20 de Julho de 2010

A imprensa resolveu bater nos herdeiros, com razão

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A foto da Luciana Whitacker selecionada pela Folha para ilustrar a matéria sobre o quão prejudicial é para uma obra a briga entre os herdeiros, a posição de trabalho de Cecília Meireles, diz muito sobre a questão. Mesa simples, sem luxo, apertada, sem conforto. Isso não pode ser uma condenação aos familiares, nem seu oposto.

Não é isso que os herdeiros parecem estar buscando. O pior, muitas vezes, ao tentar valorizar ou proteger uma obra, acabam afogando-a. A Folha deu hoje, a Época na edição desta semana. É fácil para herdeiros acusarem editores, não que editores sejam santos ou livres de acusação, o difícil é entender a realidade de mercado e se adequar a ela. Alguns gênios tiveram vidas turbulentas, algumas obras refletem isso, outras, fugiram desses “pormenores”, dessas bombas futuras. Aí, na tentativa de muito ganhar, tudo fica menor. Os grandes nomes da literatura brasileira deveriam é estar cada vez mais presentes em várias obras, cada vez mais disponíveis para muitos leitores, há vários exemplos que acabam conseguindo exatamente o contrário.

Não conheço as situações particulares, mas a revista fala de Bandeira, Lobato, Rosa, Ramos, Meireles, Andrade e outros. De positivo mesmo apenas o exemplo de Vinícius de Moraes. O título, profissão herdeiro deveria servir de cutucão para que entendam que quanto mais gente puder tomar conhecimento de uma obra, mais se poderá rentabilizá-la. No fundo, o que deveriam fazer é tirar a mão dos bolsos e colocar na consciência e perguntar o que o autor gostaria, que cada um responda conforme seu ascentral… Eis o link para matéria da Época.

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