Arquivo: Junho de 2010



É melhor pegar o que o Jobs tem de bom e fazê-lo reconsiderar as besteiras

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As fotos acima aparecem no blog da Virgília e em vários lugares. Não estou com elas defendendo a pornografia. Mas confesso que já tive dias melhores com o Steve Jobs. Nunca tive um computador Apple mas mesmo assim fui um fã do fundador da Apple pela sua atitude. Na verdade, assumi minha admiração quando li uma entrevista onde respondia que a única coisa que se arrependia de verdade na vida era não ter tirado uma garota de quem gostava para dançar no final da adolescência. Uma pessoa tendo feito o que fez, responder isso, me pareceu algo mais interessante do que o brucutu/tecnólogo mas metido a entender de design que muitas vezes é.

Mas ficar fazendo campanha e buscando formas de proibir a “pornografia” no iPad é demais. A tela do iPad é perfeita para ver a foto da Carla Bruni, ou então, aumentando a profundidade, por que não ver o trabalho mais ousado de Mônica Bellucci, seja posando sozinha, seja acompanhada de Sophi Marceau? Isso é uma das piores coisas dos americanos, tem uma dificuldade em assumir em público sua “podridão”, insisto que admirar essas fotos não deve condenar ninguém à cadeira de um psicanalista, mas quando se começa de guardião da moral e dos bons costumes, geralmente tenta-se disfarçar coisa pior.

Steve, vai se preocupar com outra coisa e deixa a moçada fazer o que quiser! Esqueci o nome daquele político americano retratado no filme Milk, o que era tremendamente contra o homossexualismo e depois preferiu se matar a assumir. Aliás, grandes moralistas morrem não pela boca, mas pelo desejo, e o desejo é algo que aumenta, quando represado …

Parece que a febre também havia alcançado o concorrente Bezos, li um email de um editor que disse não se sentir à vontade para publicar Henry Miller tamanha a “caretice” das regras para os livros no Kindle.

Ainda não li nenhum livro no meu iPad, estou começando a olhar os jornais gringos com certo hábito e ainda mato um tempo no Sudoku, mas quero que seja livre para fazer o que eu quiser, não o que o Jobs acha certo.

Nova Folha de S. Paulo

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A Folha mudou enquanto eu estava viajando, não vi nada. Mas na volta, vi tudo, continuei com minha mania de ler os jornais da minha ausência, foram quase duas semanas, uma pilha considerável que me tomou uma boa parte do feriado.

Confesso que ainda estou me estranhando com a Folha, o tipo utilizado para notícias me parece um tanto exagerado, agride os olhos e dá um ar antigo. Mas o que mais me incomodou mesmo foi uma das peças da campanha O jornal do futuro.  A campanha impressa muda apenas a imagem do leitor, há o jornal, e algumas telas, mostrando todas as possíveis formas de se ler o jornal. Mas eu confesso que não faria a seguinte chamada: O jornal do futuro é aquele que em menos tempo se lê. E que mais tempo se comenta.

Acho uma aposta contra a leitura. Se quem vive dela prega a sua diminuição, quem vai pregar manutenção ou até mesmo aumento. Se o Steve Jobs, não um ferrenho amante da leitura, anda preocupado com a transformação das notícias numa imensa blogosfera, porque a Folha faz essa graça? O jornal continua plural, também é claro que protesto contra a manutenção do José Sarney, uma visão de passado, não de futuro.

Livraria de antigamente é mais inteligente… Por que estamos onde estamos?

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Por indicação de uma amiga fui visitar a Crawford-Doyle Booksellers na Madison, 1082 semana passada. É daquele tipo de livraria que facilmente se percebe que a democracia também tem seu lado não tão positivo, muito desperdício de papel… Ou seja, muitos livros inúteis publicados. Se a Strand cativa pela quantidade da oferta, consegue na escala ter uma oferta das melhores, a Crawford-Doyle, com poucos metros, mostra que apesar de pequeno, é possível encontrar mais livros que dá vontade de comprar do que uma Barnes & Noble gigante. Ou seja, alguém colocou sua personalidade e seu olho nas estantes.

Tenho o hábito de sempre comprar um livro numa livraria que me passa esse mood. Só restava decidir qual. Como disse, ando empenhado em produzir literatura, portanto decidi ler em português, aí o novo livro do Tony Judt ficou piscando na minha frente. Gosto de suas idéias e assumo que também fiquei comovido com sua postura e atitude depois da doença. Pensei se não seria melhor comprar a versão para Kindle ou iPad, mas resolvi que como Judt, infelizmente corre alguns riscos, preferia ter um livro seu em papel, absolutamente concreto.

A obra mostra o porquê chegamos nesta situação coletiva de mundo, deste vazio fácil de aparecer na vida das pessoas, e aponta soluções também no nível coletivo, quase sempre difíceis de alcançar porque mexem com o status quo dos dominantes. Já comecei a ler.

Autobiografia de um ficcionista

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O novo livro de J. M. Coetzee, Verão,  é sobre um escritor, John Coetzee. Sei pouco da vida dele, li uns 5 livros, assisti o discurso de entrega do Nobel, li algumas entrevistas e sei que não é simpático. Portanto não consigo perceber o quanto é inspiração real, o quanto é jogo de cena, talvez até marketing… Mas a leitura flui, confesso que em alguns momentos não gosto tanto do estilo de um personagem como narrador do capítulo, se bem que nesse há o autor da biografia do Coetzee fazendo a amarração. Umas das entrevistas para a tal biografia é inclusive brasileira.

Se não chega a ser um livro excepcional, é um livro de alguém que sabe escrever de verdade, isso não é pouco, vale o preço e o tempo. Sempre se aprende com esses. Gosto dele, quase como gosto de Roth, quem acompanha este blog sabe que este é um dos maiores elogios…

Casa Azul, e não é na Flip, sim no México

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Até mesmo da incompetência é possível brotar algo bom. Até mesmo da incompetência da AeroMexico. Meu dia forçado lá rendeu uma visita a um mercado de artesanato, bem interessante, e a possibilidade de conhecer o Museu de Frida Kahlo, a casa onde viveu com Diego Rivera por algumas décadas e onde hospedou amigos, companheiros e amantes.

A pintura de Frida é também interna, estomacal, como o trabalho de Bourgeois, tampoco passa perto da tradicional estética feminina de combinar todos os detalhes, mas tem um colorido forte, também agressivo. Para variar, não acho que precise, também lida com a questão da maternidade, inatingível para ela.

Um espaço pequeno e bem conservado, pela embaixada da Alemanha que providenciou ajuda fundamental, origem de seu pai, capaz de dar uma boa imagem da vida dela com Diego Rivera e de um momento alto do “comunismo” no mundo da arte. Por que ser comunista é fácil, o difícil é pintar Stalin e acolher Trotsky…

Gullar levou o Camões, mais do que merecido…

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Agora quem vai ter que explicar como ganhará a enorme fortuna do prêmio Camões é Ferreira Gullar… Talvez peça auxílio a João Ubaldo…

Acho merecido, não apenas pela obra poética, mas pelas crônicas e críticas de arte. Um artista denso e multitarefa, alguém interessado e se posicionando o tempo todo. Uma voz lúcida, seja a tratar questões psicológicas dentro da família, seja a olhar para o mundo político brasileiro.

Eis um gostinho de um poema, na verdade um livro, que comemorou três décadas e ainda é capaz de causar discussões com outros poetas:

turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro: [menos que furo
escuro
mais que escuro:

Louise Bourgeouis não virou centenária

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Morreu na terça em Nova York a artista Louise Bourgeois, 98 anos. Uma das principais artistas do século XX, uma das mulheres de maior destaque no cenário cultural. Louise impôs uma estética nova, suas obras, muitas vezes, fálicas e eróticas traziam um tanto de suas experiências e relação com o pai e mãe (todos devem trazer, embora alguns disfarcem).

Os brasileiros, especialmente os que moram em São Paulo e frequentam o Parque Ibirapuera já se acostumaram com uma imensa aranha na ponta do MAM. Mas a obra dela vai além, há boas peças no Dia Becon, perto de Nova York e todo museu importante, tem suas peças.

Quem já assistiu a peça de Denise Stocklos em homenagem a artista não deve ter se arrependido, se houver repeteco, não perca. Na minha visão, a estética de Louise é bruta, agressiva, como se ela falasse pela mãe que se calava diante do pai, amante da professora. Abandonou a pintura e não se conteve em apenas expressar idéias diante de elementos harmônicos. Mas também viveu bastante e produziu muito. Cravou seu nome no cenário da arte, mas além do nome, cravou sua presença. Sua obra assumiu as rugas que o tempo lhe trouxe, não correu atrás de botox e cirurgias, mostrou a beleza do natural.

AeroMéxico, mas pode chamar de empresa de busão…

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Não gosto muito da idéia de utilizar este blog para criticar a incompetência alheia, passei um tempo brigando com José Sarney, mas agora é inevitável não criticar a AeroMexico. A parte do vôo de NY ao México atrasou mais de uma hora e cheguei há 7 minutos do horário da partida do vôo para São Paulo. Ninguém deu nenhum apoio em terra, como se eu, um cliente, não fosse problema deles, na verdade a solução para o faturamento e margens, mas a porta havia fechado, sem é claro ninguém dar assistência aos passageiros que não queriam entrar no México, apenas ir para a sala de conexão.

Além do mais, por enquanto, digo por enquanto, porque pretendo brigar com eles, não se responsabilizaram por nada, disseram que a culpa é do tráfego aéreo de Nova York. Então, se não me reembolsarem, vou brigar para que não possam mais vender passagens nesta rota.

Quem já ficou um dia a mais de viagem sabe o quanto é ruim, mas fica muito pior quando as pessoas que estão servindo o cliente não olham na cara dele e são mais parados e inertes do que uma pedra… Não pretendo voar AeroMexico nunca mais, mas pretendo que quem passar por este post faça o mesmo. A incompetência tem que ser punida! Nossa experiência semana anterior no país havia sido das melhores, uma empresa, ligada ao turismo, deveria sentir-se mais responsável pelos turistas.