Arquivo: Maio de 2010



Picasso no Met, não vale a visita…

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A exposição do Picasso no Metropolitan Museum faz barulho. Mas o barulho é maior do que sua extensão. Picasso é um artista amplamente visto, todos os grandes museus têm obras suas, vários em quantidade, produziu e se divertiu bastante. O Met não é o exemplo de melhor casa com sua obra, quem começou a coleção foi sua amiga e escritora Gertrude Stein, retratada por ele e reproduzido acima. Ouso dizer que o que tem de Picasso no Moma, nem tudo à mostra, se bem que a concorrência faz todos destacarem o espanhol na cidade, é melhor do que está no Metropolitam. Também não se se estou errado, mas havia uma sala onde numa das paredes todos os desenhos se chamavam bacanal alguma coisa, era a parede mais vazia, talvez também a mais desejada numa sociedade tão moralista.

Há também uma interessante exposição sobre a mulher americana, pena que para nos anos 30 ou 40 do século XX, mostrou o quanto as mulheres enfrentaram obstáculos para conquistar espaço e direito. Patrocinada pela Gap, dá grande ênfase na moda, mas não trouxe a presença da mulher nos últimos anos, acho que se negou a enfrentar pontos difíceis e controversos, seria muito melhor ter um panorama até agora.

No mínimo descobri uma artista que eu não conhecia e gostei muito Alice Neel, autora de portraits interessantes, como os colocados acima. Concordei com o débito de 20 dólares por pessoa na entrada. Sai com a vontade de pedir no mínimo uns 10 dólares de volta…

Como identificar o início ou o fim da decadência: A humilhação

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Como previsto, li A humilhação rapidinho, um pouco mais devagar do que o planejado, precisei de dois aviões para matar o último livro do Philip Roth. Vai virar filme do Al Pacino. É a história de um grande ator que se defronta com o final de suas habilidades profissionais e tenta retomar isso por uma mulher. Falado assim, podia ser o enredo de qualquer escritorzinho que tenha superado os ideais de príncipes, princesas e sereias ou de um mundo ideal.

Nas palavras de Roth tudo fica mais denso, felizmente (quem escolheu esta palavra foi minha inteligência) e a mulher que interage com o ator é a filha de amigos dele que não obtiveram o sucesso e reconhecimento que ele obteve. Também uma mulher que tem seus poucos momentos como tal durante a relação com ele. Roth é música para os meus ouvidos quando se trata da disputa entre humanos, é impressionante nossa capacidade de voltar a pontos, como disputamos as vitórias, nos menores e maiores pontos possíveis.

O personagem de Roth finalmente consegue se mover, abandonado pela mulher tão mais jovem, com raiva dos ex-amigos, desiste de encarar o coach profissional e decide por ele mesmo.

Deixo duas observações despretensiosas do narrador: (esta é de um personagem) O que você vai fazer com todos os papéis que está maduro para interpretar? (não é verdade, para quantas coisas na vida agora você está mais qualificado do que antes, o que faz diante delas?); Ela só queria se livrar dele para satisfazer o desejo humano, tão comum, de tocar para a frente e tentar uma coisa nova… Não me diga que neste exato instante não há uma dúvida desta te atormentando…

O iPad, a leitura, a gostosa e o nerd…

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Se você pudesse escolher entre as duas opções acima, com que preferiria passar uma noite? Responda rápido. Acredito que alguns nerds da indústria editorial sentiriam-se tentados a escolher a da direita. Eu, mesmo com o tanto que tenho para ler, prefiro carregar a Cruz da esquerda, minha mulher que me perdoe.

Mas por que coloquei Penélope Cruz e o iPad no mesmo post? Por que é assim que me senti depois que o meu chegou. Lembro que passei 3 dias na feira do livro só ouvindo falar dele, ou seja, o mercado todo só falando disso, e eis que quando ele chega descubro que sequer instalado o tal do iBooks está, é preciso baixar, ou seja, não se posiciona como um leitor digital, sim como um aparelho que faz várias coisas, inclusive onde se é possível ler. Daí me veio essa imagem do nerd que um dia até consegue comer a gostosa, mas ela deu para ele por pena, sei lá, por outras razões, mas ele gosta mesmo é de sair com outros, a dele foi um acaso. É isso, a Penélope Cruz dos gadgets atuais, o iPad, esgotado nas lojas da Apple, nem a capa protetora se encontra, ás vezes sai com um livro, mas o negócio dele é outro, são os vários apps, vou tentar ler e daí falar com mais conhecimento de causa, mas adianto que fiquei frustrado.

Outro ponto, será que a Amazon pode vir a cometer o mesmo erro que a Apple cometeu no passado. Existe um software desenvolvido pela Baker & Taylor, uma distribuidora de livros, o Blio, bem interessante, que funciona com todos os aparelhos, menos com o Kindle, vem um jogo pesado aí, a Apple quando se fechou não tinha a força que a Amazon tinha, e dá para ver na feira, que tanto Amazon quanto Google estavam lá buscando o apoio dos editores. Saio da feira com a sensação que o mundo editorial é tão vasto que esses grandes players estão convencidos que também precisam editores. Ou seja, mais um ano onde não acho que a minha profissão vai acabar.

Aliás, no metrô de NY, só topei com um Kindle, e ainda vários livros em papel. As pesquisas, já comentei aqui, apontam para uma curva ascendente. Hoje aliás acabei de ver um leitor com um livro carimbado, da biblioteca pública de Nova York, como será o empréstimo de livros virtuais? Por quanto tempo ficaremos com o livro? Que novas regras o mundo vai criar ???

Espelho LXXVI

Ser humano é esconder fantasias e soltá-las em personagens alheios…

Uma noite no museu, e não estava sozinho…

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A bienal 2010 do Whitney Museum acaba nesta sexta, mas desde hoje, o museu não fecha, isso mesmo, 24 horas de possibilidade para visitar o museu. Meu filho adolescente deve ainda preferir o tal filme, comédia deste país, mas eu fui lá e não estava sozinho, tinha uma galera metida a interessada e inteligente, inserida no mundo das artes.

Gostei mais desta bienal do que da anterior, parece que a pintura retomou um pouco de espaço, assim como alguns consagrados também, é verdade que por uma visão retrospectiva. Mas se o restante é ok, os dois quadros acima valem a visita: Diebenkorn e Schnabel, Menina olhando a paisagem e Esperança. O nível de experimentação cai, o nível geral, sobe e isso é positivo. Para quem gosta de arte contemporânea, algo para faze depois da balada ou antes de ir para a reunião.

De 5 a quantos %?: Leitura digital

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Hoje a Apple fechou o dia em Wall Street valendo mais do que a Microsoft, pela primeira vez na história. Será a vitória dos transados sobre os nerds? Mas quem tem planos de comprar um iPad vai precisar pagar o velho e bom ágio, tão familiar aos brasileiros. Paguei, porque nas lojas da Apple o produto não existe, o meu, comprado via Amazon, isso mesmo, a grande concorrente da Apple no mercado de leitura digital, deve chegar amanhã.

Hoje passeie pelos corredores lotados da BEA, a principal feira de livros dos Estados Unidos. Fiquei surpreso, além de cheio, vi mais gente jovem do que de costume, será que é a nova geração de editores e livreiros tentando entender o que vai acontecer com a leitura e o livro.

Nas discussões só se fala do digital, do quanto o Kindle e o iPad mudaram e mudarão a relação do homem com o velho hábito, antes aristocrático, da leitura. No Brasil, nem aristocrático, nem popular, se lê muito pouco mesmo, por falta de condição econômica e por falta de educação e valorização da cultura mesmo.

Mas a coisa parece que está ficando feia para os editores e profissionais do livro que não queiram olhar para isso com muita atenção. Ninguém sabe o que fazer, mas parece que a mudança desta vez é para ficar. Ainda vou conseguir ler num deles.

Hoje, as vendas representam 5%, as estimativas falam em 25% em 2012. Não há dúvidas que vai subir e mau gosto à parte, parece que coincidiu com a quebra da patente do Viagra, sobe turbinado. Se alguém aí tiver idéias para o que fazer para continuar em contato com o leitor, bem-vindas. Aliás, quem já abandonou o papel?

Marina Abramovic: nunca vi o Moma tão cheio

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Confesso não ser um grande apreciador de performances. Na maior parte das vezes, por pura educação. Isso mesmo, por não achar adequado expressar para o artista a minha indignação com a besteira que acabou de fazer, era assim até ver a retrospectiva da Marina Abramovic no Moma. Sim, já vi muita performance que o artista precisa avisar o público que já acabou, e garanto que essa não era a intenção inicial, não discutia o limite da obra…

Mas depois de encarar uma fila grande, nessas horas dá sempre aquela vontade de pertencer a uma minoria esclarecida, olhar tudo com maior tranquilidade é sempre mais gostoso (as fotos do Cartier-Bresson pedem um pouco mais de contemplação, exposição secundária do museu). Já tinha visto algumas performances dela, todas em vídeo, agora algumas em vídeo, várias ao vivo, inclusive uma com a própria artista e com a possibilidade de interação do público. A fila estava grande, só por isso não participei, porque para o público sobrou moleza, nada dos riscos e dores que a artista iugoslava (que país é este? Agora é sérvia) se submeteu. Já se mutilou com objetos cortantes, já interagiu com animais, já testou o limite da dor e já trabalhou bastante o corpo.

É impressionante o quanto, ainda em 2010, uma pessoa se questiona como passar entre dois corpos nus. Se de um lado há uma mulher com seus seios salientes que serão quase que inevitavelmente tocados com o corpo, de outro, há um homem, com seu pênis. Essa simples reflexão já agrega vários pontos.

O vídeo do estapeamento também é forte. O que fazem duas pessoas depois de se espancarem por algumas horas? E jogarem-se contra a parede ou contra o corpo do outro?

É o tipo de arte que mexe com você sem pedir permissão para o consciente. Vai direto ao corpo. Até o final do mês apenas. Quem estiver por NY deve enfrentar as filas.

Estreito de Bering: nem lembrava mais dele. Museu de Antropologia

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Eu pouco lembrava do estreito de Bering, prova que muito do que aprendemos vem antes da maturidade necessária. Quando ouvi sobre ele, devia ainda estar infestado pela formação religiosa que tive, aí, mais Adão e Eva e menos evolucionismo, por mais que eu tenha passado longe do puritanismo e do criacionismo.

Quem passar pela Cidade do México não deve perder a oportunidade de visitar o Museu de Antropologia. Além de uma bela instalação arquitetônica, traz uma retrospectiva do homem na terra, sempre útil e muita da diversidade cultural daquele país. Confesso que não fui fundo para saber a diferença entre os povos, entre os bordados, mas é impressionante como há uma riqueza em tradições que pouco a pouco vão diminuindo, até mesmo envergonhando os jovens, doidos para adotar rápido o protótipo dos vizinhos de cima.

Estreito de Bering. Quando li, o nome me soou familiar, mas confesso que até confundi com o Canal do Panamá, dois lugares estreitos, estreito está mesmo é minha memória e meus conhecimentos. O fato é que é o ponto onde os continentes Ásia e América quase se comunicam, possibilitando a passagem do homem, originário da África, para as Américas, antes da tecnologia das locomoções.

Há, lá, como qualquer museu de antropologia ou história natural, dá para lembrar que o homem apareceu há 2,5 milhões de anos e do australopithecus virou homo, depois homo erectus, depois sapiens e agora somos sapiens sapiens, se bem que tenho a certeza de conviver com alguns neanderthais em vários campos. Aliás, se fôssemos mesmo sapiens sapiens, nós editores venderíamos mais livros…

Vale a visita!

Homenagens sem fruto…

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Nunca havia estado diante de uma pirâmide antes. Confesso que já cai em alguns contos de pirâmides, mas há algum tempo, se os anos fazem cair algumas coisas, fazer também subir a inteligência.

Quando fui visitar as pirâmides perto da cidade do México, desconsiderei o cansaço de 9 horas de vôo, sim, fui direto do aeroporto, e além da caminhada no sítio arqueológico, resolvi subir todos os degraus, sei lá quando estarei no Egito ou no Peru, fui de pirâmide asteca mesmo. Elas têm dois mil anos e, brincadeiras à parte, parece que os deuses não se sensibilizaram com a homenagem, apesar de um povo bem interessante, festivo, o país tem um tráfico caótico e uma série de problemas.

É mania humana, rituais e monumentos em busca de algo que quase nunca vêem, mas no mínimo, serve para que as gerações futuras olhem para o passado e tentem dele extrair algo. É humano não saber se olha-se para trás ou para frente, sempre mais fácil do que o agora…

Do suco saiu a arte: Jumex Collection

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Este aí acima ainda não é o prédio que abriga a coleção Jumex de arte contemporânea. Será em 2 ou 3 anos. por enquanto a galeria ainda fica atrás da fábrica de sucos, na cidade do México, ou perto delas, o trânsito lá é dos mais confusos.

A exibição em cartaz, tive o privilégio de uma visita exclusiva a um grupo de 10 pessoas, curadoria do brasileiro Adriano Pedrosa é interessante, relaciona-se à viagem, movimento. Há outra “brincando” com a cor branco. Mas o mais inusitado é poder ver um prédio de arte literalmente dentro de uma fábrica.

O pai Eugenio apoio o filho, também Eugenio e montaram uma das principais coleções de arte contemporânea do continente. O filho tem 42 anos e a coleção tem 17 e vem ganhando destaque.

Vale a pena conhecer. Conversei com Eugenio que contou que o prédio novo ficará em frente ao museu do Slim, o Soumaya, é claro que menor, segundo ele, diferença proporcional ao patrimônio, mas a grande diferença mesmo é que um olha para trás, o outro, para o agora.

No Brasil, excessões existem, mas ainda é pouco. Preciso rápido visitar Brumadinho… Se quiser conhecer um pouco mais da coleção Jumex, clique aqui.

Uma bela trinca a mais

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Acuso meu filho de mau comportamento quando quer ir em pré-estréia de filme, ou comprar um jogo novo. Apesar de criticar, identifico meus genes nessa história. É claro que estou há dois dias me martirizando para ter logo o novo livro do Philip Roth.

Hoje, em vias de encarar algumas horas de vôo, desculpa perfeita. Em breve falo sobre A humilhação aqui. Aos desavisados, não se esqueça da minha tietice pelo Roth, quem no mínimo me ensinou a não rir em fotos…

Já havia ensaiado comprar 2666 do Bolaño em inglês, ainda quando não estava determinado a ser um “profundo” interado em literatura, ainda bem que não o fiz, quando decidi, assumi que a única língua capaz de me fazer sentir os sentimentos mais verdadeiros e profundos, mesmo que não se expressem por palavras, é o português. Comprei agora o livrão do Bolaño. Esse ano a coisa está complicada para a leitura, não tenho conseguido passar de três por mês, com esse tanto de página, é sacrificar ainda mais a média, mas pretendo em breve fazer.

Por fim, Não contem com o fim do livro. Leitura quase profissional, discutir a questão tecnológica, mas também leitura para senti-se mais inteligente, coisa que aparece em todo livro de Umberto Eco. 

A ilusão da justiça

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Quem acompanha este blog, meus comentários de leitura e os livros que entram na minha biblioteca, sabe o quanto admiro a Companhia das Letras, mas deixar O processo ficar esgotado é sinal vermelho, ponto negativo no caderno de chamada.

Deu um trabalho comprar nos sebos (por que não quis a edição de bolso? Porque é menor e porque meus outros livros do Kafka são dessa coleção), é fácil encontrar umas edições duvidosas, nem todo livro, é o mesmo livro…

Agora já me sinto menos burro, ainda falta O castelo e outros poucos, mas pelo menos a visão de Franz Kafka sobre culpa, acusação e artimanhas da justiça, já tenho.

Prefiro essa criação do que a da barata, o absurdo tem um paralelo muito próximo às formas normais, possíveis no dia-a-dia, menos caricato. O livro faz a gente pensar sobre como passamos a vida tentando entender sobre o que somos julgados. E também, essa incessante mania humana de agir de um lado, contra a justiça, de forma tacanha, e de outro, querer acreditar que ela existe. É dessa neurose humana que o livro fala, e fala bem. Já tinha lido a história do porteiro e do homem do campo. Não é só para entrar na lei que as barreiras aparecem e precisam ser destruídas. Essa é uma das mais belas criações. A falha é que muitos a lêem e ficam exatamente como o homem rural…

Ah, é claro que parece que o ritmo da justiça brasileira escolheu homenagear o autor tcheco.

Não dá para entender, mas dá para valorizar!

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Não costumo falar de filmes assistidos em dvd, é a solução para vários clássicos, mas falo pouco disso aqui no blog. Mas A partida, do diretor japonês Yojirô Takita, merece ser exceção. Das categorias do Oscar, a que costumo levar mais a sério é a que ele ganhou, Melhor Filme Estrangeiro.

Um filme sensível que discute sonhos e fracassos, enfrentamento de realidades e a possibilidade de descobertas novas e dignas, mesmo em situações extremas. Também muito interessante é a aula de cultura japonesa e o quão distante está da nossa.

Para mim este filme discutiu morte, relação pai e filho e coisas sublimes na vida de forma muito delicada. O universo cultural da tela é totalmente japonês e distante do nosso, mas é muito fácil se enxergar naquele ritual, mesmo sabendo que os que irá participar não terão quase nada deles, mas terão o mais importante, o universal. O ser humano se apega a algumas coisas em todas as partes do mundo.

Se você assistir e não gostar, comece a repensar se não está mergulhado demais no modelo cultural dos americanos jecas…

Atenção povo de São Paulo, é só ir para as ruas: Virada Cultural 2010!

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O tempo deu uma melhorada, não está quente, tampouco o tipo de frio que quase obriga os sensatos a ficarem em casa. Está começando agora a Virada Cultural 2010, paulistanos e visitantes da cidade ganham várias opções para celebrar o que São Paulo tem de melhor até o final do dia de amanhã.

Sim, a virada é isto, um pouco da vantagem do preço que se paga por morar em São Paulo. O trânsito é caótico, a insegurança grande, tudo é caro, a cidade é feia, o povo sem tempo, mas nesses momentos São Paulo ganha vida, consegue minimamente competir com as praias do Rio de Janeiro, com a estrutura de cidades européias. Em São Paulo há vida, há gente de vários tipos e isso se encontra na Virada. Talvez esteja aqui apenas defendendo algo que não farei, por deficiências de logística familiar, mas essa é uma ótima ação da prefeitura, que espero esteja sendo controlada dentro dos parâmetros para que a ganância e ambição de poucos não destrua a diversão e oportunidade de muitos.

São esperadas 4 milhões de pessoas. Quando li a programação da rua Vieira de Carvalho, lembrei dos saudosos tempos de Casa Ricardo, Rubayat e outros restaurantes. Quando Ricardão era apenas um ótimo sanduíche de pastrami e repolho na Casa Ricardo e quando o tempo que eu gostava de toda essa breguice abaixo, estava menos distante. O tempo me afastou desses artistas abaixo, fechou esses estabelecimentos e a cidade se renovou.

Palco divertido e nostálgico compõe uma festa para agradar todas as idades. Rua Vieira de Carvalho

19h00 Arrigo Barnabé – Caixa de Ódio: o Universo de Lupicínio Rodrigues

21h00 Banda Desengonçalves – Canções de Nelson Gonçalves

23h00 & LOS SINATRAS apresenta um set só com músicas lentas e românticas pra todo mundo dançar coladinho e deixar o AMOR fluir à vontade em pleno centrão de SP">Frank Elvis & los Sinatras – Baile da Vassoura

01h00 Sidney Magal

03h00 Luis Caldas

05h00 Double You

07h00 Brothers of Brazil

09h00 Waldirene

11h00 Jerry Adriani

13h00 Angelo Maximo

15h00 Vanusa

17h00 Wanderléa

É claro que tiro fora do meu comentário o Arrigo Barnabé e o falecido Nelson Gonçalves. Clique aqui e cheque a programação completa. Mas se já esqueci das músicas de Jerry Adriani, Angelo Máximo, de Vanusa lembro talvez algumas, além do hino nacional, da Wanderléia, apenas a participação na Jovem Guarda, e de Sidnei Magal, tenho a cigana no fundo da memória…

Finalmente minha filha foi assistir Alice no país das maravilhas…

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Minha filhota de 6 anos não corre mais o risco de ser discriminada ou perseguida na escola ou nas rodas sociais, desde hoje, já se inseriu e assistiu ao filme de Tim Burton. Ela disse que gostou, estavam também mais duas amiguinhas, que já tinham assistido, um pai, minha mulher e meu filho, este fazendo repeteco para não ficar sozinho.

Eu não gostei. Pior, assumo que estou ficando velho e chato, mas não o suficiente para ter retornado à infância, acredito que estou mais para ser pego por alguns filminhos água com açúcar de Hollywood, do que com esta tal superprodução. Imaginava algo mais pop, mas não neste sentido de infantilização das crianças. Esses filmes da Dreamworks e da Disney, acho que virou tudo a mesma coisa, pelo menos parece, estão arrebentando de ganhar dinheiro, mas a outra categoria que deve ganhar também são os psis. Haja kidult para ser consolado depois…

Ah, também prefiro assumir meus óculos de visão, falta de visão de perto, do que esses 3Ds. Já vivo a vida em 3Ds, estava bem feliz com os filmes do jeito que eram, aliás, continuo preferindo os livros, a terceira dimensão está na minha cabeça. 3Ds é coisa para preguiçoso, tentativa de trazer até o susto ao colinho. Espero que não lançem Bergman em 3D!

+1 livro e outro livro sobre livros

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As críticas sobre este último Paul Auster, Invisível,  não são das mais positivas, parece um trabalho digno de um escritor competente, nada muito além disso. Mesmo assim, comprei. Há um incesto, algo sempre interessante de ver como o autor abordou, é uma história sobre literatura, talvez leia. Ainda fica na dúvida entre os clássicos e alguns contemporâneos, alguns.

A questão dos livros de Robert Darnton me parece leitura técnica e profissional. Já falei sobre ele aqui na semana passada.

Clube do livro em escala e matéria sobre construtivismo na Veja

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Escolher a capa de um livro de design para falar sobre construtivismo é uma provocação a matéria da Veja desta semana e também sobre os clubes de livros que estão se organizando no twitter. Como editor até poderei vir a utilizar desta ferramenta como ação de marketing, mas como leitor, confesso que prefiro discussões minimamente referendadas. Ou seja, número de comentários diz pouco, aliás, pode apenas dispersar.

É a mesma crítica presente na matéria da revista que relata que 6 em cada 10 crianças brasileiras estudam em escolas ditas construtivistas. Qual o problema? O problema é que os conceitos iniciais foram se transfigurando e possivelmente construtivismo virou sinônimo de falta de metas objetivas, sinônimo de aprendizado de acordo com a vivência. A web pode ser uma aproximação interessante e fundamental de cabeças privilegiadas e em outro lado do mundo, mas a possibilidade de para se aproximar dessas cabeças ter que conviver com outras, totalmente desprezíveis é uma perda de tempo enorme.

Eu não vou juntar ao grupo Um Livro, um twitter, não quero agora ler Deuses americanos de Neil Galman, muito menos saber o que os integrantes deste grupo, pessoas de quem não sei nada, acham. Ou estou velho demais, ou ainda acho que aprender com quem sabe é mais rápido e produtivo do que bater cabeças com pessoas mais perdidas do que você. É claro que a troca é benéfica, mas ao invés de ler os tweets dos outros leitores, que tal ler um outro livro? Ainda me parece melhor, dinossauro eu? Talvez. O tempo dirá se sobreviverão Shakespeares, Dantes, Balzac e outros ou os grupos wikis, dispostos a falar e escrever mais do que ler. ..

Flip 2010, bastidores?

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Há um artigo do Flávio Moura no Caderno2 de hoje, supostamente falando sobre os bastidores da organização da Flip. Para nossa sorte o Flávia faz melhor o trabalho dele do que descreve os bastidores.

O artigo fala pouco sobre os bastidores, poderia refletir melhor a fogueira de vaidades que gira em torno de tudo aquilo. Não que eu defenda, é claro que também tenho um fofoqueiro dentro de mim, aliás, tenho um sobrenome que me condena, Candido, quanto esse lado já se revelou no passado, já fui gozado com um Candinha…, mas se coloca no nome, deveria não apenas matar a cobra mas também mostrar o pau. Isso Flávio ficou devendo. Revelar que George Steiner “cagou” para o Brasil, é pouco.