Novo livro da Virgília: Todos somos iguais? - O mundo não é plano

Eis um lançamento que conquistou o editor e todos que trabalharam nele. A Virgília tem a característica de cuidar de perto de seus produtos, todos tem uma frase específica junto à biblioteca da primeira contracapa, todos tem uma entrevista com o autor na segunda orelha, todos tem um jogo de frases sobre seu assunto. Mas este livro é um pouco diferente, trata de um assunto muito duro: pessoas morrendo de fome e em condições sub-humanas.
Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo em Genebra relata em O mundo não é plano - A tragédia silenciosa de 1 bilhão de famintos, o que acompanhou em várias viagens pela África e outros continentes investigando sobre a questão da fome, subsídios e outros assuntos conectados a mais primárias das funções humanas.
O título é sim uma provocação ao best-seller de Thomas Friedman, O mundo é plano. Nas minhas discussões com o autor a conclusão era que o mundo é plano apenas para quem é saxão, para uma boa parte dos africanos, ele tende a ser fundo, bem fundo.
Há um caderno de fotos que falam por si, feitas pelo talentoso editor de fotografia do jornal, Juca Varella. Os papos com Jamil e Juca, mereciam até a inclusão no livro, para mim já é bastante forte o assunto, imagino estar diante da realidade retratada. Vivenciaram experiências marcantes.
Ler este livro é poder não só tomar um conhecimento mais de perto deste enorme e vergonhoso problema, como também olhar para o homem com outra perspectiva. O livro é sim denúncia, mas é muito mais um alerta para que acordemos o mais cedo possível para tentarmos salvar da fome e da ignorância milhões, ou pior, bilhões de humanos que nasceram e vão continuar a nascer caso a educação não chegue, sem condições de ter um pouco de dignidade para deixar como herança aos seus filhos.
O prefácio de Jean Ziegler, ex-relator da ONU para o Direito à Alimentação é claro e diz muito. Leia-o aqui.

Plano é antônimo de fundo ? Licença poética ? Achei o título bem infeliz apesar de ter gostado do tema. Fazer um livro cujo tema é totalmente diferente do “outro livro” e dar um titulo que remete a ele ? Para que mesmo ? Com que objetivo ? Nada a ver e ainda vira referência de umn outro autor. Isto me parece falta de auto-estima. De qualquer modo, vou colocar um fita crepete no titulo, mas vou comprá-lo. É um tema que leio pouco. Legal vc ter feito um livro sobre isto.
Sim, um contraponto ao livro do Friedman, e não é por baixa auto-estima não e nem por assunto tão diferente. O conceito é o mesmo. O plano é que as oportunidades são iguais. Vai lá na África checar…
Aliás, nesse ponto, eu e o Jamil não estamos isolados, Joseph Stiglitz também falou na mesma direção, o mundo não é plano para um africano das condições narradas no livro. Os dois livros tratam de globalização, com enfoques diferentes mas como se falassem de dois lados de uma mesma balança. Pode colocar fita crepe, não tem problema nenhum, meu lado capitalista quer mais é que você compre. Abs