Arquivo: Março de 2010



Bom mergulho em Kafka

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Finalizei esse mergulho em Kafka, conduzido pelo seu tradutor consagrado na língua portuguesa, Modesto Carone neste Lição de Kafka. Foi uma ótima degustação, já comprei o ensaio biográfico produzido por Louis Begley (falo depois disso) e também O processo, esgotado na editora e nas livrarias (o primeiro sebo de quem comprei na Estante Virtual pisou na bola, vendeu e depois cancelou porque não tinha mais). Vou tentar dar uma esticada na obra de Kafka, dizer que ele merece é um tanto babaca, melhor dizer que eu preciso…

Além de detalhes interessantes da obra e até da vida de Kafka, há interessantes reflexões sobre tradução e da representação de alguns autores na cultura de países, no caso, Brasil. Confesso que muitas vezes tenho quase a convicção de estar diante de teóricos que se vêem na necessidade de justificar ou criar teorias que a intuição do autor sequer pensou. Acredito na possibilidade da escrita fluida, por mais que saiba da existência do retrabalho, do corte, da busca pela palavra ideal.

Uma forte contribuição do livro é a clareza da definição de Kafka como algo muito distante de realismo mágico ou ou outras tendências distantes apenas do real com um certo estranhamento. 

Para alegria de uns, desgraça de outros, mais Crepúsculo por aí…

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A foto acima veio do site da revista Contigo! Não só lá, o suposto novo livro de Stephenie Meyer foi comemorado. Existe público para tudo, inclusive para histórias bobas e vampirescas. Que pena, o livro aparece em terras de benefício de saúde ampliado em junho, e mesmo em épocas digitais, com a portentosa primeira tiragem de 1,5 milhão de cópias. É autores sérios, durmam com um barulho desses, mas não numa sexta-feira porque os vampiros podem te perturbar…

Armando Nogueira se foi, o pior que mudo

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Morreu vítima de câncer no cérebro o jornalista Armando Nogueira. Depois de várias contribuições ao jornalismo geral, voltou para o esportivo, do início da carreira. Não deve ter sido fácil ter mantido a dignidade em tempos sombrios. O destino o levou sem condições de se expressar, ó destino maroto.

Importante contribuição para a cultura brasileira: Rumos Literatura 2010

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Estão abertas as inscrições para o Programa Rumos do Itaú Cultural. Este ano estendido para Literatura, Música, Pesquisa e Teatro. É uma das ações mais significativas do cenário cultural brasileiro, fornecendo não apenas apoio para publicação, como também, subsídio para a produção e desenvolvimento dos trabalhos. Isso sem contar com a exposição/publicação dos trabalhos selecionados.

Comentei neste site/blog que parecia que a crítica literária havia morrido um pouco com Wilson Martins, talvez ela morra um pouco cada dia nesse universo de celebridades e BBBs, mas ver ações como o Rumos Literatura é um alento de vida inteligente e espaço para debates intelectuais e necessários para o desenvolvimento da espécie, por mais imbecilizada que esteja.

Essa é uma das partes boas do lucro dos bancos. Não vou discutir se adequada, se equilibrada. Imagine um executivo correndo atrás dos bônus de 2010 (é claro que muito maiores do que a bolsa do Rumos, mas é assim, pelo menos estão gerando um trabalho sério), poucos deles entendem ou conseguem entender a importância desse projeto. O banco teve o mérito de contratar “ETs” capazes de pensar a cultura e apoiar iniciativas como essas. Não é pouco. Tem todo um rol de ações mais demagógicas e populares, felizmente sobrou espaço para o Rumos e para o Instituto Itaú Cultural, um espaço arrajado, dentro de um banco bastante conservador.

O Rumos Literatura 2010 tem duas categorias: Produção e Crítica Literária. Ambos focados no que aconteceu no universo brasileiro a partir dos anos 1980. É aberto também para estrangeiros. Além do subisídio, há um prêmio, a publicação, encontros e cursos e discussões. Todos os detalhes estão em: http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2708

Vale checar, vai até 31/7, dá tempo de folga para acertar as contas com o leão, até 30/4, e então focar a energia, pensando os ensaios. Atenção intelectuais e candidatos, depois não adianta reclamar que não existem opções…

O frequente diálogo ausente em família: Diário perdido

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Assisti Diário perdido, filme da diretor Julie Lopes Curval, com a presença forte das três mulheres, Catherine Deneauve, Marina Hands e Marie Joseé Croze. Um filme feminino? Apenas para os homens que preferem não se meter na relação mãe-filha e depois, perdem completamente o direito de reclamar.

Um filme totalmente possível de ser interpretado como a dificuldade de diálogo em família, como o silêncio e a dureza são capazes de ir dominando, deixando as pessoas ausentes, formais. Se você tem filhos pequenos, uma ótima chance de reavaliar. Veja o quanto de carinho tem na relação com eles e o quanto tem na relação com seus pais? O que faz o crescimento? Como as pessoas lidam com suas frustrações. O silêncio e distância no filme tinham uma razão específica, como todas as famílias têm.

O aparecimento da morta ficou no limite do crível, não me ofendeu. Recomendo.

Como comprar Empreendedor ou Executivo? Quem nasceu pra quê?

O interesse pelo novo livro de Francisco Britto, Empreendedor ou Executivo? tem sido muito grande e mais rápido do que a eficiência da cadeia de distribuição.

Se você está tendo dificuldades de encontrar nas principais livrarias, a previsão é que esteja tudo normalizado na semana de 29/3 a 4/4, entre em contato direto conosco 11 3081-2510 ou então pelo email comercial@livrosdesafra.com.br . Daí é só acertarmos o depósito, o preço é R$ 42,00, e a forma de envio.

Não é o ideal, mas funciona e conseguimos ajudar você a colocar mais ingredientes para resolver esta dúvida cruel.

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A dor de um chifre

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Não conhecia Elvira Vigna, mas li bem sobre ela, inclui na lista dos contemporâneos a checar, mais como comparação de minha produção do que outra coisa.

O livro Nada a dizer trata de uma mulher, teoricamente emancipada e resolvida, expondo sua dor e inconformidade com a traição do marido. Sugere que a mágoa maior era por ele não ter falado nada. Sugere mas não convence. Admitir dor de traição é algo complicado, espero estar falando sem conhecimento de causa, mas já fui traído e assumi, é claro que não sem antes empatar o placar e daí, só restava aos dois o final.

Acho que é assim, um passo difícil, se fez e a pessoa ao lado não percebe, não dá para continuar porque é burra ou desinteressada, se percebe e nada faz por comodismo, também não dá para ficar. Se percebe e aceita, é garantia de vários momentos tensos, recaídas.

No final, o livro ganha mais força. Só não gostei do perfil montado para a amante. Coincidência ou não, não era melhor do que a narradora. Ou será que era só ela quem não percebia, isso não dá para saber. Também acho engraçado que mulheres supostamente emancipadas confortem-se em aproximar as amantes das mães, meu medo é de estarem mais preocupadas com os filhos do que com os maridos… Boa leitura para limites de casais!

Não é de hoje…

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Não pretendo ler Oito séculos de delírios financeiros. Gosto do assunto, mas não é minha área de atuação para mergulhar em 900 páginas, tamanho volume de bate pronto, apenas Um homem sem qualidades, Dom Quixote e Irmãos Karamázov

Mas li entrevista esta semana com um dos autores, o professor de Harvard, Kenneth Rogoff. Tal como ele, também fico indignado que empresas privadas, auxiliadas com dinheiro público, já compartilham seus lucros com a direção, sem compartilhar com os contribuintes…

O professor fala de como as pessoas acreditam que desta vez tudo vai ser diferente e continuam a reproduzir o cenário habitual de crise. Só para dar uma idéia, a Grécia passou metade de sua existência independente sem pagar suas dívidas. Ah, esses gregos, que caloteiros. Nós brasileiros, não, apenas um quarto do tempo.

Se eu não preciso ler, os que sonham em integrar as novas equipes econômicas, esses devem, para minimizarmos os riscos de novos delírios por aqui. Continuemos nessa forte expectativa que o país do futuro está virando do presente, ultrapassado por China, mas do presente, já é bastante, já vai ter oportunidade para todos…

Expedição Langsdorff, uma exposição

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O colégio do meu filho estimulou os alunos à visitar a exposição da Expedição Langsdorff. Que tipo de pai tenho que ser? Lá fui, aliás, a família inteira foi.

É interessante, mostra alguns aspectos do passado do país, algumas curiosidades, modos de vida. Saí de lá com dois questionamentos maiores: 1) a enorme dificuldade que era reproduzir visualmente as experiências que se tinha e como podemos ter acesso a algo que aconteceu no século XIX e se não tomarmos cuidado, não teremos acesso ao que vivemos hoje, tão disponível é a tecnologia, tão pouco cuidado se presta a manutenção. Os artistas tinham que juntar-se a expedição, integrar o dia-a-dia, um fotógrafo talvez fosse muito mais preciso, mais prático. Mas esses artistas deixaram sua visão para os séculos seguintes.

O questionamento 2 é a relembrança da idade com que Dom Pedro II “assumiu” o país, 14 anos. Meu filho está prestes a fazer 13, não sentiu muita pressão ainda, mas está tão distante quanto Pedro de poder entender e agir na complexidade de algo tão extenso, por menor que fosse o território. Comecei a imaginar que pode ter vindo daí o jogo de cena do poder brasileiro, as tentativas de manipulação foram enormes. O pior, não deixaram de existir desde então…

Atividade que vale como registro de dimensão, localização de imagem e de valorização de alguém que pôs do bolso para efetivar uma tarefa, enquanto muitos ficaram cortejando, também como hoje.

Se depender do começo, esse negócio vai longe…

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Se depender de ontem à noite, parece que tanto o Empreendedor ou Executivo? quanto a Da Boa Prosa, irão muito bem. O Museu da Casa Brasileira ficou cheio, quase 400 pessoas compareceram, quase 200 livros vendidos.

Aos que foram, muitíssimo obrigado. Desculpas pela confusão do estacionamento, ritmo e preço. Aos que não foram, só ficam devendo a torcida, e é claro, aquele trabalho de campo nas livrarias, perguntem pelo livro, perguntem pela editora…

Agora começa o trabalho mais árduo, a distribuição. Livrarias, atenção!

Estréia com matéria no Estadão

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O livro Empreendedor ou executivo? Quem nasceu prá quê? Uma análise ampla e bem-humorada das vantagens e desvantagens dos dois lados dos negócio - foi base de uma matéria no caderno de Negócios do Estadão de hoje, quer ler? Clique aqui.

A matéria escolheu o título O dilema entre ser empreendedor ou executivo. Nós escolhemos Oh, dúvida cruel para o banner que ficará na entrada do museu. Você poderia escolher outro, mas duvido que não tenha tido questionamento semelhante.

O livro expõe a opinião, experiência e posições do autor, alguém que já esteve dos dois lados e também foi headhunter, recrutando executivos, alguns com características empreendedoras. Além desses pontos, entrevista várias pessoas nas duas posições. O prefácio é do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge.

O time dos executivos é representado por:
Antonio Roberto Cortes - presidente da MAM e da Volkswagen Caminhões;
João Cox - presidente da Claro;
Paulo Castro - CEO do portal Terra;
Ronaldo Bianchi - secretário-ajunto da Secretaria da Cultura;
Salvador Parisi - country manager da Luxottica.

Já no time dos empreendedores (dá uma olhada nos negócios deles…) os escalados foram:
Ricardo Ferreira - Alatur;
Cláudia Alcântara - Cadiveu;
Renato Gameleira - Ômega Mídia;
Carlos Amiralian - Phisalia;
Arnold Correia - SubWay Link.

Além desses há um capítulo chamado de Casos e Causos onde são resgatadas as seguintes histórias, de pessoas ou empresas:
Fabio Barbosa - Banco Santander;
Josué Gomes - Coteminas;
Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos - Natura;
Nelson Sirotsky - RBS.

O penúltimo capítulo, Memória brasileira, dedica-se a resgatar a história de dois executivos/empreendedores que contribuíram bastante para, um Luiz Vieira de Carvalho Mesquita, o crescimento da empresa de sua família, O Estado de S. Paulo, o outro, Roberto Marques de Carvalho Dias, a criação da Danone no Brasil.

Antes de encerrar, o autor buscou a sabedoria “oracular”. Ouviu uma astróloga e uma numeróloga, além de um psicólogo.
A leitura é leve, agradável e com certeza ajuda a perceber melhor o lado em que se está, e o outro lado.

O livro coloca a experiência do autor e de seus entrevistados. É como ouvir histórias de pequenas, médias, grandes e gigantes para escolher onde melhor se adequa.

Soft Opening da Livros de Safra

Acontece hoje no Museu da Casa Brasileira, Av. Faria Lima, 2705 em São Paulo o lançamento do livro Empreendedor ou Executivo? - Quem nasceu prá quê? O autor é o publicitário, já headhunter, já empreendedor, já executivo, Francisco Britto.

O livro é o primeiro do novo selo Da Boa Prosa, iniciativa minha e da minha sócia Adriana Melo. Além do Da Boa Prosa, fazem parte da Livros de Safra a Alfaiatar, a Impressão Régia e a Virgiliae, futuro estágio da Virgília, os detalhes irão aparecer aqui neste site/blog enquanto a vida virtual desses selos começa a tornar-se realidade.

Eis o livro de hoje, que em breve estará nas melhores livrarias, pelo menos naquelas antenadas com o que acontece de bom no mercado, nas acomodadas, satisfeitas com os resultados e com os best-sellers atuais, talvez demore um pouco mais, afinal, se editor precisa garimpar livro, livreiro também:

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Ah, apenas por curiosidade, eis os logos e seus slogans:

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  A gente aduba, planta e colhe palavras!

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  Alguns têm algo a dizer, outros a vontade de saber

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   A melhor forma de contar a sua história

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  O conhecimento leva à justiça, a justiça leva ao conhecimento

Se precisar de qualquer informação, faça contato.

Skoob: não falta um balizador?

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Matéria no Estado de hoje, O encontro dos livros com a web, fala sobre tempo, redes sociais e literatura. Cita o exemplo do Skook (www.skoob.com.br) que eu nunca tinha ouvido falar, e se tinha, já havia me esquecido. Fui animado dar uma olhada, pode ser puro preconceito, mas parei na home, repleta de Harry Potter, Crepúsculo, Dan Brown e coisa e tal, sinceramente, não é um lugar para mim. Este sempre foi o problema que vejo na tal internet 2.0, eu já pus muita coisa para dentro para ficar ouvindo de outros, modéstia à parte, acreditem, que se contentam com pouco. Ou seja, é por isso que continuo comprando jornal, apesar de maneira dúbia, oferecer conteúdo gratuito neste site/blog, mas informação sem uma fonte confiável de checagem ou direção, vale muito pouco, ou pede muito tempo.

Para isso serve um editor, é por isso que acho que o tal free existirá, mas quem quer ser mais profundo, precisará investir um pouco. É claro que como profissional do livro, posso e vou divulgar os lançamentos lá, mas como formação e ocupação de tempo, me pareceu um lugar para apreciadores de lista de best-sellers. E aí, o que consegue agradar a muitos, muitas vezes é porque ousou pouco, ficou no fácil.

Os clássicos e um projeto de cultura contemporânea

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Comprei ontem na Livraria da Vila, que aliás, vai ficar com a Livraria Sobrado, gosto da Vila, mas é uma pena que a Sobrado não tenha seguido adiante, era um espaço muito gostoso em Moema, O prazer de ler os clássicos, do crítico americano Michael Dirda, ganhador de um Pulitzer por suas críticas.

Não consigo me imaginar lendo tudo o que teria vontade, não dará tempo, as vezes, esses livros servem como combustível para uma seleção mais criteriosa. Quase comprei o tal livro da Paula Parisot, procurar o que Rubem Fonseca supostamente encontrou nela, mas daí, preferi continuar no que já estou comprometido, não cedi ao marketing, mas pelo menos o livro atingiu um espaço que poucas vezes um livro atinge. É claro que eu não queria ser o tal maridão da autora…

Comprei também o número 4 da Serrote, leio muito menos do que deveria, no mínimo é uma aula de projeto gráfico e bom gosto, clássico, porém de muito bom gosto, ousado, privilegiando a leitura. Nada como poder usar a cor.

Parece piada: cassação por infidelidade partidária, pensei que fosse infidelidade moral…

Realmente fica difícil não desdenhar do Judiciário deste país. Desta vez funcionou rápido e cassou o mandato do José Arruda por infidelidade partidária. Socorro, o que menos de errado ele fez foi trair o DEM, e a infidelidade moral? A infidelidade de valores? A infidelidade de honestidade? Isso ningúem vai considerar?

O caderno Sabático quase exige um…

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Gostei bastante do caderno Sabático do Estadão de sábado. O único problema é que quase requer um período desses para ser lido… Brincadeiras à parte, como estou treinando sério para uma maratona, o tempo anda mais escasso. Acabei somente hoje a leitura do suplemento.

Há uma entrevista deliciosa com Umberto Eco, sim, o senhor à esquerda é o Umberto Eco, para mim parece mais o Raul Random, empresário gaúcho, mas a culpa não é do fotógrafo da agência Estado, Andrea Barbiroli, e sim do hábito, descobri agora, de Eco de a cada vinte anos raspar a barba.

É um prazer ler entrevistas de pessoas inteligentes. Além de algumas brincadeiras com o Dan Brown, sim, eu não li o Brown e insisto em não falar bem dele, Eco fala sobre o livro que será lançado em abril: Não contem com o fim do livro.

Para ele, o livro é como uma colher, uma tesoura, algo difícil de ser substituído porque já encontrou sua forma ideal. Questiona o quanto dura um arquivo eletrônico e contrapõe a essa durabilidade os livros que possui e que somam cinco séculos de vida. Ele possui 50 mil livros e tem uma maneira peculiar de organizá-los, vale ler.

Na casa em Milão são 30 mil volumes. A resposta para quem faz a estúpida pergunta se leu todos é: “Não. Esses livros são apenas os que devo ler na semana que vem. Os que já li estão na universidade.” ou então: “Não li nenhum. Se não, porque os guardaria?”. Antes de fazer essa pergunta para um dono de biblioteca, estime quantos livros tem, depois, faça projeções. No caso de Eco, se tivesse lido só os livros dessa casa, supondo que tomou mesmo o gosto pela leitura aos 20 anos, teria que ter livro 43 livros por mês para cobrir essa cota. Você conhece alguém com essa capacidade de leitura?

Mas não é dela que precisa para se deliciar com o novo caderno do Estadão. Espero que a reforma de maio da Folha, privilegie algo neste sentido. É a velha e boa cultura reagindo e se mantendo viva. Há também uma bela matéria com Manoel de Barros e algumas resenhas de livros, além da reprodução de uma resenha de Antonio Cândido sobre Grande Sertão, Veredas.

Mais literatura na poltrona

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O José Castello já tinha o livro acima: A literatura na poltrona. Agora, este é o nome do novo blog, iniciado neste sábado. Para os que achavam muito pouco ter as impressões de Castello apenas aos sábados em sua coluna no caderno Verso & Prosa, eis uma ótima alternativa.

Castello é uma voz inteligente falando sobre livros, agora com mais espaço, deve contribuir mais, tomara que tenha paciência para alimentar um blog, algo que parece fácil, mas não é…

Vá lá: www.oglobo.com.br/blogs/literatura.

Uma obra completa e um panorama geral

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Dois novos livros entraram para a minha biblioteca, um que pretendo ler o mais rápido possível, a Poesia completa de Manoel de Barros. Sua obra é um pouco mais ingênua que meu estilo, mas é daquelas ingenuidades, delicadezas das quais procuro me inspirar. Tinha algumas de suas caixinhas, mas ter a obra em um livro capa dura permite uma manipulação muito melhor do que já fez.

A outra é uma coleção sobre escritores, 501 grandes escritores, desses coffee-table books com um pouquinho mais de possibilidade de utilização. Várias fotos e informações sobre as obras. Na edição brasileira foram agregados mais 24 escritores daqui, na original inglesa, base para o mundo todo, existiam apenas três tupiniquins: Machado de Assis, Jorge Amado e Paulo Coelho. Só esta simples escolha já pode comprometer as qualificações de Julian Patrick como editor geral. Se dependesse disso, será que o livro não deveria chamar 501 grandes best-sellers, ou alguns escritores e outros best-seller. Da literatura brasileira, pinçar só eles, é para mim um erro, felizmente corrigido pela Sextante. Mesmo assim acredito que vale como fonte de consulta.