Arquivo: Março de 2010



Amor platônico - Os sofrimentos do jovem Werther

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Acabei ontem a leitura de Os sofrimentos do jovem Werther. Hoje pela manhã, treinava nas montanhas da Aldeia da Serra e conversava com outra atrasada, acabamos nos livros. O filho dela de 15 anos também o lera. Ela declarava algumas razões para que a leitura dele fosse mais ampla do que a minha. Eu já penso o contrário, quando se faz obrigado, por mais que se tenha um guia, corre-se o risco da não absorção total (claro considerando absorção total o máximo relativo que se pode obter, nunca o todo).

Eu li agora, maduro. Algumas partes são excelentes, em outras, fiquei imaginando como Goethe as escreveria agora, livre de amarras morais. O livro inova, apresentar uma dinâmica forte com o leitor, mistura as cartas.

Destaco os seguintes trechos:

Sei muito bem que não somos nem podemos ser todos iguais. Acredito, entretanto, que todo aquele que julga necessário distanciar-se do assim chamado povão, a fim de manter o devido respeito, é tão condenável quanto o covarde que se esconde do inimigo por medo de ser vencido.”

A espécie humana é sempre igual, não muda nunca. A maioria gasta quase todo o seu tempo para sobreviver, e o pouco que lhe resta de liberdade causa-lhe tanta preocupação que ela busca por todos os meios livrar-se desta carga. Ah, destino do homem!”

 ”Que gente é esta cuja alma  se concentra inteiramente na etiqueta, cujo pensar e agir, ano após ano, busca apenas um lugar mais próximo à cabeceira da mesa! E não fazem isso porque não teriam outras ocupações; pelo contrário, o trabalho vai se acumulando, precisamente porque os pequenos aborrecimentos concernentes às promoções desviam a atenção das coisas importantes”.

Esperava um final mais forte, achei que Goethe foi cuidadoso, esperava algo mais intuitivo. Faltou uma pitada de ousadia, mas é uma boa leitura.

Calaram o Geraldão a tiros: Glauco Vilas Boas

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O cartunista Glauco Vilas Boas, criador do Geraldão, dona Marta entre outros foi assassinado hoje em casa, seu filho também morreu.

Já não acompanhava mais os cartuns dele na Folha, mas já me diverti e refleti bastante com seus personagens. A charge acima mostra um pouco do que era capaz. Pena

O Brasil está lá, para todos: Brasiliana USP

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A Brasiliana USP ainda está em construção. Lá ficará abrigado a Biblioteca Guita e José Mindlin e o IEB, além de outros possíveis acervos dedicados a pensar e preservar o Brasil.

Mas não é preciso esperar o belo prédio que está sendo construído no campus da universidade para ter acesso aos livros colecionados pelo Dr. José Mindlin, uma das pouquíssimas pessoas na vida que oscilo entre escrever com ou sem o Dr ou Sr, a maioria só merece de mim mesmo o nome, alguns, nem isso.

Visite agora o www.brasiliana.usp.br, lá estão todos os livros digitalizados. É algo notável. Tomará que o exemplo de Mindlin chegue verdadeiramente até o Eike Batista. Aí sim, teremos algo concreto sendo feito pelo país, não que ainda não o tenha, mas pelo porte que Eike está tomando, deveria se relacionar com a Madona original, não com a pop…

Acredito também que neste exemplo tenhamos uma antecipação do futuro, a coexistência do livro físico com os arquivos digitais. Não deixe de visitar.

Uma simples visita a um autor: Vida de gado. Os governantes precisam usar transporte coletivo ainda antes dessas eleições…

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Caro governador José Serra

Essa foto acima parece de uma área rural. Parece mas não é, posso garantir, eu sou o vestido de boi, branco, à esquerda. Ela foi tirada hoje, por volta das 18 hs na estação Cidade Jardim do trem metropolitano que vai de Osasco ao Grajaú.

Minha intenção é ou era votar em você, mas confesso que 30 minutos sendo tratado pior do que um animal me fizeram pensar. É claro que todos são parecidos, não as vacas, os políticos, isso me deixa ainda mais desanimado. Conto melhor a história.

Tinha um encontro com um autor, sou editor de livros, o professor Simon Dolan, lá no hotel Transamérica no final do dia. Já encontrei uma vez com ele em Barcelona, fui de trem, talvez tenha querido rememorar. Horário ingrato, trânsito pesado. Fico na região dos Jardins e achei que o mais civilizado e rápido seria ir até a estação Cidade Jardim e de lá, pegar o trem, o qual de vez em quando ouço ótimas propagandas.

Cheguei e não demorou para perceber que a plataforma não é toda usada, a maioria dos trêns são curtos, quando é um longo, até aviso merece. Depois de perder 3 trens, resolvi que no seguinte entraria, nem que precisasse da ajuda dos guardas para fechar a porta. Isso mesmo, no Brasil parece que estamos resgatando a figura dos ascensoristas, só que um pouco menos cordiais que os de elevadores. Existem guardas para fazer a segurança das estações, mas o que fazem mesmo é ajudar a fechar a porta dos vagões, tamanho o contingente de pessoas, tratadas como gado.

Não é apenas desconfortável, é violento, entrei e passei algums minutos literalmente amassado, pessoas se machucam, não conseguem descer nos seus destinos, é algo indescritível. Vim do interior, meu pai não deixaria tratar as vacas da forma que vi e fui tratado hoje. Continuei porque imaginei ser uma experiência antropológica, só depois percebi que era mesmo uma experiência animal.

As pessoas quase perdem a paciência, o calor estava insuportável, centenas de pessoas dentro dos vagões, nervosismo, gente cançada, local ótimo para qualquer tipo de explosão social. Não consigo imaginar que a maioria delas vai repetir o mesmo sofrimento amanhã. Os trens gastam o dobro, o triplo do tempo fazendo o embarque/desembarque.

É vergonhoso que isto aconteça. Não estamos preparados para devolver os trabalhadores para suas casas, é claro que não temos a mínima condição de receber turistas para Copa ou qualquer outro evento. Um gringo hoje naquele vagão morreria, não só de susto, mas de aperto e falta de ar. Os trens são uma bomba relógio prestes a explodir.

Governador, faça alguma coisa antes de sair, mesmo que falte muito pouco tempo. Não é frescura não, nunca tive uma experiência tão animal em toda minha vida. Não precisa subir, apenas pare o comboio oficial na estação e observe, mas se fizer o teste completo, não vale esvaziar um vagão e viajar apenas com convidados e puxa-sacos.

Existe um outro jeito para as empresas? Adiante

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O professor da ESADE, Simon Dolan está no Brasil para o pré-lançamento de seu livro Adiante: As empresas e a sociedade em transformação.

Quem tem interesse em saber e discutir que as empresas não podem mais ficar restritas ao “mundo dos negócios” e invadem a vida privada das pessoas, dos governos, das emoções, pode ir amanhã até a Câmara Espanhola que fica em São Paulo, na avenida Luiza Carlos Berrini às 19:30 e participar da discussão.

Os interessados devem enviar um email para contato@virgilia.com.br. E daí, vão receber todas as informações.

O professor Dolan, além de um dos mais destacados professores da Esade, é uma autoridade em gestão. O livro, escrito em com o professor Mario Raich traz também depoimentos de líderes importantes como Al Gore, Belmiro Azevedo, grande empresário português, o guru Henry Mintzberg e o “nosso” Fabio Barbosa, CEO do Santander Brasil.

Um sabático interessante

Promete o novo suplemento sobre livros do novo Estadão. Tive acesso ao boneco que foi apresentado na edição deste final de semana. Rinaldo Gama, o editor disse que não será apenas sobre alta literatura, será sobre livros. Ótimo, era pouco o que o Estado tinha, O Globo é ainda quem faz o melhor produto neste quesito, mesmo podendo ser bastante melhorado. Pelo que entendi da entrevista de Gama, o do Estado, o nome é muito bom, Sabático, terá um espectro mais amplo. O mundo dos livros e da leitura estava precisando de algum espaço inteligente e nobre.

Seria bom que as livrarias também soubessem disso e, se possível, pudessem comprar e utilizá-lo como fonte de abastecimento, no mínimo de esclarecimento de dúvidas de leitores que lêem, sim, não são a maioria e existem. É decepcionante chegar numa livraria e se dar conta que o atendente não tem a mínima idéia do que você está falando, e você só está falando algo que saiu no jornal ou na revista…

Confirmo a expectativa num post no final desta semana.

Um ministro à altura da cultura do presidente???

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O jornal Valor Economico em seu caderno de Final de semana tem um almoço com o Valor, quando bate um papo com alguma personalidade sempre em um restaurante.

Na edição que foi às bancas na sexta o personagem foi o ministro da Cultura Juca Ferreira. Não pretendo votar na Dilma Roussef, não apoio o presidente Lula, fui petista na época da faculdade. Reconheço vários avanços de sua gestão, mas não consigo ver nada de relevante acontecendo na Cultura, nem na época de Gilberto Gil, nem agora com seu sucessor. O que foi feito é pouco diante da necessidade, infelizmente Lula é um dos melhores reflexos culturais do país, ou seja, churrasco e futebol, aqui sem nenhum preconceito ou questão política, avaliando apenas os fatos e manifestações.

Veja a opinião do ministro:

Lula deixa um Ministério da Cultura concebido na grandeza e na dimensão da cultura brasileira. Começamos a tratar a cultura como uma necessidade básica, como comida, moradia, saúde, ambiente saudável. O que diferencia o ser humano de todos os outros animais é essa necessidade de simbolização, criação, abstração. Numa entrevista ao Le Monde me ocorreu uma cena de Jean-Luc-Godard em que a filha pergunta:’Mãe, o que é a linguagem?’ e a mãe diz:’É a casa onde a gente mora’.”

Eu não vivo no mesmo país que este homem. É mais um daqueles que enxerga a importância da Cultura mas prefere ouvir o que os assessores lhe dizem, antes, preferia se conformar com o que o assessor, ele próprio, dizia. Ou seja, adequa os resultados a conveniência. Se aumentou a verba de 380 milhões para 2,2 bilhões acho que poucos perceberam.

Parece sim que apesar de declarar fazer pouco, o que mais quer é ser prefeito de Salvador. Talvez esteja fazendo mais por isso do que para ter mais brasileiros lendo…

Uma brisa levou Johnny Alf, mas ele fica

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 Morrou ontem Johnny Alf, alguém completamente ligado a MPB, meio esquecido, mas que agora talvez tenha seu valor reconhecido além das fronteiras dos experts da música. Gravado por muitos, estava recolhido há tempos. É melhor Eu e a brisa falar: 

Ah, se a juventude que esta brisa canta
Ficasse aqui comigo mais um pouco
Eu poderia esquecer a dor
De ser tão só pra ser um sonho
Daí então quem sabe alguém chegasse
Buscando um sonho em forma de desejo
Felicidade então pra nós seria
E, depois que a tarde nos trouxesse a lua
Se o amor chegasse eu não resistiria
E a madrugada acalentaria a nossa paz
Fica, ó brisa fica pois talvez quem sabe
O inesperado faça uma surpresa
E traga alguém que queira te escutar
E junto a mim queira ficar

O mundo não é plano no Caderno 2 de hoje. Amanhã na Zumbi dos Palmares

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Matéria do Caderno 2 de hoje fala sobre o livro O mundo não é plano, convite postado ontem para o evento de hoje na Saraiva de Higienópolis. Para ler, clique aqui.

Amanhã, Jamil Chade o autor, Juca Varella o fotógrafo foi enviado de última hora para cobrir as eleições no Iraque, irá falar na Zumbi dos Palmares. Edson Miranda, seu diretor tem agitado a escola, ontem quem falou foi Hillary Clinton, presença até mais ilustre, mas não assunto mais importante… 19:30 na faculdade, que além dos alunos, receberá alguns consules de países africanos.

Prestigie Jamil Chade e Juca Varella na Saraiva amanhã

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O autor do livro Jamil Chade e o autor da fotos Juca Varella estarão na Saraiva do Shopping Higienópolis recebendo os amigos e interessados no tema. Prestigie.

José Cortez e a contribuição ao livro

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O Estadão de ontem traçou na coluna Paulistânia o perfil do livreiro e editor José Xavier Cortez, da Livraria e Editora Cortez. Iria fazer o post ontem, mas preteri em relação ao José Mindlin. Hoje é justo recuperar o assunto, seja pelo lançamento do documentário O semeador de livros, que não assisti e não posso opinar, seja pela histórinha dele dentro da PUC, encontrando os livros, mesmo os proibidos para os professores, seja como um batalhador do livro.

Até eu lembrei do pé de feijão

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Ontem fomos com minha filha de cinco anos assistir ao espetáculo João e o pé de feijão no teatro João Caetano. Montado pela “companhia” Circo Mínimo, dois bons atores Ricardo Rodrigues e Rodrigo Matheus, além de divertir a criançada, fez alguns velhotes, no mínimo eu, lembrar vagamente das ilustrações do livro que continha essa história.

Devo ter voltado uns quarenta anos no tempo, vou guardar os livros que os meus filhos vêem agora, seria um excelente complemento se eu ainda tivesse o tal livro, mas não tenho, me sobra uma lembrança carinhosa.

Para quem está por São Paulo e tem filhos pequenos, uma boa indicação.