Arquivo: Dezembro de 2009



Convento serve para quê?

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Já não acredito mais que a rebelde é apenas uma das noviças. É claro que os hormônios fazem freiras fazer coisas não assumíveis. Mas o Convento das Mercês não merece a Fundação José Sarney muito menos o tipo de destinação que lhe é dado. Não sei se é pior os documentos e penduricalhos da época da presidência ou então as festinhas sexy que andam acontecendo lá, enquanto não a desocupam.

Daí a incompatibilidade do discurso. O religioso Sarney tem uma imagem pública e outra prática pública. Vale tudo para arrecadar recursos.

Cafonice de Pondé na Ilustrada

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Apesar de achar Pondé um tanto mais conservador do que eu, respeito sua inteligência e gosto de sua escolha de temas para a coluna de segunda na Ilustrada. Hoje, voltou ao ateísmo, montou toda uma argumentação e acabou muito ideológico, tão ideológico que refletiu a suposta ofensa que tentou pregar aos ateístas que acreditam em várias coisas, mas principalmente neles mesmos, a cafonice. Não é cafona? Não é religiosismo light?

Estaria eu agora sendo cafona?

Em defesa da psicanálise: Elisabeth Roudinesco

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Meu principal plano pessoal é escrever uma novela, talvez um romance, estou engrenando. Um dos principais personagens é um psicanalista e isto tem me levado a fuçar livros na área. Acabei de ler o da psicanalista e historiadora Elisabeth Roudinesco. Na verdade, ela não escreveu Em defesa da psicanálise, foi o também psicanalista Marco Antonio Coutinho Jorge, quem organizou e compilou textos e entrevistas dela.

A leitura me acrescentou vários novos conhecimentos. Soube um pouco mais de Freud, Lacan, mas fiquei mesmo surpreso foi em descobrir o envolvimento de Jung com o movimento nazista. Roudinesco aponta o quanto os Jungianos manipularam traduções, interpretações e tudo o mais para diminuir a ligação que existiu. Vou procurar um pouco mais, até já fiz terapia com um Jungiano, mas na época não sabia para discutir. Há também a contestação de que Freud nunca falou que estaria levando a peste para os Estados Unidos. Parece ter sido um jogo dramático de Lacan. Aliás, fica claro que a psicanálise conseguiu resistir a muitas disputas, vaidades e manipulações. Interessante leitura para quem quer conhecer um pouco mais do que se passa num divã, antes, durante ou depois.

Peça de pequenos mas com estrutura grande: Friks

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A Camila é amiga e colega de colégio do meu filho Gustavo. Fez um curso de teatro e vendeu ingressos na escola. Meu filho não só quis ir, como levar a família toda, esse foi o programa familiar da noite de sábado.

Já estava preparado para ser apenas um programa familiar, obrigação paterna. Fui surpreendido. Era musical, coisa que confesso o preconceito. Mas era um musical cabeça e bem estruturado, claro que não totalmente profissional, mas melhor do que algumas peças metidas a besta.

Hoje é o último dia do esforço de oito meses do grupo, parceria com a Oficina dos Menestréis, ligada aos Oswaldo Montenegro, lembra dele? Sim, ao som dos bandolins… é no Teatro Dias Gomes (11 5575-7472, lá na Domingos de Morais), e vale a pena. Não tinha nenhuma ligação com a Camila e dei algumas risadas, mas principalmente, é perceptível o esforço e dedicação de um grupo grande de garotos de 10 a 15 anos, no palco, muito maiores do que isso.

Prosecco de final de ano na Freebook

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Ontem fui visitar o Manuel Petit da Freebook. Para quem não conhece, a Freebook é uma importadora de livros, a mais bacana do Brasil. Nos finais de semana de dezembro, fica aos sábados aberta ao público e ainda oferece um prosecco (durante o ano apenas de segunda a sexta). Além de livros muito interessantes, eles são os distribuidores exclusivos para o Brasil de toda a linha Moleskine.

De ontem, destacaria um livro chamado 2 kilos. É um formato de tijolo que pesa obviamente 2 kilos e a numeração das páginas não é pela sequência delas, e sim pelo peso, criatividade.

Dia 19 é a última chance, Rua da Consolação 1924, pertinho do cemitério e de várias lojas de iluminação, mas vizinho mesmo de um local de diversão para adultos. Se eu fosse você, escolhia os livros importados…

18a. semana: Folha demita o Sarney!

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E a Folha continua “democraticamente” a dar espaço para o Sarney. Hoje a colunista do lado comenta a questão do julgamento, aliás, até me parece um pouco marketing do Estado, mas independente do argumento certo, é ridículo um jornal não poder falar sobre um caso. Ao invés de recorrer, o jornal deveria é publicar e racha com a associação dos jornais a tal multa, o que acham? E a direção da Folha? Será gratidão à contribuição cultural de Marimbondos de fogo

Fausto, Goethe e Shakespeare, bem-vindos

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Discuto com alguns amigos, um tem sido o assíduo, Tudo o que é sólido desmancha no ar, Marshall Berman. Lá, ficamos lendo e sabendo um pouco melhor sobre Fausto, de Goethe, tinha uma edição da Itatiaia, resolvi comprar as novas da 34, mesma tradutora Jenny Klabin Segall, mas a edição em dois volumes, o segundo póstumo, de acordo com a vontade de Goethe (O mais feliz dos homens é aquele que consegue ligar o fim de sua vida com o início). Os livros são muito bonitos, com ilustrações artísticas e bilíngues.

Também não resisti ao livro do Gustavo Franco e de Henry Farnam sobre Shakespeare e a economia. Mas fechei duas consultorias que se me aliviam a vida, me atrapalham a leitura… Quem manda não ser rico e querer ser leitor…

Sonhar acordado e Raul Rosenthal no Brasil Econômico de hoje

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No Brasil Econômico de hoje há um grande destaque para o livro da Virgília, Sonhar acordado. Chamada de primeira página: ex-presidente da American Express mostra em livro como chegar ao sucesso. Na página 2: Sonhar é materializar a vontade. É estruturar os desejos e definir qual é o próximo objetivo. O sonho é nosso planejamento estratégico.

E, finalmente, nas páginas 34 e 35: Com a cabeça cheia de sonhos e as mãos, de trabalho. Vale ler. Não tem link ainda, mas no site, clique na edição impressa e abre a matéria.

Primeiro livro da parceira da Virgília é lançado hoje: Impressão Régia

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O livro Sinopse tributária 2009-2010 será lançado hoje na livraria Cultura da Av. Paulista, na loja de artes entre 18:30 e 21:30. É o primeiro livro da Impressão Régia. O livro foi escrito por destacados profissionais da área tributária do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga, um dos principais do Brasil, e mostra um panorama analítico do que aconteceu de importante no cenário tributário brasileiro e seus impactos para o futuro. Para quem é da área, vale dar uma conferida!

Abraços Partidos não é o melhor de Almodóvar

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Gostei bastante da atuação de Lluís Homar em Abraços Partidos, um filme bastante dependente de Penélope Cruz. História de envolvimento entre uma mulher bonita e sensual e um empresário rico, espelho dos acontecimentos ao redor de muitas fortunas mundo afora. É claro que nem todo o dinheiro e atenção do mundo são capazes de satisfazer essas mulheres, eles querem e precisam disso, vendem-se por isso, mas sua ambição vai além da grana, querem amar e serem amadas, aí, a solução quase sempre está fora do casamento.

É isso que Pedro Almodóvar explora em seu novo filme, utilizando o universo próprio. Tinha gostado muito do trailler, gostei menos do filme. Achei que as relações não foram exploradas até o limite, iria um pouco mais fundo na maioria delas. A sensualidade de Penélope Cruz atingiu o ponto máximo antes de se envolver com o empresário ou o amante diretor, quando precisou buscar dinheiro para ajudar o pai, depois não se libertou mais? Será que o diretor quis dizer algo com isso. Talvez não estivesse no clima de humor do filme paralelo, talvez as piadas do tal filme ou dos outros roteiros não foram tão inspiradas.

Eu gostaria de ver a relação entre o pai super-empresário e o distante filho gay melhor explorada. Tinha muito caldo para sair dali. O diretor também não quis abordar a outra possível relação de pai e filho… Se não empolga tanto quanto outros filmes anteriores do diretor, pelo menos pareceu melhor do que todos os traillers passados ontem!

FHC, um ex-presidente que pode de fato entrar para a história: Drogas, políticos, corrupção.

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No Estado de hoje há a coluna mensal do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Utiliza o espaço para refletir e falar sobre drogas e como a sociedade brasileira, na verdade é mais amplo, está perdendo a guerra contra as drogas.

Apresenta e referenda sua posição de discutir uma nova estratégia para enfrentar o problema se há de fato o desejo de se diminuir a utilização dessas substâncias. A guerra contra elas, modelo americano de combate tem se provado ineficiente e os resquícios são sentidos nas principais cidades brasileiras, Rio de Janeiro e seus morros à frente. É corajosa a atitude do ex-presidente, não fechou os olhos diante do trabalho que coordenou junto com outros ex-presidentes. Propõe que a causa seja discutida. Parece que o ex-presidente está sendo atacado por sua consciência. Reconheceu a pouco um filho fora do casamento, ou seja, parece ter atingido um ponto onde somente a verdade permite enfrentar o espelho.

Tomara que isso esteja de fato acontecendo e o espelho do ex-presidente não poupe seu lado e seus amigos políticos. Quem mais poderia abordar a suja questão da relação do mundo empresarial e político? Talvez seja algo que de início pareça destruir uma reputação, mas é um serviço que precisa ser feito. Alguém precisa mostrar as coisas como de fato são. Chega de gente pegar dinheiro no particular e fazer discurso de ética no público. A conta não fecha para nenhum político e ninguém do judiciário parece ter coragem de denunciar. Chegamos a um estado onde ninguém consegue mais não ter nojo. Daqui a pouco, Brasília vai pagar por seus habitantes de dias úteis e políticos locais.

Fala FHC!

Do privado ao público: O serelepe, história de Ruy Gonçalves da Saraiva

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No início da semana fui ao lançamento do livro do vice-presidente do conselho da Saraiva, Ruy Mendes Gonçalves, O serelepe. Não conheço o Ruy pessoalmente, mas já ouvi muitas histórias dele, como fornecedor ou agora como parceiro da Saraiva, os livros da Virgília são editados e comercializados pela Saraiva.

Mas minha “ligação” com o Ruy começou muito antes, logo na minha entrada no mercado editorial. Quando a Negócio Editora era ainda um plano, minha mulher e sócia tinha uma representação de peças de design. Estávamos vendendo para uma loja no Shopping D&D quando comentamos que estávamos abrindo uma editora. A dona da loja riu, perguntamos por que? Respondeu. O pai trabalhava na Saraiva. Com o conhecimento de então perguntamos se a Saraiva não poderia imprimir os livros para nós. Ela ligou depois de alguns dias e disse que não era possível, tinham vendido a gráfica, mas indicava uma outra, deveríamos falar em nome de Ruy Mendes Gonçalves. Seguimos o conselho e fomos muito bem atendidos, nenhum cadastro solicitado, tudo pareceu muito fácil.

Demorou para descobrirmos que era o presidente da Saraiva, figura importante no crescimento da história, história aliás que vim a descobrir de fato agora, na leitura de O serelepe.

A leitura é rápida e gostosa, Ruy foi buscar um amigo meu bastante competente, o escritor Thales Guaracy. Thales respeitou o estilo do Ruy, até acho que poderia ter sido mais insistente em alguns pontos. Mas pelo que sei, Ruy é persistente e determinado, imprimiu seu estilo à sua história.

O livro é corajoso, diferente do que se vê por aí, o projeto gráfico para mim deveria ser mais clean, se em alguns momentos carrega nas tintas pessoais, em outros abre precedente importante para que empresários e executivos bem-sucedidos sejam mais sinceros em tratar de importantes questões pessoais. Poderia ter tido mais da história da Saraiva, mas esse é um livro de um Mendes Gonçalves, fundamental para que a Saraiva se tornasse o que se tornou, mas não apenas um Saraiva. Num mercado tão carente de histórias, eis uma que dá ao leitor a oportunidade de saber sobre livros, livrarias, editoras e leitura, e também sobre relações pessoais.

Mais livros

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Comprei os três livros que a Hedra lançou sobre os diálogos de Borges e Osvaldo Ferrari: Sobre a amizade e outros diálogos, Sobre a filosofia e outros diálogos e Sobre os sonhos e outros diálogos.

Também na linha estudo de literatura, um pequeno livro, Madame Bovary, c’est moi! de André Bernard, falando curiosidades sobre personagens da literatura.

Já na linha Conheça o seu mercado, comprei O Serelepe, história de Ruy Mendes Gonçalves, executivo importante na história da Saraiva e O vendedor de livros, história do meu colega editor Milton Assumpção.

17a. semana. Folha demita o Sarney!

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A Folha dá o espaço e nosso mestre, mesmo doente, afastado do Senado, produz. Prometi para mim mesmo não lê-lo mais, mas o título desta semana era tentador: A pandemia da corrupção. Melhor ler, vai que é uma meaculpa. Mas nada, mais do mesmo. O pior é não ver nenhum político capaz de se diferenciar de tudo o que enoja os brasileiros e brasileiras e, supostamente, também o Sarney.

Acreditem se quiser, José Sarney acaba assim seu artigo de hoje: “O que ocorre no país neste instante é inclassificável. É trágico, deprimente, inconcebível, sob todos os ângulos. Mas acredito que o grande responsável por tudo isso esteja passando incólume. […] Para a eleição, os ideais, os programas e os princípios de nada servem. Só o dinheiro necessário para a vitória. E o país pensa que enforcar os corruptos resolve tudo. Quem deve ser enforcado é o sistema eleitoral. Sem isso, de nada adianta punir ou envergonhar-se.”

É, parecia que ia ser dominado por um fluxo de consciêci, mas resolveu admitir que já a enforcou, e,  até a suposta troca do sistema, salve-se quem puder…

Sonhar acordado nos elevadores de São Paulo

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Vai até dia 15/12 uma intensa campanha do livro Sonhar acordado, Raul Rosenthal nos elevadores dos principais edifícios comerciais da cidade de São Paulo. É uma ação inovadora que vai nos locais de trabalho onde a Elemídia está presente divulgar diretamente para o público executivo e os jovens iniciantes, a pertinência a indicação do livro. Confira no link acima.

Giuliani e a importância de se construir!

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Já fui mais entusiasmado com política. Confesso ter evitado falar do nojo que sinto em ver as cenas de Brasília, e do nojo que sinto em não ver ninguém tendo a decência de dizer “discordo, hora de tudo isso acabar”. Ou seja, todos os eleitos têm o rabo preso, fazem o mesmo ou parecido.

Na época em que não pensava assim, era convictamente democrata nos Estados Unidos, portanto Rudolph Giuliani nunca me empolgou tanto. Hoje assisti a uma palestra sua na HSM Expo e me surpreendi. Não li seu livro, foi lançado pela empresa que me comprou, estava num momento ainda passional, lembro que foi um fracasso, no mínimo, diante da expectativa de vendas, grande. Tanto é que hoje, apesar do enorme esforço dele, o livro em português não estava disponível na feira, quem frequentar sebos e mercados de saldos poderá encontrá-lo. Fiquei hoje sabendo um pouco mais da estratégia de combate ao crime e ainda de alguns detalhes do fatídico 11/9.

Mas o que mais gostei e aí aceito o rótulo de interesseiro e parcial, foi a definição de Giuliani para um líder. Para ele, um líder é alguém que quer e consegue ter suas próprias opiniões e isso, se dá da seguinte forma e na seguinte ordem:

1) Leia muito, só a leitura permite uma ampla capacidade de compreensão. Leia livros, jornais e revistas não o substituem, agregam;
2) Ouça bastante antes de falar. Quem só fala apenas repete o que já sabe;
3) Incentive o debate. Tenha uma equipe diversa e coloque-os para debater, daí a decisão fica mais fácil;
4) Escreva. Escrever requer concentração, faz sua mente trabalhar de outra forma, ajuda na decisão;
5) Pense. Depois de tudo isso, estará muito mais preparado para pensar.

É isso!