21 de Dezembro de 2009

Uma lágrima pelo Cadoro

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Fechou no sábado em São Paulo o primeiro hotel cinco estrelas da cidade. Usado por poderosos, políticos e artistas já representava pouco na cultura da cidade, mas acho que vale uma lágrima porque comprova que é difícil remar contra a corrente. É possível que os donos não tenham acompanhado as movimentações, mas o baixo Augusta voltou a se valorizar, com um público muito diferente do que se imagina entrando no aristocrático lobby do hotel.

Comi no restaurante poucas vezes, mas lá ganhei a aposta com um amigo, ou seja, já foi local ”sonho de consumo”. Seu bolito foi exportado para o Parigi. A lágrima é principalmente pela morte dos independentes diante das cadeias todas com a mesma cara, é pelo medo que os que podem tem da vida real. Passe pelo baixo Augusta e veja se aquilo tudo também não é um lado seu, talvez o que mais negue, diante dos outros, mas um lado dentro de todo mundo. O Ca’d’Oro dava a impressão de ser a intersecção possível do luxo e do lixo. Seu fechamento mostra a dificuldade desta convivência, mas mostra mesmo a certeza que nem um, nem outro existem isoladamente…

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