Fui procurar uma grande escritora, encontrei um mito
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Comprei todo animado o livro de contos de Clarice Lispector, Clarice na cabeceira, na verdade, contos escolhidos por 22 personalidades que fazem uma breve introdução, supostamente a razão pela qual aquele é o conto de preferência.
Como já disse aqui, Clarice não é minha especialidade, não ficou mais depois da leitura. Gostei mesmo de 3, 4 contos, com o restante uma relação fria, são bem escritos, mas, heresia à parte, marcaram-me menos que Antonio Carlos Viana, por exemplo, o melhor livro de contos que li no ano, melhor que Milton Hatoum.
Me impliquei com o texto introdutório da maioria dos selecionadores. Quase sempre pessoas colocando a autora num pedestal distante, mais do mesmo e sem acrescentar muito. Talvez se assumissem um papel de divulgadores da obra de Clarice, se é que ela precisa disso, seriam mais úteis do que fãs assumidos diante de um mito. Vou dar o exemplo de Maria Bethânia, correndo o risco de ser injusto com a cantora: “Não posso fazer um texto sobre Clarice. Minha admiração por ela e pelo trabalho dela, sua obra, me faz, me obriga a reconhecer que não sou capaz de comentar o que for sobre sua obra. É que sempre parece impossível pra mim dizer não a qualquer coisa sobre Clarice. Mas a consciência deve ser ouvida. A razão também. Não sou capaz. Sou muito pequena para tecer comentários sobre ela. Dizer textos dela posso, como intérprete. Daí a escrever sobre sua obra, ou escolha de sua obra, vai um longo caminho.” Então para que colocar isso?
Por uma questão de razão, continuarei a buscar sua obra, mas essa não é uma decisão de estômago, de coração. Meus preferidos foram: Amor, A bela e a fera, Feliz aniversário e Felicidade clandestina.
