Arquivo: Setembro de 2009



Para aprofundar os conceitos de psicanálise

licoes-sobre.jpg

Gosto de ler sobre psicanálise, procuro com isso entender o ser humano. Passeando pela Cultura de Porto Alegre dei de cara com um livro de J. D. Nasio, Lições sobre os 7 conceitos cruciais da psicanálise, resolvi incluí-lo na minha lista de leitura, era promessa de simplificar Freud e Lacan.

Comecei empolgado na Castração, o autor estava entregando, na sequência vieram Falo, Narcisismo, Sublimação, Identificação, Supereu e Foraclusão e o meu ritmo de leitura foi diminuindo, no final, não parava de pensar em parar, mas o livro era curto, 170 páginas, não valia a pena parar, cometia o mesmo erro da maioria dos livros da área, conceitos abstratos supostamente utilizando linguagem simples e direta. Mas não era bem assim, senti falta de exemplos mais interessantes. Mesmo assim, obtive o que queria, afinei os conceitos e incorporei algumas reflexões para um texto de ficção que estou desenvolvendo. Recomendação parcial!

Hábitos de leitura do carioca: o livro é caro, mas o tempo muito mais?

pessoa-lendo.jpg

O Globo de sábado, Prosa & Verso, trouxe pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Social sobre a leitura. As pessoas acham os livros caros, 39%, contra 37% que acham os preços justos, mas isso não justifica que 47% das pessoas não têm o hábito de ler, eis todas as respostas:

47% não tem o hábito de ler
24% lê pelo menos um livro por mês
19% lê pelo menos um livro por trimestre
10% lê pelo menos um livro por semestre

Por que os 47% não lêem?
55% por falta de tempo
28% por falta de interesse
12% por dificuldade para leitura
3% por preço dos livros
1% por falta de hábito

 Ainda se tem muito potencial no Brasil, mas para ele se realizar, precisaremos de uma revolução na educação.

Mea culpa! Primavera dos livros 2009

primaveradoslivros.jpg

Acabei não indo e também esquecendo de blogar sobre a Primavera dos Livros, evento promovido pela LIBRE, Liga Brasileira das Editoras. Se eu não vou, você ainda tem duas horas para ir, é no Centro Cultural São Paulo, lá na Vergueiro.

Costuma ser um evento interessante, várias editoras de pequeno e médio porte mostrando o melhor de sua produção.  Achei que a divulgação foi pequena, pelo menos não passou muito pelos veículos que vi. Tinha me programado, tive que fazer algumas coisas e o tempo passou. Vou na próxima!

Novo livro da Virgília: Não basta citar, tem que explicar!

frente-nao-basta-int.jpg

Mais um livro lançado. Este, apenas para quem gosta de frases, máximas, citações e história. O professor Luiz Roque fez uma seleção pessoal mas interessante de grandes frases que explicam muito da humanidade.

Ler este livro é entender um pouco mais da história e dos rumos da civilização, como também uma ferramenta para utilização do que já foi feito e dito para ilustrar o que se quer provar. Sabe aqueles momentos em que você quer ou precisa de uma base mais sólida para seu ponto? Sim, nessas horas, é melhor fazer suas as palavras de alguém de maior peso. Com o livro de Roque, você não corre o risco de escolher a frase apenas pelo que ela diz, há uma explicação capaz de deixar o conceito claro e também seu interlocutor ou leitor impressionado.

Pois afinal, como diz um dos respondentes do Quem disse o quê? deste livro: “Uma coleção de anedotas e máximas é o maior tesouro para o homem experiente, se ele souber entremear as primeiras em lugares convenientes na conversação e lembrar das segundas no momento oportuno”.

Fico devendo o livro de piadas…

Saiba mais sobre o livro clicando aqui ou na capa acima.

Bem-vinda Leya

leya.jpg

O Palácio São Clemente em Botafogo recebe hoje a festa de lançamento oficial da editora Leya no Brasil. Depois de comprar quase todas as editoras portuguesas, o empresário Miguel Pais do Amaral começa sua luta no país, não deu certo a compra da Nova Fronteira, resolveu começar do zero, espero que tenha mais competência que a Planeta que até hoje bate cabeças e mesmo supostamente podendo oferecer a América Latina, ou a língua espanhola, não tem conseguido seduzir muitos autores.

Miguel Pais Amaral se tornou o “rei da mídia portuguesa”, já foi piloto de carros, com vitórias em Le Mans e tal, espero que todo esse ânimo no mercado editorial dure mais do que o do fast-food, foi dele a mal-sucedida operação do Burger King em Portugal, para muitos livro é igual a fast-food, só não pode ser para todos…

Pena que tive que voltar ontem do RJ. Bem-vindos.

5a. semana: Folha, demita o Sarney!

luto1.JPG

Hoje nosso magnânimo ex-presidente defendeu novamente nosso magnânimo presidente e o pré-sal, e a Folha continua apostando na sua equipe de colunistas… E olha que hoje Sarney até botou as manguinhas de fora, avisou que não vai mudar, logo após citar Rui Barbosa, “Só não mudam as pedras”, com as próprias palavras: “O que eu não quero é mudar do bem para o mal, nem do mal para o pior”. Ou seja, vai continuar como é, isso eu já sabia, por isso é que peço para a Folha mudar. Mas já prevejo uma campanha perdedora, mesmo assim vou continuar. Hoje, ninguém já nem mais lembra dos absurdos do Sarney, todos já com a moral um pouco influenciada por ele…

Penguin, Companhia das Letras e Bienal do RJ

penguin1.jpgpenguin2.jpgbienal-rj.jpg

Estive ontem na Bienal do RJ, aliás, do Rio Centro, hoje se leva 35 minutos de avião de São Paul para o o Rio de Janeiro e 1 hora e meia do aeroporto para o Rio Centro. Primeiro dia a feira é sempre vazia, mas não vi grandes novidades, não quis comprar tanta coisa, vou comentar depois sobre a editora do Senado.

A melhor notícia para o mundo do livro veio ontem de Nova York, a parceria entre a Penguin Books, grupo Pearson, e a Companhia das Letras. A partir de 2010 teremos os clássicos Penguin, agora Peguin Companhia lançados por aqui. Quem quiser ter acesso a um ótimo texto, não vai mais precisar recorrer a edições “piratas” e fajutas que se vêem por aí. A promessa é boa. Finalmente os brasileiros vão poder ler O príncipe, e o daqui virá com um prefácio de um “verdadeiro” príncipe, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Li há uns 20 anos, de uma edição portuguesa, no aeroporto é fácil achar versões deste e outros clássicos, mas quase sempre mal traduzidos, não contextualizados e explicados.

Esse tipo de iniciativa me faz olhar o mercado editorial com otimismo, mais gente lendo coisa boa, tenho chances…

Bicicloteca: agitadores fazendo mais pela cultura do que executivos e burocratas…

bicicloteca.jpg

Fui procurar imagens do Binho, agitador cultural que está implantando o projeto Bicicloteca: No meio do caminho tinha um livro, matéria do Estado de S. Paulo do último domingo e acabei encontrando também informações sobre o Donde Mirás, que tem uma extensão pela América Latina.

Binho atua na região do Campo Limpo, São Paulo, e empresta uma média de 40 livros por dia. O projeto vai funcionar por pelo menos 6 meses na Av. Carlos Lacerda e na Estrada do Campo Limpo, nos pontos de ônibus (vale lembrar as bibliotecas nos pontos de ônibus de Brasília, já falei sobre isto neste blog). Procure o Binho e o ajude a ter mais bicicletas com livros circulando pela cidade. Parabéns Binho!

Os presidentes e os aviões: Lula e Sarkozy

sarkozylula1.jpgrafale.jpgcarla-bruni.jpg

Não seja preconceituoso e precipitado. A brincadeira dos aviões entre Brasil e França me parecia óbvia e primária, até que vi muita gente séria fazendo. A coluna do João Pereira Coutinho na Folha de ontem falava exatamente do que um homem é capaz de fazer, ou melhor, de não conseguir fazer, diante de uma mulher bonita (se for assinante uol, depois de chegar ao final deste texto clique e leia, Os homens, esses neandertais). É verdade, Coutinho citou a fonte das pesquisas, homens são capazes de não conseguir raciocinar se querem impressionar uma mulher, e desde que o mundo é mundo, muitos negócios já foram feitos com ou apesar disso.

O que me espanta é notar que presidentes de países não vão muito além de caixeiros viajantes de grandes empresas. Sarkozy veio, infelizmente desacompanhado…, ficou poucas horas aqui e pode se locupletar lá na França que levou divisas de bilhões de euros. E nós? Não vimos a Carla Bruni, vamos ter que receber os aviões Rafale e nem entendemos a razão de tamanho investimento. Clovis Rossi discute hoje se não deveríamos estar em busca de um novo poder, até mesmo o apontado por o “decadente” Obama, ao invés da antiga tradição do poderio militar, talvez Lula esteja é com inveja do Chaves, que se não conquistou uma Carla Bruni para si, vai se virando com um Oliver Stone…

Sugiro aos franceses que fiquem de olho na contribuição da Dassault a Sarkozy e aliados. Será que é futurou ou foi acerto de contas?

Espelho LXVII

Ser humano é trazer dentro de si quase tudo o que se teme, o que enoja, o que desperta…

Um filme para casais… Anticristo e Lars Von Trier

anticristo6.jpganticristo1.jpganticristo3.jpganticristo5.jpg anticristo7.jpg 

Se você quer entender a sua relação afetiva vá assistir ao filme Anticristo de Lars Von Trier. Convide seu cônjuge, encha-se de coragem e vá. É forte, admiro quem consegue provocar reações físicas nas pessoas, só não sei como cobrar o Lars Von Trier pelos beliscões de agonia que a minha mulher me deu durante a apresentação. Quase sugeri para ela escolher o rapaz da cadeira do outro lado, ele não tinha acompanhante…

Saímos e fomos jantar ainda meio tortos, talvez Trier dissesse que são coisas da natureza. No mínimo, qual natureza é a pior, a da fauma e flora ou a humana? Não sei quem assusta mais, aposto na espécie.

Um filme que faz pensar, cheio de símbolos, daqueles que você pode estar discutindo outro assunto, dias depois, e daí cai uma ficha. Se acompanhasse a vida de muitos casais, tenho a impressão que veria tortura tão densa e profunda, apenas disfarçada, sem as crueldades físicas, nós homens desenvolvemos amarras mais pesadas e doloridas do que a tal pedra.

Acho totalmente masculina a posição do marido de enfrentar os medos, vivenciar para se livrar, não precisa ser terapeuta para ter esse impulso. Totalmente feminino o carregamento da culpa. Totalmente humano a colocação da família no meio do plano dos desejos e as dificuldades e confusões derivadas disso tudo.

Exagerei no domingo, quando voltamos para casa, tivemos que acabar de ver Saló do Pasolini. Ou seja, ontem mergulhei fundo no que somos, nenhum livro de autoajuda me convence ao contrário, por isso, nem perco o meu tempo de ler um…

Se não for assistir ao Anticristo, depois não reclame que se deparou com um lado desconhecido seu ou de alguém da sua família, Von Trier, deprimido ou não, avisou que ele existe. Dafoe e Gainsbourg mostraram bem como pode ser, aliás, Gainsbourg pegou muito mais pesado do que Nicole Kidman, ou atrizes dos filmes anteriores. E o diretor nunca pisou nos Estados Unidos, é impressionante como alguém consegue ser tão diferente de Hollywood sem ter estado lá e estudado minuciosamente o modelo de fazer filmes para arrancar sorrisos e mostrar como a vida é bela e eu sou feliz…

Se vai ver Matisse, aproveite para ver Nicola

norberto-nicola1.jpgnorberto-nicola2.jpgnorberto-nicola3.jpg

Recomendo para quem for ver Matisse, a exposição do brasileiro Norberto Nicola. Nunca tinha ouvido falar deste artista, foi uma grata surpresa. Tenho uma atração especial pela tapeçaria como arte, e Nicola conseguiu me intrigar bastante.

A exposição dele acaba antes da de Matisse, se não me engano, ainda em Setembro, por isso, vá rápido.

Matisse meia boca, mas mesmo assim, vale ir.

matisse1.jpgmatisse2.jpgmatisse3.jpgmatisse4.jpgmatisse5.jpgmatisse6.jpg

Matisse é o pintor favorito da minha mulher, não o meu. Gosto do que ele faz, reconheço a força das suas cores, mas tem uma simplicidade que associo, mais facilmente do que deveria, a decoração. Quem lê esse blog sabe das minhas dificuldades, pelo menos teóricas, com as coisas fáceis e digestivas.

Recomendo a exposição na Pinacoteca, é ótimo ver uma fila para algo cultural, sinal de que o Brasil também pode colocar na moda cores da França e de outras questões culturais, não apenas as cores da Índia, embaladas pela novela.

Esperava ver alguns outros quadros mais importantes, não sei se influenciado pelo que li, preferia ficar apenas em Matisse na sala principal e depois, partir para os contemporâneos, tal qual estão os brasileiros associados a cor, em salas de apoio.

A quantidade de pessoas não me estimulou a ter todas as explicações, dá a sensação que tem que ir rápido, fazer a fila andar, mas mesmo assim vale a pena, um mergulho introdutório nesse artista, que em um dos quadros, não lembro agora o nome, até incluiu um livro de arte decorativa…

Leda Catunda na Estação Pinacoteca

ledacatunda1.jpgledacatunda2.jpgledacatunda3.jpgledacatunda4.jpg

Para quem for ver o Matisse na Pinacoteca, vale uma passada na Estação Pinacoteca. Além do acervo, há uma exposição de gravuras que não vi e outra de Leda Catunda. Gosto do trabalho de Leda, as vezes me questiono se não deveria me passar algo mais, tenho com ele apenas uma relação de empatia, estética pura. Em algumas peças a iconografia me desagrada, utiliza-se de imagens pops ou de amigos.

Seu forte são as dimensões pouco usuais e a sobreposição de materiais, e cor, muita cor. Um trabalho original. Achei pouco comum a quantidade de obras da coleção da artista na exposição, acima do que vejo, não entendi o porquê. Dá vontade de comprar e colocar na parede de casa.

Deixo a sugestão, vale ir a pé, da Estação para a Pinacoteca, mesmo porque, Matisse promete repetir as filas que lá estavam hoje, dificultando o estacionamento. Quanto mais gente circulando pela cracolândia, mas integrada ela vai ficar.

A Folha insiste com Sarney - 4a. semana da minha campanha Folha demita o Sarney!

luto1.JPG

Hoje José Sarney nos mostra seu lado ingênuo, tenta construir essa imagem de si, afirma ter acreditado em George Bush numa questão da Guerra do Iraque, foi alertado da crendice exagerada pela leitura de Alan Greenspan, só ali descobriu que a guerra tinha como fundo o petróleo.

Mas ele parece gostar de ser ingênuo em relação a presidentes, assim, afirma a importância do atual Lula na questão do petróleo brasileiro. É para este tipo de coisa, afagar o presidente que lhe dá apoio, que utiliza o nobre espaço do jornal, para isso que insisto: Folha demita o Sarney!

Falando em Lula, há uma matéria interessante sobre um novo imposto sobre livros. Lá o livreiro Pedro Herz utiliza do bom humor para definir que seria um grande estímulo para a leitura no Brasil se o presidente Lula frequentasse livrarias com sua família. Assino embaixo!

Olhos secos: um homem em busca de si, mas que só encontra o pai

olhos-secos.jpg

Nunca tinha lido nada de Bernardo Ajzenberg (talvez só seus artigos de jornal, mas os dele não o levarão a nenhuma Academia…). Olhos secos foi minha primeira incursão na obra deste jornalista que montou um sebo que está na minha lista de visitas futuras. Gostei da história do Leon que busca se encontrar, trabalha num cartório, tal qual meu pai, e busca se livrar da imagem do pai, acho que já consegui.

O personagem de Ajzenberg mistura seu diário de uma viagem a Europa e dos sonhos de uma juventude com o presente, quando recebe ameaças e compartilha a crise dos 40 com um amigo, também não bem-sucedido. O pai, antes de morrer dá uma dura final no filho. A estrutura é boa, convencional, passado interpelado pelo presente e revelando os sonhos, concretizados e não, que assombram o homem.

A trama também é bastante boa, Ajzenberg é corajoso nas relações familiares. A linguagem é que para mim ficou prejudicada, mas a culpa não é do autor, é que eu li seu livro logo na sequência de A marca humana de Philip Roth. A essa comparação, poucos ganhariam. Um livro maduro, muitas vezes também tenho a sensação de ter olhos secos, mas fujo dos dilemas do personagem…

Fantasmas da academia: Collor e Machado de Assis

fantasmacollor.jpg

Admito que tenho meus preconceitos contra as Academias. Avaliava que muitos imortais, sequer tinham nascido para o que foram “eleitos”, mas agora tenho certeza. Fernando Collor de Mello foi eleito, por ampla maioria, numa eleição muito bonita, segundo o presidente atual da Academia Alagoana de Letras.

Quais são as letras do ex-presidente? Isso mesmo, os discursos e artigos de jornal. Faltou alguém avisar os ilustres futuros colegas do ilustre ex-presidente, que tudo isso é obra de ghost-writters, assessores contratados e treinados para deixar o chefe parecer mais inteligente perante a opinião pública. Não sei se nas outras academias de letras se chega sem um mísero livrinho, mas não posso deixar de pontuar que a culpa é do Machado de Assis.

Sim, dele mesmo, que os outros chamam de uma maneira que me irrita, Bruxo do Cosme Velho, então foi o bruxo que permitiu os fantasmas nas academias brasileiras. Devia desde cara ter colocado normas que deixassem transparente quem é quem nos livros e na literatura. O mais engraçado deverá ser apreciar o Collor todo orgulhoso por mais essa conquista na posse. O que vou dizer para os meus filhos????

Curso para editores e quem quer trabalhar com livro: Universidade do livro, o livro como negócio e como produto

saladeaula.jpglivro.jpg

A Universidade do Livro é uma entidade ligada Fundação Unesp e forma profissionais para o mundo do livro.

O curso que se inicia em 15/9 tem como objetivo passar ao aluno uma visão geral das mais diversas áreas do conhecimento e composição de uma editora como negócio. Os professores são pessoas com experiência no mercado. Vou dar o módulo de plano de negócios, se quiser saber sobre ele, clique aqui.