

A diretora Doris Doerrie fez um filme pouco mais longo do que poderia e talvez um pouco mais apelativo do que deveria, mas mesmo assim, gostei bastante de Hanami - Cerejeiras em flor. Deve ser a idade, virei 44 e já consigo olhar para os meus pais com olhos diferentes e até mesmo me imaginar na situação de Rudi e Trudi, desprezado pelo cotidiano futuro da vida dos meus filhos.
Talvez a vida em casal, se duradoura, acabe mesmo embutindo as pretensões de um dos dois, não há reparação, mas o esquisito caminhar de Rudi por Tóquio conseguiu não so me arrancar algumas lágrimas, mas também olhar para o efêmero e a, pelo menos para mim, impossibilidade de unir o útil ao agradável, na maior parte do tempo. Até agora tem sido assim, inúmeros casais testemunham a anulação da mulher, nem todos os maridos se dão conta disso ou tentam reparar como o do filme, verdade que o irreparável.
Mas Hanami - Cerejeiras em flor é uma porrada, se tem partes melosas, mostra o final da vida de forma crua e verdadeira. Nunca tinha visto o ritual japonês de colocar os ossos que sobraram com “hashis” na urna, os mesmo hashis utilizados para levar o sushi a boca, interessante paralelo. No mínimo, se quiser ver o Monte Fuji, é melhor se mexer rápido e desde já ter consciência que não é todo dia que ele aparece, também um paralelo interessante com a vida.
O filme já esteve por aqui na Mostra de 2008, demorou bastante para entrar em circuito comercial, já o tal Lua Nova, foi estreia simultânea, outro paralelo possível com a vida. Vá ver, alguém vai agradecer, pode ser você mesmo, marido/mulher, seus pais, ou então seus filhos, cada um com sua interpretação…