Em biografia, existe invasão de privacidade?
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O Valor de ontem, caderno Eu & Fim de semana traz um interessante artigo do José Godoy, acho que não o conheço, editor e escritor. Discute como o mercado de biografias no Brasil ficou algo complexo devido às ações de biografados e herdeiros, ocasionando, em mais vezes do que o razoável, na recolhida do livro do mercado.
O quanto uma biografia é uma invasão de privacidade? O que nós queremos saber da vida dos outros. Biografias oficiais, correm o enorme risco de construir monstros, um tipo bastante específico deles, os falsos perfeitos. São biografados que tem o espelho interno e censurado como interface, não suportam e, talvez, sequer saibam que tem um lado humano, cheio no mínimo de contradições. Pecam ao se venderem perfeitos e facilmente serem desmascarados pelo primeiro que lê.
Já as biografias não-oficiais correm o risco da incompetência do autor e do editor, mas não foi esse o caso dos problemas que apareceram, foi uma tentativa de preservar imagem montada. Problemas, ou se perguntado ao biografado, soluções, como bebida, drogas, amantes, falcatruas acabam maculando a imagem ideal que fulano ou sicrano gostariam de ter ou que seus familiares tivessem. O público deveria saber, faz parte do processo global de entendimento da vida, o privado deveria aprender a aceitar a verdade, por mais duro que seja ter que encarar olhares de tantos imaginando que suposta relação ou pessoa não era tão “bonita” quanto parecia.
Advogo que a censura deveria caber aos editores, avaliando a integridade do autor e a qualidade do material. Isso seria o mais correto e produtivo para a sociedade como um todo, obrigaria muitas pessoas a ajustarem o molde de suas máscaras às características de seus caráteres.
