Um livro sobre escritores, mas de alto nível, não tão atrativo.
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Li o livrinho do Canetti, Sobre os escritores. Primeiro, não dá para não citar o desprazer com um projeto gráfico tão pouco cuidado, a mancha não deixa espaço para anotações, não há nenhum tentativa de charme.
O texto é uma série de compilações feitas depois de sua morte, conferências, discursos, aforismos, anotações. Isso não dá ritmo. Logo no início o leitor é avisado que não se tratam de visões integrais de escritores, sim recortes personalíssimos. Resolvi ir adiante. Há alguns comentários interessantes, agrega numa visão do todo, mas não é nada introdutório. Como já tinha “abandonado” Auto de fé, não quis parar novamente, me acharia muito ignorante. No mínimo, ouvi falar pela primeira vez sobre alguns importantes escritores, sem nenhum livro em português.
Valeu a descoberta deste pequeno trecho: (sobre Karl Kraus) “Graças a ele comecei a compreender que cada indivíduo possui sua própria configuração linguística graças à qual se destaca de todos os outros. Compreendi que pessoas falam umas com as outras, mas não se entendem; que suas palavras são golpes que ricocheteiam nas palavras dos outros; que não há nenhuma ilusão maior do que achar que a linguagem seja um meio de comunicação entre as pessoas. Falamos com o outro, mas de forma a que ele não nos entenda.” Já não vale o livro?
