
Eis um pequeno livro de Lev Tolstói, Felicidade conjugal, que te deixa do começo ao fim a espera de uma ação mais abrupta, mas ela não acontece, e não tem problema. Narrada do ângulo da mulher, pela própria jovem que casa com um homem bem mais velho, no “final da vida”, para minha sorte, 43 hoje é ainda antes do meio, conta a história desse relacionamento e da evidente diferença de expectativa e comportamento, ainda vigentes e que devem ser uma questão muito importante para vários segundos casais, por mais que as mulheres reclamem, e minhas amigas reclamam, homens de 40, 50 quando separam-se buscam refúgio na juventude e viço dos 20, 30, depois podem até se arrepender, mas a grande maioria quer afastar seu envelhecimento, convivendo com mulheres que lhe exigem menos da libido.
Aliás libido é o único ponto fraco do texto de Tolstói, a falta desse elemento. De resto é um livro muito gostoso de ler, todos os dramas internos de Mária e suas dúvidas, primeiro em relação a assumir o amor pelo amigo jovem do pai, depois por perceber que nenhuma relação suporta o mesmo tipo de sentimento do começo ao fim. Se Tolstói foi pouco moralista neste livro, serei eu nos meus comentários. Este é o principal problema dos relacionamentos, talvez o segundo principal, a expectativa que as coisas irão sempre ser como foram no início, nunca serão, caberá a cada um dos dois encontrar e construir em conjunto o novo formato da relação. Qual é o principal problema? As pessoas não se abrem de fato para o outro, muitos ainda acreditam que tem na família de origem ou em algo não presente, a verdadeira conexão, ou seja, a humana vontade de se esconder, de fugir de seus lados menos nobres.
Tolstói monta a solução de uma relação, o ápice, a desilusão das duas partes e a aceitação das circunstâncias. No lado pessoal ainda acredito que depois da desilusão pode vir uma reinvenção, mas essa exige muito trabalho. Depois desse comecei a ler As vozes do sotão, e há uma outra relação, onde os limites de respeito não foram mantidos, assunto para post futuro.
Gostei bastante, vale ler e utilizar trechos para “discutir a relação. Se não quiser saber o último parágrafo do livro, não leia o seguinte: A partir desse dia, terminou o meu romance com meu marido; o sentimento antigo tornou-se uma recordação querida, algo impossível de trazer de volta, e o novo sentimento de amor aos filhos e ao pai dos meus filhos deu início a uma nova vida, de uma felicidade completamente diversa, e que ainda não acabei de viver…