Marina Abramovic: nunca vi o Moma tão cheio
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Confesso não ser um grande apreciador de performances. Na maior parte das vezes, por pura educação. Isso mesmo, por não achar adequado expressar para o artista a minha indignação com a besteira que acabou de fazer, era assim até ver a retrospectiva da Marina Abramovic no Moma. Sim, já vi muita performance que o artista precisa avisar o público que já acabou, e garanto que essa não era a intenção inicial, não discutia o limite da obra…
Mas depois de encarar uma fila grande, nessas horas dá sempre aquela vontade de pertencer a uma minoria esclarecida, olhar tudo com maior tranquilidade é sempre mais gostoso (as fotos do Cartier-Bresson pedem um pouco mais de contemplação, exposição secundária do museu). Já tinha visto algumas performances dela, todas em vídeo, agora algumas em vídeo, várias ao vivo, inclusive uma com a própria artista e com a possibilidade de interação do público. A fila estava grande, só por isso não participei, porque para o público sobrou moleza, nada dos riscos e dores que a artista iugoslava (que país é este? Agora é sérvia) se submeteu. Já se mutilou com objetos cortantes, já interagiu com animais, já testou o limite da dor e já trabalhou bastante o corpo.
É impressionante o quanto, ainda em 2010, uma pessoa se questiona como passar entre dois corpos nus. Se de um lado há uma mulher com seus seios salientes que serão quase que inevitavelmente tocados com o corpo, de outro, há um homem, com seu pênis. Essa simples reflexão já agrega vários pontos.
O vídeo do estapeamento também é forte. O que fazem duas pessoas depois de se espancarem por algumas horas? E jogarem-se contra a parede ou contra o corpo do outro?
É o tipo de arte que mexe com você sem pedir permissão para o consciente. Vai direto ao corpo. Até o final do mês apenas. Quem estiver por NY deve enfrentar as filas.
