Arquivo: Dezembro de 2009



Feliz 2010

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Caro visitante, cara visitante. Último post do ano. Desejo a todos um 2010 dos melhores. Que cada um consiga refletir e encontrar o espaço devido para a leitura na vida. Acreditem, ele existe e não deveria ser pequeno, se for, você está diminuindo sua vida.

Até o ano que vem!

E na educação…

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Enquanto as musas são eleitas ícones, os professores e professoras tem seu piso salarial elevado para algo entre 1030 e 1100 reais. É possível isso dar certo? Numa sociedade tão impactada pelos valores e representatividade do capital como se pode respeitar os professores quando precisam se sujeitar a essa condição?

É claro que não é essa minha posição pessoal. Acho que está tudo errado, enquanto não forem oferecidas condições mínimas de respeito e desenvolvimento pessoal e cultural para os professores nosso povo continua do jeito que está, dependente de bolsas e pronto para cair em qualquer discurso. Sem querer desmerecer o trabalho doméstico, mas esse piso dos professores parece piada, daqui a pouco, se é que já não temos, teremos professores trocando a lousa pela casa, comida e roupa lavada dos quartinhos das casas de classe média para cima. Gente mal educada por mal educada, alguns hão de preferir o número menor e apenas o trabalho corporal…

Ícones da década

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O Estadão fez uma pesquisa entre leitores e internautas para eleger os ícones da década. Olha o poder do Lula, o único que não pode aparecer de biquíni e frequentar os sonhos eróticos dos brasileiros, ainda bem…

Mas é isso, ganhou Ivete Sangalo, seguida por Claudia Leite, tenho que confessar que não sei se sei alguma música dela, é claro que não desconheço o fato que acabou de parir, e depois nosso glorioso presidente. Em quarto lugar apareceu o mais útil dos ícones, Google e em quinto os Racionais MC’s.

Assim não dá, estou pouco popular mesmo, desconectado da massa, sou um cara de nicho e um nicho sem enormes perspectivas de crescimento se todos não acharem que precisam ler mais em 2010 e ter um ano um pouco mais consciente e próximo da essência humana. Enquanto a busca geral for por “felicidade” é isso que vai dar nas eleições de ícone. Sorte da Ivete que além de avião próprio, até conseguiu comprar uma máquina de ultra-som particular, e eu que nem mais filho pretendo ter, como posso sonhar com o mesmo???

Espelho LXXV

Ser humano é poder escolher entre a aposentadoria e o nada fazer, apenas curtir a vida, ou o curtir a vida, fazendo até o final…

Nem gostei tanto, mas quero chegar lá assim…

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Alguém de 87 anos produzindo merece não só respeito como presença, por isso fui assistir a Ervas daninhas, último filme de Alain Resnais. Resnais ficou “entronizado” em São Paulo com os dois anos em cartaz de Medos privados em lugares públicos.

Foi uma jornada dupla, logo após o Cerejeiras em flor, ou seja, parti de algumas lágrimas e uma constatação crua da vida para algumas risadas e outra constatação completamente crua da vida, num estilo totalmente diferente. Gostei menos desse filme. É verdade que se não tomarmos cuidado, chavões à parte, cada um de nós consegue se meter em enrascadas, em lugares impróprios, tal como o título, mas é daqueles filmes com cenas que você olha para o lado para saber se quem está com você entendeu. Muita cor, muita música, muito nonsense e as deliciosas ambientações de casas francesas. Gente madura e evoluída se relacionando, gente madura, evoluída mas com todas questões mentais inerentes a espécie.

Eu quero chegar aos 90 como Resnais, ouvindo menos, enxergando pouco mas ainda consciente do mundo que me cerca.

Tentativa de redimir Nelson Cavaquinho

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A diretora Doris Doerrie fez um filme pouco mais longo do que poderia e talvez um pouco mais apelativo do que deveria, mas mesmo assim, gostei bastante de Hanami - Cerejeiras em flor. Deve ser a idade, virei 44 e já consigo olhar para os meus pais com olhos diferentes e até mesmo me imaginar na situação de Rudi e Trudi, desprezado pelo cotidiano futuro da vida dos meus filhos.

Talvez a vida em casal, se duradoura, acabe mesmo embutindo as pretensões de um dos dois, não há reparação, mas o esquisito caminhar de Rudi por Tóquio conseguiu não so me arrancar algumas lágrimas, mas também olhar para o efêmero e a, pelo menos para mim, impossibilidade de unir o útil ao agradável, na maior parte do tempo. Até agora tem sido assim, inúmeros casais testemunham a anulação da mulher, nem todos os maridos se dão conta disso ou tentam reparar como o do filme, verdade que o irreparável.

Mas Hanami - Cerejeiras em flor é uma porrada, se tem partes melosas, mostra o final da vida de forma crua e verdadeira. Nunca tinha visto o ritual japonês de colocar os ossos que sobraram com “hashis” na urna, os mesmo hashis utilizados para levar o sushi a boca, interessante paralelo. No mínimo, se quiser ver o Monte Fuji, é melhor se mexer rápido e desde já ter consciência que não é todo dia que ele aparece, também um paralelo interessante com a vida.

O filme já esteve por aqui na Mostra de 2008, demorou bastante para entrar em circuito comercial, já o tal Lua Nova, foi estreia simultânea, outro paralelo possível com a vida.  Vá ver, alguém vai agradecer, pode ser você mesmo, marido/mulher, seus pais, ou então seus filhos, cada um com sua interpretação…

Livros da década, você concorda com os críticos?

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O Globo reuniu Beatriz Resende, Flávio Moreira da Costa, Ítalo Moriconi, José Castello, Karl-Erik Schollhammer, Leyla Perrone-Moisés, Luís Augusto Fischer, Marco Lucchesi, Nelson de Oliveira e Regina Dalcastagne e pediu que escolhessem os melhores livros da literatura brasileira desta primeira década do século XXI.

Toda escolha é polêmica, mas toda discussão é sempre bem-vinda, assopra a chama da literatura:

1) Dois irmãos - Milton Hatoum - Companhia das Letras 2000
2) Nove noites - Bernardo Carvalho - Companhia das Letras 2002
3) O voo da madrugada - Sérgio Sant’Anna - Companhia das Letras 2003
3) Eles eram muito cavalos - Luiz Ruffato (Boitempo/Record) 2001
5) Elefante - Francisco Alvim - Companhia das Letras 2000
5) Máquina de escrever - Armando de Freitas Filho - Nova Fronteira 2003
5) Acenos e afagos - João Gilberto Noll - Record 2008
5) O filho eterno - Cristovão Tezza - Record
9) Um defeito de cor - Ana Maria Gonçalves - Record 2007
9) Leite derramado Chico Buarque - Companhia das Letras 2009

Li 40% da lista, preciso melhorar. Meu envolvimento sério com a literatura vem de dois anos, acho que na próxima passo de 50, mesmo tirando a diferença dos clássicos internacionais.

Fui procurar uma grande escritora, encontrei um mito

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Comprei todo animado o livro de contos de Clarice Lispector, Clarice na cabeceira, na verdade, contos escolhidos por 22 personalidades que fazem uma breve introdução, supostamente a razão pela qual aquele é o conto de preferência.

Como já disse aqui, Clarice não é minha especialidade, não ficou mais depois da leitura. Gostei mesmo de 3, 4 contos, com o restante uma relação fria, são bem escritos, mas, heresia à parte, marcaram-me menos que Antonio Carlos Viana, por exemplo, o melhor livro de contos que li no ano, melhor que Milton Hatoum.

Me impliquei com o texto introdutório da maioria dos selecionadores. Quase sempre pessoas colocando a autora num pedestal distante, mais do mesmo e sem acrescentar muito. Talvez se assumissem um papel de divulgadores da obra de Clarice, se é que ela precisa disso, seriam mais úteis do que fãs assumidos diante de um mito. Vou dar o exemplo de Maria Bethânia, correndo o risco de ser injusto com a cantora: “Não posso fazer um texto sobre Clarice. Minha admiração  por ela e pelo trabalho dela, sua obra, me faz, me obriga a reconhecer que não sou capaz de comentar o que for sobre sua obra. É que sempre parece impossível pra mim dizer não a qualquer coisa sobre Clarice. Mas a consciência deve ser ouvida. A razão também. Não sou capaz. Sou muito pequena para tecer comentários sobre ela. Dizer textos dela posso, como intérprete. Daí a escrever sobre sua obra, ou escolha de sua obra, vai um longo caminho.” Então para que colocar isso?

Por uma questão de razão, continuarei a buscar sua obra, mas essa não é uma decisão de estômago, de coração. Meus preferidos foram: Amor, A bela e a fera, Feliz aniversário e Felicidade clandestina.

Para entender de psicanálise, mas principalmente de humanos

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Continuo meu trabalho de composição de personagem. Acabei de ler Um psicanalista no divã, do argentino, radicado em Paris,  J. D. Nasio. Na verdade o livro é uma grande entrevista onde é possível passar ou repassar pelos principais conceitos constitutivos da identidade humana.

A leitura flui rápido, os exemplos são claros e o assunto é dos mais interessantes. Defende sua causa? Claro que sim, mas também deixa transparente a questão das diferenças entre os vários psis. Gostei especialmente de duas partes: o amor e o prazer sexual e A sós com a criança. O ódio e a amizade, também é de extrema utilidade para quem anda comparando estações erradas. Há nela uma bela definição de amizade.

Na parte que aborda os sexos além da diferenciação entre a homossexualidade masculina e feminina, há uma interessante exposição sobre os homens impotentes e as mulheres abandonadas. Para Nasio, a pergunta essencial para uma mulher é: O que quer uma mulher? Já para os homens: O que pode um homem? São essas perguntas que a espécie não consegue responder e por isso muitas vezes sente-se atormentada. Aí vamos cair no ciúme, inevitável na relação humana. O da mulher é decorrente da angústia de perder, o do homem, pelo desejo de dominar. É claro que no caso do homem há o medo da humilhação e do abalo de sua virilidade, outro ponto bastante discutido no livro. O avanço das mulheres e uma série de mudanças de hábitos deixaram os homens se questionando sobre seu verdadeiro papel no mundo. À muitos só resta o divã…

A Submarino não acredita em Papai Noel…

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Eu não acredito em Papai Noel, mas também não ganho mais nada dele. Já a Submarino não acredita e quer ganhar. Resolvemos comprar o presente do Papai Noel de minha filha de 5 anos pelo site, acreditando que a promessa de um dia útil de entrega se confirmaria, ainda mais que estávamos no dia 19.

Hoje fomos informado pelo atendente que o presente chegará no dia 26 porque estão tendo muitos problemas com a transportadora escolhida. E nada pode ser feito. E aí, será que a solução vai ser antecipar um momento familiar e aproveitar da incompetência da maior empresa brasileira de comércio eletrônico para esclarecer para minha filha que Papai Noel não existe, e não existe mesmo se seus pais optarem pela Submarino?

Lamentável. Sabe quando compro de novo lá? Só quando o coelhinho da páscoa vier pessoalmente me trazer os ovos…

Uma escritora sábia - Lygia Fagundes Telles

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A entrevista do Caderno 2 de hoje está imperdível para quem gosta de livros e literatura. Lygia Fagundes Telles dá sua interpretação do que são os livros, a leitura e sua relação com eles. Assume que só consegue cuidar da sua relação com a produção, não observa o suficiente para avaliar a literatura contemporânea. Também já acredita que a literatura não vai mais morrer por falta de escritores, e sim por falta de leitores. Tomará que esteja redondamente enganada, mas sou eu mesmo quem diz que no Brasil, há mais gente querendo escrever um livro do que ler um livro. O pior, é que sem leitura, a qualidade dos livros escritos será das mais sofríveis…

Espelho LXXIV

Ser humano é embarcar no coletivo e seguir as tendências. É mais fácil escutar o que os outros dizem do que parar para saber o que se é e pensa…

Uma lágrima pelo Cadoro

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Fechou no sábado em São Paulo o primeiro hotel cinco estrelas da cidade. Usado por poderosos, políticos e artistas já representava pouco na cultura da cidade, mas acho que vale uma lágrima porque comprova que é difícil remar contra a corrente. É possível que os donos não tenham acompanhado as movimentações, mas o baixo Augusta voltou a se valorizar, com um público muito diferente do que se imagina entrando no aristocrático lobby do hotel.

Comi no restaurante poucas vezes, mas lá ganhei a aposta com um amigo, ou seja, já foi local ”sonho de consumo”. Seu bolito foi exportado para o Parigi. A lágrima é principalmente pela morte dos independentes diante das cadeias todas com a mesma cara, é pelo medo que os que podem tem da vida real. Passe pelo baixo Augusta e veja se aquilo tudo também não é um lado seu, talvez o que mais negue, diante dos outros, mas um lado dentro de todo mundo. O Ca’d’Oro dava a impressão de ser a intersecção possível do luxo e do lixo. Seu fechamento mostra a dificuldade desta convivência, mas mostra mesmo a certeza que nem um, nem outro existem isoladamente…

Missa do galo e contos inéditos no Estadão de hoje

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A foto acima é do Efe, também fotógrafo do Estado, mas tal como Machado de Assis, é apenas um pano de fundo para falarmos de outra coisa. Para Machado da atração de um jovem com uma mulher casada, aqui do encarte de hoje do jornal, trazendo vários contos natalinos. Apesar de não duvidar da qualidade dos autores, reli apenas o Missa do Galo de Machado de Assis, mesmo assim, a iniciativa é muito boa, com certeza, privilegiei outras leituras e saí perdendo. Mas a vida de um leitor é feita de escolhas, e eu, para variar, atrasado com a minha leitura e minha escrita. Fica a dica.

Cielo e os limites

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Sinto cara, mas seu recorde caiu”. Esse foi o SMS que o francês Fred Bousquet recebeu de seu técnico Brett Hawke ontem à tarde. Mas Hawke não estava triste, se equilibrava entre dois pupilos, Bousquet, e quem deste roubou o recorde, Cesar Cielo.

Outro ponto, Cielo pode por um lado imaginar que fracassou, ou melhor, que deixou para a próxima sua batalha. Ele colocou num papelzinho 20.86 e se tornou o novo recordista mundial dos 50 m livres com 20.91. Ao ser perguntado, veio com uma resposta que me botou para pensar: “No dia em que achar que não vou conseguir baixar o tempo vai ser a hora de parar de nadar. O limite está na cabeça de cada um.” Esse fala e prova, mata a cobra e mostra o pau. Um garotão que tem metade da minha idade e anda me ensinando muito…

19a. semana. Folha demita o Sarney!

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Mais uma semana lá. Folha de S. Paulo, cadê a coerência editorial? Concorda que deva ser pluralista, envie então convites mensais para o ghost do Sarney se manifestar na página 3, não desperdice a página 2 com tal figura…

Maus escritores, a escrita ganha força

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Tenho uma frase minha que reflete meu quase sempre pessimista estado de espírito quanto a leitura no Brasil: neste país há mais gente querendo escrever um livro do que ler um livro…

Mas eu quero ler, vários, quem acompanha esse blog sabe que corro atrás da leitura e, mais do que isso, garanto o abastecimento da estante. Ontem fui até o Barco para prestigiar duas colegas que viraram amigas. Fizemos juntos um curso de escrita na livraria da Vila, o curso serviu de ponto de partida, cada um foi para um lado, mas a Ana Botelho e a Marisa Tiemann tem se dedicado bastante a escrever. Fizeram um segundo round de oficina lá no Barco com o Marcelino Freire, escritor agitado, agitador inflamado e coordenador desta edição, resultado da oficina.

A cada um dos 16 oficinandos foi dada uma frase de escritor como inspiração. A partir daí cada um seguiu seu estilo e vontade. Li pouco mais do que as minhas duas amigas, as quais é possível sentir não apenas evolução, mas também a diversidade. Uma é mais solta, trata o sexo com mais naturalidade, outra ainda se prende um pouco num julgamento moral. A mais solta ainda não tem herdeiros, a mais presa, duas. Será isso que faz escritores escolherem caminhos diferentes? De onde se veio ou para onde se vai? Acho que não, cada texto pode ou não refletir o que se vive, depende muito do momento em que se bate num teclado. Se quiser saber mais, entre em contato lá com O Barco, ligado a galeria Virgílio. 

Ah, li todos os perfis de mau produzidos ao final de cada texto, são deliciosos.

Autor e editor de Sonhar acordado na TV uol: Livros em revista

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Se quiser assistir a entrevista que eu, Marcelo Melo e o autor Raul Rosenthal do livro Sonhar acordado, na verdade, Raul e eu, demos ontem na clictv, é só clicar no link acima. Uma hora de um bom papo com um entusiasta da leitura, Ralph Peter do programa Livros em Revista. A clictv tem um grande alcance na internet, fica dentro da tvuol, o maior portal do Brasil, e se já alcançava Portugal por meio da rede, agora, desde ontem, passou também a ser retransmitido por uma estação portuguesa.

Livros em Revista é apresentado ao vivo toda quinta-feira às 15 hs. E os arquivos do programa podem ser vistos a qualquer momento.