Arquivo: Abril de 2010



Livros, que tipo de objetos são?

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A crônica de Milton Hatoum no Estadão de hoje fala sobre livros, vale ler, para os mais preguiçosos, reproduzo aqui o poemeto que dedicou a José Mindlin e a convicção dele de que o livro permanecerá:

Haverá um último livro
Sobre a morte do livro?
Leremos palavras no ar
Ou na tela de um objeto invisível?
O verbo folhear será esquecido?
A frase: Vou abrir um livro
Será um insulto? Uma profanação?
Um sacrilégio supremo?
Em cada página impressa
O livro desafia o tempo.

Esses dias recebi dois vídeos, um celebrando o tal livro da Alice, falarei sobre isto em breve, no iPad (demo de Alice no iPad) e outro, defendendo o livro tradicional, de forma tecnológica (visão tecnológica do livro). Se você não os viu, talvez valha a comparação. Confesso que já estou crescidinho demais para precisar de tantos recursos lúdicos, se as vantagens de um livro eletrônico forem apenas essas, é mais um passo da kidultização do mundo. Veja os “demonstrativos” no YouTube, links abaixo:

Demo na Alice no iPad X visão tecnológica do livro (em espanhol)

SP Arte: até parece que a estética deste país tem solução…

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Não, a imagem a esquerda não é uma ilusão de ótica e nem representa o prédio da Bienal ontem na inauguração da SP Arte 2010. Estava o oposto dela, totalmente cheia, difícil de ver as obras, fácil de ver as tentativas de auto-obras, várias, passeando pelos corredores, algumas em busca de um colecionador rico, alguns de uma boa companhia, outros em busca de uma galeria. Mas suponho que até existiam alguns em busca de arte.

O conceito da feira é interessante, um supermercado de várias tendências, uma rápida passagem horizontal por várias galerias. O sucesso do público, e teoricamente de vendas, as notícias de hoje eram que 80% das obras expostas haviam sido vendidas, não bate muito com minha avaliação da cidade de São Paulo e a estética de elite paulistana. Ou seja, virou moda, também, é claro que é uma forma de cultura de consumo fácil, assistir uma peça de um bom diretor, ler um bom livro da mais trabalho e menos status. Mas vale ver, entre os novos artistas o Pedro Varela, autor de imagens de duas capas da Virgília, Jeito brasileiro e Plano B, está em 3 galerias.

Autobiografia de ficcionista

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Gosto bastante de J. M. Coetzee, falta ainda uns dois livros importantes dele para ler, mas o acho alguém maduro, profundo e tem a vantagem de vir de um lugar mais profundo ainda, apesar de ter escolhido outro lugar mais leve para viver agora.

Neste último livro, Verão,  escreve a suposta biografia do escritor Coetzee, brinca com a ficção, na verdade, todos brincamos todos os dias com a ficção, alguns se perdem, outros, sequer se acham.

A vida pode ser divertida se for vivida de forma profunda, mas pode ser completamente fútil para quem tem como objetivo ser feliz… Viver em busca do sol…

Brasil x Portugal

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O escritor António Lobo Antunes é daqueles irônicos incorrigíveis, é essa a sensação que me restou depois de ve-lo em Paraty e acompanhar algumas entrevistas.

Como todo artista, tem no ego seu alicerce, alguns jogam para fora, outros para dentro, e na disputa com Saramago uma diversão. Nunca vi o outro portuga respondendo. Ao afirmar que deixou o Brasil para Saramago, não fiz muito sobre a realidade em outros países, por aqui, a diferença é grande, pelo menos em números de venda.

Os livros de Saramago já venderam mais de milhão, os de Lobo Antunes ainda não atingiram o patamar dos 100.000. O Nobel facilita, o tamanho dos livros, também…

O que uma maratona não faz… Correr: Jean Echenoz

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No próximo domingo vou encarar a maratona de São Paulo. Dessa vez não tem viagem, não tem surpresas de locais diferentes, só a velha e boa São Paulo, sem nada a ser desvendado, apenas a dureza da prova. Pior, o tempo não está ajudando, a previsão para domingo, melhor do que hoje, melhor do que ontem.

Na sexta, dia do livro, deixo aqui registrado o meu esquecimento, comprei Correr, Alfaguara, do francês Jean Echenoz. Vi que se tratava da vida de Emil Zatopek. Tinha e tenho esse nome no fundo da memória, sabia que era um grande corredor, ouvia do meu avô e em matérias de esporte, referência, mas desde que comecei a correr, e lá se vão quase 5 anos, não mais olhara para seus feitos.

Eles são muitos, só quem já correu sabe o desgaste e como os feitos que ele conseguiu foram impressionantes, 9 recordes mundiais está bom? Mas se a leitura é interessante, ela poderia ser muito mais, faltou vontade de romancear a vida de um gênio que foi manipulado por um regime ditatorial e que sofreu na pele e nas pernas a Primavera de Praga. Echenoz produziu quase um ensaio, não exagerou nas emoções, economizou-as, demais, não deu informações técnicas para um corredor, são poucos os feitos demonstrados em tempos, onde notas de rodapé poderiam explicar a evolução, seu ritmo e como estão os recordes hoje. É por isso que o livro é pequeno, porque ficou na essência e para mim, nesse caso foi uma falha.

Mas precisava de empolgação. Estou longe de Zatopek, mas quero dar minhas passadas por São Paulo.

O bicho homem é capaz de guardar por muito tempo…

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Finalmente fui assistir O segredo dos seus olhos. Filme do diretor Juan José Campanella com Ricardo Darín e Soledad Villamil. Gostei bastante, há uma certa forçada romântica no final, desde que vi o Temo, imaginei que poderia virar Te Amo, mas achei que a tentação não seria cedida… Cedeu, mas perdôo-os, pelo restante do que trás.

Além de uma ótima atuação dos atores principais, os olhos de Soledad falam realmente muito, o filme mostra como o homem consegue manter sentimentos fortes por décadas e como também muitas vezes consegue não agir, impotente diante de distâncias criadas por ele mesmo. Felizmente amores como aqueles não existem na prática, não precisam e não devem existir, ficam como arquétipos.

 É um filme forte, bonito, que te põe a pensar não pela cabeça, pelo estômago. Mostra como caráter e valores são questões pessoais e como regimes ditatoriais são geralmente podres. Infelizmente, regimes democráticos também, os argentinos que o digam. Muita poesia.

O inimigo sempre pode estar perto: resenhas de livros

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Em tempos de participação ativa de todos na vida de todos, os consumidores viraram também formadores de opinião, e aí é claro, existem alguns riscos, às vezes, muitos. O The Guardian falou sobre resenhas anônimas. Dá o exemplo de uma esposa que acaba entrando nos livros dos “rivais” do marido e faz severas críticas anônimas. Se quiser checar se essa esposa é mais dedicada do que a sua, clique aqui.

Só não dá para reclamar, ninguém pagou por isso mesmo. Ainda chegaremos no ponto onde a ilusão do grátis e perfeito vai ficar claro que não é inerente ao sistema. Ou então, quando as pessoas aprenderão como fazer para peneirar o joio do trigo, geralmente isso leva tempo, geralmente, pessoas preferem pagar por isso…

Poucos vislumbraram antes a geléia geral… Andy Warhol na Estação

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Olhe bem para as figuras acima. Responda rápido. Existe mesmo grande diferença entre eles? Olhe bem para os produtos abaixo, cercando seu criador, e entre eles, há diferença de nobreza e propósitos?

Fui à Estação Pinacoteca ver a exposição de Andy Warhol hoje. Acho que fiz as pazes com Warhol, apesar de totalmente irônico é dos meus, daqueles que se divertem apenas em constatar o que os outros ritualizam.

Primeiro cabe notar que existia público, as brincadeiras dele conseguem levar pessoas para o centro degredado de São Paulo, não é pouco, depois, fica claro o quanto ele foi capaz de jogar na cara das pessoas o que elas muitas vezes negam aceitar. Se tudo o que fez não é uma grande piada, uma ridicularização, com um discurso forte e contraditório, não sei  o que é. Dar o nome de Factory aos seus “estúdios”, e assinar as gravuras com Andy Warhol Inc., cobrando por serigrafias o que se cobram por pinturas, é mais ousado e desafiador que simplesmente se drogar e transar com todo mundo (apesar dele também fazer isso). A questão é que demora um pouco mais para ser entendido, se é que é possível.

Vale comparecer, não para se deliciar com os traços, as cores, no caso dele a internet não causa muita perda, vale para ler as frases de seu discurso, acompanhar um pouco da cronologia e sentir o espírito de ironia, muitas vezes, sem que o próprio talvez percebesse. O grande problema são os seguidores que não entendem os conceitos e copiam as formas.

A fantasia na terra da fantasia: Disney invade Brasília

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Não, você não está enxergando errado, é o pato Donalds no desfile de comemoração de 50 anos de Brasília. Triste o povo que celebra sua capital com personagens de desenhos animados. Mais triste é o povo que não pode distinguir a fantasia da fantasia, o personagem do personagem.

Se tivéssemos o mínimo de consistência cultural, diria-se não ao “oferecimento” da Nestlé e se dispensaria tal parada. Nosso mestre, verdade seja dita, combatente da ditadura e dos militares, apesar de namorar com ditadores, prefere ter também personagens de desenho animado e mundo da fantasia, não apenas nos prédios públicos, mas também nas ruas. Verdadeiramente poderá dizer que “nunca antes na história deste país” os patos, patetas e tantos outros personagens desfilaram no aniversário da capital. Aliás, isso é que é novo governador, nem bem eleito e já dá sinais da extensão da obra.

Parece país da piada pronta. Nem Nova York comemora seus aniversários assim, prefere que os personagens fiquem restritos aos parques. Mas a metáfora é possível ser levada adiante, tal lá como aqui, paga-se para entrar no parque de diversões e assistir a tal desfile. A vantagem é que lá é mais transparente, aqui, nem sempre é possível entender…

Porque odeio o neoclássico…

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A foto acima é da Vitrahaus, dentro do campus da Vitra, uma empresa alemã dedicada ao design. Vi no newsletter da Wish, e acabei indo até o site da Vitra. A única coisa ruim foi a enorme vontade de ir lá agora, mesmo com vulcão, conhecer de perto não só esse prédio, do escritório suíço Herzog & de Meuron (os mesmos que projetaram a futura sede da Companhia de Dança de São Paulo), mas todos os outros do Campus. Estão lá representados: Frank Gehry, Zaha Hadid, Tadao Ando, Jasper Morrison, Alvaro Siza entre outros. Olhando daqui, eis um exemplo de falar e fazer a mesma coisa, unidade entre discurso e prática. Se querem cobrar caro pelos produtos, investem, até mesmo na fábrica.

Vale dar uma circulada no link abaixo, o do campus da Vitra perto da Basiléia, quando passar sobre o desenho, abre uma foto. Cuidado para não se confundir com a área de São Paulo onde estão separados pelo Pinheiros o complexo do Shopping Cidade Jardim e o prédio da Daslu/Santander e outros shoppings, a semelhança é grande…

Ninguém é obrigado a deixar uma marca de arrojo ou apuro estético, mas também não precisa condenar os olhos, dos outros, a algo tão piegas e bobo.

 http://www.vitra.com/en-un/campus/architecture-tour/

Capital erótico: algo a ser considerado?

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Não fosse a fonte da discussão, a revista britânica Prospect, tão séria, a comprovação da seriedade é a tiragem de 30.000 exemplares, eu poderia ser acusado de machista ou preconceituoso, alguns poderiam até me acusar de reacionário, mas vi tal artigo no portal uol e por simpatia à fonte, dei uma checada.

No fundo, bate com o que eu já desconfiava, sim existe o que a socióloga Catherine Hakim denominou de capital erótico. E ela também tem suas credenciais, ensina na London School of Economics. O que é o tal capital erótico? É a vantagem que pessoas com mais predisposição a atrair outras no campo pessoal, levam, mais aí, no campo profissional.

O exemplo da matéria é o casal Obama e o casal Sarkozy. Mas eu acrescentaria a “insossa”, para os meus critérios, Sarah Palin, a mulher já faturou 12 milhões de dólares depois que deixou o governo do Alasca entre direitos autorais da sua biografia e palestras. Não me consta que tenha feito tamanha revolução nas geleiras quando governadora. É o não o tal capital erótico?

O artigo indica que pessoas com o tal capital ganham mais do que as que não o possuem e chega até mesmo a comparar a equivalência dele com um diploma universitário. Não adianta as bicho-grilos sem sal lá da USP reclamar, tendem a perder algumas posições para mulheres que não dedicam tanta atenção a essa parte da formação.

O mesmo é válido para homens? Sim, mas, de acordo com a socióloga e suas pesquisas, as mulheres se beneficiam mais da estratégia. Há tempos o tal capital intelectual foi trocado por outros modismos no mundo dos negócios, é claro que é importante, mas será que daqui a pouco teremos livros sobre esse capital erótico? Ouso dizer que não, o mundo está muito politicamente correto para tratar dessas verdades de forma não velada…

Uma vida abaixo da literatura - Franz Kafka

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Já li um, com certeza, talvez dois livros de Louis Begley. Foi com essa expectativa que mergulhei na biografia de Kafka, escrita por ele. Esperava uma história narrada com o estilo de seus romances, não é. Frustrante? Talvez, mas é verdade que na capa há a descrição: ensaio biográfico. E o livro tem muito de um ensaio, perdendo a riqueza de uma narrativa com nuances ficcionais.

Mesmo assim é uma leitura das mais interessantes, o personagem é complexo. Kafka morreu com 40 anos e aprovou pouco de sua obra, seu amigo Brod é diretamente responsável pela construção do mito, liberou livros e outros materiais que teriam na visão de Kafka (é verdade que não agiu), como destino a lata de lixo.

Li pouco dele, Metamorfose umas duas vezes, alguns contos e Carta ao pai, incluí O processo e O castelo na listagem de leitura. A relação dele com o pai é interessante, talvez sua sensibilidade não o deixou se impor diante de um homem que nunca deixou de ser o gigante de quem todos se imaginam ser filhos até determinada idade. Por que isso não mudou? De quem é a culpa? Essa não é uma abordagem forte do livro. Fica mais na relação do autor com as mulheres, sem nunca explicar de fato o problema a que sempre se referia nas cartas e nas questões de saúde. Valeu a leitura.

Há 50 anos que continuamos existindo

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Se você olhar na foto da esquerda, vai perceber que mesmo feio é possível se dar bem com as mulheres. Se olhar na foto da direita vai perceber que mesmo baixinho é possível se dar bem com as mulheres. Então tá fácil?

 Calma, não é bem assim. O que essas fotos não dizem é que dá para ser feio e baixinho, o que não dizem é que não se pode é ser burro e pobre. O baixinho aí acima, Jean-Paul Sartre, morreu há 50 anos e conquistava pela inteligência e fama. Filósofo, ideólogo, ganhou até um Nobel que não foi buscar, atraiu um tipo de mulheres. Existem outros baixinhos, menos interessantes do que ele, mas muito mais ricos que atraem vários tipos de mulheres, hoje, nessa sociedade transformada, muito mais popular. Machista eu? Não, observador.

Esqueci ontem de homenagear Sartre, antes um dia de atraso do que a omissão. Colaborou com o teatro, um pouco menos com a literatura e filosofia, e colocou, junto com sua eterna esposa, Simone de Beauvoir, muitos casais a discutirem a relação, ou ao menos, aos não tão corajosos, olhar para o silêncio do outro com olhos tão tortos quanto o de Sartre.

Leituras privadas, livros públicos

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Sou totalmente contrário à visões preconceituosas, não é porque você pega uma pessoa lendo um desses livros acima que poderá classificá-la de acordo com um critério que vai da inteligência à cultura. Alguém lendo A cabana em público pode ser simplesmente um curioso corajoso querendo entender o que tanto gente vê nesse fenômeno que já extrapolou o bom senso há muito, não que seja difícil entender. Bem como alguém lendo Crime e castigo em público pode ser apenas para fazer um tipo intelectual, alguém mais denso, com uma relação profunda com a vida.

Por isso, baixemos os preconceitos, mas só num primeiro momento. Quem leu Crime e castigo até o final é muito diferente de quem leu A cabana, só como ponto de partida. Então, já está na hora de deixar o preconceito de não analisar e analisar sim as pessoas pelos livros que elas lêem. Quem me convidar para sua casa ou escritório, saiba que uma das primeiras coisas que faço é avaliar os livros nas estantes, se não os têm, indicativo melhor impossível. Aliás, ainda me pergunto se é melhor não ter ou ter o que vejo algumas pessoas com? Sempre acredito que livro é como vinho, para chegar num complexo Malbec, foi necessário começar com raso Liebfraulmilch, que precisou do empurrão da garrafa azul, talvez, para chegar em livros de verdade, alguns precisem gostar por um tempo de Paulos Coelhos, Williams Youngs e Dans Browns (melhor parar porque a lista é longa)….

Marcelo Coelho fala um pouco sobre isso em sua coluna na Folha de hoje, cujo título plagiei no deste post, concordo com ele, é um problema do kindle e outros e-readers impedirem a automática avaliação, o que lamento, mas só não concordo com ele que estamos caminhando para o tal desaparecimento da vida em comum, aliás, concordo na essência, o que acho é que as pessoas não vão perceber o quão isoladas estão, relacionando-se de maneira tão fútil e superficial. Entende, faço tudo e não faço nada. Tenho centenas ou milhares de “amigos” e não tenho amigo sequer para lotar uma cabana…

Nem tudo precisa ser complicado…

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Fui ontem ao lançamento do livro do Fernando Reinach, A longa marcha dos grilos canibais. Iria porque sou amigo do irmão do autor, iria porque minha filha às vezes brinca com o filho dele, moro no mesmo prédio da sogra, mas fui mesmo por outra razão. Fui porque li uma crônica no Estadão há poucos dias e finalmente entendi a questão dos dinossauros, o autor tirou um peso da minha formação intelectual, há muito convivia com aquelas figuras, e, apesar de nunca ter sido um entusiasta, também nunca consegui responder adequadamente as perguntas do meu filho.

A crônica era exatamente sobre uma pergunta do filho dele. A explicação clara, não me deixou nenhuma dúvida, agora respondo à perguntas sobre dinossauros com certo conforto, dentro do limite leigo mas não ignorante. Na fila, li mais umas três crônicas e tive a certeza que não seria apenas um dinheiro social investido no livro, mas algo que contribuirá com um lado mais científico que a escola não me deu, talvez, também porque os professores que ensinavam nas escolas em que eu estudei, tampouco soubessem.

Leitura recomendada!

Mrs. Dalloway, Pondé, os monstros internos e a falta de livros

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Assumo que não li Mrs. Dalloway de Virgínia Woolf, aliás estou em débito com a autora, e quem se prejudica é claro que sou eu… Mas li a coluna do Pondé na Ilustrada de hoje e fiquei com muita vontade de ler o livro, procurei na internet e as edições da Nova Fronteira estão esgotadas… Quem ler a coluna e se interessar deve buscar a solução em algum sebo ou encalhe nas livrarias.

Lembro pouco do filme inspirado no livro, As horas, minha seletiva e errante memória lembra que a atriz, Nicole Kidman, chegou a fazer uma plástica para tal interpretação, que deve ter lhe dado algum prêmio, jurados são sensíveis a esses esforços, mas o que me interessou na coluna foram os monstros, sim os monstros internos que temos e não gostamos de admitir. Falava sobre isso ontem, a coluna foi quase sincronicidade, conceito que interpreto apenas de maneira ativa. É muito fácil se entregar a uma vida sem sentido, o vazio tem massa e ocupa espaço, desaloja e é mais comum do que gostamos de admitir, lutar contra ele também é muitas vezes uma ação desprovida de sentido, mas assumi que quero correr este risco, descobrir o vazio final, depois de muito esforço…

Ainda vou acabar lendo Woolf, mas se não lê-la agora, leia pelo menos a coluna do Pondé e de uma refletida, deixo aqui o final, como isca para você pegar do começo:”Entre as funções da civilização, uma é a tentativa de calar esses monstros criando ritos, rituais, festas para celebrar a frágil vitória contra essas criaturas deformadas, atormentadas pelo completo desinteresse pela vida. A verdade é que não há como civilizá-las, a não ser ensiná-las, que elas não têm lugar no mundo dos vivos e que, por isso, devem sucumbir à rotina da infelicidade como norma de vida”. Pessimista? Melhor checar!

Em biografia, existe invasão de privacidade?

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O Valor de ontem, caderno Eu & Fim de semana traz um interessante artigo do José Godoy, acho que não o conheço, editor e escritor. Discute como o mercado de biografias no Brasil ficou algo complexo devido às ações de biografados e herdeiros, ocasionando, em mais vezes do que o razoável, na recolhida do livro do mercado.

O quanto uma biografia é uma invasão de privacidade? O que nós queremos saber da vida dos outros. Biografias oficiais, correm o enorme risco de construir monstros, um tipo bastante específico deles, os falsos perfeitos. São biografados que tem o espelho interno e censurado como interface, não suportam e, talvez, sequer saibam que tem um lado humano, cheio no mínimo de contradições. Pecam ao se venderem perfeitos e facilmente serem desmascarados pelo primeiro que lê.

Já as biografias não-oficiais correm o risco da incompetência do autor e do editor, mas não foi esse o caso dos problemas que apareceram, foi uma tentativa de preservar imagem montada. Problemas, ou se perguntado ao biografado, soluções, como bebida, drogas, amantes, falcatruas acabam maculando a imagem ideal que fulano ou sicrano gostariam de ter ou que seus familiares tivessem. O público deveria saber, faz parte do processo global de entendimento da vida, o privado deveria aprender a aceitar a verdade, por mais duro que seja ter que encarar olhares de tantos imaginando que suposta relação ou pessoa não era tão “bonita” quanto parecia.

Advogo que a censura deveria caber aos editores, avaliando a integridade do autor e a qualidade do material. Isso seria o mais correto e produtivo para a sociedade como um todo, obrigaria muitas pessoas a ajustarem o molde de suas máscaras às características de seus caráteres.

Novo livro da Virgília: Adiante, é preciso olhar o todo

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Finalmente o livro do professor Simon Dolan, Adiante,  chegou às livrarias, um pouco depois da passagem dele pelo país, mas antes da próxima visita. Diretor da Esade, está ficando “figurinha carimbada” no Brasil, mérito de entregar o que fala. Nesta obra a parceria é com Mario Raich.

O livro é um novo frame para quem está no mundo dos negócios, reconhece todos os ângulos tradicionalmente não abordados nas salas de conselho e presidências Brasil afora, na verdade, mundo afora. É daqueles que mostra que está na hora de olhar além, adiante da última linha das demonstrações de resultados. Dá uma checada, quanto mais empresas derem este passo adiante, mas fácil será a vida da sociedade como um todo. Clique aqui ou na capa para ver todos os detalhes