Anselmo Duarte - a única palma se foi, deixa um discurso sobre a inveja
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Acho que quando assisti ao O pagador de promessas, ainda era católico, lembro pouco do filme. Mas sempre esteve ao meu redor algumas das discussões do por quê este filme ter chegado tão longe. Lendo sobre a morte do diretor Anselmo Duarte nos jornais acompanhei algumas de suas declarações: a inveja causada, principalmente na turma do Cinema Novo, atrapalhou bastante. E como dizem os mais preconceituosos, inveja de homem é bem pior.
Anselmo Duarte corre o risco de ficar lembrado como homem de uma obra só. Mas melhor isso, do que nada, afinal, bateu em 1962 Buñuel, Antonioni e, se não me engano, Robert Bresson. No juri, Francois Truffaut. Não é pouco. Ainda mais se considerarmos que foi alguém que fez de tudo para fugir do estigma de galã e partiu para a direção. Não sei se houve um impacto da ditadura militar segurando sua ação, mas é claro que os militares jogaram contra tudo o que pudesse representar consciência, em detrimento de um ufanismo mais massivo, como o futebol.
Uma das poucas glórias dos últimos anos foi ainda em Cannes, na festa de 50 anos do ainda festival mais importante do mundo, por mais que não consiga convencer meu filho de 12 anos que Cannes é melhor “rótulo” do que Oscar. Valeu Anselmo!
