12 de Abril de 2010

Mrs. Dalloway, Pondé, os monstros internos e a falta de livros

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Assumo que não li Mrs. Dalloway de Virgínia Woolf, aliás estou em débito com a autora, e quem se prejudica é claro que sou eu… Mas li a coluna do Pondé na Ilustrada de hoje e fiquei com muita vontade de ler o livro, procurei na internet e as edições da Nova Fronteira estão esgotadas… Quem ler a coluna e se interessar deve buscar a solução em algum sebo ou encalhe nas livrarias.

Lembro pouco do filme inspirado no livro, As horas, minha seletiva e errante memória lembra que a atriz, Nicole Kidman, chegou a fazer uma plástica para tal interpretação, que deve ter lhe dado algum prêmio, jurados são sensíveis a esses esforços, mas o que me interessou na coluna foram os monstros, sim os monstros internos que temos e não gostamos de admitir. Falava sobre isso ontem, a coluna foi quase sincronicidade, conceito que interpreto apenas de maneira ativa. É muito fácil se entregar a uma vida sem sentido, o vazio tem massa e ocupa espaço, desaloja e é mais comum do que gostamos de admitir, lutar contra ele também é muitas vezes uma ação desprovida de sentido, mas assumi que quero correr este risco, descobrir o vazio final, depois de muito esforço…

Ainda vou acabar lendo Woolf, mas se não lê-la agora, leia pelo menos a coluna do Pondé e de uma refletida, deixo aqui o final, como isca para você pegar do começo:”Entre as funções da civilização, uma é a tentativa de calar esses monstros criando ritos, rituais, festas para celebrar a frágil vitória contra essas criaturas deformadas, atormentadas pelo completo desinteresse pela vida. A verdade é que não há como civilizá-las, a não ser ensiná-las, que elas não têm lugar no mundo dos vivos e que, por isso, devem sucumbir à rotina da infelicidade como norma de vida”. Pessimista? Melhor checar!

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