Arquivo: Junho de 2010



Compro jornal em busca de coisa séria… Não de 3D…

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Caros Otávio Frias Filho e Ricardo Gandour

Gostaria de reforçar minha posição de leitor da Folha há mais de 30 anos e do Estado há mais de 20 anos. Decidi há 20 anos que leria os dois jornais em busca de conteúdo e principalmente de análises mais completas e profundas. Quando quiser me divertir, procurarei outras mídias, nessa, sonho com a qualidade dos textos, a imparcialidade, a opinião que pode me ajudar a formar minha posição.

Ontem recebi a Folha e me irritei com o tal “óculos” 3D, hoje recebo o Estado e o “óculos” vem até mais completo, e não apenas para propagandas. Achei que apenas a Folha era dirigida para adolescentes, e tão somente o caderno Folhateen. Sinceramente isso pode até angariar alguns anunciantes sempre propensos a acreditar que inovar é isso, não tenho dúvidas que várias famílias em breve estarão sentadas diante de um televisor todos de óculos, pode algo mais grotesco? Mas deixo meu depoimento que inovar em jornalismo é ir além na qualidade das matérias, nas denúncias, nas análises. Prefiro saber as sacanagens da Fifa do que ver anúncios e cadernos com óculos azul e vermelho. Parem com isso ou vou ter que mudar minhas fontes de contato com o mundo, eu já vivo em 3D, não vejo mal nenhum em buscar informação em mídias planas…

O escritor fantasma: Quem está velho, Polanski ou eu?

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Fui assistir ao último filme de Roman Polanski embalado por motivos profissionais. Sou também um escritor fantasma, mas o filme só tem o título sobre o tal ghostwritter, no fundo quer ser um filme de suspense, desses bem médios, passíveis de serem alugados em “vídeo”.

O que impera, talvez influência do “trauma” de Polanski com os Estados Unidos, é a visão maniqueísta da CIA, novidade nenhuma. Além da casa bacanérrima à beira da praia, qualquer um escreve melhor num cenário daquele, pouco a dizer. O escritor é um detetive, o político uma caricatura. A historinha parece denotar saudades da Califórnia. A prisão ou os setenta anos não fizeram bem para o diretor, não sei se fui eu quem envelheceu, mas nos temos de Natasha Kinski como primeira dama, gostava mais do que fazia.

Não é todo dia que você se descobre dos mais úteis

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Se olhar para as imagens acima e conseguir fazer alguma associação com seu processo de busca por informações na internet, bingo, eu estou garantido. Ouço, leio e converso sobre novos algoritmos de busca, seja do Google, seja dos concorrentes, em teoria, tudo o que precisa ficará a alguns cliques da sua mão.

Mas minha prática tem se mostrado bem distante disso, se o algoritmo e a capacidade de processamento aumentam, aumenta mais ainda a capacidade das pessoas de acrescentarem coisa nesse grande e fascinante lixão digital que é a internet. Há agulhas, sim, há, mas haja palha nesse palheiro. Quem for assinante da Folha ou do uol deve ler artigo do Luli Radfahrer publicado no caderno tec de hoje.

Luli é desses tipos moderninhos no visual, trabalha com internet não é um dinossauro tradicional, se bem que para os teenagers de hoje, acima de 22 já tá quase com o pé na cova. Mas esse se esforça, cavanhaque, óculos tipo eu sou updated, objetos de locomoção exóticos. O artigo o Futuro do grátis traça a trajetória de que o valor passa a ser encontrar alguém para quem pedir SOCORRO! , está muito caro ficar aqui de busca em busca, ou então, perdendo tempo com essas coisinhas legais e engraçadinhas, mas completamente superficiais. Por que a vida de um kidult, geração auto-ajuda é bacana, até o dia em que acorda em busca de algum sentido, daí, ou fez algo, ou começa a correr imediatamente, ou para alguns, tarde, a depressão sem sentido… Eis o link digital, aqui.

Por isso acredito que tenho futuro, porque além do futuro, olho para o passado, porque valorizo o jornal, o livro, o papo, a troca de idéias, algo muito diferente da troca de mensagens. Se não sigo mulher bonita porque sou casado, não vou ficar seguindo engraçadinhos no twitter ou então, filósofos de pouca categoria… Ainda acredito que para ter profundidade é preciso concentração. Não quero fazer tudo ao mesmo tempo e não saber nada.

Para ganhar um livro: É melhor ser empreendedor ou executivo?

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Tá valendo a campanha do Empreendedor ou executivo? Quem nasceu prá que?, primeiro livro do selo Da Boa Prosa. Se quer concorrer a um livro envie um email para contato@virgilia.com.br respondendo a pergunta: O que é melhor, ser executivo ou empreendedor? As 5 melhores respostas serão publicadas aqui no site e receberão o livro. Se você não aguentar e quiser comprar agora nas livrarias, clique aqui para comprar na Cultura, ou aqui, para comprar na Saraiva. Até 20/07 sua criatividade pode ser premiada.

 Por enquanto minha preferida foi: Executivo, porque quando mato trabalho para assistir jogos da Copa, o salário continua o mesmo…

Mas ainda muita frase boa deve chegar. Basta escrever, os selecionados receberão email solicitando o endereço para envio do livro. Participe, divulgue!

Futebol, paixão, negócios e Deus. A Guerra dos Ks, Kaká x Kfouri

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Confesso que já vi mais graça no futebol. Assumo que também deve ser a crise da meia idade, que meu filho supõe chegar para ele aos 36 anos, ilusão dos 13. Mas houve um tempo em que eu achava que era tudo sério, que os jogadores se matavam por seu país, não é bem assim, amigos no que interessa, os 4 anos entre as copas, os jogadores olham os adversários como amigos e colegas de clube, companheiros na preservação da boquinha que atinge alguns bilhões, ainda vai estourar alguma bolha.

Então, por um lado é necessária a paixão, o fervor do torcedor, a disposição de pagar um absurdo pela camisa, pela bola, pela viagem, sei lá por qual forma de conseguirem um dinheiro, sem moralismos, mas também sem se preocupar se aquele apaixonado é capaz de priorizar seus gastos, pouco importa se a vida do torcedor vai bem, é o pacto da alegria, são sorrisos e gritos de alívio caros… Por outro é um negócio administrado teoricamente de maneira correta, efetiva, mas só teoricamente, imagino pressão por todo o lado, no mínimo, negociatas de convocações e escalações e percentuais. Ou seja, algo que há muito já virou big business.

O técnico Dunga é alguém limitado intelectualmente, já falei aqui, fã de Augusto Cury, mas acredito que competente na função, como resultado, prefiro a linha dura de agora do que a moleza do velho lobo… Ele ouviu as ordens de Parreira e foi campeão em 1994, não fiquei assim tão feliz com a incompetência do Baggio ao bater pênalti, mas na estatística, fomos tetra, é um cara pragmático, buscando resultados e a Copa tem suas manhas. Não sei se deixarão o Brasil ganhar, mas espero que o Maracanã não veja outra decepção da seleção, daí só implodindo, e portanto, começo a duvidar de dois títulos seguidos.

E isso também deve pressionar Dunga, incentivá-lo a tratar a imprensa como trata, esquecendo-se que se não estivesse onde está, não apenas não teria jornalistas querendo ouvi-lo, como tampouco faria propagandas e outras benesses. E o estímulo e estilo devem estar influenciando seus comandados.

Kaká hoje partiu para o ataque, não contra os reservas ou titulares no coletivo, não contra os adversários, mas contra Juca Kfouri, um crítico de plantão da instituição, olha o upgrade, CBF. Misturou Deus, e mostrou que é melhor mesmo com a bola nos pés. Concordo com Juca que não se deve ficar fazendo apologias religiosas nos gramados. Acompanho diariamente sua imparcialidade neste assunto e, não escondo de ninguém minha preferência nesse campo, alinho-me com ele, Saramago e alguns outros, mas pergunto aos fãs do futebol por que tantos jogadores se acham merecedores de atenção especial? É só fazer um gol e olhar para os céus, como se os adversários e seus milhões de torcedores fossem menos desprovidos.

Já falei muito, acho uma pena que o futebol tenha se “profissionalizado” tanto, nele, impera o consumismo, “astros ora do senhor, ora são das campanhas publicitárias”, uma pena que a disputa capaz de envolver tanta paixão, deixe-a para trás de tantos interesses e algo tão simples precise de tecnologia na bola, guerras religiosas e tantas outras coisas. Quando eu tinha 15 anos e via a seleção do Telê jogar, era mais fácil acreditar que tudo aquilo se resolvia no campo, comecei ali a desconfiar que Deus não era brasileiro ou, no mínimo, não gostava muito do Toninho Cerezzo… Kaká, relaxa aí, descansa e melhore sua púbis para matar a Espanha na próxima fase, porque eles também são filhos de Deus e querem seu lugar ao sol… Imagine se o tal Maradona é que fosse o técnico do Brasil. Será que nossos ídolos no campo tem que sempre terem um comportamento anódino fora dele?

Tá faltando assunto. Que o Galvão é chato, não discordo, mas a Veja e o twitter também…

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Francamente, que o twitter está repleto de besteiras, não tenho dúvidas, expressão cultural do nosso tempo? Talvez, mas precisa a Veja ficar dando capa para isso? Puro jornalismo oportunista, contrário ao que a revista prega na teoria. Resultado prático? Aumento de salário para o Galvão Bueno… Cala a boca Galvão Bueno, fica tranquilo que isso vai representar mais alguns milhões na conta… Não que eu concorde

Não seria melhor de improviso???

José Saramago contribuiu de maneira decisiva para valorizar a língua portuguesa. De origem humilde, tornou-se autodidata e se projetou como um dos maiores nomes da literatura mundial. Recebeu o Prêmio Camões, distinção máxima conferida a escritores de língua portuguesa, e o Prêmio Nobel de Literatura. Nós, da comunidade lusófona, temos muito orgulho do que o seu talento fez pelo engrandecimento do nosso idioma. Intelectual respeitado em todo o mundo, Saramago nunca esqueceu suas origens, tornando-se militante das causas sociais e da liberdade por toda a vida. Neste momento de dor, quero me solidarizar, em nome dos brasileiros, com toda a nação portuguesa pela perda de seu filho ilustre.

Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil”

 Se alguém ainda não sabe para que serve um ghostwriter, eis uma explicação prática. Lula nunca leu uma frase de Saramago, para azar dele…

E o livro faltou… Momento raro

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Poucas relações são mais envoltas por movimentos “sedutórios” que a homem-mulher. Diria que talvez a autor-editor se aproxime dos lances ousados que visam unir um macho a uma fêmea. Fui ontem assistir a uma palestra do Henrique Szklo, num congresso da ABD em São Paulo: Pedrão e os neurônios virgens. Carneiro, como é conhecido o rapaz, apelido que o tempo a cada ano torna mais ininteligível, foi meu autor na Negócio Editora, Só porque criou o mundo pensa que é Deus, segunda tentativa, me assediou bastante e voltaremos agora, num livro sobre criatividade.

Palestras dos sonhos para qualquer homem separado, umas 750 mulheres ouvindo, Carneiro manteve-se fiel e profissionalmente no script, ao final, ainda está sem editora, aquela era uma cerimônia de compromisso que estávamos celebrando, montou a tradicional banquinha de livros e quase o caos… Não tinha troco e nem livros, o sucesso das palestras tratou de esgotar a banca do autor que terá que orgulhosamente voltar hoje para vender e autografar alguns livros. História rara, como digo, já fiz muita companhia para autor em eventos, daqueles onde se programa dar apenas a passada oficial e sair, mas ter que ficar lá como padrinho da criança… O Carneiro é um dos grandes humoristas desse país ainda não celebrado, dá uma olhada no site dele www.operabufa.uol.com.br ou www.academiadacriatividade.com.br .

Se este post deixou você também com uma enorme vontade de comprar os livros, ele estará lá na Ancham, entre 14 e 16 hs de hoje autografando e quase prestando uma homenagem a Plínio Marcos…

Ensaio final sobre a cegueira…

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O mundo de Saramago passou a ter a mesma visão de seus personagens acometidos pela cegueira em seu livro que virou filme pela direção de Fernando Meirelles. Mas quem morreu foi um português aguerrido, teimoso, recolhido às Ilhas Canárias. Fica a sua obra, muitas vezes densa, longos parágrafos, assuntos fortes e provocativos. O primeiro representante de nossa língua a levar um Nobel e pelo tamanho dela, talvez um ocupante de espaço em prêmios tantas vezes políticos.

Vai encontrar Camões e Pessoa, além de outros portugueses, e escritores de primeiro time, não num céu onde nem ele nem eu acreditamos, mas no imaginário e nos arquivos da história, mas principalmente no imaginário e arquivos emocionais dos leitores.

Saia do armário: mas não precisa revelar opção sexual…

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Em tempos de Mothern Family e outras formações, seja em casa, seja na “firma”, sair do armário pode ser bem menos arriscado do que já foi. Mas não estou aqui discutindo opção sexual de ninguém. A revista Você S.A. traz no seu site uma entrevista com o autor Francisco Britto que tem o título Saia do armário, a explicação vem apenas no sub: assuma se quer ser empreendedor ou executivo. Além da entrevista, há um teste que ajuda você a decidir para que lado pende mais.

Clique na capa do livro para ler a entrevista, clique no armário (o nome é armário da diretoria) para ir direto para o teste.

Se quer concorrer a um livro para a ler antes da decisão final, fique aí dentrinho do armário até a conclusão da leitura, só saia para enviar um email para contato@virgilia.com.br respondendo a pergunta: O que é melhor, ser executivo ou empreendedor? As 5 melhores respostas serão publicadas aqui no site e receberão o livro. É claro que a todos aqui preferimos que você compre o livro nas melhores livrarias do país. A promoção é válida até o Brasil ser hexacampeão ou então dia 20/07, não estou tão confiante assim na seleção do Dunga, essa sim, ficou trancada dentro do armário…

Espalhe, a promoção, a entrevista, o teste, o livro!

A rebelião dos eucaliptos…

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Depois de ler a coluna da Mônica Bergamo na Folha de hoje fui abordado por vários passarinhos, cansados da distante viagem das reservas florestais brasileiras, relatando a enorme rebelião que acomete as árvores. A confusão parece estar instalada, são poucas as rebeldes que querem ser transformadas em papel para a biografia de Geisy Arruda. As mais velhas não se conformam com o assanhamento e falta de moral das representantes da geração celebridades. Fala sério, triste fim para essas árvores. Na minha biblioteca é que isso não vai entrar…

El Ateneo e o mercado argentino de livros no Mundo S.A.

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Quem já esteve na El Ateneo que funciona num antigo cinema/teatro em Buenos Aires sabe melhor o que é a magia do livro. Se quiser rever ou tentar sentir um pouco dessa atmosfera vale assistir ao programa Mundo S.A. da Globonews que tratou do assunto. Além de mostrar a livraria e o universo livreiro de Buenos Aires, faz refletir um pouco sobre a questão do livro eletrônico, clique na imagem acima e assista, são pouco menos de 15 minutos, mas garanto que é melhor do que muitos dos programas sobre os jogos da Copa… Ah, a dica veio do Publishnews.

Bloomsday, mais um que eu não começo a ler Ulisses

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16 de junho, feriado na Irlanda para celebrar James Joyce e homenagear seu livro Ulisses. Já o tenho, ensaio sua leitura, mas não será agora que ainda começarei. Suponho que a maioria dos festeiros, também não o fez, tipo de livro bastante (em números literários e editoriais) celebrado e bem menos lido. Leopoldo ajudou a mudar a história da literatura, sei sem ter lido, mas requer bem mais que as 16 horas para ser entendido.

Mesmo assim, para os leitores viciados, celebrações também acontecerão no Brasil, até no site de baladas Oba-oba há menção e agenda. Do jeito que o Brasil jogou ontem, está mais fácil celebrar James Joyce, a Irlanda, foi “polpada” de sofrer pelas mãos do francês Henry…

Cada um tem o guru que merece. Mesmo assim vou torcer pelo Brasil…

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Confesso que invejo muitas coisas do Dunga. Queria ter seu salário, sua capacidade de mexer com as pessoas, o poder de sua posição. Mas acreditem, não queria ter seu corte de cabelo, seu senso estético, sua lista de convocados e muito menos suas pretensões intelectuais. Acabo de ler no Publishnews, um informativo do setor, que o Fantástico do último domingo fez uma matéria com o Augusto Cury sobre o Dunga, sobre o trabalho que os dois fizeram juntos.

Isso me obriga a pensar que o futebol, capaz de mobilizar e parar um país, agora há 15 minutos do início da partida, só ouço as vuvuzelas tupiniquins, melhor, vários países, ainda é um esporte do pé. Menção honrosa seja feita ao técnico José Mourinho que costuma ler e citar coisa muito melhor…

Mas apesar disso, vou torcer pelo Brasil, esperançoso que os talentos individuais, usem sim um pouco da aplicação defendida pelo Dunga, necessária, mas libertem-se de todas as amarras ranhetas e burocráticas, causadas pela insegurança do técnico, ou talvez, porque assimilou totalmente os conceitos de auto-ajuda nos quais gasta seu tempo livre ou estratégico, com. Curys, Shiniashikys e outros gurus sempre fazem sucesso com os técnicos, pena que na verdade, não façam nada com as equipes, mesmo sabendo que a maioria delas é passível de um belo discurso emocional religioso. Que Deus nos ajude, afinal, não é brasileiro????

Editar poesia…

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Morreu no dia 12 o editor Massao Ohno. O mercado editorial brasileiro, mas principalmente a poesia brasileira, têm uma dívida com esse maluco. Editar poesia, apesar da beleza, nobreza e vários outros eza, é f*da, precisa de muito amor a arte e um desprendimento com a própria família, que vai pagar o pato.

O Ricardo, um amigo editor, iniciou sua carreira com Massao Ohno e me contou algumas boas histórias. Numa bienal fui quase vizinho. Daqueles que via o livro como algo importante, capaz de mudar a vida sensível das pessoas, daqueles que achava que as palavras e a forma como eram esparramadas na página podiam tocar pessoas. Foi jovem e é claro, não teve o retorno merecido enquanto atuou.

Um blog que tem conteúdo, aproveite que não são muitos… Blog da Companhia

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Para quem gosta de livro e do entorno, eis uma ótima recomendação, o blog da Companhia das Letras. Além de informações sobre os lançamentos e falar de livros em geral, não apenas os da editora, um dos melhores, se não o melhor catálogo brasileiro, escrevem autores e colunistas. Um deles é o “dono”, o editor Luiz Schwarcz, com uma coluna sobre os “bastidores” da relação autor-editor, muito interessante.

Vale a leitura. Ah, se andei pegando no pé do Steve Jobs pela cruzada moralista que empreendeu, é preciso reforçar seu suporte para que os jornais continuem a ser os verdadeiros geradores de conteúdo, não a blogosfera. São poucos os blogs que pensam e tem o mínimo de condições de emitir opinião neste universo tão interessante e tão imbecilizado como é a internet, onde nunca foi tão difícil separar o joio do trigo. www.blogdacompanhia.com.br

É claro que não passei ileso pela Strand

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Devem existir pessoas que conseguem passar pela Strand e nada comprar. Já assumi que sou doente neste sentido, quase um livro maníaco, com a necessidade de estar próximo de determinadas obras ou então, imaginar que outras me serão úteis em algum momento futuro.

Comprar uma edição capa dura de contos ainda não publicados de Primo Levi (A tranquil star) por 3,95 dólares é ótimo num primeiro momento, péssimo ainda num momento anterior, sinal de que o livro encalhou. Mas também achei que valia ter Breakfast with Socrates, Off the page (discussão entre autores de quem vale a pena olhar sobre a arte de escrever) e Manhood for amateurs, uma possibilidade, mesmo que remota de entender o meu gênero… Quando vou lê-los? O acaso dira, mas é mais provável agora, do que antes…

iAds, mas pode chamar de Aids???

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O iPhone 4 foi apresentado ontem para a comunidade de desenvolvedores de aplicativos, pessoas que pagam para ir até San Francisco ouvir Jobs, sentir-se especiais e poder sair na frente no desenvolvimento de aplicativos.Enquanto Jobs apresentava uma das principais novidades do novo aparelho e a intenção de abocanhar um belo naco do mercado de anúncios mobile, eu fazia aqui um pequeno protesto contra a disposição puritana de Jobs de proibir ou dificultar a pornografia nos aparelhos. Insisto, não estou aqui defendendo, mas sim criticando essa questão de falsa moral. Já me emocionei com vários comerciais, dentro de um limite, quase sempre ultrapassado, a considero como um fenômeno cultural, uma forma de expressão da sociedade, mas apesar de entender a força de sua propulsão em vários setores da economia, também reconheço sua culpa na formatação do atual estágio de eterno vazio e descontentamento em que chegamos, correndo o risco da brincadeira infame, o iAds, para quem fala português é muito próximo de Aids, e os dois são transmitidos por um vírus e podem causar danos pesados. Jobs quer 50% dessa grana, sempre pensa grande, é mais generoso do que a média dos capitães da “indústria”, só do que a média, alguns sequer conseguem se imaginar ficando com um percentual menor (Jobs está propondo 40% para a Apple, 60% para os desenvolvedores), se entregou para o fascínio da publicidade, mas ainda dá uma de durão diante de assuntos mais morais…Neste novo passo também quebrou a exclusividade com o Google como ferramenta de busca, incluiu a opção do Bing e do Yahoo. Parece que os dois bichos papões do futuro serão Apple e Google, duas empresas que já foram ou ainda são sinônimo de transado, de cool, vamos ver se elas também aguentam ficar em tal posição ou se ser queridinho tem um limite, no mínimo a necessidade de alguém tão ou mais poderoso que você.