Amor platônico - Os sofrimentos do jovem Werther
![]()
Acabei ontem a leitura de Os sofrimentos do jovem Werther. Hoje pela manhã, treinava nas montanhas da Aldeia da Serra e conversava com outra atrasada, acabamos nos livros. O filho dela de 15 anos também o lera. Ela declarava algumas razões para que a leitura dele fosse mais ampla do que a minha. Eu já penso o contrário, quando se faz obrigado, por mais que se tenha um guia, corre-se o risco da não absorção total (claro considerando absorção total o máximo relativo que se pode obter, nunca o todo).
Eu li agora, maduro. Algumas partes são excelentes, em outras, fiquei imaginando como Goethe as escreveria agora, livre de amarras morais. O livro inova, apresentar uma dinâmica forte com o leitor, mistura as cartas.
Destaco os seguintes trechos:
“Sei muito bem que não somos nem podemos ser todos iguais. Acredito, entretanto, que todo aquele que julga necessário distanciar-se do assim chamado povão, a fim de manter o devido respeito, é tão condenável quanto o covarde que se esconde do inimigo por medo de ser vencido.”
“A espécie humana é sempre igual, não muda nunca. A maioria gasta quase todo o seu tempo para sobreviver, e o pouco que lhe resta de liberdade causa-lhe tanta preocupação que ela busca por todos os meios livrar-se desta carga. Ah, destino do homem!”
”Que gente é esta cuja alma se concentra inteiramente na etiqueta, cujo pensar e agir, ano após ano, busca apenas um lugar mais próximo à cabeceira da mesa! E não fazem isso porque não teriam outras ocupações; pelo contrário, o trabalho vai se acumulando, precisamente porque os pequenos aborrecimentos concernentes às promoções desviam a atenção das coisas importantes”.
Esperava um final mais forte, achei que Goethe foi cuidadoso, esperava algo mais intuitivo. Faltou uma pitada de ousadia, mas é uma boa leitura.



