Arquivo: Fevereiro de 2010



O inferno está em todos nós, principalmente em fevereiro…

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Sim, a cena acima representa Simone de Beauvoir sendo consolada por uma estudante de letras no Recife, quando este país sonhava ser grande pela primeira vez. Isso aconteceu?

Não, só no teatro Jaraguá, na peça O inferno sou eu, escrita pela Juliana Rosenthal K., com quem trabalhei na Editora Campus, no período que tinha vendido a editora. Em cena Marisa Orth e Paula Weinfeld, direção de José Rubens Siqueira. Não conheço a fundo a história de Simone e Sartre, li e resenhei uma biografia do casal, mas não sei se Beauvoir deixava seu lado “mulherzinha” tão explícito. De toda forma, o exercício é interessante, encenado apenas aos finais de semana. É possível discutir escolhas pessoais, afetivas e profissionais. E aí, você pode escolher entre a original sartriana, os outros, a versão de Juliana, eu, ou a minha, nós, ainda mais nos dias que se tem feito em São Paulo, calor infernal, quase sempre seguido de chuva diluvial.

Antes de ir, lembre de seus sonhos aos na época da faculdade. Se ainda não chegou lá, projete. Ah, se não leu o Pondé na Ilustrada de ontem, faça-o, e depois você pode, sem desmerecer a Juliana, mas mantendo a hierarquia com Goethe, comparar Dorinha, Willhelm Meister e o jovem Werther…

Apoie um Brasil Literário!

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Recebi do Luiz Antonio Aguiar, autor reconhecido de literatura infanto-juvenil e cada vez mais também autor de obras importantes no mundo adulto, sem contar é claro com a contribuição sob o nome de outros, um ghost grandão, o Manifesto por um Brasil Literário. Vou reproduzir a carta original, clique na imagem acima e assine. O Luiz é um entusiasta e batalhador do mundo do livro e da necessidade de colocarmos nas nossas, mas isso apenas não basta, e dos ao redor, também é pouco, e na vida de um número mais amplo possível de pessoas, a Literatura e sua capacidade de nos fazer relacionar com o mundo de forma diferente. Participe:

Toda  gente:
 
Talvez você já tenha escutado falar, ou lido alguma  coisa, sobre o Manifesto por um Brasil Literário. Pois bem, para mim, é uma  das mais significativas novidades ocorridas no país, ultimamente, e algo que  ─ acredito bastante! ─ vale a pena apoiar.  
            É  isso que estou aqui lhe pedindo: para apoiar o Manifesto.  
            O  Manifesto por um Brasil Literário foi lançado pelo escritor Bartolomeu  Campos de Queirós, na Flip, do ano passado, com apoio de instituições como o  Instituto C&A, a Fundação Nacional do Livro infantil e Juvenil, a  Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, o  Centro de Cultura Luiz Freire, a Organização Casa Azul, o Instituto  Ecofuturo… entre outros.  
            O  Movimento ganhou espaço na imprensa, cresceu, e hoje agrega pessoas,  entidades, órgãos governamentais e instituições.
E já começa a definir  algumas ações.  
            Por  exemplo, está em elaboração uma grande campanha a ser veiculada na mídia,  promovendo a Literatura em uso, ao vivo e a cores, na vida das  pessoas. E a FLIP deste ano de 2010 vai ter, como uma de suas especiais  atrações, a Casa Brasil Literário, centro de reunião de público, autores,  pessoas do meio editorial e literário, e também de atividades.  
            O  que nós queremos é um Brasil Literário. O que vem a ser isso ao certo…  Bom, não temos nada certo, ainda, a não ser essa vontade de dizer às  pessoas  que a Literatura pode se tornar um dádiva na vida, que todos  os brasileiros têm direito à Literatura e que, no dia em que a Literatura  for absorvida como algo valioso ─ neste Brasil tão carente de esperança e  imaginação ─,  guardado no espírito (ou no coração) e alimentado em  nosso cotidiano, teremos também um país mais humanizado, sensível, generoso,  fértil, acolhedor e proveitoso para todos.  
            Enfim,  convido você a tomar parte da elaboração das definições, de que tanto  precisamos,  e de ações para promover a união feliz da Literatura com o  dia a dia dos brasileiros.
Tudo começa por assinar o Manifesto.
Para  isso, entre no site (
http://www.brasilliterario.org.br/)  e  deixe lá sua assinatura. E depois, aguarde contato.
Há muito que  você pode fazer para construirmos um Brasil Literário!  
 
 Um grande Abraço, Luiz Antonio 

Bem-vinda Nova Biblioteca de São Paulo

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A nova biblioteca de São Paulo (a foto é da Folha Imagem, Filipe Redondo) abre amanhã para o público, prometendo ser diferente dos ambientes escuros e onde o barulho mais frequente é o chiuuuuu para a devoção aos livros. Promete além de livros novos, sem maiores preconceitos, atividades lúdicas, até baile da terceira idade.

Lá, todos poderão retirar livros da Stephanie Meyer, isso deve ser influência do local… Para quem não entendeu a piadinha, a biblioteca fica onde era o Carandiru, e um pouco de torturas ficaram lá por aquelas bandas… Mas é melhor ler Crepúsculo que nada, é a velha teoria do vinho, o cara começa bebando alemão de garrafa azul, alguns chegam aos super toscanos…

Pretendo visitar em breve, antes ainda que o acervo esteja integrado no mundo digital. Tomara que outras bibliotecas como essa, projeto do Aflalo, Gasperini, surjam em parques do estado e de todo o Brasil. Quem sabe os meninos com pouco acesso ou então os operários a utilizem e aqueles que crescerem e migrarem para a política não tenham tanta distância do livro como o Lula.

Norma Benguell: não impressiona mais pela beleza, mas pela dignidade

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Tem uma entrevista com Norma Benguell na Ilustrada de hoje, vale conferir. É difícil ver quem já teve uma estampa com a de Norma assumir a idade como assumiu.

Deu sua versão sobre o imbróglio do filme O Guarani e parece encarar as questões de peito e discutir sem nenhuma vergonha sua necessidade de trabalhar, tirando até um pouco de sarro do branco que teve em passado recente. Leia!

A democracia e Luiz Carlos Barreto

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O produtor Luiz Carlos Barreto escreveu artigo na Folha de S. Paulo de hoje defendendo o seu filme, na verdade, criticando quem o criticou. Tomou a posição de vítima e criou uma defesa arquitetada, ideológica.

Não assisti, acho que vou assistir em DVD, mas se quisesse de fato arcar com a verdade, Barreto deveria assumir que foi sim uma ação de marketing, um oportunismo comercial e uma vontade de se aproximar do poder. Se não, contaria uma história bonita sem omitir os poucos defeitos que deve ver em Lula, alguns minimizados pelo potencial imaginado de ser tão popular quanto o bolsa família. Sim, ele tem o direito de fazer o filme que quiser, como eu de lançar o livro que quiser, mas nem eu, nem ele podemos separar que temos sim a condição de criar ou reforçar mitos. Barreto precisa assumir que tentou isso, e negar da forma que negou, é quase reforçar que o fez para não depender nunca mais de financiamento público…

Eu não gosto da Beyoncé mas gosto do meu filho…

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Dentre as supostas 60 mil pessoas que estavam ontem no Morumbi, apesar de cheio, vi muitos lugares vazios nas numeradas e na pista, estava eu. Até ontem não era capaz de citar nenhuma música desta que vi na mídia esta semana, ganhou muitos Grammys, hoje continuo não sendo capaz de cantar nenhuma delas, apesar de ter reconhecido alguns poucos pares. Sei que a culpa não é dela, é minha, meus ouvidos já estão um pouco velhinhos, ainda preferem as sutilezas de Antonio Carlos Jobim.

Mas a abertura era da Ivete Sangalo, alguém que apesar de não ter mudado o jeito de cantar, ao comprar uma máquina de ultrassom pessoal durante a gravidez, perdeu pontos comigo. Infelizmente o show foi curtíssimo e não deixaram Ivete utilizar a infra do local. Daí, até a tal diva americana entrar no palco, quase 2 horas, há mais de vinte anos que não suporto isso, mas, parafraseando Gelol, não basta ser pai, tem que participar.

Meu lugar era na arquibancada, para mim 70 reais era o máximo, cheguamos no show da Ivete e ficamos na entrada, em pé. Sentei um pouco e esperei. Saímos um pouco antes, e confesso, preconceito e velhice à parte, não ter percebido nada excepcional, bem montado é claro, mas nada muito além da tentativa de explorar as pernas e os cabelos esvoaçantes.

O que me chocou mesmo foi ela cantar Ave-Maria sem o Agnaldo Rayol. Fica a sugestão para as apresentações do Rio de Janeiro e Salvador. Formariam uma dupla contrastante, mas quase perfeita.

Meu filho agora que continuar minha educação e levar à tal Lady Gaga…

Hirst, o Mefisto de Fausto…

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Ninguém chama-se Fausto impunemente… Se seus pais não conheciam a fábula alemã que entre outros inspirou Goethe, mesmo assim você carregará no nome o desafio de não se aliar ao diabo pela desilusão com o conhecimento.

Não tenho nada contra o trabalho do juiz Fausto de Sanctis, algumas vezes parece midiático em excesso, mas tem contribuído com a moralização do país. A questão é que para sobreviver aos ataques do calibre de quem cutuca, parece precisar montar um personagem acima de quem é. Pelo menos é essa a sensação de que dá na matéria da Folha de S. Paulo de hoje sobre o mercado de artes. A matéria fala sobre as exposições das coleções apreendidas de Edemar Cid Ferreira, Naji Nahas e Juan Carlos Abadía no MAC e da questão da possível lavagem de dinheiro no mundo da arte.

O juiz ao explicar que, apesar de gostar, entendia pouco de arte quando se deparou com essas coleções, iniciou imediatamente estudos para se aprofundar. Agora, tem Damien Hirst entre seus preferidos. Fala sério? Qualquer pessoa é capaz de pegar os preços alcançados pelo inglês e elevá-lo, pelo critério equivocado, ao posto superior da arte mundial. Ou seja, o Fausto juiz fez o mesmo acordo que o Fausto médico, vendeu sua alma para Mefisto…

Arte: clausura e intercâmbio

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No final de semana fizemos um programa familiar apesar dos protestos do filho adolescente, ir de metrô até a estação São Bento e visitar a exposição Arte e Espiritualidade, dos artistas Marco Gianotti, José Spaniol e Carlos Eduardo Uchôa, este último um artista-monge, ou um monge-artista, mais para esta segunda opção.

Nunca tinha entrada no mosteiro que geralmente não é aberto ao público, apesar da exposição acontecer mesmo nas dependências do colégio, mas marketing também acontece na igreja, se é que não foi lá que começou.

Dos três, gostei mais do trabalho do Gianotti, colocando mais elementos numa obra onde antes trabalhava apenas com cores e talvez ângulos. O Spaniol cutucou um pouco a instituição com algumas ”flechas” e não cai de amores pelas pinceladas do Uchôa. Quando meu filho me perguntou o que era o portão abaixo da plaqueta Clausura, montei essa minha “teoria”: a arte precisa conviver, estar aberta a troca. Uchoa pode ter mais tempo para reflexão, mas a clausura prejudica suas pinceladas, não as dele, a de todos que viverem com tantas restrições.

No meio do caminho é inevitável não ter que fugir de alguns monges puxando conversa e perguntando se você identificou a imagem de cristo em algumas delas. Mas mesmo assim, vale o passeio. Não fica por muito tempo. 

Tomás Eloy Martinez - a imprensa argentina tem uma grande baixa

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Morreu ontem o jornalista e escritor argentino Tomás Eloy Martinez, autor de um livro sobre Evita Perón, uma ficção sobre os caminhos e confusões que envolveram o corpo da “deusa” portenha,  e de alguns livros de ficção e outros ensaios.

Ganhador de vários prêmios, foi também um combatente da ditadura militar. Seu câncer deve ter acelerado com a família Kirchner perseguindo a imprensa…