Quatro homens, quatro visões do sexo?
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Já falei aqui da obra Elogio à madastra de Mario Vargas Llosa, onde a tal, é expulsa por Dom Rigoberto por ter “seduzido” seu ingênuo filho. Uma bela peça, já comprei o Cadernos de Dom Rigoberto, a continuação, mas ainda não li.
Recomendo a leitura do artigo de hoje de Vargas Llosa, deve ter saído no Estadão, saiu no El País, discute a questão da moral, baseado na defesa que intelectuais estão fazendo do cineasta Roman Polanksi, preso na Suíça por um crime cometido nos Estados Unidos há mais de 30 anos, abuso sexual com uma menina de 13 anos, Polanski não era um jovem na época, já um quarentão. Em sua defesa saiu, entre muitos, o ministro da Cultura da França, Frédéric Mitterrand.
A ação da filha de Le Pen, tornou levou o assunto à eterna briga direita x esquerda. Llosa não aprova as confissões de Mitterrand de ter se utilizado de sexo escravo na Tailândia, quando a França faz esforços para banir exatamente o turismo sexual, coisa aliás, muito pouco discutida no Brasil. E também lembra que é pelo mesmo problema de moral que Silvio Berlusconi pode continuar aprontando as suas, abrindo inclusive caminho para as parceiras de diversão no palácio e em atos “oficiais” no parlamento europeu.
Tudo vida, será que Llosa está sentindo seu campo de ficção ameaçado? Não é isso não, e concordo com ele, as pessoas precisam aprender a lidar com suas libidos, isso serve para os homens públicos. Acho que nem Llosa, com certeza nem eu, estamos pregando um moralismo hipócrita, mas utilizando Georges Bataille, autor da citação que Llosa fecha seu artigo: “a suposta sociedade “permissiva” serviria para acabar com o erotismo, mas não com a brutalidade sexual”.
Admito que sou ignorante na obra de Bataille que, depois de minhas buscas internéticas, me pareceu bem interessante. O autor assume que escreveu histórias eróticas para se livrar de idéias que o cercavam, caminho diferente do escolhido pelos 3 protagonistas do artigo de Llosa, humanos como eu e você, para quem aliás, Bataille também disse: “um homem que ignora o erotismo é tão estranho como um homem que ignora a experiência interior”.
