Arquivo: Novembro de 2009



120 anos de República e ainda falta muito para ser uma República com R maiúsculo

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Faz 120 anos que Marechal Deodoro proclamou a República. Já tivemos tempo suficiente para construí-la, mas ainda não chegamos lá. Republicano ainda é um adjetivo usado demais na boca de mensaleiros…

Hoje a discussão na imprensa foi pequena, talvez seja por isso que ainda falte tanto…

Os Gêmeos na FAAP: Liebfraulmilch do vinho? Paulo Coelho da literatura?

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Fui com a família ver a exposição Vertigem dos grafiteiros-artistas Os Gêmeos na FAAP. Otávio e Gustavo Pandolfo têm uma forte linguagem própria. Na minha opinião, um tanto forte demais, algo pictórico, que rouba a atenção do objeto retratado.

Arte? Talvez a porta de entrada. Muitas famílias, muitas crianças, uma interação fácil. Um universo fácil. Tracei o paralelo entre entre o que o trabalho deles representa para a arte com o que o vinho Liebfraulmilch representou para o mundo do vinho, ou então, o que o trabalho de Paulo Coelho representou para a literatura, formação. Se bem, que desses três, prefiro de longe o trabalho dos Gêmeos.

Mas na dúvida entre o profundo e o leve, vale lembrar Philip Roth: existe entretenimento e literatura, somente os gênios juntam os dois. Gênios, não Gêmeos, por mais que o trabalho deles seja agradável e chamativo. Acredito que farão um bem à arte, mas não parece que a arte estará aberta a eles, por mais que já tenham conquistado até a Tate Modern, me parece mais presente do que futuro.

Um livro sobre escritores, mas de alto nível, não tão atrativo.

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Li o livrinho do Canetti, Sobre os escritores. Primeiro, não dá para não citar o desprazer com um projeto gráfico tão pouco cuidado, a mancha não deixa espaço para anotações, não há nenhum tentativa de charme.

O texto é uma série de compilações feitas depois de sua morte, conferências, discursos, aforismos, anotações. Isso não dá ritmo. Logo no início o leitor é avisado que não se tratam de visões integrais de escritores, sim recortes personalíssimos. Resolvi ir adiante. Há alguns comentários interessantes, agrega numa visão do todo, mas não é nada introdutório. Como já tinha “abandonado” Auto de fé, não quis parar novamente, me acharia muito ignorante. No mínimo, ouvi falar pela primeira vez sobre alguns importantes escritores, sem nenhum livro em português.

Valeu a descoberta deste pequeno trecho: (sobre Karl Kraus) “Graças a ele comecei a compreender que cada indivíduo possui sua própria configuração linguística graças à qual se destaca de todos os outros. Compreendi que pessoas falam umas com as outras, mas não se entendem; que suas palavras são golpes que ricocheteiam nas palavras dos outros; que não há nenhuma ilusão maior do que achar que a linguagem seja um meio de comunicação entre as pessoas. Falamos com o outro, mas de forma a que ele não nos entenda.” Já não vale o livro?

14a. semana e a Folha ainda não demitiu o Sarney…

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A Folha insiste em manter o Sarney entre seus colaboradores. Sexta-feira 13 e nosso guru falando sobre nossa identidade nacional. Até quando Otávio Frias vai desperdiçar a única chance de se fazer justiça ao Sarney???

Espelho LXXIII

Ser humano é se deixar levar pelo fácil, pelo cômodo, pelo divertido. O problema é que a maioria dos humanos depois não acorda mais, alguns tentam e não conseguem. Poucos mudam mas se estranham por não encontrar companhia. Muitos poucos se sentem confortáveis sendo cutucados…

O que fazer na sala de espera? Daqui a pouco não consigo mais ler

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Sou do tempo em que as empresas e profissionais liberais eram avaliados pelos mais rigorosos pela atualidade das revistas da sala de espera. Como a maioria sempre foi descuidada, e tenho sempre muito a ler, carrego meus livros e já tenho as revistas que me interessam lidas.

O problema é que isto agora está mudando, a televisão está ganhando este espaço. Esses dias estava aguardando numa grande empresa de Certificação Digital, onde para “benefício” dos que esperam, havia uma enorme televisão. Já estive em outras salas em que a televisão é menor, mas sempre lá, chamando a atenção, e, o pior, atrapalhando quem quer ler…

Será que é tão conveniente assim que todos vegetem?????

Julio Ribeiro na Direto da Fonte do Estado

Hoje na coluna da Sonia Racy no Estado há uma foto do autor Julio Ribeiro e seus netos, tirada no lançamento no MUBE na última terça, aliás, o salão do museu ficou lotado. A campanha do livro começou nesta semana com anúncios na Meio&Mensagem, Caderno Propaganda&Marketing e Estadão, vem mais por aí.

Bela resenha do Sonhar acordado no Valor de hoje!

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No Valor Econômico de hoje, Eu & Livros, há uma bela resenha do livro Sonhar acordado, Raul Rosenthal. O jornalista aponta a experiência do Raul e sua qualificação para falar do assunto corporativo. Saiu também no site, mas a visualização é apenas para quem é assinante.

Se quiser saber todos os detalhes deste livro, clique aqui.

2 visitas a livraria e um strike…

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Duas idas a livraria e um strike, mais um. Sou seletivo, mas assumo que também doente. Numa sociedade de consumo, participo consumindo livros, sei que alguns deles nunca serão de fato lidos, mas como não sei quais, sigo em frente, cercando-me do que acho necessário. Eis a nova leva:
O livro dos mandarins - Ricardo Lísias - Alfaguara (ficção)
Boa companhia - Rodolfo Gutilla - Companhia das Letras (poesia, Haicai)
Biblioteca - Gonçalo M. Tavares - Casa da Palavra (gênero complicado…)
O seminarista - Rubem Fonseca - Agir (ficção)
Estrela distante - Roberto Bolaño - Companhia das Letras (ficção, talvez seja esse meu primeiro Bolaño…)
Em defesa da psicanálise - Elisabeth Roudinesco - Jorge Zahar Editor (ensaios e entrevistas)

Ah, tem também o terceiro número da Serrote, apesar de ter lido pouco as duas primeiras, não por não ter gostado…

Boicote ao Portugal Telecom? Só pelo Nuno Ramos?

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Se não estou enganado, a repercussão do Prêmio Portugal Telecom foi muito pequena. Uma busca no google vai resultar ainda no site do concurso, sem anúncio do vencedor. Se não estiver errado, apenas o site da RTP deu que o vencedor foi o artista plástico e agora escritor Nuno Ramos. Ó (CosacNaify) é um livro de ensaios, não li, livros de arte na minha residência são do departamento da “patroa”. Estranhei apenas o fato de ser um livro de ensaios. O positivo é que se quebram barreiras e os ensaios ganham força, ou será que a literatura é que anda meio combalida?

Lembra da exposição Vai-vai há alguns anos no Tomie Ohtake, aquela onde Nuno colocou alguns burros carregando caixas de som com textos seus? É isto, alguém que agita, que produz, que fala de arte, de cultura, da depressão da mulher. A única coisa lamentável é que a repercussão ainda é tão baixa. Também pudera, onde é que existe espaço no uol para divulgar coisa séria? Será que foi culpa do apagão? Muitos falam da Geise e sua mini-saia, do Belluzzo e seu lado animal, mesmo com apagão, poucos falam de cultura.

Falando em Cultura há uma ótima entrevista com o arquiteto Jacques Herzog no Caderno 2 de hoje. Uma reflexão sobre o que é ser arquiteto e como deve ser a interelação com o poder e o dinheiro. Ah, falta também que não tem estilo, elogiando São Paulo, esta mistureba de tudo um pouco, pena que num excesso de neo-clássico e falta de informações culturais. Parabéns Nuno, não vou ler, mas gosto de todo agito.

Antes tarde do que nunca. Vá ao lançamento do Fazer Acontecer.com.br

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Quem gostar de propaganda deve pensar seriamente em ir até o MUBE agora à noite. Julio Ribeiro estará autografando Fazer Acontecer.com.br.

Caetano, FHC CGM (Carlos Guilherme Mota) e ideologias

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Esse cara aí acima já foi um pouco de tudo o que as imagens sugerem. É um criativo que assume suas incoerências e alguém que soube expandir seu mundo de forma pouco reproduzível. Não iria comentar a entrevista que deu para o Estado, mas a repercussão foi maior do que imaginava, talvez porque veio no mesmo instante do artigo do FHC, no mesmo Estado. E uma possível leitura dos dois manifestos é contrária ao Lulismo.

Não vou entrar no mérito das opiniões deles, apesar de concordar em muito com o que falam sobre Lula e os caminhos que se está dando ao país, aliás, ainda no mesmo Estado (será que direita ainda existe e para lá me encaminho?) de hoje, 8/11 vale ler a entrevista com Carlos Guilherme Mota, comparando o petismo com o peronismo, sugestão de FHC.

Não sou contra a elevação dos “pobres” à prioridade, sou contra a forma pouco adulta que são tratados (de início talvez até se justifique um assistencialismo, mas nunca sem uma perspectiva de saída e não com o viés de doutrinação), e principalmente contra o aparelhamento que está em jogo.

Ah, porque falava de ideologia. Porque nós humanos somos ideólogos até onde o nosso desejo coincide com nossa ideologia. Ou seja, enquanto Caetano era tal como nós, contrário ao regime, ótimo, gênio, depois que personificou FHC (quando este o citou na posse), os petistas preferiram o fiel Gilberto Gil e agora, desqualificam as opiniões de Caetano, ainda mais que não são favoráveis ao Grão-mestre, que desconfio, poucos conseguem entender sua ligação para com ele. Ou seja, as pessoas ainda mantém-se atadas a um Lula que não existe, transferiram sua ideologia, errada desde o início, do pessoal, para o poder, antes o pessoal ainda justifica-se para quem adotasse um discurso “idealizado”, o problema é que a tal pessoa adotou comportamentos práticos que não se encaixam mais. Os seguidores mais dia, menos dia, terão que assumir que estão mesmo é ligados ao poder, o único afrodisíaco mais forte do que o sexo para a espécie…

20 anos sem o Muro de Berlim, 2 anos com este blog!

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Amanhã, há 20 anos atrás, caía o Muro de Berlim. Durou quase 30 anos e é na minha visão uma expressão fidedigna do homem. Pode ser visto como metáfora para várias coisas, inclusive agora na sua destinação atual, suporte para arte. Já separou, já amedrontou, já torturou, já matou, representou esperança, foi vencido, demonstrou poder, demonstrou ignorância, demonstrou triunfo, mas também fracasso. Recebeu ideologias e virou souvenir, não é um pouco da vida do homem?

Se amanhã é a data do muro, ontem foi a data deste site/blog. Há dois anos iniciei estes comentários. Foram menos livros lançados do que o previsto, menos livros vendidos, mas várias perspectivas de futuro e um espaço para discussão interessante, às vezes quase uma psicanálise para mim. Agradeço todos os visitantes, pois se não existissem, nem minha teimosia imperaria. O futuro dirá quem teve mais importância na história da humanidade, a queda do muro ou o nascimento deste blog. Tenho minha previsão, mas prefiro mantê-la comigo…

Anselmo Duarte - a única palma se foi, deixa um discurso sobre a inveja

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Acho que quando assisti ao O pagador de promessas, ainda era católico, lembro pouco do filme. Mas sempre esteve ao meu redor algumas das discussões do por quê este filme ter chegado tão longe. Lendo sobre a morte do diretor Anselmo Duarte nos jornais acompanhei algumas de suas declarações: a inveja causada, principalmente na turma do Cinema Novo, atrapalhou bastante. E como dizem os mais preconceituosos, inveja de homem é bem pior.

Anselmo Duarte corre o risco de ficar lembrado como homem de uma obra só. Mas melhor isso, do que nada, afinal, bateu em 1962 Buñuel, Antonioni e, se não me engano, Robert Bresson. No juri, Francois Truffaut. Não é pouco. Ainda mais se considerarmos que foi alguém que fez de tudo para fugir do estigma de galã e partiu para a direção. Não sei se houve um impacto da ditadura militar segurando sua ação, mas é claro que os militares jogaram contra tudo o que pudesse representar consciência, em detrimento de um ufanismo mais massivo, como o futebol.

Uma das poucas glórias dos últimos anos foi ainda em Cannes, na festa de 50 anos do ainda festival mais importante do mundo, por mais que não consiga convencer meu filho de 12 anos que Cannes é melhor “rótulo” do que Oscar. Valeu Anselmo!

Só se fala em Rubem Fonseca

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Nos últimos dias só se fala em Rubem Fonseca. Novo livro, O seminarista, início da reedição de sua obra por editora nova, Agir, e por isso tudo, um belo perfil na revista Bravo de novembro.

Saí disposto a comprar, as críticas são respeitosas, mas ainda não achei. Semana que vem sai para Kindle e também na Applestore, apesar de 84 anos, é um fanático por tecnologia. Acho que vou no velho papel.

Já gostei muito dele, vou ler e ver se os outros autores me fizeram “mal” ou se ainda o tenho lá em cima. Vale ler o perfil na Bravo, depois falo dos livros.

Vida de escritor - Prêmios x direitos autorais

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Este não é um post sobre o livro do Gay Talese. É sobre a matéria do Cadão Volpato no caderno de Final de Semana do Valor de hoje. Fala sobre o sonho de viver apenas de escrever e dos poucos privilegiados que conseguem isto neste país.

Um exemplo dado é Cristovão Tezza que agora, depois de todos os prêmios do ano passado, por O filho eterno, vai viver apenas de escrever, muito mais pela projeção que o livro possibilitou do que pelo que se ganhou. Tezza conseguiu ganhar 400 mil reais na somatória dos prêmios, mas apesar de todos, vendeu 30 mil livros, frase que poderia ser escrita como apenas 30 mil livros, ainda mais quando ouvi ontem que o último livro da Stephenie Meyer saiu com primeira tiragem de 400.000 exemplares.

Ou seja, ganhou 400 mil de prêmios e aproximadamente 90 mil de direitos autorais. Vida de escritor é difícil, ainda mais sem prêmio…

13a. semana contra Sarney! Descobri um ponto falho do Lévi-Strauss…

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Mais uma semana que a Folha mantém Sarney entre seus colaboradores. Esse jornal ainda vai respingar sua imagem…

Prometi que não mais leria nosso grande mestre, mas o assunto de hoje era a morte do Lévi-Strauss e a relação dos dois. Primeiro, o intelectual Sarney elogia a frugalidade do intelectual Strauss, menciona o pequeno apartamento onde Lévi-Strauss viveu com um fundo de admiração, como se isso fosse um sinal de retidão de Strauss, o que talvez também o seja, mas talvez tenha sido também um deslize humano de Sarney. Revelou que até ele acha um absurdo o tamanho de suas propriedades, o quanto não consegue “pensar pequeno” como o francês.

Depois reproduz um elogio que supostamente Lévi-Strauss fez sobre seu livro “[… ]Eu amei e admirei vosso livro.”, se Sarney fosse o que quer que as pessoas acreditem que seja, não teria reproduzido o trecho. Não li o livro dele, como também acho que Lévi-Strauss não tenha lido. Mas isso valeu a leitura do artigo, aprendi com Lévi-Strauss que um pouco de cerimônia com o poder é necessário até mesmo diante de um coronel nordestino, ainda se estando na França. Pode ser encarado como ponto falho do antropólogo, ou então, como sua aula de política póstuma…

O lobo, uma fábula que não alterou meu mundo

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Comprei O lobo pela promessa do diferente, uma fábula, um jovem escritor, tudo muito distante do meu tradicional agarramento ao homem e ao maduro. O inglês Joseph Smith conseguiu ser publicado em nove línguas no seu livro de estréia. Não é pouco, ainda mais se considerado o que é de fato o livro.

O comentário do The Observer promete que o livro altera levemente o mundo do leitor. Não alterou o meu, talvez por puro preconceito, por ler sobre bichos e ficar atado ao humano, por mais que essa tenha sido a intenção do autor. É claro que existe a possibilidade do paralelo, mas nossa caça é muito mais errante. Eu como predador não atingiria a idade adulta, talvez seja apenas um preconceito e sem livros e pensar, saísse-me muito bem na selva, no matar ou morrer.

Smith consegue humanizar a dúvida e a insegurança, talvez esse seja o maior mérito deste pequeno livro, que também fui até o final porque era curto e diferente, esperava alguma surpresa, mas mantive meu ritmo morno até o fim.