Arquivo: Outubro de 2009



Prêmio, atestado de qualidade?

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Alguns acreditam que um prêmio é no mínimo sinônimo de qualidade ou popularidade de algo? Eu já fui assim, mas já recebi convites para ser agraciado com prêmio, é claro, desde que comprasse uma mesa com preço de Fasano para jantar e companhia com preço de grupo Sérgio, lembram dele?

Questionei há pouco o prêmio dado ao Barack Obama, com boas intenções, mas precipitado, até o agraciado não sabia como se manifestar, aguardemos o discurso. Mas os discípulos de Alfred Nobel, da medalha aí acima, sempre dão suas escorregadas, não são os únicos, qualquer premiação é política, humana, sujeita a favorecimentos ou a “desracionalizações”.

O problema é que os prêmios abundam e hoje já existem muitos premiaos que até minha filha de 5 anos perceberia que não merece. Matéria de ontem do El País fala que apenas na Espanha existem 3.500 prêmios, literários, veja bem, literários. Quem ganhou o prêmio da Feira de Frankfurt deste ano foi o italiano Claudio Magris, um escritor que sustenta prêmios, capaz de erguê-lo e parar em pé, o que a maioria não o faz…

Museu de Arte Contemporânea de Barcelona e o espaço

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O último dos meus quatro dias em Barcelona e uma coisa ainda me intriga: a relação do homem com o espaço. Há a velha Barcelona, mais apertada que muitas coisas no Brasil, o que mais se aproxima com a ocupação territorial de uma favela, não estou sendo técnico. Há depois a “nova” Barcelona, e aí, as calçadas, a parte nobre da velha já era assim, são enormes, a relação com o espaço é outra, completamente desproporcional ao tamanho do espanhol “médio”.

Ou seja, há espaços públicos gigantescos, muitas praças, uma amplitude muito boa. O Museu de Arte Contemporânea de Barcelona é um exemplo. Inaugurado há 13 anos, tem muito mais espaço do que obra, é claro que museus tem o desafio de colocar a arquitetura também como arte, e a deste impacta, o vazio que se vê na foto, do vitrô, é uma rampa enorme, dando acesso aos dois pisos superiores.

Há uma exposição que não gostei tanto, de contemporâneos interpretando os modernistas, e um andar estava fechado, preparando a exposição do John Cage que começa na semana que vem. Há um anexo, uma antiga igreja, dá um tom dos mais interessantes. Lá estão as novas obras adquiridas, em sua maioria vídeos, contrastando com a arquitetura original, entre as duas construções, um enorme piso onde jovens andam de skate, fica bem no centro, uma convivência produtiva.

Parece que quem estabeleceu as regras de urbanismo daqui a partir de algum momento, tinha uma tendência para o público, e uma ambição menor do que os nossos daí, é claro que deve haver corrupção, mas dá a impressão que não ultrapassa o limite do ridículo, como em tantas vezes é possível se observar no Brasil, onde a propriedade privada parece que já existia antes mesmo de Cabral.

Encontrei o livro da minha vida??? Marcelo en el mundo real

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Não conhecia o mexicano Francisco Stork, mas seu argumento de venda para mim foi irresistível. Estava numa livraria, quando vi um livro que começava com Marcelo em duas capas, Marcelo en el mundo real, em espanhol e o equivalente em catalão. Fui ver, derrubei uma pilha enorme.

Alberto Manguel defende que existe um livro que conta a história da nossa vida, nosso trabalho é descobrir. É muito provável que este não seja o meu, mas foi muito engraçado e as críticas eram positivas, acho que vou ler, no mínimo, fica a auto-provocação, algo que é sempre necessário, ainda mais em tempos onde se abandona o terapeuta. Verei qual Marcelo está mais próximo do real, real? Quem sabe o que é isto? Mas continuamos a viver…

Um resumo de tendências de Frankfurt, do La Vanguarda

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Para o La Vanguarda, ou pelo menos para seu correspondente Sergio Vila-SanJuán,  esses foram as os destaques da feira deste ano:

Autores - Oriana Fallaci, Roberto Bolãno, Jorge Luis Borges, J.M.Guenassia, Jaume Cabré, Stieg Larsson, J. Franzen e Pearl S. Buck (é claro que “puxou a sardinha” para o lado espanhol)

Temas -

Biografias e memórias de políticos (Mandella e Chirac),
A volta de deus (pelo livro God is back, de John Micklethowait da The Economist, e a idéia que até 2050 o secularismo estará vencido, no Brasil nunca existiu…, pena),
Família e histórias sobre esta instituição,
Histórias de crimes fortes,
Dicas e segredos para melhorar a vida
(agora sim parece que vai sair um que funcione…), e
Histórias médicas.

Uma homenagem a Marcio Kogan e Isay Weinfeld: Casa Batllo e Gaudí

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Dois de meus arquitetos brasileiros preferidos são Marcio Kogan e Isay Weinfeld, tanto que quando iniciei o projeto da poltrona Mindlin (minha iniciativa não bem-sucedida no mundo dos móveis) procurei Kogan para criar a poltrona de leitura. 

Ontem, numa homenagem oposta, fui visitar a Casa Batllo, obra das mais conhecidas do arquiteto Antoni Gaudí. É uma aventura arquitetônica, carinha, 16,50 euros, para presenciar o que a criatividade de um arquiteto, aliado ao dinheiro e desejo de aparecer de um empresário, são capazes de fazer.

Deve ser de lá que Willy Wonka (não sei se é assim que escreve) buscava a inspiração para suas máquinas e cenários malucos, parece um filme. Fico imaginando a competição na época. Não é muito meu estilo, mas entre isso e os palácios neoclássicos construídos pelos empresários brasileiros de agora, não resta dúvida que Gaudí é muito mais original e divertido. Aliás, esses “palácios neoclássicos” deixam muito claro quão sem graça é a vida dessas pessoas, dos arquitetos que se prezam a projetar e dos proprietários que parecem não ter imaginação melhor do que se ver “nobres de séculos passssssados”.

Vale a visita, você também vai ter várias reflexões, vai olhar para onde mora de outra forma.

Me emocionei no Museu Picasso

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O Museu Picasso é confuso, chegar até ele já é uma experiência gostosa por uma Barcelona apertada, muito diferente das regiões mais nobres. As salas não tem continuidade, mas quase chorei ao ver o que Pablo Picasso pintava no início da sua carreira, tão clássico e bobo como qualquer pintor iniciante.

Lá diz que foi o contato com a literatura de Rimbaud e Baudellaire, entre outros, além do contato com a vanguarda de sua época que o fez evoluir. Minha emoção veio daí, da possibilidade de evolução, da ruptura com o normal, seguro e belo, que se não ameaça, também não leva a lugar algum.

Até o quadro Ciência e caridade, exposto acima para mim já contesta, minha interpretação foi o questionamento do que cada uma das duas alternativas pode dar. A ciência da época era precária, o médico tirando pulso, o cuidar deixa claro o suposto papel das religiões, também não sei da vida dele para ir adiante nas projeções.

O trabalho As meninas, a releitura de Velasquez mostra como é possível várias visões diferentes e até mesmo, uma inspiração, desde que personalizada, qual menina você queria para filha? Ou para casar com seu filho?

Quatro homens, quatro visões do sexo?

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Já falei aqui da obra Elogio à madastra de Mario Vargas Llosa, onde a tal, é expulsa por Dom Rigoberto por ter “seduzido” seu ingênuo filho. Uma bela peça, já comprei o Cadernos de Dom Rigoberto, a continuação, mas ainda não li.

Recomendo a leitura do artigo de hoje de Vargas Llosa, deve ter saído no Estadão, saiu no El País, discute a questão da moral, baseado na defesa que intelectuais estão fazendo do cineasta Roman Polanksi, preso na Suíça por um crime cometido nos Estados Unidos há mais de 30 anos, abuso sexual com uma menina de 13 anos, Polanski não era um jovem na época, já um quarentão. Em sua defesa saiu, entre muitos, o ministro da Cultura da França, Frédéric Mitterrand.

A ação da filha de Le Pen, tornou levou o assunto à eterna briga direita x esquerda. Llosa não aprova as confissões de Mitterrand de ter se utilizado de sexo escravo na Tailândia, quando a França faz esforços para banir exatamente o turismo sexual, coisa aliás, muito pouco discutida no Brasil. E também lembra que é pelo mesmo problema de moral que Silvio Berlusconi pode continuar aprontando as suas, abrindo inclusive caminho para as parceiras de diversão no palácio e em atos “oficiais” no parlamento europeu.

Tudo vida, será que Llosa está sentindo seu campo de ficção ameaçado? Não é isso não, e concordo com ele, as pessoas precisam aprender a lidar com suas libidos, isso serve para os homens públicos. Acho que nem Llosa, com certeza nem eu, estamos pregando um moralismo hipócrita, mas utilizando Georges Bataille, autor da citação que Llosa fecha seu artigo: “a suposta sociedade “permissiva” serviria para acabar com o erotismo, mas não com a brutalidade sexual”.

Admito que sou ignorante na obra de Bataille que, depois de minhas buscas internéticas, me pareceu bem interessante. O autor assume que escreveu histórias eróticas para se livrar de idéias que o cercavam, caminho diferente do escolhido pelos 3 protagonistas do artigo de Llosa, humanos como eu e você, para quem aliás, Bataille também disse: “um homem que ignora o erotismo é tão estranho como um homem que ignora a experiência interior”.

Tem coisas que ninguém é obrigado a fazer, outras sim…

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Não deve ser nada fácil sentar no cockpit de um Fórmula 1, ainda mais por tanto tempo. Eu não conseguiria, mas muitos conseguem. Ser campeão era algo, para mim, impossível para Rubens Barrichello, ele não precisava fazer isso, mas ganhar em Interlagos, isso ele tinha a “obrigação” de fazer. Não teve sorte? Sei lá, nunca gostei da postura que adotou, para mim está muito mais para uma vítima “dourada” do que alguém com postura de campeão e vencedor. Não poderia ter um fecho melhor, desperdiçou.

Imprensa, ideologia, estatísticas…

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Pesquisas e estatísticas são amplamente manipuláveis. Disso, quem conhece o mínimo, há de concordar. Nada contra a técnica, o problema são os ideólogos surrupiando a técnica para dar uma base científica a seus achados ou desejos.

 Acabei de postar sobre a Marcha contra o Aborto. Tirei a matéria do La Vanguarda. Acabo de ler o El País e os números são outros, inclusive comentados e argumentados.

Veja a diferença:

Cuerpo Nacional de Polícia: 250.000 pessoas

El País: 265.300 pessoas

Comunidad de Madrid: 1.200.000 pessoas

Organizadores: 2.000.000

Isso em nada muda o destaque da matéria. Mas esperaria de um jornal que se faça isso, discuta os números. Agora, sem querer pegar no pé da Igreja, e se a memória ainda não me falha, Não mentir, é um dos mandamentos de deus, acho que ele quis dizer, mesmo, em causa própria, no caso, a dele…

É por isso que leio vários jornais e tento obter diferentes pontos de vista, vou ainda assim ser manipulado, mas serei pego pelos mais persistentes…

Para dar uma ótima relaxada

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Estava com o corpo acabado de tanto andar e resolvi dar uma relaxada. Se quiser um ótimo spa de relaxamento em Barcelona, eis o Silom, fica na Calle Valencia, pertinho do Passeo de Gracia.

Para quem é de São Paulo, uma Luiza Sato com “upgrande” no visual e também no uniforme para se colocar, só senti falta do missoshiro. A Tailândia bateu o Japão…

10a. semana: Folha: demita o Sarney!

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O frio de Frankfurt e a distância quase me fizeram esquecer da minha já cansada campanha. Folha: demita o Sarney!

Acabo de procurar na internet e ler o brilhante texto sobre mesticismo e religiosidade, mas o melhor mesmo do grande intelectual é o final, para esquecermos o empate com a Venezuela, gostaria de esquecer outras coisas do Brasil, mas ele e família não deixam. Otávio Frias Filho, quando é que vai acordar decidido a honrar a tradição do jornal e demitir o Sarney?

2% da população do pais nas ruas: aborto, será que estão sendo realistas?

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A grande discussão na imprensa espanhola hoje foi a marcha contra o aborto realizada ontem em Madri. Reuniram-se entre 1 milhão e 1 milhão e meio de pessoas para apoiar as convocações dos movimentos católicos, contra projeto que legaliza o aborto e vai além, permite que menores o façam até mesmo sem consentimento dos pais.

Eu sou favorável a que a mulher, melhor o casal, decida o que fazer no caso de gravidez indesejada. Para mim é também uma luta pela vida, por mais de uma vida. Já está mais do que na hora de assumirmos que para nós humanos, sexo é muito mais do que um meio de reprodução. Tive alguns problemas para conseguir ter o segundo filho, por isso, passamos por tratamentos por mais de um ano, assim, devo estar entre os maiores “consumidores de sexo por busca de gravidez”. Mas se colocar a estatística em jogo, não devo ter feito sexo para reprodução mais do que 5%, sendo muito “católico”, das vezes, de resto, foi por prazer e humanidade. É isso que precisa ser encarado.

É claro que entendo as complicações do ato de abortar, as marcas e perigos. Só que tudo isso é maior com a prática na ilegalidade, é por isso que sou favorável sim a possibilidade de fazê-lo e a uma educação realista, aberta sobre isso. Tenho uma ótima relação com os meus filhos, são parte indispensável e fundamental da minha vida, mas minha relação com a minha mulher não se resumiu a isso, não foi só por isso que casei. Neste, existem vários outros, ponto, eu condeno a igreja católica, pregar o impossível, fugir de pontos difíceis por meio da imposição do improvável. Ser contra o aborto, é ser a favor da hipocrisia, é acreditar que o ser humano é capaz de viver no conto de fadas que querem que acreditemos, mas pior, não conseguem nos mostrar.

Bom, tema polêmico, sociedade espanhola, conservadora e católica (berço do Opus Dei), e momento econômico ruim, acho que o projeto não vai ser aprovado, infelizmente. E você é contra ou a favor?

Espelho LXXI

Ser humano é querer morar em Barcelona…

Os emigrantes - W.G. Sebald

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Há meses vinha ensaiando conhecer a obra do alemão W. G. Sebald. Comprei dois livros, Austerlitz e Vertigem, mas só no terceiro é que de fato fui à leitura, também influenciado por um comentário de Michael Dirda, supostamente do The Washington Post: “se você é novato na obra de Sebald, talvez deva começar por esta jovem obra-prima”. É claro que além de um jornalista, havia também o aval de Susan Sontag.

Depois de acabar a leitura, confesso que tomarei ainda mais cuidado aos escrever orelhas e quarta-capas de livros, é claro que um editor quer vender livros, mas para a sorte de Sebald, eu já comprei os dois anteriores a Os emigrantes, se não, acredito que não compraria. Assim, já que está em casa, por alguma razão posso pegar para lê-los.

São quatro histórias, gostei mais da última, tudo bem, foi leitura de avião, Alemanha de fundo, mas não conseguiu me pegar pelo estômago, talvez seja sutil demais para mim, comecei agora a novela Felicidade conjugal de Tolstói, muito mais o que me atrai, rabisco mais.

Sebald trata de forma inteligente vidas sem maiores esperanças, junta histórias de suicídio, mas não achei nenhuma graça adicional nas fotos que conversam com o texto, para mim leitura não precisa de foto, aliás, leitura não deve ter foto, se é para formar a imagem, sento no cinema ou no teatro, e tenho um quadro mais completo.

Coloco Sebald naquele estágio de quem vou ler as próximas críticas, preocupado em saber se estou “errado”, mas vou ter que confiar muito na pessoa e nos argumentos para passar os dois livros na frente de tantos outros da minha interminável e crescente pilha de leitura.

Lágrima pela obra de Oiticica e pela incompetência no cuidar

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Família e Estado brigam e todos ficam sem memória. É lamentável que um acervo da importância de Hélio Oiticica tenha sido 90% destruído em incêndio ontem no Rio de Janeiro. Agora é que ele começava a desfrutar de um maior reconhecimento internacional.

Que sua obra era frágil, todos sabiam, mas no sentido de manipulação, não na guarda. Acidentes acontecem, mas quem deixaria um ativo avaliado, notícias de imprensa, em 200 milhões de dólares, sem seguro e num local passível de destruição tão completa? Não sei detalhes da história, mas não queria ser este César, não sei que relação os dois mantinham, mas ele não conseguiu cuidar da obra do irmão. A prefeitura do Rio de Janeiro vai ter que cuidar de muito mais coisa, mas nem disso deu conta…

Incompetência ou crime?

Um país, seus ídolos, livros e educação: Argentina x Maradona

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Há uma discussão aqui sobre Maradona e o quanto ele simboliza a decadência argentina. Só vi uma imagem dele extravasando após a vitória e a classificação e os rumores de que será demitido. Mas pelo visto andou falando bobagens, que repercutiram por aqui.

E como aborda o La Vanguarda, Maradona é apenas um reflexo da degringolada de um país que já foi muito educado, é incrível, por mais que nós brasileiros não gostemos de admitir, e olha que eu adoro Buenos Aires, a Argentina já foi um país de primeiro mundo, com elevados níveis educacionais e de leitura, mas tinha apesar disso um espaço reservado ao populismo e os populistas de lá souberam muito bem aproveitar. Fizeram direitinho a lição de casa e chegaram aonde estão, sem perspectiva de voltar à primeira divisão.

A Argentina será o país homenageado na feira de Frankfurt do próximo ano, o Brasil foi na década de 1990, antes de eu entrar para o mundo do livro, o La Vanguarda já contesta a escolha de Maradona como um dos símbolos do país a mostrar em Frankfurt, como diz o jornalista Jorge Lanata, em depoimento ao jornal catalão, um país são seus ídolos, lembrando ainda daquele gol com a mão na Copa do México, reproduzido acima. Atenção brasileiros, um país são nossos ídolos, veja bem quem você vai cultuar para depois não reclamar da qualidade de vida!

Ah, por aqui também se conta a piada do comprar um argentino pelo que ele vale e vender pelo que ele acha que vale…

Barcelona: ufa, aqui entendo os jornais…

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Sou daqueles que tem prazer em sujar as mãos num jornal. Depois de 5 dias em Frankfurt, sem entender nada de alemão e, portanto, não poder perceber a cultura local por meio dos jornais, eis que hoje tenho o prazer de poder ler La Vanguarda, um jornal catalão e El País, o mais importante jornal espanhol.

Não sei como a maioria consegue passar sem este hábito tão básico. É verdade que ainda não consegui incuti-lo no meu filho de 12 anos, mas para quem está acostumado a ler 4 jornais por dia (três depois da falência da Gazeta) e ainda O Globo nos finais de semana, não vou desistir tão fácil. Leio os jornais e deixo-os arrumadamente à disposição dele, às vezes pega uma coisa e outra.

Por enquanto dei apenas uma volta ao redor do hotel, o suficiente para sentir-me mais em casa. Várias motonetas e inclusive, em quatro quarteirões, dois carros com vidros estourados, isso o similar, apesar de não ver carros estourados em São Paulo há muito tempo, mas a amplidão das calçadas e praças me faz pensar que a escola de urbanismo chegou tarde demais no Brasil…

Städel Museum e Max Liebermann, quase entendi a vida…

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Visitei novamente o Städel Museum, é um museu bastante interessante, algumas obras importantes, poucas, mas tem um tamanho ideal. Vi uma bela exposição de gravuras de Edvard Munch, aliás, assumo que de Munch, tinha pouco na memória além de O grito. Gostei, parece ser dos meus, olha o mundo de um jeito denso.

De repente um quadro me chamou muito a atenção, até tirei a foto acima. Está um pouco torta porque não sabia se era permitido e odeio pagar mico. Mas é daquele tipo de obra que me fez refletir bastante. Comecei a pensar que aquele entendeu a vida, é o quadro acima do alemão Max Liebermann, chama-se Sansão e Dalila e para mim, representa muito de como as coisas funcionam.

Já estava impressionado quando me deparei com o outro quadro acima, esse de um pintor ainda mais importante, Rembrandt, para quem não consegue ver, Dalila sai correndo com o cabelo de Sansão e os outros homens, assim o dominam, já fraco e até lhe arrancam os olhos. Não conheço a fundo a história, o que me interessa é afirmar que concordo com Liebermann, é assim que os homens perdem a sua força. Aliás, lembram do post sobre o João Pereira Coutinho feito há poucas semanas?

No meu placar da vida: Liebermann 1 x Rembrandt 0.