Leituras privadas, livros públicos
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Sou totalmente contrário à visões preconceituosas, não é porque você pega uma pessoa lendo um desses livros acima que poderá classificá-la de acordo com um critério que vai da inteligência à cultura. Alguém lendo A cabana em público pode ser simplesmente um curioso corajoso querendo entender o que tanto gente vê nesse fenômeno que já extrapolou o bom senso há muito, não que seja difícil entender. Bem como alguém lendo Crime e castigo em público pode ser apenas para fazer um tipo intelectual, alguém mais denso, com uma relação profunda com a vida.
Por isso, baixemos os preconceitos, mas só num primeiro momento. Quem leu Crime e castigo até o final é muito diferente de quem leu A cabana, só como ponto de partida. Então, já está na hora de deixar o preconceito de não analisar e analisar sim as pessoas pelos livros que elas lêem. Quem me convidar para sua casa ou escritório, saiba que uma das primeiras coisas que faço é avaliar os livros nas estantes, se não os têm, indicativo melhor impossível. Aliás, ainda me pergunto se é melhor não ter ou ter o que vejo algumas pessoas com? Sempre acredito que livro é como vinho, para chegar num complexo Malbec, foi necessário começar com raso Liebfraulmilch, que precisou do empurrão da garrafa azul, talvez, para chegar em livros de verdade, alguns precisem gostar por um tempo de Paulos Coelhos, Williams Youngs e Dans Browns (melhor parar porque a lista é longa)….
Marcelo Coelho fala um pouco sobre isso em sua coluna na Folha de hoje, cujo título plagiei no deste post, concordo com ele, é um problema do kindle e outros e-readers impedirem a automática avaliação, o que lamento, mas só não concordo com ele que estamos caminhando para o tal desaparecimento da vida em comum, aliás, concordo na essência, o que acho é que as pessoas não vão perceber o quão isoladas estão, relacionando-se de maneira tão fútil e superficial. Entende, faço tudo e não faço nada. Tenho centenas ou milhares de “amigos” e não tenho amigo sequer para lotar uma cabana…
