8 de Junho de 2010

O iPhone 4 foi apresentado ontem para a comunidade de desenvolvedores de aplicativos, pessoas que pagam para ir até San Francisco ouvir Jobs, sentir-se especiais e poder sair na frente no desenvolvimento de aplicativos.Enquanto Jobs apresentava uma das principais novidades do novo aparelho e a intenção de abocanhar um belo naco do mercado de anúncios mobile, eu fazia aqui um pequeno protesto contra a disposição puritana de Jobs de proibir ou dificultar a pornografia nos aparelhos. Insisto, não estou aqui defendendo, mas sim criticando essa questão de falsa moral. Já me emocionei com vários comerciais, dentro de um limite, quase sempre ultrapassado, a considero como um fenômeno cultural, uma forma de expressão da sociedade, mas apesar de entender a força de sua propulsão em vários setores da economia, também reconheço sua culpa na formatação do atual estágio de eterno vazio e descontentamento em que chegamos, correndo o risco da brincadeira infame, o iAds, para quem fala português é muito próximo de Aids, e os dois são transmitidos por um vírus e podem causar danos pesados. Jobs quer 50% dessa grana, sempre pensa grande, é mais generoso do que a média dos capitães da “indústria”, só do que a média, alguns sequer conseguem se imaginar ficando com um percentual menor (Jobs está propondo 40% para a Apple, 60% para os desenvolvedores), se entregou para o fascínio da publicidade, mas ainda dá uma de durão diante de assuntos mais morais…Neste novo passo também quebrou a exclusividade com o Google como ferramenta de busca, incluiu a opção do Bing e do Yahoo. Parece que os dois bichos papões do futuro serão Apple e Google, duas empresas que já foram ou ainda são sinônimo de transado, de cool, vamos ver se elas também aguentam ficar em tal posição ou se ser queridinho tem um limite, no mínimo a necessidade de alguém tão ou mais poderoso que você.