Uns vão, outros chegam. Haiti e uma breve reflexão sobre o humano
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A foto da capa da Folha de S. Paulo de hoje, do Joshua Trujillo (AP), me deixou muito chocado. Cerca de 200 pessoas literalmente apinhadas no que supostamente é um avião para partir para Orlando. Tenho dificuldades de visualizar um avião daquela forma, a situação é das mais dramáticas, para um país que foi o primeiro a estabelecer uma república negra no mundo. O artigo do João Pereira Coutinho na mesma Folha discute a diferença das catástrofes naturais em economias ricas e economias pobres, vale ler, a diferença do número de mortos é brutal. É claro que por trás da riqueza está a educação e outras questões que ainda faltam no país centro-americano.
Mas o contraste maior, para mim, completamente alinhado com o que é a vida e as incoerências humanas, diz respeito a continuidade das praias do Haiti como roteiro de cruzeiros de luxo. O Independence of the Seas, da Royal Caribean continua, após muitas discussões, atracando em Labadee. É um navio para 4.370 pessoas onde os passageiros podem curtir o sol e andar de jet sky, numa área protegida e não atingida pelos terremotos. Tudo, segundo a companhia de navios, discutido com emissários do governo que acreditam ser importante se preservar formas de receita, o que é também verdade. Os passageiros se dividem, alguns curtem as férias, outros chegam a declarar ter nojo.
Não é um trágico porém real espelho da vida? De uma espécie que precisa variar entre viver o coletivo e viver o individual e sem saber que peso dar a esses momentos?
