regras, que os leitores peguem os diversos resultados e julguem se lêem até o fim, se compram outro livro, se indicam aos amigos.
Borges também precisou acontecer no exterior, depois de traduzido para o francês, para acontecer na Argentina. É tudo muito parecido, santo de casa não faz milagre em lugar nenhum, aliás, santos não existem, só se vistos à distância, e a literatura é algo que exige proximidade, transparência. Tratou a cegueira de forma muito sensata, responsabilizando-a por ter voltado à poesia, e à clássica.
Como disse seu editor: “todo escritor tem um livro. Só precisa procurá-lo”. O pior é que muitos que não deveriam encontrar não só encontram o livro, mas também editores dispostos a publicá-lo…
