Como identificar o início ou o fim da decadência: A humilhação
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Como previsto, li A humilhação rapidinho, um pouco mais devagar do que o planejado, precisei de dois aviões para matar o último livro do Philip Roth. Vai virar filme do Al Pacino. É a história de um grande ator que se defronta com o final de suas habilidades profissionais e tenta retomar isso por uma mulher. Falado assim, podia ser o enredo de qualquer escritorzinho que tenha superado os ideais de príncipes, princesas e sereias ou de um mundo ideal.
Nas palavras de Roth tudo fica mais denso, felizmente (quem escolheu esta palavra foi minha inteligência) e a mulher que interage com o ator é a filha de amigos dele que não obtiveram o sucesso e reconhecimento que ele obteve. Também uma mulher que tem seus poucos momentos como tal durante a relação com ele. Roth é música para os meus ouvidos quando se trata da disputa entre humanos, é impressionante nossa capacidade de voltar a pontos, como disputamos as vitórias, nos menores e maiores pontos possíveis.
O personagem de Roth finalmente consegue se mover, abandonado pela mulher tão mais jovem, com raiva dos ex-amigos, desiste de encarar o coach profissional e decide por ele mesmo.
Deixo duas observações despretensiosas do narrador: (esta é de um personagem) O que você vai fazer com todos os papéis que está maduro para interpretar? (não é verdade, para quantas coisas na vida agora você está mais qualificado do que antes, o que faz diante delas?); Ela só queria se livrar dele para satisfazer o desejo humano, tão comum, de tocar para a frente e tentar uma coisa nova… Não me diga que neste exato instante não há uma dúvida desta te atormentando…
