Arquivo: Janeiro de 2010



Assisti poucos filmes de Eric Rohmer

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Morreu na segunda-feira o diretor Eric Rohmer (fiquei ontem e parte de hoje desconectado). Assisti poucos filmes dele, acho que nem a série das estações completa. Sempre ensaiei pegar na 2001 e acabava me concentrando em outros diretores. Teve uma carreira consistente e importante na Nouvelle Vague além de participar editorialmente das principais publicações sobre cinema.

Um Quixote pela literatura: Maurice Nadeau

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O Mais de hoje traz uma entrevista muito interessante com Maurice Nadeau, editor e jornalista francês de 98 anos. Além da editora que leva seu nome e lançou na França escritores como Michel Houellebecq e Roland Barthes, além de ter editado também Sade, Beckett e outros escritores importantes.

Há 43 anos ele edita 23 edições da Quinzaine Littéraire, jornal sobre literatura que ainda não sai na internet, apesar de ter um website. O faz por amor a causa, pelo posicionamento do periódico, consegue nomes importantes escrevendo gratuitamente. Não coloca anúncios, porque as grandes editoras preferem os jornais maiores e as pequenas não o procuram. O mercado editorial é sim conservador, mas ainda produz heróis da resistência como esses…

Leia na entrevista o ânimo com a leitura, principalmente na casa de campo, durante as férias.

3 ficções, 1 sobre ficção e uma nova visão da história do Brasil

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Um foi presente de natal, escolhido por mim, O ceu que nos protege, Paul Bowles, os outros parte dessa vontade de estar perto de grandes livros, quem sabe não acelero minha capacidade de leitura.

O do Jorge Caldeira, A história do Brasil com empreendedores, porque fala de um assunto que me acompanha, espero resgatar quando da leitura alguns nomes meio esquecidos e um outro jeito menos estatal de ver o Brasil.

Já os outros, além de grandes autores, têm em comum o momento de estar escrevendo, o meu meio que se aproxima do final, pelo menos da primeira versão, mas no mínimo já consegui manter uma história para mais de 200.000 toques, é uma delícia, tem dias que não vejo a hora de sentar na frente do computador e dar vida aos personagens. Para isso, sempre é bom ter por perto Mario Vargas Llosa, comprei Tia Julia e o escrevinhador, o de Llosa mais de vinte anos mais jovem do que eu. André Gide entrou na biblioteca por culpa do artigo do Prosa & Verso de sábado passado do José Castelo. Me alertou para o Diário dos moedeiros falsos, que logicamente trouxe junto Os moedeiros falsos. Estou na dúvida se começo os diários sem o livro principal ou faço caminho inverso.

Haicai, não sei se entendi, mas que gostei deles, gostei

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Estava com o livro Boa Companhia, Haicai, organizado pelo Rodolfo Guttila há dois meses na cabeceira. Haicais são leituras fáceis, gostosas. Tinha a expectativa de entender a teoria por trás, confesso que não consegui. Para mim faltou um quadro explicativo, sei que pouco poético, mas talvez útil. Mas isso de nada importa. Se eu fosse você comprava e lia. Por que? Vou responder com apenas 3 Haicais, que parecem dizer pouco, só uma ilusão do tamanho, mas dizem muito…

Falamos tudo e ainda
há o que
silenciar (Carlos Vogt)

Não tenho dinheiro no banco
porém,
meu jardim está cheio de rosas (Carlos Drummond de Andrade)

abrindo um antigo caderno
foi que descobri
antigamente eu era eterno (Paulo Leminski)

4 vai, mas poderiam ser mais.

À bengala
Contigo me faço
pastor do rebanho
de meus próprios passos (José Paulo Paes)

Almoço em agosto fica na superficialidade

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Fui assistir Almoço em agosto, acho que só está no Gemini, cinema com cara de antigamente. Alguns amigos haviam gostado e recomendado, gostei, mas não sei se recomendo veementemente, melhor que muita porcaria que está por aí (ainda vou assistir a apelação oficial). Para mim o diretor, mesmo que estreante, o que lhe dá alguns méritos adicionais, Gianni di Gregori, deveria ter explorado mais a situação, apenas retrata, é sútil demais com um tema dos mais profundos.

Ser incômodo na vida das pessoas talvez não precise de tantas palavras para contextualizar, bastam as imagens, os jogos, manias e dificuldades da velhice, ainda mais, velhice apertada, caso dos retratados. No mínimo o filme mostra como a suposta felicidade muitas vezes depende apenas de um abuso.

O que eu não queria mesmo é ser um filho daqueles, além de fracassar na vida, ter que aguentar uma mãe tão caricatura não é fácil…

Roth, Pacino e Coutinho

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Tinha três opções de imagem para ilustrar este post: Philip Roth, o verdadeiro inspirador, Al Pacino, a boa imagem e a desculpa comercial, ou João Pereira Coutinho, o reflexivo e que comentou The Humbling, novo livro de Roth, ainda inédito no Brasil, na coluna de hoje na Ilustrada. Na busca da audiência, optei por Pacino…

A conexão dele com Roth e o livro é que acabou de comprar os direitos para transformar em filme. Vejamos o que vem depois por aí. Antes chegará o livro, a história de um ator talentoso que desanima diante da velhice e só encontra um certo ânimo numa jovem, ou na linguagem do artigo, ao respirar com oxigênio de terceiros. Como o trabalho de Roth mostra e os fãs de Dan Brown costumam achar pesado demais (falo por convivência com amigos aos quais indiquei, Roth e não Brown, só para deixar claro), é conosco mesmo que temos que celebrar os acertos e perdoar ou lamentar os erros, todos nossos mesmos…

Patrimônio que se esvai

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Meu avô era de São Luiz do Paraitinga, cidade que mais sofreu com as chuvas do réveillon. Há dois anos fomos visitar com aquela curiosidade humana de busca de origens. Passamos pelas igrejas, casa de Oswaldo Cruz, mercado e outros pontos de interesse que se foram. O homem não está se relacionando direito com a terra. A taipa é frágil, mas durou todo o século XX…

50 anos sem Camus

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Há cinquenta anos morria o escritor Albert Camus. Hoje Sarkozy quer transferir seus restos, na verdade o símbolo, para o Panthéon. Mas a família não aceita, por desalinhamento ideológico, prefere manter o túmulo no interior da França. Nem todos buscam a glória a qualquer preço. Ainda mais quando o já feito, não precisa destes adendos…

Agora sim o encerramento da campanha!

Como informei, em 2010 eu desisti de pegar no pé da Folha de S. Paulo por dar espaço a um político com ações um tanto suspeitas. Mas estava lendo um livro de Haikais e me deparei com algo que pareceu uma luva, o autor da poesia não tem nada a ver com isso, nem vivo está para avaliar se empreguei direito seu texto que diz assim:

família unida
reza & rouba sempre unida
oh, tempos de paz!

Com isso este blog despede-se definitivamente do assunto!

Não erre porque não vai esquecer…

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Tenho algo a te dizer foi o último livro que li em 2009. O psicanalista criado por Kureishi trouxe um pouco do que eu buscava sobre a função, mas o livro é mais sobre o mundo pop do que o divã. Gosto do jeito que Kureishi escreve, escritor maduro, denso. O livro é um pouco mais longo do que deveria, mas mesmo assim fui fácil até o final, aliás, engrenei da metade em diante.

Não me lembro o outro livro que li dele. Assisti Minha adorável lavanderia, filme que o projetou e retirou do anonimato. Lembro pouco, hoje enquanto escrevia e alguém assistia algo na televisão ouvi que foi um dos poucos trabalhos, aliás, quase o de surgimento de Daniel Day Lewis, um ator de verdade, pouco afeito a concessões para apenas faturar mas que sempre acabam influenciando negativamente a filmografia das pessoas.

Neste livro tudo pode, as relações são frágeis e no mínimo fica claro que todos carregamos sim o que fazemos, pela vida toda. Kureishi expõe de forma límpida que cada um traz consigo seus erros, muito mais do que seus acertos…

Se mantive na leitura, baixei no cinema e teatro, nas artes plásticas primeira contagem - Balanço Cultural 2009

Só agora ao fazer o balanço cultural do ano me dei conta que fui menos do que gostaria e deveria ao cinema e teatro. Juntei os shows a este, o grande prejudicado no ano. Ficarei mais atento em 2010.

Cinema: 22 filmes

Titãs a vida até parece uma festa
Bolt, o supercão
O lutador
Entre os muros da escola
Milk
O leitor
Foi apenas um sonho
Quem quer ser um milionário
A janela
Tinha que ser você
Desejo e perigo
Coração vagabundo
Horas de verão
A onda
Inimigos públicos
Up
O anticristo
Bastardos inglórios
Lua nova
Ervas daninhas
Hanami – Cerejeiras em flor
Abraços partidos

Teatro e Shows - 9 peças ou shows

Radiohead
O homem da tarja preta
Ato sem palavras e Ultima gravação de Krapp
Vestido de noiva
Grupo Corpo
Charlie e Lola
Rasif
Alter Opera – Haydn
Fricks

Artes Plásticas - 20 exposições
Vik Muniz
Joseph Albers
New artistas – New Museum
Frick Collection
Francis Bacon
Leon Ferrari e Mira Schendel
SPArte
Iberê Camargo
Rumos – Itaú Cultural
Dia Beacon
Henri Matisse
Norberto Nicola
Leda Catunda
MAC Barcelona
Museu Picasso
Casa Millá
Stadel Museum
Panorama da Arte Brasileira – MAM
Nos limites da arte – Fidalga
Os gêmeos

Balanço da leitura em 2009 - 52 livros

Foram 52 livros lidos em 2009 e comentados aqui neste blog. Continuo a acreditar que o que é medido, pode ser melhor desenvolvido.  Não incluo na listagem livros lidos profissionalmente, para edição. Inclui alguns sobre o mercado ou sobre escrever ou editar, mas não os da Virgília ou Alfaiatar, mesmo porque, alguns desses, leio mais de uma vez…

Eis a listagem mês a mês:
Janeiro
1 - Irmãos Karamabloch - Arnaldo Bloch
2 - O africano - Le Clézio
3 - Entre nós - Philip Roth
4 - Livro dos provérbios, ditados, ditos populares, e anexins - Ciça Alves Pinto

Fevereiro
1 - O eterno marido - Dostoiévski
2 - Inimigos da esperança - Lindsay Waters
3 - A arte de recusar um original - Camilien Roy
4 - A literatura em perigo - Tzvetan Todorov

Março
1 - Desvirando a página - Ignacio Loyola Brandão
2 - Foi apenas um sonho - Richard Yates
3 - Um jogador - Dostoiévski
4 - No mundo dos livros - Jose Mindlin
5 - A cidade perdida - Milton Hatoum

Abril
1 - Elogio da madrasta - Mario Vargas Llosa
2 - O negócio dos livros - Andre Schiffrin
3 - Leite derramado - Chico Buarque
4 - A arte da vida - Zygmunt Bauman
5 - Filha, mãe, avo e puta - Gabriela Leite

Maio
1 - Questões de honra - Louis Begley
2 - Pequeno guia histórico das livrarias brasileiras - Ubiratan Machado
3 - Zazie no metro - Raymond Queneau
4 - Honestidade por aproximação - Wanderléia Farias
5 - Invenção e memória - Lygia Fagundes Telles
6 - A trégua - Mario Benedetti

Junho
1 - Indignação - Philip Roth
2 - A identidade - Milan Kundera
3 - Cine Prive - Antonio Carlos Viana

Julho
1 - Outra vida - Rodrigo Lacerda
2 - A arte de ler - Emile Faguet
3 - Jó - Joseph Roth
4 - Anjo Pornográfico - Ruy Castro

Agosto
1 - Ensaio autobiográfico - Jorge Luiz Borges
2 - Agrestes- Joao Cabral de Melo Neto
3 - O pai dos burros - Humberto Werneck
4 - A marca Humana - Philip Roth

Setembro
1 - Olhos secos - Bernardo Ajzenberg
2 - Lições sobre 7 conceitos cruciais da psicanálise - J. D. Nasio
3 - Fernando Pessoa - poemas escolhidos + A imortalidade
4 - No teu deserto - Miguel Sousa Tavares

Outubro
1 - Os cus de judas - Antonio Lobo Antunes
2 - Os emigrantes - W Sebald
3- Felicidade conjugal - Lev Tolstoi
4 - Vozes do sótão - Paulo Rodrigues

Novembro
1 - O lobo - Joseph Smith
2 - Sobre os escritores - Elias Canetti
3 - O seminarista - Rubem Fonseca
4 - Os bastidores da internet no Brasil - Eduardo Vieira
5 - Estrela distante - Roberto Bolano

Dezembro
1 - O serelepe - Ruy Mendes Goncalves
2 - Em defesa da psicanálise - Elisabeth Roudinesco
3 - Um psicanalista no divã – J.D. Nasio
4 - Clarice na cabeceira – Clarice Lispector
5 -Tenho algo a te dizer – Hanif Kureishi

Eu desisto! Deixa o Sarney onde está. Ele e a Folha se merecem…

Semana passada resolvi poupar os leitores deste blog de mais um protesto contra José Sarney. Pensava em parar, não vou conseguir nada e ainda corro o risco de encher o saco de quem me visita. O artigo de hoje me comoveu. Dom Sarney inclui este, como o penúltimo parágrafo de seu artigo, no primeiro dia do ano:

Não me despeço de 2009 com saudades. Ele me fez provar o saibo da amargura e saber que uma das maiores dores do mundo é a injustiça. Mas foi bom para o Brasil, e o que é bom para o Brasil é bom para mim. “

É mole? Cara de pau. Se a Folha acha que seu espaço merece ser ocupado com isso… Deixe, espero que esteja apenas com o rabo preso com o leitor, como tanto já propagandeou, e não com esse tipo de político que ainda quer se posar de vítima e injustiçado. Não perco mais meu tempo e o de quem me acompanha com esse tipo de gente. Se é bom para o Brasil, que seja…