Futebol, paixão, negócios e Deus. A Guerra dos Ks, Kaká x Kfouri
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Confesso que já vi mais graça no futebol. Assumo que também deve ser a crise da meia idade, que meu filho supõe chegar para ele aos 36 anos, ilusão dos 13. Mas houve um tempo em que eu achava que era tudo sério, que os jogadores se matavam por seu país, não é bem assim, amigos no que interessa, os 4 anos entre as copas, os jogadores olham os adversários como amigos e colegas de clube, companheiros na preservação da boquinha que atinge alguns bilhões, ainda vai estourar alguma bolha.
Então, por um lado é necessária a paixão, o fervor do torcedor, a disposição de pagar um absurdo pela camisa, pela bola, pela viagem, sei lá por qual forma de conseguirem um dinheiro, sem moralismos, mas também sem se preocupar se aquele apaixonado é capaz de priorizar seus gastos, pouco importa se a vida do torcedor vai bem, é o pacto da alegria, são sorrisos e gritos de alívio caros… Por outro é um negócio administrado teoricamente de maneira correta, efetiva, mas só teoricamente, imagino pressão por todo o lado, no mínimo, negociatas de convocações e escalações e percentuais. Ou seja, algo que há muito já virou big business.
O técnico Dunga é alguém limitado intelectualmente, já falei aqui, fã de Augusto Cury, mas acredito que competente na função, como resultado, prefiro a linha dura de agora do que a moleza do velho lobo… Ele ouviu as ordens de Parreira e foi campeão em 1994, não fiquei assim tão feliz com a incompetência do Baggio ao bater pênalti, mas na estatística, fomos tetra, é um cara pragmático, buscando resultados e a Copa tem suas manhas. Não sei se deixarão o Brasil ganhar, mas espero que o Maracanã não veja outra decepção da seleção, daí só implodindo, e portanto, começo a duvidar de dois títulos seguidos.
E isso também deve pressionar Dunga, incentivá-lo a tratar a imprensa como trata, esquecendo-se que se não estivesse onde está, não apenas não teria jornalistas querendo ouvi-lo, como tampouco faria propagandas e outras benesses. E o estímulo e estilo devem estar influenciando seus comandados.
Kaká hoje partiu para o ataque, não contra os reservas ou titulares no coletivo, não contra os adversários, mas contra Juca Kfouri, um crítico de plantão da instituição, olha o upgrade, CBF. Misturou Deus, e mostrou que é melhor mesmo com a bola nos pés. Concordo com Juca que não se deve ficar fazendo apologias religiosas nos gramados. Acompanho diariamente sua imparcialidade neste assunto e, não escondo de ninguém minha preferência nesse campo, alinho-me com ele, Saramago e alguns outros, mas pergunto aos fãs do futebol por que tantos jogadores se acham merecedores de atenção especial? É só fazer um gol e olhar para os céus, como se os adversários e seus milhões de torcedores fossem menos desprovidos.
Já falei muito, acho uma pena que o futebol tenha se “profissionalizado” tanto, nele, impera o consumismo, “astros ora do senhor, ora são das campanhas publicitárias”, uma pena que a disputa capaz de envolver tanta paixão, deixe-a para trás de tantos interesses e algo tão simples precise de tecnologia na bola, guerras religiosas e tantas outras coisas. Quando eu tinha 15 anos e via a seleção do Telê jogar, era mais fácil acreditar que tudo aquilo se resolvia no campo, comecei ali a desconfiar que Deus não era brasileiro ou, no mínimo, não gostava muito do Toninho Cerezzo… Kaká, relaxa aí, descansa e melhore sua púbis para matar a Espanha na próxima fase, porque eles também são filhos de Deus e querem seu lugar ao sol… Imagine se o tal Maradona é que fosse o técnico do Brasil. Será que nossos ídolos no campo tem que sempre terem um comportamento anódino fora dele?
