Com 100 anos de atraso
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Conclui a leitura do perfil de Joaquim Nabuco escrito por Angela Alonso. Trata-se de uma leitura bastante agradável, com um estilo romanesco, bastante elogiável, ainda mais por se tratar de alguém com uma formação acadêmica em humanas, geralmente com cacoetes de intelectualismo e proposital falta de clareza, garantia de sucesso e sinônimo de inteligência entre os colegas.
Angela escreveu um livro muito gostoso. Infelizmente eu pertencia a geração que foi ensinada a louvar Rui Barbosa o Águia de Haia, sabia pouco de Nabuco até esta leitura. O livro também mostra como as coisas aconteciam e ainda acontecem, a junção do político, do social e do econômico. Nabuco foi figura das mais interessantes da história do Brasil, um digno representante de uma elite que faz falta, “que pensa, que assume o posto, faz a festa, mas não arrebenta”…
Ele perseguiu uma causa, descoberta no meio do caminho, por ela e por um lugar mais destacado abriu mão do dandismo. Não quis ou não soube fazer um outro jogo que talvez lhe garantisse uma vida mais confortável. Mas a família de Eufrásia Teixeira Leite não queria ser trampolim para nenhum bonitão, bom de discurso e ruim de bolso.
Nunca fui dos mais simpáticos a reis e imperadores, mas lendo este perfil fica fácil descobrir que a implantação da República também foi uma festa.
