Arquivo: Julho de 2010



Acho que meus brinquedos não me marcaram…

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Na tentativa de provocar a irmã, (que irmão não faz isso?), meu filho mais velho ficava no carro, na volta do cinema, dizendo que ela foi a última criança da face da terra a assistir Toy Store 3… Ela queria e a levamos, a vida anda corrida e tenho conseguido ir pouco ao cinema, uma pena, mas tive que cumprir meu papel de pai.

Não devo ter assistido 1 e 2, também não me arrependi. Eu devo ter sido muito revoltado na infância ou de fato já me assumi um homem de meia idade, já calejado e protegido dos sentimentalismos e dessa atitude kidult diante da vida. O filme é bonitinho, um tanto sentimentalóide, ando meio desconfiado dessa Pixar desde quando Steve Jobs deixou escapar sua cruzada moralista. Mas minha filha chorou e se emocionou, não pegou em nenhum brinquedo ao chegar em casa, mas valeu pelo programa familiar. Eu não pensei no meu forte apache, na minha bola de capotão, no meu peão ou no autorama, nem no meu boneco de marionete que minha mãe guardou e me “devolveu” anos atrás.

Pelo menos foi em 2D, fui dispensado do óculos plástico. Como era dublado, me dispensei do meu óculos de velho…

Operários de um novo tipo…

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A Folha de S. Paulo de ontem traz matéria sobre a primeira fábrica do ABC a ganhar uma biblioteca, um canto de leitura, do convênio firmado com o Ministério da Cultura. Bela iniciativa, as empresas entram apenas com o espaço, a verba para os aproximadamente 650 livros é dada pelo ministério. Será bem interessante se essa moda pegar, se o convênio for estendido para outros setores e outras regiões.

Mas para contaminar a geração que já chegou lá, poderia ser metalúrgica mesmo, poderia ser no ABC Paulista mesmo. Se já tivesse acontecido, não teríamos que pagar alguns micos pela postura engraçadinha e populista do presidente, que abusa do seu carisma e deixa a leviandade do discurso do “não estudei” servir de exemplo para uma população sem tradição.

Que os próximos operários que chegarem a presidência o façam também porque além de comícios nas fábricas, tenham-nas utilizado como fonte de leitura. Lula seria melhor presidente e ser humano se não fosse inimigo declarado dos livros e dos estudos.

Não foram os anos, foi a vida… Ressurreição

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Refletir sobre as diferenças de mundos e a moral de cada um deles é uma das principais questões que esta obra de Tolstói vai levantar na cabeça do leitor. A história da culpa que cada um carrega e o quanto dela vem da relação das pessoas com religião, algo muito presente, é outra.

Poucas vezes vi um personagem criticar tanto e tão bem a sua classe. Mas o que se questiona mesmo é o funcionamento e a eficácia do sistema judiciário. Neste livro é possível sentir a diferença de um grande escritor, a mão densa de alguém que teve uma vida ampla, experimentou, a frase do título deste blog foi uma das preferidas, mas existem várias outras. Em 1899 assumir que na base de um amor excepcional tem de haver alguma sujeira, não é pouco.

O príncipe de Tolstói viu-se livre da punição que se auto-imputou, ainda sem entender se pela razão certa ou errada, não soube muito bem o que fazer, aí houve a redenção religiosa, apesar de discordar da opção do autor, entender que se a vida não ultrapassar os cinco mandamentos não haverá problemas de culpa, é uma verdade mesmo para ateus, a moral é algo que fica acima da religião, para alguns a razão da existência desta…

De Tolstói agora “só” falta Anna Kariênina e Guerra e paz, só umas 2.000 páginas.

Não resisti, ia levar 3, levei a primeira fornada inteira: Clássicos Penguin Companhia

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Já assumi meu comportamento infantil diante de um livro que me sinalize ficar um pouco mais inteligente, culto ou perspicaz. É possível que numa livraria alguém me confunda com minha filha de 6 anos, pouco me importo. Minha mulher, mulher culta, artista e de alma aberta chega até mesmo a reclamar: precisava mesmo? Sim, precisava, é sempre a minha resposta e olho com orgulho para os livros na prateleira, talvez ainda mais desafiado com os prognósticos que deixaram de existir.

No final de semana acabei não conseguindo incorporar a coleção Clássicos Jackson à minha biblioteca do interior, a empregada jurou que viu bichos vivos, deixei-os de quarentena. Acho que eram apenas bichos mortos e partículas de livros nos caminhos que abriram nos livros que foram do meu avô.

Queria comprar os primeiros livros da Penguin Companhia no primeiro dia. Dos 4, declinava do O Brasil holandês, o que menos tenho probabilidade de ler na próxima década, Joaquim Nabuco sempre vejo como fonte de consulta, O príncipe, pelo menos o prefácio do príncipe brasileiro pretendo ler e de Henry James, Pelos olhos de Maisie, pelo menos sua introdução e digressão sob a técnica do romance. Acabei comprando todos, talvez pelo prazer único de ser o primeiro, pelo menos da Livraria da Vila dos Jardins. Os livros haviam chegado mas sequer estavam cadastrados, o display vazio aguardava o suposto novo interesse dos brasileiros pelos clássicos, o atendente teve que trazê-los do estoque todos com um papelzinho com o preço marcado para o caixa saber o que fazer.

Aproveitei e encontrei a nova edição do primeiro livro publicado pelo Mario Vargas Llosa: Os chefes e Os filhotes, em edição única. Quero ler um grande começando e ver se tenho espaço futuro…

Não tenho dúvidas que a Penguin-Companhia vai elevar o nível e ajudar na formação de novos leitores. Bem-vindos!

Ganhadores do Empreendedor ou Executivo!

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Se não eram muitos milhares de frases, eram alguns poucos ou muitas centenas de respostas para a promoção que fizemos aqui com o livro do Chico Britto, que esperávamos. Tivemos poucas centenas, número nada desprezível, ainda mais considerando que optamos por não gostar todos os milhões que havíamos reservado para investir em mídia.

Os cinco ganhadores, as cinco melhores respostas para a pergunta o que é melhor ser: Empreendedor ou Executivo? Por quê? são (optei por não fazer nenhuma censura politicamente correta):

1) Empreendedor - Rala tanto quanto, tem que obedecer mas não precisa chamar ninguém de chefe, e se der sorte, fica rico de verdade (Simone - Pernambuco)

2) Empreendedor - Desde que não caia no mesmo risco do executivo bem-sucedido padrão, ficar trancado no escritório ouvindo os elogios da equipe, o retorno é bem maior (Claudio - São Paulo)

3) Executivo - Já tentei empreender e dei com os burros n’água. Gato escaldado tem medo de água fria… (Gérson - São Paulo)

4) Empreendedor - Só quando o negócio é seu é possível fazer do jeito que se gosta e colocar a intensidade máxima (Antonio - Minas Gerais)

5) Executivo - O melhor negócio é correr o risco com o dinheiro dos outros e não ter que pagar bônus com o seu, só receber (Roberto - Rio de Janeiro)

Os vencedores já foram contatados e os livros devem chegar no máximo até o final da primeira semana de Agosto. Aguardem outras promoções.

O esporte não era para se torcer? Mais um papelão na Fórmula 1

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Há tempos não acordo cedo num domingo para assistir a uma corrida de Fórmula 1. Há muitos anos, acho que no fundo o que eu gostava era de ter uma dose extra de estima ao ouvir a música do Senna e ver a bandeira brasileira subir acima de outras, em tempos onde nossa posição era muito inferior.

Ontem tampouco assisti a um grande prêmio que nem sei onde foi, mas recebia um amigo admirador do esporte (ou será negócio?), que pediu licença e foi ver o final. Desceu decepcionado, cabisbaixo e “protestante” contra a palhaçada da Ferrari. Jogo de equipe? Só porque era brasileiro? Creio que não. Fazer o que foi feito ontem, coisa que me parece comum na Fórmula 1, é deixar vários expectadores descrentes das regras de competição (punição: 100 mil euros. Subtexto, pode aprontar que no máximo virá uma penalidade bem pagável, simbólica, apenas para dizermos que temos autoridade e não se pode fazer o que se quer). Esse é um dos esportes mais influenciáveis pelo enorme poder econômico, e ainda assim há os chefes de equipe, sempre das poderosas, definindo qual de seus pilotos cruza na frente. Dá para torcer? Dá para colocar emoção em algo assim?

A comprovação que não, foi a declaração do beneficiado, o espanhol Fernando Alonso: “Sempre tentamos fazer um bom espetáculo, mas trabalhamos para empresas”. É por isso que eu prefiro ou dormir, ou correr (com meu par de tênis) ou conversar com amigos, algo menos empresarial do que o negócio da Fórmula 1. Pior é que para os torcedores brasileiros, que um dia se acostumaram a ganhar, as perspectivas não são das melhores. É o segundo piloto de ponta do país que se encontra nessa situação, e isso, não colabora em nada para formar neles uma imagem de campeão, muito pelo contrário, deve dar uma vergonha grande descer do carro, por mais que a conta bancária fique cheia no final do mês.

Bom trio que entra

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Tento sempre que possível, ao cruzar com um livro que me desperta o olhar, a curiosidade e passa no teste da primeira avaliação, seriedade, autor, história e outros fatores emocionais que não sei se consigo entender, comprá-lo.

Isso faz com que minhas visitas às livrarias estabeleçam uma relação quase direta entre minha biblioteca e a escolha daquele livreiro. A Haddock Lobo Books, misto de livraria e revistaria em frente ao Rodeio em São Paulo tem poucos livros, mas tem ótimos livros, quase sempre há lá muitos representantes da obra de Philip Roth, e a estante da entrada é uma das melhores seleções que vejo na praça. Sempre tem coisa interessante, claro que há também espaço para alguns livrões, na verdade livrinhos, de curto fôlego literário, mas com uma enorme capacidade de tilintar o caixa e ocupar horas de pessoas que acreditam que de triste já basta a vida, dos pobres e pouco privilegiados, pois a delas, diz a regra do otimismo, é uma sequência de felicidades. 

De lá retirei o Uma história comestível da humanidade, já havia ensaiado comprá-lo, efetivei. De lá, também fazendo uma pesquisa sobre guias de Nova York, acabei comprando um Paul Auster, A trilogia de Nova York, que pouco irá contribuir no meu projeto, mas que cai bem na biblioteca. Pela internet comprei o último Gonçalo Tavares, A máquina de Joseph Walser, escritor que costumava dizer que me irritava bastante, pelo jeito quase velho de escrever apesar de ser mais novo do que eu. Um típico português que deve ter feito algumas cirurgias plásticas e tomado muita vitamina e passado muitos cremes para manter a farsa que seus documentos apontam no quesito nascimento… Escrevendo assim aos quarenta ainda vá, mas o pior, é que já era assim há tempos!

Muricy: vai ou não vai?

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Poucos acreditariam que o garotão irreverente e cabeludo dos anos 1970 fosse se transformar no técnico gordão e mal humorado que Muricy se transformou. Mas ele é competente e sério. Quando li o anúncio, deixei a imaginação funcionar e o imaginei não apenas arrumando a seleção, como também ajeitando, pelo menos dando um upgrade no seu lado moral. Mas parece que tudo não passou de uma trapalhada. Espero que não tenha sido apenas uma jogada ensaiada. Se vier, que tenha saúde, estômago e equilíbrio moral para suportar ter chefes como terá. Não é fácil ficar na vitrine com a CBF do jeito que é pesando nas costas…

A voz dos críticos é a voz do povo?

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Companhia das Letras e Cosac Naify, duas histórias bem diferentes mas com uma coisa em comum: amor aos livros e respeito aos autores e suas obras.

A primeira e a segunda no meu ranking. Mesma ordem que os críticos consultados pelo Valor Econômico colocaram em interessante matéria publicada hoje no Caderno Eu&Fim de Semana: Letras Maiúsculas. A primeira pela consistência, a segunda pela ousadia. A primeira mudou o nome do jogo, a segunda elevou um pouco mais o sarrafo. Editora para mim é “coisa” ainda bastante pessoal. Luiz Schwarcz não teria conseguido tudo sozinho, formou equipe. Charles Cosac claramente não tem capacidade executiva, os dois são alicerces por trás deste reconhecimento.

Dos outros participantes da listagem, 34, Martins Fontes, Record, UFMG, Ateliê, Hedra, Iluminuras, Unicamp, Contraponto, Difel, Edusp, Escrituras, Perspectiva, UnB, Vozes, WMF Martins Fontes e Zahar, com exceção das universitárias, se não me engano, quase todas estão no máximo na segunda geração, quase que reforçando a regra brasileira que editora não se passa de pai para filho, ou pelo menos de pai para filho e depois para o neto.

Quem acompanha meus comentários sobre minhas leituras percebe que uma enorme parte do que leio vem da Companhia das Letras, para mim, a editora que melhor consegue ganhar dinheiro e atingir números sem apelar e fugir de seu core, lançando vários autores de primeiríssimo time. O ideal seria ter o catálogo da Companhia nos projetos gráficos da Cosac, aí seria a combinação perfeita para o leitor, talvez não para o editor…

Matérias como essa podem servir como estímulo para que colegas editores reflitam se vale a pena ficar correndo atrás de best-seller e tendências de moda. Quando se acerta, vale, quando não, sequer se cria identidade ou admiração de crítica e público.

É claro que a voz dos críticos está longe da voz de Deus, esta talvez mais próxima da voz do povo e de seus representantes no mercado editorial: livros fáceis, receitas e promessas. Vendem muito, contribuem pouco para o desenvolvimento intelectual e formação ou aprimoramento de personalidade e visão de mundo. Pelo contrário, tendem a deixar o mundo pequeno, restrito as inevitáveis leis do sucesso. Se você quiser aplicá-las, um conselho, mude agora de blog, procure algum com uma natureza inspiradora e palavras sempre positivas. Vai que funciona…

Ah, se todos fossem iguais a Woody Allen…

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Ah, se todos fossem iguais a Woody Allen… O cinema teria filmes mais sacados e sutis, Scarlet Johansson, pareceria sempre uma atriz bonita e inteligente e, como o diretor, inimigo da tecnologia, diz hoje na Folha: “Nunca existirá algo que substitua o prazer de ler”.

A declaração vem de uma entrevista sobre a experiência dele em gravar seus livros para uma versão audiobooks. Com esse movimento de concentração e investimentos em sistemas de ensino, tenho certo receio de uma mediocrização, os maus professores terão um guia, os bons, ficarão amarrados e todos se encontram no meio, num nível confortável, mas mesmo assim acredito que mais leitores serão formados e poderão descobrir o tal prazer da leitura, que ao contrário do sexo, nada tem de intuitivo e dá o maior trabalho, mas pelo menos tem uma duração bem maior…

Muito bem-vinda Mário de Andrade: Welcome back in digital times

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Tenho um conhecido, pessoa mais de posses do que de estudo, que costuma bradar que o Brasil está perdendo a chance de se integrar no mundo contemporâneo ao incentivar bibliotecas. Na errada e torta visão dele, já deveríamos passar tudo para o computador, construir prédios e colocar lá livros é jogar dinheiro fora.

Claro que quando fala isso, além de discordar, só mesmo para marcar posição, não dá para discutir com uma posição dessas, também procuro me esconder, não pega bem para um editor ser visto em tal companhia…

Mesmo os lugares mais digitais ainda acreditam em bibliotecas, que terão sim que se reinventar, mudar seu modos operandi, mas por muito tempo ainda terão livros e serão um ambiente de consulta, pesquisa e culto ao conhecimento.

A Mário de Andrade, principal biblioteca pública de São Paulo,  é reaberta hoje para visitação e, principalmente, utilização da população, depois de um período complicado, não ainda totalmente refeita. Já é um grande avanço. Que esse ato sirva de estímulo para outras “otoridades” reformarem e reequiparem seus espaços, construindo muitos outros, aproveitando da criatividade de arquitetos para sinalizar para o público em geral que a leitura é algo que merece ser destacado.

Ah, pelo que li, abre com best-sellers, sim, que seja democrática e utilizada. Que tenha prateleiras e mais prateleiras que sirvam para a história e um público pequeno, se tiver os dois, com certeza esse público pequeno não só não vai sumir, como irá aumentar. Porque se o homem é ambicioso economicamente, o é também intelectualmente, só que nesse quesito, mais trabalho é necessário e aí, não é necessária a justiça, não há espaço para falcatruas e sacanagens, tem que pagar o preço: páginas e páginas (não importa se em papel ou digital).

Lettera libris, not digitalis…

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Perdi o lançamento mas recebi o meu exemplar do Letter Libris, jornal que irá discutir a literatura com a necessária, importante e difícil missão de não ser chato, nem causar tédio no leitor. Entre seus “jornalistas”, autores. Eis o perigo, autor é uma raça complicada, estou falando aqui não com a experiência do editor, daquele que assume já ter dado algumas porradas, a maioria muito merecida em autores, falo aqui do alto da minha pretensão de autor, ou seja, mesmo antes de se-lo, um autor já é pretensioso, autor falando de autor, é fio da navalha.

O time é bom, já tive aulas com Marne Lucio Guedes, já participei de atividades com Marcelino Freire, os outros também estão aí, contribuindo para o sistema não se acomodar, não ser totalmente monolítico, isso é bastante. Qualquer iniciativa que brigue pela literatura merece respeito e apoio, desde que tratada com seriedade, essa o é. Precisa fugir para não cair em metajornalismo literário, a tentação é grande, lembra que autor é alguém pretensioso?

Espero que o número 1 (esse é o 0), tenha mais páginas e se eu puder contribuir, aqui vai uma indicação: literatura é mais traço e pincelada do que clique, senti falta de desenhos ou ilustrações. O espaço aqui está mais do que aberto, a torcida é grande. A, o título do post é porque não encontrei facilmente nenhuma versão digital, talvez não tenha mesmo, nem tenha que ter, talvez venha mais coisa por aí.

A imprensa resolveu bater nos herdeiros, com razão

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A foto da Luciana Whitacker selecionada pela Folha para ilustrar a matéria sobre o quão prejudicial é para uma obra a briga entre os herdeiros, a posição de trabalho de Cecília Meireles, diz muito sobre a questão. Mesa simples, sem luxo, apertada, sem conforto. Isso não pode ser uma condenação aos familiares, nem seu oposto.

Não é isso que os herdeiros parecem estar buscando. O pior, muitas vezes, ao tentar valorizar ou proteger uma obra, acabam afogando-a. A Folha deu hoje, a Época na edição desta semana. É fácil para herdeiros acusarem editores, não que editores sejam santos ou livres de acusação, o difícil é entender a realidade de mercado e se adequar a ela. Alguns gênios tiveram vidas turbulentas, algumas obras refletem isso, outras, fugiram desses “pormenores”, dessas bombas futuras. Aí, na tentativa de muito ganhar, tudo fica menor. Os grandes nomes da literatura brasileira deveriam é estar cada vez mais presentes em várias obras, cada vez mais disponíveis para muitos leitores, há vários exemplos que acabam conseguindo exatamente o contrário.

Não conheço as situações particulares, mas a revista fala de Bandeira, Lobato, Rosa, Ramos, Meireles, Andrade e outros. De positivo mesmo apenas o exemplo de Vinícius de Moraes. O título, profissão herdeiro deveria servir de cutucão para que entendam que quanto mais gente puder tomar conhecimento de uma obra, mais se poderá rentabilizá-la. No fundo, o que deveriam fazer é tirar a mão dos bolsos e colocar na consciência e perguntar o que o autor gostaria, que cada um responda conforme seu ascentral… Eis o link para matéria da Época.

Eu não tenho certeza de nada…

Neil Jones disse em setembro de 2009 que estava seguro que seria o número 2 nos Estados Unidos e o líder na Inglaterra. Eu consigo dizer muito pouca coisa seguramente. Nem mesmo que o Neil Jones estava completamente errado, apesar de todas as evidências.

Quem é o Neil Jones? O investidor por trás do Cool Reader 0 Cooler, no Brasil, o aparelho da operação da Gato Sabido. A empresa, Interead, entrou em processo de liquidação na Europa, não comercial, liquidação judicial, ou seja, está para escafeder-se, mas as fontes dizem que o produtor chinês dará garantias. Apesar de não ter certezas, quase a tenho ao duvidar de um produtor chinês, prefiro estar em outras mãos, das deles, fico com o biscoito da sorte, o yakissoba, a carne com brócolis, até o famoso ovo preto chinês, que já comi lá, e aqui também, desafiando meus filhos.

Enquanto isso, sem nenhum desejo de discurso ludita, guardei neste final de semana a coleção Clássicos Jackson que foi do meu avô, na minha biblioteca. Aliás, ainda não guardei, os livros são da década de 1940 e ficaram por dezenas de anos mal guardados, abandonados desde que meu avô se mudou de Itapeva e largou lá não apenas seus livros. Os cupins deixaram suas marcas mas não foram vorazes o suficiente para ir além de furos e caminhos que não impedem a leitura. Estão aguardando na pré-biblioteca, na semana que vem, serão integrados.

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Mario Vargas Llosa e Tolstói

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O caderno Sabático de ontem tem um artigo de Mario Vargas Llosa sobre Tolstói, na verdade, a visita que o peruano fez a propriedade onde o russo passou grande parte da vida. Vale saber que Llosa leu Guerra e Paz em três línguas, será que se eu ler apenas em português mesmo já escrevo um pouco melhor, uns 30% dele? O artigo é tão bem escrito que até eu fiquei com vontade de conhecer a tal casa de Iásnaia Poliana, 200 kms ao sul de Moscou. Lá tem um pouco do universo de Tolstói, as disputas, as religiões, as teorias de educação. Por enquanto o máximo que consigo fazer é continuar a leitura de Ressurreição

Ah, no post passado não conseguia lembrar o que já havia lido de Tolstói, foram: Padre Sérgio, A morte de Ivan Ilitch, A sonata a Kreuser e Felicidade conjugal. Ou seja, por enquanto comi pelas beiradas, está na hora de encarar o principal, depois de Ressurreição, pego Anna Karienina enquanto aguardo alguma nova edição de Guerra e paz.

Se quiser fugir do alemão, leia

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Se você tem mais de 40 anos e não se lembra de quem é o rapaz das imagens do meio, talvez tenha problemas no cérebro ou preciso se consultar com o doutor Ivan Izquierdo, sua questão pode ser com o alemão… Brincadeiras à parte, reportagem sobre memória do Valor de hoje afirma que Alzheimer é questão apenas para quem tem mais de 65 anos.

Mas além de descrever como funciona a memória, é categórica em afimar que “Ler é fundamental!”. Diz a reportagem que o cérebro, como a musculatura, precisa de exercício, e não existe academia melhor para os neurônios do que a leitura.

Para não repetir a imagem (da mulher que só fez exercício para a mente, postada aqui no dia 12, veja abaixo), coloco outra diferente, mais poética, porque ninguém ainda pintou decentemente alguém numa academia lendo, fazendo exercício duplo… A matéria do Valor é muito boa, você vai se convencer de duas coisas:
1) é preciso esquecer;
2) tão importante quanto esquecer, é ler…

O link para assinantes é este:

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Amor se toma?

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Na quarta fui ao lançamento do livro A pílula do amor. Quem acompanha este blog percebe já pelo título que é diferente do que geralmente leio. O que fui fazer lá? Como também já citei aqui, compartilho com o editor Peter Suhrkamp, a opinião que se editam autores e não livros, nem todos os colegas pensam assim.

Quando conheci a Drica, segundo me revelou, há 10 anos, era um editor menos experiente do que hoje, mas ainda acredito que é possível e necessário garimpar, esse é o bacana de um editor, na verdade um jogador disfarçado que tem sua recompensa quando descobre um autor. A série De menina à mulher foi um sucesso na minha editora, continuou vendendo bem para quem eu vendi, mudou para a Rocco e vai ter um livro novo chegando, já foram mais de 100.000 exemplares, chegou até onde eu sei, à Portugal. Drica escreveu outros livros, esse, é o primeiro para um público adulto. Se soube mudar de público, não sei, minha lista de leitura anda grande.

Mas fui lá com um ar de criador observar orgulhoso a criatura. O mercado editorial é dos mais vaidosos… Se identifiquei nela a conexão com meninas jovens e adolescentes, cabe a sua editora atual julgar seu talento para falar com mulheres que já não são mais meninas…

Para alguns livro ainda é fetiche

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Lembro que no primeiro ano da GV, numa discussão ainda rodeada de marximismo por muitos lados, sem embora todos terem consciência, aprendi duas palavras. Uma ainda consigo explicar, a outra, com pouco mais de dificuldade. A primeira é fetiche, a segunda, epistemologia… Eram aulas com o professor Pedro Jacobi, Introdução à Metodologia de Pesquisa, e essas palavras eram ditas e retiradas do clássico do Kuhn, Estrutura das revoluções científicas, aridas, mais ainda com o sotaque do professor, para quem acabava de chegar do interior e das palhaçadas do cursinho.

Mas não só sei explicar como aderi ao tal fetiche. Alguns o tem por pés, eu em público assumo que tenho por livros. E foi isso que me levou a comprar a nova edição do Juventude do Coetzee, li há pouco o Verão, comprei Infância que não tinha, e ia ler o Juventude da minha biblioteca quando vi que foi relançado com a capa nova. Nem sei se gosto tanto, mas apesar de não ter o primeiro da trilogia no novo projeto, comprei o segunda. Darei o meu velho, inédito, para minha biblioteca do interior ou para algum amigo que mereça e goste de literatura de verdade. Coetzee é dos meus autores contemporâneos preferidos, tem a mão pesada, profunda.

Mas a discussão aqui foi também estimulada por entrevista do John Makinson, CEO da Penguin, comentando o lançamento da Peguin Companhia Clássicos, até o final do mês com quatro livros nas livrarias. Além de obrigar os lançamentos a serem também digitais, alunos de administração poderão ler Maquiavel bem traduzido e comentado, na minha época eram edições portuguesas mal cuidadas, ele fala do momento positivo da leitura e do diferencial da empresa que dirige, bons projetos, boa apresentação, livro que dá vontade de ter e colecionar. Fetiche!