23 de Janeiro de 2010

Haiti, McDonalds, Scarlett, Gisele e o ser humano geral

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Ontem vi um cartaz no McDonald’s que não li até o final. Não gosto dessas ações que pegam carona na comoção geral e se posam de boazinhas. Se o McDonald’s quer ajudar, deveria sim enviar milhões de Big Macs da conta deles, não utilizar isso como propaganda. Parece a ação da Scarlett Johansson. Até agora sou mais a Gisele Bunchen que botou mais de milhão de dólares.

Mas o que me parece de fato humano nesta história toda é a reportagem de Jamil Chade no Estadão de hoje. Fala sobre o quê? Tráfico de crianças no Haiti, isso mesmo, no meio dessa confusão, tem gente pagando 45 mil dólares para ter uma criança haitiana. Essa é a melhor solução? Não é a opinião dos especialistas. Por mais complicadas que sejam as condições das 7.000 haitianas que irão parir até fevereiro, com taxas altíssimas de risco de mortalidade, contrabandear crianças não é solução, existe no mínimo alguém fazendo uma grana com a desgraça dos outros. Esses são os piores tipos de empreendedores, empreendedores da desgraça alheia…

2 comentários em “Haiti, McDonalds, Scarlett, Gisele e o ser humano geral”

  1. Fernando

    Deixa de ser puritano. Se você quer ser um pensador e formador de opinião tem que pensar com menos pre-conceito. Não concordo com esta atitude de venda de crianças, mas analise a situação como está no Haiti friamente. Afinal, é uma mãe que nao conseguirá criar o filho que está levando 45.000 dolares para cuidar dos outros 11 que não dá para vender. É tudo uma questão incentivo econômico. Prefiro não julgar. Vc já passou por um terremoto destes antes :


  2. Nunca passei por um terremoto. Não sei julgar essa questão, o que sei é que sou tremendamente contra o tráfico de crianças, acho que a grana nem deve estar indo para essas mães, o tráfico maior deve ser sobre os orfãos. Quanto as mães que podem fazer isso, aliás, nunca é demais entender que lá no Haiti devem ficar uns, quantos? 500 dólares, 1000 dólares? O restante devem ser os traficantes do meio do caminho.
    Quanto ao destino dessas crianças, me preocupa se serão de fato aceitos, ou as pessoas se valem de um momento de impulso e passam por cima de preconceitos pessoais que voltam na primeira pisada na bola que a criança der.
    Se estou sendo preconceituoso, não estou enxergando, o que estou criticando é o marketing em cima da catástrofe.
    Bom, para “concluir” felizmente não passei por um terremoto e nem a impossibilidade de cuidar de um filho, mas acho que talvez a segunda situação seja mais grave do que a primeira. O tremor externo é mais fácil de ser controlado do que o tremos interno…

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