Não sou mais virgem de Bolaño
![]()
Acabei de ler Estrela distante, um dos primeiros romances de Roberto Bolaño. Demorei para engatar, fala de oficinas literárias, fala de literatura, mas no fundo fala de política, de regimes políticos, de ditadura, de esfacelamento de vidas e sonhos.
É um autor que exige do leitor, cheio de citações, pessoas e livros, parte criadas, parte eruditas. Não pensei muito bem se é alguma metáfora as poesias escritas por aviões que o personagem duplo escreve pelos ares. Tem algumas descrições e comparações brilhantes, e outras um tanto enfadonhas. Tem um absurdo aceitável e esse talvez seja sua graça. Cabe lembrar que, se pudesse, Bolaño seria apenas um poeta alternativo. A responsabilidade da vida, os filhos, o fizeram partir para a ficção e ser visto como um dos principais nomes da literatura latino-americana do século XX. Não dá aquela sensação de apego, de compulsão, você vai indo, tentando descobrir onde chegar, nãáo existem caminhos óbvios, e para decepção de alguns, nem conclusões…
